Terra Magazine

10 de setembro de 2009

DF: Grito do Cerrado exige uso sustentável do 2o. maior bioma do país

Na manhã desta sexta-feira, o Dia do Cerrado (11/9), a Esplanada dos Ministérios assiste a um espetáculo que já está se tornando uma tradição: a corrida de toras realizada entre as diversas etnias de povos indígenas do Cerrado.

Mas se engana quem pensa que a competição é apenas uma exibição da biodiversidade do segundo maior bioma brasileiro. Ela, na verdade, é o ritual de abertura do Grito do Cerrado, uma manifestação pacífica de povos indígenas, quilombolas, geraiszeiros, agroextrativistas, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, assentados da reforma agrária; enfim, dos diversos povos que habitam os quase dois milhões de km² onde se encontra o Cerrado brasileiro.

Logo após a corrida das toras, os manifestantes partem em direção ao congresso nacional - a organização do evento espera reunir pelo menos duas mil pessoas na passeata.

Ao longo da caminhada, o Movimento Cerrado Vivo de Brasília organiza o SOS Cerrado, uma formação composta por centenas de pessoas no gramado da Esplanada dos Ministérios.

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios tornou-se um ritual de abertura do Grito do Cerrado

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios abre o Grito do Cerrado

No Congresso, parlamentares - dentre eles o presidente da Câmara, deputado Michel Temer - recebem a Carta do Cerrado, que também será entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento considera os posicionamentos políticos e as reivindicações da Rede Cerrado, composta por centenas de organizações que representam os povos do bioma. em relação às políticas públicas de proteção ao bioma e sua população.

Embora a Carta do Cerrado ainda esteja sendo redigida, o Blog das Ruas entrevistou Carlos Dayrell, integrante da equipe Rede Cerrado, que organiza a mobilização, e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, que destacou algumas questões cuja presença no documento é certa.

A primeira delas é a ênfase na situação crítica em que o Cerrado e os povos que o habitam se encontram. Grande reserva de biodiversidade (5% das espécies do planeta), cuja importância é comparável à da Amazônia, “o Cerrado encontra-se massacrado e constantemente violentado pela frente agrícola”, afirma Dayrell.

Segundo o ativista, para ter uma dimensão correta do problema, é preciso enxergar também as novas ameaças ao bioma: o avanço da demanda dos biocombustíveis (”particularmente o etanol”); o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (”está acelerando o processo de destruição do Cerrado”); e o sistema de créditos de carbono que, na visão do membro da Rede, pode “transformar o Cerrado na lixeira do mundo global, sem diversidade e com grandes monoculturas de eucalipto”.

Junto ao processo de degradação ambiental, vem a expulsão das comunidades tradicionais, que aprenderam, ao longo de muitas gerações, a conviver harmoniosamente com o bioma.
E é justamente das experiências dessas comunidades, muitas delas com integrantes na Rede cerrado, que vêm as sugestões da Carta do Cerrado para o uso sustentável do bioma.

- São tradições milenares quando falamos dos indígenas e seculares quando nos referimos aos povos quilombolas e extrativistas. Existe uma lógica de convivência com o Cerrado que é benéfica para as pessoas e para a natureza - afirma o membro da rede Cerrado.

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Um dos maiores passos nesse direção seria a aprovação da PEC do Cerrado, que tramita há 14 anos no congresso nacional.

- Caso ela seja aprovada, não apenas os territórios das populações nativas como também seus conhecimentos vão ser reconhecidos. Poderemos estimular economias agroextrativistas, nas quais é central o aproveitamento de frutos, madeiras e mesmo plantas medicinais - conclui Carlos Dayrell.

Encontro e Feira dos Povos do Cerrado

O Grito do cerrado faz parte do VI Encontro dos Povos do Cerrado, que ocorre em Brasília, entre 9 e 13 de setembro. Durante todo o período do encontro acontecem apresentações culturais e uma feira com mais de 100 estantes expõe e comercializa os produtos advindos do bioma - frutos, flores, artesanatos, alimentos, entre outros (veja a programação).

