Terra Magazine

14 de novembro de 2009

SP: Ciclista morto é homenageado com “bicicleta fantasma”

Tags:, , , - iurirubim às 14:14

Hoje, no final da manhã, o ciclista Fernando Couto - atropelado por um ônibus no dia 26 de outubro, na Avenida Robert Kennedy, próximo ao Largo do Socorro, zona sul de São Paulo - recebeu uma homenagem pouco comum.

Por iniciativa da família do ciclista, foi pendurada uma “bicicleta fantasma” em um poste, no local do acidente. A ghost bike (o termo é mais habitualmente usado em inglês) é o nome que se dá às bicicletas brancas que são colocadas no local em que ciclistas foram mortos por veículos motorizados. Um memorial bastante respeitado e caro a quem faz parte da cultura da bicicleta.

Essa tradição foi criada por cicloativistas de São Francisco (Estados Unidos). No Brasil, a primeira ghost bike foi colocada em novembro de 2007, em homenagem a um ciclista morto no ano antes na Avenida Berrini, também na capital paulista. A bicicleta, porém, acabou sendo retirada pela prefeitura e não foi reposta ou mantida pelos ciclistas.

Ghost bike de Márcia Regina Prado

Ghost bike de Márcia Regina Prado

Atualmente, a única Ghost Bike conhecida e mantida pelos cicloativistas em São Paulo atualmente é a de Márcia Regina Prado, localizada na altura do 1200 da Avenida Paulista.

Cerca de 50 ciclistas, familiares e amigos de Fernando estiveram presentes na homenagem, estendida também ao gari Antônio Ribeiro, atropelado junto com o ciclista. O acidente foi registrado por uma câmera de segurança da polícia militar de São Paulo.

Oração pelas v�timas e para que este tipo de acidente não se repita

Oração pelas vítimas e para que este tipo de acidente não se repita

No local do acidente, em torno da bicicleta fantasma, todos os presentes se uniram na roda de oração.

(fotos: CicloBR e Sampa Biker)

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24 de outubro de 2009

SP: Noivos vão de bicicleta para o altar

Priscila Teixeira e William Cruz vão se casar hoje. O sonho romântico deste casal, porém, é diferente da maioria dos outros: neste casamento, noivos, padrinhos, amigos e parentes vão ao cartório de bicicleta!

“Eu uso a bicicleta para praticamente tudo. Sou um ativista da causa, tenho um blog sobre o assunto; enfim, a bicicleta faz parte do meu dia-a-dia”, diz William.

Mas o noivo faz questão de dar os créditos a quem é de direito: “A ideia foi da Priscila. Teve uma hora que ela me perguntou: ‘Porque a gente não vai de bicicleta pra lá?’. Eu, claro, adorei”.

Decidida a questão, começaram a convidar os amigos e a família para a empreitada (veja texto do convite no blog do William).

- A gente não achou que fosse tanta gente! O pessoal gostou da ideia, estão divulgando, parece que vão mesmo! E olhe que não convidamos só gente da cena ciclioativista. Tem parentes, colegas de trabalho… pessoas que nunca andam de bicicleta pela cidade - conta William, ainda surpreso com a recepção da ousadia do casal.

E o casal vai pedalar trajado a rigor para o casário: ele, de terno, paletó, gravata e gel no cabelo; ela, de sandália de salto e vestido de noiva (”o vestido é um pouco mais curto, mas é vestido de oiva sim”, argumenta o futuro marido). Não só eles, mas também muitos dos amigos e parentes pedalam com trajes elegantes. “É o cyclechic”, brinca.

Para marcar definitivamente a importância das bicicletas na união, os pombinhos combinaram de encontrar os convidados na Praça do Ciclista, ponto de partida da tradicional Bicicletada paulistana.

O roteiro da Bicicletada do Casório - como a batizou, divertidamente, o noivo - é o seguinte: a partir das nove da manhã, os noivos já estão na Praça do Ciclista. Às 9h30, eles e os convidados saem em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde.

Depois do enlace todos seguem para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (previsão de chegada: 12h30), onde o casal corta o bolo e continua a celebração. “Vamos encher a frente da loja de bicicletas e mostrar que dá pra lotar um restaurante sem lotar o estacionamento”, desafia William.

