Terra Magazine

19 de setembro de 2009

“Não sei se existe evento como a Virada Esportiva no Planeta”, diz Secretário de Esportes de SP

Começou a Virada Esportiva. Das 10h de hoje às 20h deste domingo (20/09), ginásios, ruas, parques e praças da cidade de São Paulo vão estar tomados por esportistas regulares, de final de semana e até mesmo baladeiros.

A expectativa da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, que organiza o evento, é de que 2,5 milhões de pessoas participem da Virada 2009, que terá duas mil atividades em mais de mil locais. Confira a programação.

O Blog das Ruas entrevistou o secretário de esportes Walter Feldman, idealizador da Virada Esportiva, que desde 2007 acontece na capital paulista.

Praticamente assíduo de esportes, o secretário publica em seu blog pessoal o roteiro que irá seguir  durante a Virada Esportiva, que classifica como um evento espórtivo único no mundo.

- É um evento de dimensões exemplares. Não sei se existe evento esportivo dessas dimensões planeta. Com centenas de atividades acontecendo simultaneamente, em toda a cidade, e a participação de algo entre dois a três milhões de pessoas. É uma grande vitrine. Tem muita atividade esportiva. Seguramente uma delas se encaixa no perfil de quem ainda não pratica esportes - afirma.

Na esteira da Virada Esportiva, encontra-se a intenção de “transformar São Paulo na capital brasileira do esporte”.

Segundo Feldman, a capital paulista faz do esporte hoje uma política pública prioritária. “É um fato quase inédito no Brasil. Tenho quatro vezes o orçamento de meu antecessor”, destaca.

O Secretáriod e Esportes de São Paulo, em trajes pouco adequados à atividades esportiva

O Secretário de Esportes de São Paulo, em trajes pouco adequados à atividades esportiva

O secretário relata a mudança de perfil da secretaria, cujas atividades, na sua opinião, se reduziam a “eventos e apoio ao futebol profissional”.

- Agora a Secretaria de Esportes passou a investir pesadamente no esporte amador e no estímulo à atividade física pelo cidadão comum como instrumento de melhoria da educação, da saúde e do convívio comunitário, o que funciona para reduzir a criminalidade - argumenta Walter Feldman.

O secretário também não se esquiva em falar da dívida que a capital paulista tem com a construção de ciclovias e facilitação do transporte através de meios não-motorizados.

- São Paulo deve demais nesse aspecto! Sabe qual é o meu sonho? Que a ciclofaixa possa abrir as portas da cidade para um modelo que priorize atividades não-motorizadas para não apenas como lazer, mas como meio de transporte. Existe na cidade um enorme potencial que ainda não foi explorado.

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

Secretário Feldman, para começar, quais esportes o senhor pratica?

Gosto muito de corrida de rua. Também faço ginástica, musculação, alongamento; atividades aeróbicas. Jogo futebol, ando de bicicleta. Agora mesmo no final de semana passado, dei duas pedaladas.

Mas estou procurando um esporte que seja mais competitivo. Talvez faça squash. Eu tenho um jeito brincalhão, o lado menino muito forte, de onde tem esporte eu quero participar.

A canoagem é uma das mais de duas mil atividades previstas na Virada Esportiva

A canoagem é uma das mais de duas mil atividades previstas na Virada Esportiva

Foi o senhor que idealizou a iniciativa da Virada Esportiva, em 2007. Qual é o principal ganho que ela pode trazer?

Existem dois objetivos estratégicos por trás da Virada: tornar a capital paulista uma cidade saudável e transformar São Paulo na capital brasileira do esporte.

A Virada Esportiva é um evento de dimensões exemplares. Não sei se existe evento esportivo dessas dimensões planeta. Com centenas de atividades acontecendo simultaneamente, em toda a cidade, e a participação de algo entre dois a três milhões de pessoas. É uma grande vitrine. Tem muita atividade esportiva. Seguramente uma delas se encaixa no perfil de quem ainda não pratica esportes.

