PR: Companhia de circo resgata estética do bizarrro
A Cia. TripCirco, de Curitiba, fez uma viagem de volta ao passado quando, no último sábado, promoveu o primeiro Cabaré Freak. Proibido para menores, o espetáculo coloca diante da plateia irmãos siameses, um mágico sanguinário, um anão e sua “noiva cadáver” e até mesmo a própria “morte”.
Envolto de sangue artificial e muito humor macabro, o Cabaré Freak resgata uma estética do bizarro presente nos circos antigos e há muito distante dos picadeiros brasileiros.
Embora o show de horrores seja uma releitura do original, sem a presença de anões ou irmãos siameses verdadeiros, o espetáculo simula mortes e mutilações. Nem a plateia não fica impune: é envolvida nas brincadeiras recebendo, por exemplo, uma saraivada de ovos de galinha.
- Tem cenas fortes. Muito sangue. Jogam ovo na platéia. É uma bagunça geral - diz o argentino Adrian Pagliano, um dos fundadores da Companhia, em 1999.
O artista lembra de alguns dos números mais bem recebidos pelo público.
- O que mais gostaras foi o do anão e a noiva cadáver. O anão tira da mala a noiva, uma menina que faz contorcionismo, deita numa cama de pregos… tem também o mágico, que decepa a mão de sua parceira com uma guilhotinha… tem ainda a “morte” que anda no meio do público e “morre” durante o seu número - conta.
Criada em Buenos Aires e “posteriormente abrasileirada” no Paraná, a TripCirco é ao mesmo tempo companhia de circo e escola experimental.
Realiza uma vez por mês o Cabaré de Variété, quando leva a público os resultados das pesquisas de professores e alunos. A partir da reação da plateia, abandonam ou continuam a desenvolver os números.
A versão freak do Cabaré foi criada para abrir espaço a muitos números “poucos convencionais”, que não tinham espaço no formato regular do Cabaré.
O teor do espetáculo, entretanto, fez com que a Companhia tomasse cuidados especiais, inclusive proibir a entrada de menores. “Avisamos muito a todo mundo porque o nosso público tradicional é família, tem muitos idosos e crianças”, comenta Adrian.
O sucesso foi tanto que agora a Companhia quer retomar o Cabaré Freak pelo menos uma vez por ano.
Adrian Pagliano não conhece nenhum espetáculo ou companhia circense no Brasil que adote a estética freak, mas chama atenção para um de seus desdobramentos: “parte do freak evoluiu para a galera que hoje faz body-piercing e body modification”.
O artista lembra que antes as pessoas diferentes eram presas e tratadas como animais pelos donos de circo e considera que o universo circense evoluiu ao criar certos limites:
- Não conheço a situação jurídica aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos está proibido porque consideram isso uma exploração do ser humano, tratado como aberrações. Agora proibiu circo de animais, o que acho corretíssimo. São evoluções - afirma.
Lembra, entretanto, que a estética do bizarro continua em voga e que existem algumas trupe que rodam a Europa de forma semelhante ao início do circo.
- Mas hoje em dia as pessoas são livres, a exploração não acontece. Elas na realidade estão trabalhando e vendo arte nisso. Aí está toda a diferença.
(fotos: divulgação/ Cia. TrpCirco)