Pergunto ao noivo se ele não tem receio de transformar o casamento numa manifestação política. Ele dá a entender que a principal motivação é íntima, tem a ver com a vida do casal, mas não deixa de falar com todas as letras:

- É uma manifestação no sentido de que mostrar que dá para fazer outras coisas de bicicleta além de dar uma volta no parque ou na ciclofaixa. Dá até para casar. Não precisa chegar no casamento de carro - diz.

Namorados de adolescência

“Nossa historia é bem longa, tem mais de 20 anos”, confidencia William. Ele conta que os noivos tiveram um namoro adolescente que durou três meses, quando tinha 14 anos e ela, 12 (hoje ele tem 36 e ela, 34). “Foi o nosso primeiro namoro um pouco mais sério”, afirma.

Depois de um tempo, o casal perdeu o contato, ambos casaram com outras pessoas e, depois, separaram-se. Na época em que estava se separando, William foi encontrado por Priscila no Orkut. Daí começaram a sair juntos e o romance engatou. “Na verdade, nunca havíamos esquecido um do outro”, garante, sem hesitar, o futuro marido.

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22 de setembro de 2009

Estacionamentos viram “vagas vivas” no Dia Mundial Sem Carro

Hoje é o Dia Mundial Sem Carro. O dia 22 de setembro é reconhecido internacionalmente como a data em que pessoas de todo o planeta se esforçam para deixar seus veículos em casa e deslocar-se apenas usando transportes públicos ou não-motorizados.

Mais que produzir uma redução significativa nas emissões de carbono, a data tem um objetivo didático: provar que é possível utilizar bem menos os automóveis, reduzindo os engarrafamentos, a poluição e as emissões de carbono e - por quê não? - o nosso stress do dia-a-dia.

Criado nos últimos anos do século passado em várias cidades européias, o Dia Mundial Sem Carro cruzou fronteiras e oceanos, tornando-se um evento realizado em dezenas (centenas, talvez?) de cidades de todos os cinco continentes.

No Brasil, várias organizações, como a Nossa São Paulo, Fundação SOS Mata Atlântica, Bicicletada (acontece uma edição especial para a data), Moutain Bike BH, apenas para citar algumas, têm atividades agendadas.

Como não poderia deixar de ser, o Greenpeace também preparou uma ação especial para o Dia Mundial Sem Carro. Em oito capitais brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Recife - vagas de estacionamento na rua são ocupadas por pessoas e transformadas em “vagas vivas”.

Barracas de camping, distribuição de sementes e mudas e até almofadas para leitura ocupam as oito vagas Rua da França (bairro do Comércio), em Salvador. Essas são algumas das vagas mais disputas da capital baiana no horário comercial.

- Essa manifestação não está lá para provocar atitude violenta, agressiva, mas queremos mostrar que as pessoas têm condição de transitar a pé, andar de bicicleta, de ônibus. Tem muita gente na região que poderia não usar o carro - argumenta Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace, que foi à capital baiana organizar a manifestação.

Os cerca de dez voluntários da ONG no local vão apresentar o Dia Mundial Sem Carro a motoristas e pedestres e tentar engajá-los no movimento. O mesmo formato se repete nas outras capitais.

O que você vai fazer no dia mundial sem carro?

O Blog das Ruas aproveitou para perguntar a diversas pessoas o que elas vão fazer no Dia Mundial Sem Carro. Caso interesse, este blogueiro vai resolver seus aferes a pé, de busão (como é chamado o ônibus aqui em Salvador) e de carona.

Liliane Reis, apresentadora do programa Atitude.com (TV Brasil):
“Yes, babe! nós e espero boa parte do mundo! vou de bike, mas tb de metro pra driblar o engarrafamento do rio q é punk!”

