Terra Magazine

27 de maio de 2009

BA: Por Chavez, Biblioteca Pública realiza “Maio Bolivariano”

Aproveitando a visita do presidente Venezuelano Hugo Chavez à Bahia, nesta terça-feira (26), a Biblioteca Pública do Estado, em Salvador, organiza uma série de atividades culturais gratuitas para reforçar os laços entre Bahia e Venezuela. O projeto, realizado entre 24 e 31 deste mês, foi intitulado Maio Bolivariano.

- Wagner, aqui está o meu coração. Amamos cada vez mais a Bahia e pátria brasileira - disse o presidente Venezuelano ontem para o governador da Bahia.

A retribuição ao cortejo de Chavez vem na forma de uma semana de mostras de livros e artesanato; exposição de fotógrafos brasileiros e venezuelanos; mostra de cinema venezuelano, com alguns filmes seguidos de debates sobre o país vizinho.

Idealizador do Maio Bolivariano, o historiador e atual presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro de Araújo, revelou que o revolucionário Simón Bolívar também inspirou a luta pela independência da Bahia, em 1823.

- Com este Projeto Maio Bolivariano estamos retornando nossa conexão histórica com a Venezuela, grande berços dos ideais libertadores da América Latina. A luta pela independência da Bahia, em 1823, foi muito influenciada pelo pensamento e trajetória de luta do líder Símon Bolívar, que pregava a união de todos os povos latino-americanos e a independência total desses países, frente ao colonialismo - diz.

Chávez com Ricardo Castro, coordenador de projeto orquestral inspirado em expeirência venezuelana

Chávez com Ricardo Castro, coordenador de projeto orquestral inspirado em expeirência venezuelana

A programação de debates começa hoje, com a projeção, na Sala Walter da Silveira, de “A revolução não será televisionada” (18h), que trata da tentativa de golde de Estado em 2003. Em seguida o adido cultural da Venezuela, Wilfredo Porteles, os deputados estadual e federal Javier Alfaya e Emiliano José e outros intelectuais baianos discutem o filme.

O adido também estará presente no dia 29, quando será exibido “Tocar y Luchar”, documentário sobre o Sistema Nacional das Orquestras da Venezuela, que posicionou o país como um das referências atuais em música erudita. Acompanham o adido no debate o pianista e regente da Orquestra Sinfônica da Bahia, Ricardo Castro, e a diretora da Fundação Cultural do Estado, Gisele Nussbaumer.

Líder revolucionário nascido em Caracas, atual capital da Venezuela, Símon Bolívar (1783-1830), contribuiu decididamente para a libertação de cinco países sul-americanos do domínio espanhol: Venezuela, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador. Sua trajetória inspirou outros grandes ativistas das Américas, como Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Salvador Allende.

Orquestras de jovens

Na abertura do Maio Bolivariano, no último domingo (24), a cônsul-geral da Venezuela no Brasil, Comoroto Godoy Calderón disse, empolgada:

- Somos uma só pátria de homens livres, unidos pela cultura e pela luta em nome da liberdade. Temos que romper este pequeno obstáculo da língua e intercambiar experiências positivas.

O melhor exemplo desse intercâmbio de experiências positivas talvez seja a implantação do Neojibá - Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia.

Neojibá quer repetir na Bahia sucesso alcançado na Venezuela

Neojibá quer repetir na Bahia sucesso alcançado na Venezuela

Coordenado pelo pianista Ricardo Castro, o Neojibá é uma adaptação para a Bahia do Fesnojiv (Sistema Nacional das Orquestras e Coros Juvenis e Infantis) projeto que, em 33 anos, transformou o país de Chávez em uma potência da música erudita.

Hoje, existem 154 orquestras juvenis e 70 orquestras infantis distribuídas por todo o território venezuelano. Mais de 250 mil crianças, adolescentes e jovens são atendidos pelos 140 núcleos de formação musical presentes no país.

O convênio entre o Estado da Bahia e o Governo da Venezuela para cooperação entre os projetos orquestrais, que prevê viagens de intercâmbio para os jovens de ambos os países, foi oficializado na terça-feira, 26 de maio.

Pouco antes da assinatura, o presidente Hugo Chávez ficou visivelmente emocionado ao assistir a apresentação do Neojibá, que executou trechos dos hinos brasileiro e venezuelano, e da ópera Carmen, do compositor Bizet.

(Fotos: Manu Dias/AGECOM)

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