Terra Magazine

24 de outubro de 2009

SP: Noivos vão de bicicleta para o altar

Priscila Teixeira e William Cruz vão se casar hoje. O sonho romântico deste casal, porém, é diferente da maioria dos outros: neste casamento, noivos, padrinhos, amigos e parentes vão ao cartório de bicicleta!

“Eu uso a bicicleta para praticamente tudo. Sou um ativista da causa, tenho um blog sobre o assunto; enfim, a bicicleta faz parte do meu dia-a-dia”, diz William.

Mas o noivo faz questão de dar os créditos a quem é de direito: “A ideia foi da Priscila. Teve uma hora que ela me perguntou: ‘Porque a gente não vai de bicicleta pra lá?’. Eu, claro, adorei”.

Decidida a questão, começaram a convidar os amigos e a família para a empreitada (veja texto do convite no blog do William).

- A gente não achou que fosse tanta gente! O pessoal gostou da ideia, estão divulgando, parece que vão mesmo! E olhe que não convidamos só gente da cena ciclioativista. Tem parentes, colegas de trabalho… pessoas que nunca andam de bicicleta pela cidade - conta William, ainda surpreso com a recepção da ousadia do casal.

E o casal vai pedalar trajado a rigor para o casário: ele, de terno, paletó, gravata e gel no cabelo; ela, de sandália de salto e vestido de noiva (”o vestido é um pouco mais curto, mas é vestido de oiva sim”, argumenta o futuro marido). Não só eles, mas também muitos dos amigos e parentes pedalam com trajes elegantes. “É o cyclechic”, brinca.

Para marcar definitivamente a importância das bicicletas na união, os pombinhos combinaram de encontrar os convidados na Praça do Ciclista, ponto de partida da tradicional Bicicletada paulistana.

O roteiro da Bicicletada do Casório - como a batizou, divertidamente, o noivo - é o seguinte: a partir das nove da manhã, os noivos já estão na Praça do Ciclista. Às 9h30, eles e os convidados saem em direção ao cartório, que fica na Av. Jabaquara, ao lado do metrô Saúde.

Depois do enlace todos seguem para a lanchonete Subway do Paraíso, na R. Vergueiro, 1954 (previsão de chegada: 12h30), onde o casal corta o bolo e continua a celebração. “Vamos encher a frente da loja de bicicletas e mostrar que dá pra lotar um restaurante sem lotar o estacionamento”, desafia William.

Pergunto ao noivo se ele não tem receio de transformar o casamento numa manifestação política. Ele dá a entender que a principal motivação é íntima, tem a ver com a vida do casal, mas não deixa de falar com todas as letras:

- É uma manifestação no sentido de que mostrar que dá para fazer outras coisas de bicicleta além de dar uma volta no parque ou na ciclofaixa. Dá até para casar. Não precisa chegar no casamento de carro - diz.

Namorados de adolescência

“Nossa historia é bem longa, tem mais de 20 anos”, confidencia William. Ele conta que os noivos tiveram um namoro adolescente que durou três meses, quando tinha 14 anos e ela, 12 (hoje ele tem 36 e ela, 34). “Foi o nosso primeiro namoro um pouco mais sério”, afirma.

Depois de um tempo, o casal perdeu o contato, ambos casaram com outras pessoas e, depois, separaram-se. Na época em que estava se separando, William foi encontrado por Priscila no Orkut. Daí começaram a sair juntos e o romance engatou. “Na verdade, nunca havíamos esquecido um do outro”, garante, sem hesitar, o futuro marido.

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16 de setembro de 2009

Desafio revela meio de transporte mais rápido de SP

Quem se sai melhor no trânsito de São Paulo: carro, bicicleta ou ônibus? Pedestre, moto ou helicóptero? Pelo quarto ano consecutivo, o Desafio Intermodal mede o tempo de deslocamento dos vários meios de transporte que podem ser utilizados na capital paulista.

O trajeto é o mesmo dos anos anteriores. Nesta quinta-feira, dia 17 de setembro, dezoito diferentes “competidores” saem pontualmente às 18h da Praça General Gentil Falcão (número 1000 da Av. Eng. Luis Carlos Berrini) em direção ao prédio da Prefeitura Municipal de São Paulo, o ponto de chegada.

O Desafio contempla, em 2009, os seguintes modais: pedestre caminhando; bike courrier (ciclista que trabalha com entregas rápidas); ciclista iniciante (vias alternativas); ciclista experiente (vias alternativas); ciclista experiente (avenidas de trânsito mais rápido); ciclista com bicicleta dobrável fazendo a integração com ônibus; ciclista de fixa; motoboy; motociclista comum; motorista (caminho que achar conveniente); ônibus; trem e metrô; trem e ônibus; ônibus e metrô; trem, ponte orca e metrô.

Além das categorias acima, o Desafio inclui este ano mais três modais: pedestre correndo; cadeirante usando transporte público e helicóptero.

Organizado por cicloativistas, o Desafio Intermodal compara, desde 2006, as diferentes opções de deslocamento na maior metrópole do país, com o objetivo de mostrar as alternativas existentes ao transporte motorizado individual. Também busca monitorar, ano a ano, o desempenho do transporte público da capital paulista.

Como o Desafio Intermodal faz parte dos eventos que promovem o Dia Sem Carro, ele é realizado na ultima quinta feira que antecede o dia 22 de setembro, sempre o mesmo horário e trajeto.