Mariana Neri, webdesigner:
“Eu vou andar de ônibus, como todo dia :B”

Cecília Sardemberg, pesquisadora e professora universitária:
“Eu não tenho carro há muito tempo. Sai muito mais barato andar de taxi…”

Sérgio Britto, músico e fotógrafo:
“Hehehehe, dia mundial sem carro? Isso é todo dia pra mim. Vejamos, nesse dia eu vou pegar ônibus, depois não diga que eu não sou engajado”

Sílvio César Tudela, jornalista:
“Eu nunca tive carro e vou a pé- ou de bike - para o meu trabalho… O que seria uma tragédia para os dias atuais, pode ser uma solução em tempos de aquecimento global…”

Tiago Bugarin, programador:
“Morador de Itapoã e trabalhador do Pelourinho, tenho apenas um ônibus até a Praça da Sé, um até o Campo Grande e um até a Lapa. Ir de bicicleta não é uma possibilidade agora tanto pelo despreparo físico quanto pelas dificuldade de acomodar o veículo no trabalho como também pela insegurança para os ciclistas em alguns trechos do trajeto.

Ir de carro não é uma possibilidade pelo custo elevado do combustível e pelo estresse que é dirigir nessa cidade, principalmente para quem tem que passar pelo Centro, Rio Vermelho, Pituba, Paralela e/ou Iguatemi.

Portanto, pra mim, o Dia Mundial Sem Carro será só mais um dia frustrante de tráfego pela cidade, com poucos ônibus que me atendam, caros e desconfortáveis. (e os motoristas dos mini-ônibus? insanos!)”

Depoimentos de fora do país

Também recebi depoimentos de outras duas brasileiras, que vivem em Buenos Aires e Montreal, respectivamente:

Clarice Val (Buenos Aires):
“Muito legal esse tema, vou lhe dizer que tenho o privilégio de viver em uma cidade na qual carro é totalmente dispensável, pois o transporte público funciona, isso é incrível.

Em Buenos Aires você pode se dar o luxo de não ter carro se viver na capital, pois há metrô conectando a cidade toda, trens urbanos que realmente funcionam, além do bom e velho busu (sem cobrador, aqui), que serve bastante bem à população, melhor inclusive que em muitas capitais da Europa. segundo quem já viajou e observou.

Você acredita que um ônibus de madrugada demora 20 minutos pra passar, se muito? Eu disse de madrugada, depois da meia-noite. E durante o dia é comum ver pessoas engravatadas usando transporte coletivo, coisa bastante pouco comum no Brasil.

Enfim, mais que um dia mundial, a dispensa do uso do carro depende, e muito, do serviço de transporte coletivo nas grandes metrópoles, e das cidades estarem preparadas para o uso de bicicletas, coisa que a maioria não está. Nossa lógica continua sendo pretrolífera, e é preciso escassez do óleo preto para que isso mude, pelo visto! Mas é bom mudar antes, pois senão dentro de pouco teremos que viver em barcos, hehe”.

Camila Novais (Montreal):
“A prefeitura aqui de Montreal, no Canadá, também adere à data. Algumas ruas da cidade (posso garantir pelo menos uma relativamente importante no centro da cidade) vão ficar bloqueadas. Tô bem por fora dessa data (se é algo com a participação das prefeituras ou um movimento individual de cada cidadão), mas achei bem legal a cidade aderir”

E você, o que você vai fazer no Dia Mundial Sem Carro?

(imagens:crédito: imagem Blógol [1]; Até onde deu para ir de bicicleta [2]; Blog Ecologia Urbana [3])

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28 de agosto de 2009

SP: De ternos e bigodes, ciclistas pedem “fora Sarney”

A tradicional Bicicletada Paulistana, manifestação-passeio que acontece toda última sexta-feira do mês, prepara um protesto bem humorado pela renúncia do presidente do Senado, José Sarney.

Hoje, após reunirem-se às 18h na Praça do Ciclista (canteiro central da Av. Paulista, entre as ruas da Consolação e Bela Cintra) e definirem o trajeto da jornada, os cicloativistas saem pelas ruas de São Paulo com bigodes, ternos, narizes de palhaço e o que mais der na telha deles, bradando “fora Sarney”.

“Você aí parado, vem pedalar do nosso lado e gritar: De bicicleta pode, fora bigode!”, é mote que os ciclistas repetem esta noite.

