CE: Cortejo lembra revolução republicana de 1824
Hoje, pelo quarto ano, o Cortejo dos Confederados toma as ruas de Fortaleza. Constituído por grupos de teatro, samba, reisado, capoeira, quadrilha e índios, o desfile é uma encenação festiva da marcha dos condenados, quando os líderes do governo revolucionário e republicano - instaurado no Ceará em 1824 - caminharam para o pelotão de fuzilamento. O cortejo também comemora o Dia Estadual do Patrimônio Cultural, 30 de julho.
Cento e oitenta e cinco anos depois, os condenados são considerados heróis cearenses, que lutaram não apenas pela causa republicana, mas pela Independência do Brasil.
A Confederação do Equador, nome a que foi dado o movimento, é considerada atualmente um dos momentos mais destacados da História do Ceará. Teve, ainda, a participação de mais três Estados: Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. Entre outros propósitos, o novo governo defendia a abolição da escravatura.
O Cortejo dos Confederados segue o mesmo trajeto percorrido pelos condenados. Às 15h, na Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção (10ª Região Militar), uma solenidade militar, antecede a saída do Cortejo, que chega às 18h, no Passeio Público. Lá, a encenação da execução dos heróis da Confederação do Equador encerra as atividades do dia.
Participam do Cortejo os grupos Quadrilha Zé Testinha, Maracatu Az de Ouro, Gajaral, Formosura de Teatro, Reisado Nossa Senhora das Dores, Viver Capoeira, índios Pitaguary, Cia Cordapés, Raízes Nordestinas, Escola de Samba Mocidade Independente da Bela Vista, Boi do Mestre Zé Pio, Caravana Cultural, Linda Canalha, além dos atores que formam a ala dos condenados e o público do Centro da cidade.
Ao longo do trajeto, algumas paradas (autos) dão vida a outros momentos fundamentais da Confederação do Equador:
16h - Praça dos Leões: Apresentação de Reisado e Capoeira. Cena relacionada com a libertação dos escravos no Ceará, em frente à Igreja do Rosário. Manifestações dos confederados, em frente ao Museu do Ceará e ao Palácio da Luz;
16h30 - Praça do Ferreira: Manifestação dos confederados. Ritual do Torém, feito por Grupos Indígenas, apresentação de Grupos Culturais e encenação com os atores;
17h - Sobrado Dr. José Lourenço - Encenação do Manifesto dos Confederados;
18h - Passeio Público: Encenação dos fuzilamentos de Padre Mororó, Ibiapina, Carapinima, Azevedo Bolão e Pessoa Anta, com grupo de atores e grandes bonecos.
Confederação do Equador
A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista e republicano, ocorrido em 1824 no Nordeste do Brasil. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçadas na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.
Em protesto ao monarquismo autoritário de Dom Pedro I, em 1814, o movimento se formou nos estados Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Apesar das tentativas de negociação do Império, os revoltosos buscaram criar uma constituição de caráter republicano e liberal, além de abolir a escravidão e organizar forças contra as tropas imperiais. No Ceará, sob a chefia de Tristão Araripe instaurou-se um Governo Patriótico e Republicano.
Vencida a revolução pelo governo monarquista, os principais líderes cearenses - Padre Mororó, Carapinima, Azevedo Bolão, Padre Ibiapina e Pessoa Anta - foram executados pelas forças monarquistas, em fuzilamentos precedidos por cortejos que saíam da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, encerrando no então Campo da Pólvora, hoje Passeio Público.
Tristão Araripe e os demais mártires da Confederação do Equador no Ceará ficaram conhecidos como os mais precoces e destemidos heróis patrióticos e republicanos do Estado.
(fotos: Secretaria de Cultura do Ceará)