Ainda durante o VI Encontro, acontece o Festival Gastronômico do Cerrado, no qual os presentes podem degustar pratos, receitas e alimentos típicos do bioma.

(fotos: Rede Cerrado [1,2]; reprodução [3])

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10 de junho de 2009

DF: Festival reúne pampa e cerrado em Brasília

Um festival diminui a distância entre o pampa e o cerrado, que se misturam a partir desta quinta-feira (11/05), na capital do Brasil.

Produto de um programa homônimo de televisão, veiculado pela TV Brasília, o I Festival de Música Pampa e Cerrado premia cantores que melhor traduzam a sonoridade de cada região.

- O Festival tem o objetivo de valorizar a música regional do sul do país e do centro-oeste. E promover o diálogo, fazer intercâmbios entre as duas culturas. Culturas que têm coisas muito semelhantes, com destaque para o Brasil rural. Mesmo as pessoas que vem para a cidade não perdem esse espírito - explica Nelson Gilles, que coordena o evento.

Lúcio Yanel é uma das atrações do Festival

Lúcio Yanel é uma das atrações do Festival

São oito concorrentes na quinta-feira (noite do cerrado) e oito na sexta (noite do pampa). No sábado, todos os 16 sobem novamente ao palco e são anunciados os vencedores do concurso.

Os primeiros lugares de cada categoria levam para casa R$ 10 mil e os vices, R$ 7.500,00. Também há prêmios, no valor de R$ 2 mil, para melhor instrumentista, intérprete (feminino e masculino), melhor letra e melhor arranjo.

Para chegar nos 16 finalistas, a organização do Festival teve que ouvir em torno de 385 canções, enviadas por cerca de 200 compositores, de 10 estados brasileiros.

- Pena que só pudemos colocar 16 competidores no palco. Se a gente tivesse mais patrocínio, colocaria 12 cantores por noite - comenta o organizador do Festival.

Curiosamente, nenhum dos 16 finalistas pertence ao DF, que sedia o Festival. “Por incrível que pareça! Mas temos que reconhecer que Brasília não tem uma tradição forte de mostras competitivas”, argumenta Nelson Gilles.

Volmir Martins encarna a cultura do pampa

Volmir Martins encarna a cultura do pampa

O I Festival de Música Pampa e Cerrado acontece de 11 a 13 deste mês, no pavilhão do ExpoBrasília. Integra a programação oficial da ExpoTchê, uma das maiores feiras de cultura regional da capital federal, que está na 17ª, edição.

- Achamos por bem fazer lá porque é um palco de excelência para divulgação da cultura gaúcha. Um alimenta o outro. A feira atrai cerca 200 mil visitantes em 10 dias (5 a 14 de junho). Esperamos que em torno de 1000 a 1500 pessoas visitem nossos palcos por noite - explica Nelson Gilles.

Mas o Festival os competidores não são as únicas atrações do Festival. Na quinta-feira, a noite é encerrada pelos músicos Luís Carlos Borges e Lúcio Yanel. Na sexta, sobem no palco Juanito e Sua Harpa e Márcio Texano e Gabriel. Na última noite do Festival, Volmir Martins e Renato Teixeira delineiam os contornos do pampa e do cerrado.

convidado de peso para o encerramento do Festival

Renato Teixeira: convidado de peso para o encerramento do Festival

Argentino criado no Rio Grande do Sul, atualmente vivendo em Brasília, Nelson Gilles entende a cidade como uma pequena babel que reúne todo o país.

- Brasília é na verdade o povo do Brasil inteiro. Nessa região tem cerca de 250 mil gaúchos, tem encontros de violeiros, uma folia de reis muito forte… tem todas as culturas do povo que vem para cá trabalhar e não quer perder sua identidade. Brasília propicia isso. Acolhe as pessoas e suas culturas - diz.

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