Esta noite, os ciclistas vão adicionar um bigode ao vestuário e exigir "Fora Sarney"

Esta noite, os ciclistas vão adicionar um bigode ao vestuário e exigir "Fora Sarney"

Originalmente, agosto é o mês da “Bicicletada dos Executivos”, na qual todos saem às ruas vestindo ternos enquanto manobram suas bikes. Daí a ideia de incluir bigodes na indumentária e “adaptar” a manifestação.

Bicicletada

A Bicicletada é um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas. A manifestação serve para divulgar a bicicleta como um meio de transporte, criar condições favoráveis para o uso deste veículo e tornar mais ecológicos e sustentáveis os sistemas de transporte de pessoas, principalmente no meio urbano.

(fotos: Pedalante [1]; Luddista [2])

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22 de julho de 2009

SP: Ação civil pública pode interromper obras da Nova Marginal Tietê

Após a polêmica derrubada de árvores centenárias, as obras da Freeway da Marginal Tietê voltam aos holofotes.

Desta vez, um pedido de liminar, impetrado pelo Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo com o apoio de mais cinco entidades, no dia 16 de julho de 2009, pode provocar a interrupção imediata da obra. Hoje, inclusive, expira o prazo para que o governo da capital paulista responda aos questionamentos da ação.

Entre os vários pontos abordados, está o questionamento sobre a competência para a elaboração do EIA (Estudo de Impacto Ambiental).

O estudo atual foi produzido pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo, num período de tempo considerado bastante célere (seis meses) e com a realização de apenas uma audiência pública.

O governo municipal alega que, como é uma obra de impacto apenas no município de São Paulo, caberia a prefeitura conceder o parecer.

Entretanto, a Dersa S/A, empresa de economia mista responsável pela obra, já fez uma consulta acerca desta questão à Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e de Proteção de Recursos Naturais do Estado.

A resposta, publicada no Diário Oficial do Estado, recomenda a realização de um Estudo de Impacto Ambiental em âmbito estadual, como mostra o comunicado abaixo:

Processo SMA 13551/2007 - Município: São Paulo
Interessado: DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A

Empreendimento: Consulta referente à necessidade de licenciamento ambiental para o programa de revitalização e requalificação da marginal Tietê, que através do Ofício CPRN/DAIA n° 0297/2007 de 26/03/2007 e Parecer Técnico CPRN/DAIA n° 062/2007 de 26/03/2007, conclui que o licenciamento do Projeto “Nova Marginal do Tietê” deverá ser realizado no âmbito estadual, através da apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental, devidamente procedido da apresentação de um Plano de Trabalho ao DAIA - Departamento de Impacto Ambiental.

Para acompanhar o processo pela internet, acesse o site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e digite 053.09.025071-3 no campo “número do processo”.

As informações e fotos desta matéria foram fornecidas pelo site CicloBR, parceiro do Blog das Ruas que acompanha de perto tanto a construção da Freeway da Marginal Tietê quanto outras questões relacionadas ao presente e futuro dos deslocamentos urbanos.

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13 de março de 2009

Pela segunda vez, ciclistas pedalam pelados por São Paulo

Tags:, , , , - iurirubim às 7:00

Neste sábado (14/3), às duas da tarde, São Paulo assiste à segunda edição de um dos protestos mais ousados que já ocuparam as ruas da cidade: a Pedalada Pelada.

Com o slogan: “nus é como nos sentimos pedalando nesta cidade”, a Pedalada Pelada procura expor como os ciclistas se sentem frágeis no trânsito.

Para evitar que algum dos manifestantes sofra represálias da polícia (um deles foi preso em 2008), o Blog das Ruas resolveu usar pseudônimos para todos os ciclistas entrevistados neste post.

A partir das 12h - horário da concentração - já é possível encontrar manifestantes na Praça do Ciclista (Consolação x Av. Paulista), pintados em seus corpos mensagens sobre a fragilidade dos ciclistas, a violência do trânsito e contra o uso dos motores.

- Como caminhar é mais antigo que qualquer motor, prefiro dizer que não somos contra alguma coisa, e sim a favor da propulsão humana. Mas nosso maior aliado tem que ser o motorista. Ele tem que entender que quanto mais bicicletas na rua, melhor o trânsito - argumenta Rodolfo*.

