SP: Diadema compara cinqüentenário aos 50 anos da revolução cubana
O município de Diadema, na Grande São Paulo, comemora neste ano o cinqüentenário de sua emancipação política, ocorrida em oito de dezembro de 1959. Em janeiro deste mesmo ano, Fidel Castro e Che Guevara expulsavam de Cuba o ditador Fulgencio Baptista, inaugurando um nova página na história do país caribenho.
Embora o ano de 2009 seja significativo tanto para Diadema quanto para Cuba, é surpreendente que uma das comemorações dos 50 anos do município paulista compare a sua emancipação com a revolução cubana.
Afinal, enquanto Diadema é um município localizado próximo ao trópico de capricórnio, num país dos maiores países do mundo em extensão e população, de regime capitalista; Cuba, uma pequena ilha, é nação comunista do hemisfério norte, já próxima ao trópico de câncer.
Ainda assim, em meio a tantas diferenças, esses dois lugares encontraram laços de identificação maiores que uma simples coincidência de datas.
- As políticas públicas sempre participativas, a forma de administrar o Estado sempre com muitos conselhos, fazendo tudo sempre junto com a comunidade. O orçamento participativo, todo discutido, planejado em conjunto. Nós de Diadema temos muita identificação com Cuba sim. A ponto de realizarmos, em vários anos, a semana cubana - argumenta José Tadeu Mota, diretor de eventos da prefeitura.
Silvana Gomes, membro da equipe da assessoria de relações internacionais da prefeitura e também organizadora do evento vai mais longe:
- Temos muitos pontos de ligação, do ponto de vista de políticas públicas e também do ponto de vista cultural. Temos um intercâmbio intenso com Cuba, que já dura mais de 10 anos, com muitas visitas delegações de ambos os lado. Boa parte da nossa população é afrodescendente… Isso, claro, sem mencionar que, assim como Cuba fez revolução popular, Diadema também se fez cidade a partir de uma forte participação popular -afirma.
De fato, Diadema é “cidade-irmã” de Santiago de Cuba desde dezembro de 2006. “Queremos aprofundar essa relação com um convênio de cooperação em diversas áreas, especialmente educação, saúde, cultura e esportes”, diz Silvana Gomes.
Por conta dessa identificação, acontece neste mês o evento “50 anos da Revolução Cubana - Diadema 50 anos”, no Museu de Arte Popular.
A programação é aberta pela mostra “Diálogo: Diadema - Cuba”, que começa hoje, às 19h30, e propõe um diálogo sobre as semelhanças sócio-culturais entre ambas.
Na exposição, a história de Diadema registrada década por década divide espaço com as imagens do cubano Aléxis Flores que retrata a cultura de Cuba e convida o público a uma viagem pelo país.
O acervo da professora Dilma de Melo Silva (Escola de Comunicação e Artes/ USP) também integra a mostra. Entre os objetos, estão esculturas, artigos religiosos, caixas artesanais de charutos, pinturas de artistas contemporâneos de Cuba e peças do cotidiano, como artesanatos e brinquedos. A exposição pode ser visitada até o dia 30 de outubro.
Além da abertura da mostra, o público pode participar hoje do lançamento do livro “A História da Maçonaria Cubana” de Eduardo Torres Cueva.
A obra apresenta seis ensaios sobre a maçonaria em Cuba, quatro deles apresentados em Simpósios Internacionais realizados pelo Centro de Estudos Históricos da Maçonaria Espanhola.
Além disso, o restante da programação no mês prevê palestras e debates sobre essa identidade com a presença do prefeito da cidade e do cônsul geral de Cuba; exibição de documentários; o lançamento dos livros “O Jovem Fidel” e “O Jovem Che”, de Roniwalter Jatobá; apresentaçãod e bandas tocando músicas cubanas e a realização de uma festa típica cubana no dia 25/10, com comidas e bebidas típicas, música e dança do país caribenho.
Segundo Igor Stepaneko, um dos responsáveis pelo Museu de Arte Popular de Diadema, “50 anos da Revolução Cubana - Diadema 50 anos”, deve atrair pelo menos duas mil e quinhentas pessoas neste mês.
(imagens: Andréia Alcântara [1]; reprodução [2]; Alexis Flores [3,4])