O problema é que nós fomos culturalmente treinados a gostar apenas de futebol. E o pior: sabemos hoje que o futebol é muito mais assistido do que praticado.

Mas não é meio estranho propor uma “virada” para os esportes, cuja realização depende também de noites bem dormidas?

Nós não estamos propondo isso todas as noites. A Virada é um choque de atividades esportivas para, a partir daí, a pessoa programar atividades regulares duas ou três vezes na semana.

Também existe outro dado. São Paulo é uma cidade 24h. Temos iluminado muitos campos e percebemos que existe um espaço de tempo do trabalhador que pode ser aproveitado para atividades que não sejam chegar em casa e ver TV. Eles fazem um uso extraordinário desses equipamentos.

Agora a Virada também tem algumas atividades que não são exatamente saudáveis, como os “esportes boêmios”…

De fato, elas são muito pouco saudáveis, assim, praticadas no bar. Mas você tem também tem que entrar na característica da cidade. Não pode ser cara chato, pregando a atividade esportiva. Tem que ser meio: “olha, se você não quer, terá uma opção de atividade coletiva também”. E tem o aspecto de emoção, convivência, da relação que é você ir para a rua com seu vizinho, com um companheiro. Quando se vive para fora a vida comunitária acontece.

Para Feldman, patins e bicicletas devem ser usados também como meio de transporte

Para Feldman, patins e bicicletas devem ser usados também como meio de transporte

Existem alguns estudos que comprovam que jogos de cartas, por exemplo, contribuem para um envelhecimento mais saudável.

Por causa da convivência. São os chamados “esportes mentais”. Veja o truco hoje. É uma febre no mundo universitário.

Mudando um pouco de direção, me parece que as políticas para o esporte são sempre episódicas e pouco ousadas. Quais são as políticas ousadas de São Paulo para os Esportes?

São Paulo faz do esporte hoje uma política pública prioritária. É um fato quase inédito no Brasil. Tenho quatro vezes o orçamento de meu antecessor. Fizemos reformas de 320 equipamentos esportivos na cidade. Criamos o programa social clube-escola. Estamos realizando os Jogos da Cidade, o maior campeonato amador do Brasil. Só para você ver, o site que acompanha o evento já teve 21 milhões de acesso.

Na verdade, a Secretaria de Esportes deixou de apenas promover eventos e apoiar o futebol profissional. Embora seja um evento, a Virada está conectada com toda uma política esportiva.

São Paulo hoje faz do esporte uma política pública prioritária. A Secretaria de Esportes passou a investir pesadamente no esporte amador e no estímulo à atividade física pelo cidadão comum como instrumento de melhoria da educação, da saúde e do convívio comunitário, o que funciona para reduzir a criminalidade.

Também vamos implantar uma rede de esportes olímpicos para que existam triagens e parte desse universo caminhe para o esporte alto rendimento.

Ainda assim, o senhor não acha que, mesmo levando em conta a recente implantação da ciclofaixa de lazer, a cidade de São Paulo ainda deve muito para quem deseja usar bicicleta e outros meios de deslocamento não-poluentes, como patins?

São Paulo deve demais nesse aspecto! Sabe qual é o meu sonho? Que a ciclofaixa possa abrir as portas da cidade para um modelo que priorize atividades não-motorizadas para não apenas como lazer, mas como meio de transporte. Existe na cidade um enorme potencial que ainda não foi explorado.

Mas isso está mudando. O Serra já autorizou a implantação de ciclovias na marginal pinheiros. A prefeitura também está construindo mais ciclovias. Lançamos recentemente a ciclofaixa, que une os Parques os Parques das Bicicletas, do Ibirapuera e do Povo Ibirapuera e o Parque do Povo. Política maior. Daqui a um ano, já teremos 100 km de ciclofaixas.

Além disso, a nossa ideia é que domingo é o dia das pessoas. No domingo, elas vão para rua, se apropriam dos espaços públicos e usam o fim de semana para se renovar para enfrentar o tempo do trabalho.