As pinturas no corpo são mais uma forma de protesto dos ciclistas

As pinturas no corpo são mais uma forma de protesto dos ciclistas

Embora muitos dos cicloativistas já tenham assumido que seu objetivo é pedalar como vieram ao mundo, a nudez não é obrigatória.

Ao contrário: a ideia é que cada pessoa expresse sua fragilidade diante das carros como se sentir melhor. Daí o outro jargão do manifesto: “vá tão nu quanto ousar”.

O mesmo movimento, que começou na cidade de Zaragoza, Espanha, em 2001, acontece hoje em aproximadamente 150 cidades ao redor do mundo. Apenas em Londres, no ano passado, protestaram nus cerca de mil ciclistas.

Entretanto, parece que a herança autoritária brasileira não permite que ocorra tranquilamente um ato de protesto em que as pessoas tiram a roupa, como acontece sem maiores problemas por todo o globo.

Em 2008, parte da manifestação terminou em uma delegacia da cidade. Alegando que os ciclistas estavam praticando “ato obsceno”, a polícia prendeu um deles. O Blog das Ruas não apenas cobriu o fato, como fez uma entrevista com o major responsável pela prisão.

Em 2008, a pol�cia prendeu um ciclista

Em 2008, a polícia prendeu um ciclista

Para Joaquim*, ciclista que participa da segunda edição da Pedalada Pelada, a prisão foi autoritária e nada teve a ver com o ato obsceno em si “pois havia muitos outros pelados que, inclusive se ofereceram para ser presos e não foram”.

Entretanto, o ciclista preso afirma que “valeu a pena passar por tudo isso (e passaria novamente se necessário)”. Leia aqui artigo em que o ciclista preso em 2008 dá a outros manifestantes dicas de como proceder durante o protesto.

Esta manifestação também terá um significado especial para muitos ciclistas. No início do ano, Márcia Regina, cicloativista como eles, morreu atropelada por um ônibus.

- Depois da morte da Márcia, eu tenho misturado momentos de medo de andar na rua, com momentos de saco cheio, tipo “Porque eu tenho que estar me preocupando tanto de ser morto se estou apenas me deslocando daqui até ali?”. Essa sensação da fragilidade se tornou mais visível. Por um lado leva a uma prudência maior; por outro, tem a sensação desconfortável de ficar lidando com essas agressões - comenta Joaquim*.

Nudez com mais respeito

Um fator que chamou a atenção na primeira Pedalada Pelada foi a tendência à erotização da nudez e os comentários machistas e, por vezes, bastante agressivos recebidos pelos manifestantes, especialmente pelas mulheres.

- Espero um pouco mais de respeito desta vez. Os repórteres, a mídia em geral vinha já pedindo para a gente tirar a roupa. Ouvi barbaridades como “você é gostosa pra cacete” e “só estou esperando você ficar pelada” - diz Érika*.

Os ativistas reclamam que a imprensa tenta "erotizar" o protesto

Ativistas: "a mídia tenta "erotizar" o protesto"

Outra ciclista, Teodora*, afirma que não vai mais chegar tão “verde” na manifestação.

- Foi bastante estressante ali na praça, na concentração da praça. Fiquei ouvindo piadas absolutamente machistas, grosseiras. Mas este ano eu vou já sabendo disso, estou preparada. Talvez eu escreva no corpo “A Mídia Mente”, algo que impeça que a mídia use a minha imagem. Daí faço vários protestos ao mesmo tempo - afirma.

A parte triste da história é que mesmo muita gente que anda nas magrelas tem posturas machistas. Em fóruns de ciclistas, é possível encontrat comentários como: “Quem sabe ao menos dá umas gostosas (de verdade) peladas para nosso deleite visual?”.

Na primeira Pedalada, Teodora* ficou apenas com a parte de baixo da roupa. Este ano pretende ficar totalmente sem roupa. “Só estou na dúvida se faço pinturas. Fazer pinturas é uma forma de se vestir, né?”.

Já Érika*, que na primeira vez pedalou de bermuda e top, decidiu ir de biquíni. “Aqui vai ser um pouquinho de cada vez. Acho que ainda vai levar alguns protestos para conseguir tirar tudo”, diz.

