Terra Magazine

12 de abril de 2009

BA: “Batalhas de Break” ganham espaço em teatros de Salvador

Em pleno Domingo de Páscoa, b.boys e b.girls de diferentes cidades da Bahia reúnem-se às 13h no Teatro do Irdeb (fim de linha da Federação, Salvador) para a eliminatória da 2ª Batalha de Break - Evolução Hip Hop, com apresentação de grupos de RAP e discotecagem com Dj Bandido.

Disputada em duplas no formato 2×2 no estilo b.boy, a batalha conta com três jurados e tem premiações para o 1º lugar de R$ 300.00, 2º lugar de R$ 150.00 e 3º lugar de R$ 50.00. As três primeiras colocações também ganham troféu e medalha.

Trinta duplas de break já estão escritas para a eliminatória. A Batalha de Break busca incentivar o fortalecimento da dança de rua como uma linguagem artística e promover intercâmbio de artistas de breakdancing com dançarinos das mais variadas técnicas.

Dançado majoritariamente por jovens de periferia, o break permite a criação livre de movimentos próprios a partir do estudo de técnicas da dança.

A “batalha final”

A final da 2ª Batalha de Break acontece no dia 19 de abril (domingo), às 18h, no Palco Principal do Teatro Vila Velha (Campo Grande, Salvador) e tem como um dos jurados o pioneiro do break no Brasil, Nelson Triunfo, de São Paulo.

A 2ª Batalha de Break - Evolução HipHop é uma das ações do Projeto HipHop em Movimento que acontece nos dias 18 e 19 de abril no Teatro Vila velha com Workshop de Break, Grafite e Dj.

O ambiente da batalha tem ainda uma feira com artigos de hip hop e artesanato, exposição de grafite e uma mesa redonda que discute o HipHop como um Fator de Transformação social.

O projeto tem transmissão ao vivo do programa “Evolução HipHop” (Rádio Educadora FM) do Passeio Público no dia 18 de abril, em comemoração ao mês de aniversario do movimento HipHop na Bahia. Toda a programação é gratuita, as inscrições para o workshop serão feitas no local.

Breakdancing em Salvador

As primeiras roda de break em Salvador começou a ser realizada na década de 80, no centro histórico (pelourinho), pelo dançarino “Roque”, que até então, apenas imitava passos de Michael Jakson.

Com o passar do tempo, a cultura hip-hop evoluiu na Bahia. O B.Boy Ananias, integrante do grupo Independente de Rua criou uma nova aparelhagem de som e reuniu diversos b.boys e b.girls no ano de 2002, na Praça da Sé, local que até hoje é o ponto de encontro de b.boys e b.girls na cidade, toda as tercas-feiras às 20h. A partir de então, surgiram as batalhas de break e oficinas em diversos bairros da cidade.

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6 de março de 2009

Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo

O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.

Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!

Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.
(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)

A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.

Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.

Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).

- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? - diz André Luiz, o Rapper Pirata, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.

"Cobramos como cidadãos"

Rapper Pirata: "Cobramos como cidadãos"

O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.

Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:

Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?

Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.

Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?

Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?

Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.

Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.

Chegaram a um acordo?

O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.

Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.

Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer?

Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.

"Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"

Pirata: "Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos"

Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?

Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.

Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.

Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.

Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.

Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.

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7 de fevereiro de 2009

Blackitude e Ilê Aiyê reverenciam a Bahia Negra

Tags:, , , , , , - iurirubim às 14:15

Duas festas neste sábado celebram os mais diferentes aspectos da cultura negra na Bahia.

Se, na Senzala do Barro Preto, sede do bloco Ilê Aiyê, a 30a Noite da Beleza Negra exalta a tradição afro-baiana, o BlacKitude 40º, no Pelourinho, traz uma perspectiva mais contemporânea dessa matriz cultural.

Hoje à noite, na Senzala do Barro Preto, será escolhida a nova Deusa do Ébano. Representação máxima da beleza negra, ela terá, por um ano, a adoração dos três mil associados do Ilê e, por tabela, de boa parte dos 600 mil habitantes do Curuzu, bairro onde fica a sede o bloco.

- Eu já disse para as meninas que quando se é rainha do Ilê não se quer reinar em mais lugar nenhum – disse, ontem, a dançarina Adriana Silva, Deusa do Ébano 2008, na apresentação das 15 candidatas ao trono.

O concurso nasceu nos anos 70, a partir da observação que “o Brasil sempre exportou um biotipo de mulheres nos concursos de beleza que nunca correspondeu à realidade étnica nacional”. Em contraponto a essa realidade, nasceu a competição pela fantasia da Deusa do Ébano, escolhida sempre na Festa da Beleza Negra.

Nesta edição, a Festa, que começa às 21h (horário local), terá como atrações as bandas Araketu, Band’Aiyê, Fora da Mídia e outros artistas convidados.

a cultura negra contemporânea

Balckitude 40 Graus: a cultura negra contemporânea

Com o foco na cultura negra urbana e atual, o BlacKitude 40º leva ao Pelourinho (Praça Tereza Batistas, a partir das 19h) múltiplas linguagens artísticas, focadas na intervenção criativa na cidade.

O evento é idealizado pelo Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, há quase 10 anos atuante na Bahia.

Como não poderia deixar de ser, os trabalhos começam com a apresentação dos quatro elementos do hip hop: MC, break, grafite, DJ. Simultaneamente, poetas da negritude soltam o verbo.

As apresentações musicais são abertas pelo DJ Bandido, que assumiu o compromisso de elevar a temperatura até os 40 graus anunciados pelo evento. Em seguida, os grupos Afrogueto, Daganja, RBF (Rapaziada da Baixa Fria) e Opanijé assumem a responsabilidade por manter o clima quente.

Break e os outro 3 elementos do hip hop no Blackitude

Break e os outro 3 elementos do hip hop no Blackitude

Paralelamente aos shows, os grafiteiros pintam ao vivo os painéis que farão parte do cenário. Os responsáveis pela execução das obras são Bigod, Lee27, Neuro e Tito Lama.

O BlacKitude 40º conta ainda com os dançarinos Ananias e Thina, acompanhados do grupo de Independente de Rua, que transfere sua tradicional roda de break da Praça da Sé para a Praça Tereza Batista.

(fotos: Ilê Aiyê [1] e Fernando Gomes [2])

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