As Regras do desafio

O tempo computado será o deslocamento completo da pessoa e não do tipo de transporte que ela está usando. Portanto, leva-se em conta o tempo que a pessoa leva até o modal e o tempo que ele perderá para estacionar o veículo, por exemplo. Como o ciclista desmontado se equipara a um pedestre, o único veículo que não é necessário estacionar é a bicicleta.

Durante o deslocamento, são respeitadas todas as leis de trânsito. Os pedestres têm que atravessar na faixa, a não ser que ela esteja a mais de 50 metros. Nesse caso, segundo o art. 69 do CTB, ele tem o direito de atravessar no local que considerar mais seguro. O pedestre corredor deve correr na calçada.

Divulgação dos resultados

Além do tempo de cada modal, no site oficial do Dia Sem Carro divulga em tempo real a chegada, o custo de cada deslocamento, bem como as emissões de CO2 de cada modal.

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28 de junho de 2009

SP: Ciclistas protestam contra “cemitério de árvores” na Marginal Tietê

No momento que publico este post, um grande grupo de ciclistas, mobilizado pelo Coletivo Pedal Verde, deve ter chegado à Ponte das Bandeiras. Lá, encontra-se com outros ativistas ambientais para vistoriar o “cemitério de árvores” - como passou a ser chamado o local onde, na última segunda-feira, foram cortadas árvores de mais de 50 anos para a reforma da Marginal Tietê (imagem abaixo).

>> Veja o trajeto cumprido pelos ciclistas

No convite do encontro, as árvores ainda existem

No convite do encontro, as árvores ainda existem

Segundo alegam os manifestantes, que fazem uma espécie de piquenique no local, para ampliar a Marginal Tietê, a prefeitura da capital paulista está eliminando “diversas árvores com mais de 50 anos de vida, que cumprem papel ecológico importantíssimo no equilíbrio climático e da poluição da marginal”.

A própria Secretaria de Verde e Meio Ambiente de São Paulo (SVMA) admite o “corte de 559 árvores no entorno da via em um universo de 4.589 árvores existentes no local” - ou seja, mais de 10% do total de árvores.

árvores com mais de 50 anos mortas

As provas do "ecocídio": árvores com mais de 50 anos mortas

Ainda de acordo com a SVMA, 419 das árvores a serem eliminadas são exóticas, “como fícus elásticas, eucaliptos, chorões etc.”.

Essas informações estão num texto de esclarecimento da Secretaria, no qual o órgão municipal afirma que o corte justifica-se por tratar-se de uma obra emergencial (a reforma da Marginal Tietê). Afirma também que, posteriormente, serão platandas 4900 árvores na Marginal, 83 mil em seu entorno e 63 mil no Parque Ecológico do Tietê, que também será criado (veja íntegra do texto).

Entretanto, os ativistas garantem que - embora seja chocante, de sua perspectiva - o corte das árvores não é o único problema da obra de reforma da Marginal.

As cruzes foram colocadas pelos cicloativistas

As cruzes foram colocadas pelos cicloativistas

Argumentam que a impermeabilização dos canteiros centrais, responsáveis pelo escoamento das águas, agravará o problema já crônico das enchentes naquela via.

- Esse projeto assina o decreto de morte para que um dia possamos a voltar a viver juntos e de forma saudável junto do Rio Tietê, indo completamente na contramão de projetos realizados em diversas cidades pioneiras do mundo - um retrocesso de mais de 40 anos no pensamento humano!!! - afirma o Coletivo Pedal Verde.

O Blog das Ruas passará a monitorar os desdobramentos dessa questão.

(fotos: Luciano Ogura)

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27 de fevereiro de 2009

SP: Praça do Ciclista faz 3o. aniversário, mas continua invisível

Tags:, , - iurirubim às 7:30

Nesta sexta-feira, a Bicicletada - movimento de ciclistas pela reocupação das ruas e uso dos transportes não motorizados - comemora o terceiro aniversário da Praça do Ciclista, em São Paulo.

Tradicional ponto de encontro de ciclistas, a Praça é uma parte do canteiro central da Avenida Paulista, delimitada nas laterais pela Rua da Consolação e pela Bela Cintra.

Em outubro de 2007, foi reconhecida oficialmente pelo poder público municipal, através da Lei no. 14.530. A iniciativa de formalizar o espaço foi da então vereadora Soninha Francine.

Entretanto, a Praça só é conhecida pelos próprios ciclistas e algumas pessoas próximas. Não há no local nada que a identifique, nem mesmo a costumeira plaquinha.

Não fosse a insistência dos cicloativistas em encontrarem-se ali e dar vida ao local, seria apenas mais um espaço vazio em meio ao trânsito paulistano.

Desde julho de 2008, quando a Praça passava por reformas, o secretário municipal das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, havia prometido colocar a placa com o nome da Praça. Até hoje, nada foi feito.

Para o blog Apocalipse Motorizado, um dos vários sites mantidos pelos cicloativistas, “ainda que tenha sido batizada, crismada e tenha certidão lavrada em cartório, a Praça do Ciclista segue pagã, ignorada sutilmente pelos barões da paulistania acinzentada”.

Como de costume, os ciclistas encontram-se a partir das 18h na Praça-sem-placa e, às 20h, saem pelas ruas da capital paulistana. O roteiro do passeio-protesto é definido na hora, pelos participantes.

(foto: Blog Apocalipse Motorizado)

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