(fotos: Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo [1;3;4]; Dibjr [2])

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22 de junho de 2009

PA: Cidade inteira vive sobre palafitas, a 1,20m do chão

Conhecida como Veneza Marajoara, a cidade de Afuá, na Ilha de Marajó, é única no Brasil. Praticamente toda erguida sobre palafitas, fica a 1,20m do chão. Pontes de madeira ligam as casas e estabelecimentos comerciais.

- Essa é uma característica regional genuína. Só tem aqui. Todas as estruturas ficam sobre palafitas. Não teria outro jeito de fazer as casas, logo que numa determinada época a cidade fica temporariamente inundada - diz Andra Lúcia Ataíde, diretora do Departamento de Turismo de Afuá.

As palafitas impedem que a cidade submerja nas cheias

As palafitas impedem que a cidade submerja nas cheias

Em linha reta, são 254 km de Belém e 84 km de Macapá. O nome do município vem do Rio Afuá, afluente do Amazonas que corta a cidade. Anualmente, por volta do mês de março, acontece o fenômeno chamado lançante, quando as águas sobem e inundam o solo abaixo da cidade.

O aspecto “Veneza” ocorre a cada quatro anos. “Nesse período, o rio sobe muito e chega a cobrir até mesmo as pontes da cidade, deixando sem comunicação a não ser pela água”, explica Andra Ataíde.

Sem as pontes de madeira, os habitantes só podem se deslocar na cidade de barco

Sem as pontes de madeira, os habitantes só poderiam se deslocar na cidade de barco

Em Afuá não existem carros. Os motores são proibidos por lei municipal. Transporte “rápido” só mesmo as bicicletas, presentes na incrível proporção de praticamente uma para cada duas pessoas que habitam a sede municipal.

Mas a sensação na cidade mesmo são os bicitáxis, veículos produzidos sobre o corpo de duas bicicletas, com capacidade de transportar várias pessoas. “Eu queria passear com a minha família e não tinha como”, explica o afuaense Raimundo do Socorro Gonçalves, o Sarito, inventor do veículo.

o bicitáxi

Afuá tem um meio de transporte peculiar: o bicitáxi

Rapidamente copiado pelos outros habitantes, o novo veículo “made in Afuá” virou sucesso e objeto de desejo. Alguns “motoristas” chegam a investir mais de dois mil reais em modificações para a sua “máquina”. Veja matéria publicada na Revista Quatro Rodas sobre Afuá e seus bicitaxis.

As pontes coalhadas de bicicletas estão passando por um processo de transformação: saem as de madeira e chegam as de concreto.

A estilização dos "carros" chega a custar mais que R$ 2 mil

A estilização dos "carros" chega a custar R$ 2 mil

- A orla já está quase toda trocada. È mais apresentável e dura mais. Mas também tem suas desvantagens: a cidade fica mais quente e se descaracteriza um pouco - reflete a diretora de turismo.

Aliás, os habitantes da cidade não gostam de chamar de pontes as vias de lá. “São ruas. Quando você fala “ponte” parece aquela coisa estreita, de favela. As vias daqui são amplas, com dois a três metros de largura”, enfatiza Andra Ataíde.

Afuá, que só pode ser visitada de barco ou de avião, recebe cerca de 200 turistas estrangeiros por ano, principalmente franceses, italianos e alemães.

Onde trocou madeira por concreto, a cidade perde um pouco do charme

Onde trocou madeira por concreto, a cidade perde um pouco do charme

A cidade pretende intensificar o fluxo de visitantes, que atinge seu ápice em julho, no Festival do Camarão, quando as palafitas dão provas que são seguras e agüentam o peso de cerca de 30 mil visitantes.

Para tanto, prepara um inventário turístico, já em fase de conclusão. O documento lista todos os atrativos do município, sejam as ilhas que fazem parte do município, seja a sua qualidade única de pairar mais de metro acima do chão.

(fotos: Prefeitura de Afuá)

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