Ciclistas defendem a nudez como ato pol�tico

Ciclistas defendem a nudez como ato político

Os ciclistas fazem questão de repetir que, neste caso, ficar sem roupa é uma atitude política e que existe uma grande diferença entre essa nudez e um ato obsceno.

“Não vi nenhum mal estar. As pessoas nas ruas aplaudiam, riam, até achavam ridículo, mas não senti que ficaram ofendidas”, comenta Teodora*, recordando-se do primeiro evento.

- É um encontro pacífico, que não ofende, não traz transtornos a ninguém. E o julgamento do que seja ato obsceno é subjetivo. Essa questão da nudez e da relação com o corpo no Brasil é bastante hipócrita. Alguns tipos de nudez são considerados obscenos. Não a nudez de domingo à tarde, nem o carnaval, a cultura do automóvel ou todas as guerras que acontecem pelo petróleo - diz Joaquim*.

Para Rodolfo*, “foi o momento menos erótico da minha existência. A última coisa que você pensa ali é em sexo. Por mais que seja polêmico, é muito meno erótico que uma passeata no carnaval”.

"A relação com o corpo no Brasil é bastante hipócrita"

"A relação com o corpo no Brasil é bastante hipócrita"

A grande preocupação dos ciclistas é com a polícia, que já interferiu no primeiro protesto e, segundo eles, já está “dando sinais” de que poderá interferir novamente.

- Eles estarão lá, com certeza. Já estão de olho. Estarão esperando o primeiro nu frontal sem tinta que aparecer. O indecente, o imoral no Brasil é mostrar a genitália. Tem uma moralidade que é muito rasa. Não pode mostrar a genitália, mas pode excomungar o médico que fez o aborto na menina de nove anos, pode gastar seis milhões com horas extras de funcionário público… o que é um pinto e uma vagina diante disso? - questiona Teodora*.

Indo para trás da trincheira, Érika* resume o sentimento de diversos menifestantes:

- Eu acho que a polícia vai vir para cima da gente mesmo. Sabem que não tem cunho sexual, mas vão continuar alegando isso. Política de trânsito é muito pesada aqui em São Paulo. Eles vão deturpar a mensagem do nosso protesto o quanto puderem. Eles não querem nos deixar falar do verdadeiro problema.

*Nomes fictícios.

(fotos: polly)

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27 de fevereiro de 2009

SP: Praça do Ciclista faz 3o. aniversário, mas continua invisível

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Nesta sexta-feira, a Bicicletada - movimento de ciclistas pela reocupação das ruas e uso dos transportes não motorizados - comemora o terceiro aniversário da Praça do Ciclista, em São Paulo.

Tradicional ponto de encontro de ciclistas, a Praça é uma parte do canteiro central da Avenida Paulista, delimitada nas laterais pela Rua da Consolação e pela Bela Cintra.

Em outubro de 2007, foi reconhecida oficialmente pelo poder público municipal, através da Lei no. 14.530. A iniciativa de formalizar o espaço foi da então vereadora Soninha Francine.

Entretanto, a Praça só é conhecida pelos próprios ciclistas e algumas pessoas próximas. Não há no local nada que a identifique, nem mesmo a costumeira plaquinha.

Não fosse a insistência dos cicloativistas em encontrarem-se ali e dar vida ao local, seria apenas mais um espaço vazio em meio ao trânsito paulistano.

Desde julho de 2008, quando a Praça passava por reformas, o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, havia prometido colocar a placa com o nome da Praça. Até hoje, nada foi feito.

Para o blog Apocalipse Motorizado, um dos vários sites mantidos pelos cicloativistas, “ainda que tenha sido batizada, crismada e tenha certidão lavrada em cartório, a Praça do Ciclista segue pagã, ignorada sutilmente pelos barões da paulistania acinzentada”.

Como de costume, os ciclistas encontram-se a partir das 18h na Praça-sem-placa e, às 20h, saem pelas ruas da capital paulistana. O roteiro do passeio-protesto é definido na hora, pelos participantes.

(foto: Blog Apocalipse Motorizado)

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