Terra Magazine

21 de junho de 2009

Festival leva circo contemporâneo da França a Belo Horizonte

Começou, na última sexta-feira, o 5º Festival Mundial de Circo. Primeiro e maior do gênero no país, o evento, desde 2001, leva à capital mineira um panorama da produção circense brasileira e mundial.

Neste ano, o Festival Mundial de Circo é dedicado ao Ano da França no Brasil (França.br). São seis grupos franceses e dez brasileiros, que ocupam juntos as ruas, praças e teatros de Belo Horizonte até 28 de junho.

Além dos espetáculos, gratuitos e pagos, os mineiros da capital têm acesso a campeonato de malabares, oficinas, debates, lançamento de livros e uma mostra de filmes - tudo isso girando em torno do universo circense.

Reconhecidamente um dos maiores centros da arte circense no mundo, o país de Napoleão é berço de muitos prodígios no ofício de abrilhantar o picadeiro - e alguns deles estão neste Festival.

Ainda é tempo de ver o espetáculo de abertura do Festival: “20º Première”, do Centre National des Arts du Cirque (CNAC), marcado para a noite de hoje.

Convidado especial da 5ª edição do Festival, o CNAC é uma das mais importantes escolas superiores de circo da Europa, localizada em Châlons-en-Champagne, interior da França. Em todo final de curso os alunos do CNAC montam um espetáculo profissional e realizam apresentações na França e em outros países.

Este ano, o espetáculo - dirigido por Georges Lavaudant e coreografado por Jean-Claude Gallotta - tenta ludribriar a gravidade, valorizando as acrobacias aéreas, seja no mastro chinês, nas básculas coreanas, sobre um arame, no mastro pendular ou no tecido.

A programação traz outro “francês voador”, o artista circense Julot, também integrante do grupo Les Cousins. Com quase 30 anos de experiência artística, Julot apresenta-se gratuitamente em parques, no topo de um mastro de nove metros de altura, brincando com a capacidade da platéia suportar a vertigem.

o mastro tem nove mestros!

Não se recomenda fazer isso em casa: o mastro tem nove metros de altura!

Também de graça, mesmo bem preso a terra, é o espetáculo “Passage Désemboîté”, da Cia Les Apostrophés. Nele, cinco engravatados brincam com objetos esquecidos nas ruas: um livro em um banco de praça, um chapéu que voa, restos de feira, baguetes de pão. Misturando humor, malabarismo, música e dança, os artistas se misturam aos passantes, à caça de pistas para o próximo improviso.

O improviso também aparece do lado brasileiro. O espetáculo “Jogando no Quintal”, montado pelo grupo homônimo, segue a estrutura de uma partida de futebol, com dois times, juiz e hino. Em disputa, a afeição da platéia, que sugere temas para que cada time improvise os seus números.

Além do já bastante conhecido Circo Zanni, também merece destaque, entre as companhias nacionais, o grupo La Mínima, que apresenta “A Noite dos Palhaços Mudos”. Espetáculo de clown escrito pelo cartunista Laerte, “A Noite” explora o humor sem palavras e a lógica do absurdo, abrindo espaço para truques de magia e números musicais.

A quinta edição do Festival Mundial de Circo traz uma novidade em relação às anteriores: a Mostra “Cenas de Circo”. A mostra é um novo formato, no qual são apresentadas duas cenas de 15 a 30 minutos, de diferentes companhias, numa mesma noite.

A interação entre os grupos circenses tem seu ápice no Espetáculo de Variedades, que reúne os melhores números circenses inscritos para participarem do evento, além de músicos e um diretor convidado. A iniciativa, que tem entrada gratuita, fomenta encontros e intercâmbios artísticos, estimulando novas produções na área de circo.

Música e circo ainda se encontram no Cabaré Circo, espetáculo inspirado no universo dos antigos cabarés que põe no mesmo “picadeiro” atrações circenses e musicais.

Este blogueiro gostaria de destacar ainda uma paixão pessoal: a mostra competitiva de malabares. Para a disputa, foram selecionados números de malabares de acordo com critérios como a excelência artística, figurinos, trilha sonora, criatividade, técnica e presença de palco. O resultado é apresentado em um espetáculo com entrega de prêmios para os três primeiros lugares.

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

Festival Mundial de Circo

Realizado em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009, o Festival Mundial de Circo e faz a cada dois anos uma síntese da produção circense nacional e internacional. Sediado em Belo Horizonte, investe também na realização de ações residuais para reforçar o processo de formação de novas platéias para o circo, incentivando o surgimento de novas gerações de artistas.

Ao longo dos anos, um público estimado de 200 mil pessoas presenciou as 201 apresentações de espetáculos, 72 apresentações de números na Mostra de Números Circenses, 14 workshops para profissionais, quatro oficinas para iniciantes, 12 debates com diversos representantes do circo nacional e internacional, sete lançamentos de livros sobre a arte circense, além de cinco festas que mesclam apresentações circenses e teatrais com shows musicais.

O Festival Mundial de Circo do Brasil acolheu em solo brasileiro artistas e grupos de países como: Argentina, Uruguai, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Quênia, Ghana, Rússia, França, Portugal, Inglaterra, Itália, Bélgica, Espanha e Cuba.

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16 de maio de 2009

PR: Festival de circo “ocupa” ruas e cartões postais de Curitiba

A capital paranaense encontra-se “ocupada” pelo mundo do circo. Desde a quinta-feira (14) e até este domingo, o Festival Curitibano de Circo toma conta das ruas e de cartões postais da cidade, como a Ópera de Arame.

Em 2009, o Festival chega a sua terceira edição. “Pelo sucesso dos eventos anteriores, podemos afirmar com orgulho que está crescendo cada vez mais o intercâmbio entre artistas profissionais e amadores interessados em aprender as técnicas circenses”, conta uma das organizadoras, Camila Ceguinel, da Companhia TripCirco.

Outro coordenador do evento e mebro da TripCirco, Adrian Pagliano, enfatiza a importância da participação do público. “A participação da população é fundamental, sobretudo porque fortalece os vínculos com o circo e artes afins. O circo é uma das mais antigas manifestações artísticas na história das civilizações”, afirma.

Trupes de vários lugares do pa�s vêm à Curitiba no Festival

Trupes de vários lugares do país vêm à Curitiba no Festival

Seis espetáculos de rua tomam de assalto as Ruínas de São Francisco; o Memorial de Curitiba; as escadarias da UFPR; o Largo da Ordem e a Boca Maldita.

Enquanto isso, mais sete espetáculos se apresentam nos seguintes espaços culturais da cidade: Ópera de Arame; Teatro Londrina; Mini Auditório Teatro Guairá e Teatro da Reitoria.

Todos os espetáculos são apresentados diversas vezes. Dessa forma, quem perdeu o Festival nos dois primeiros dias ainda tem tempo de ver muita coisa (veja programação completa).

Cartão postal de Curitiba, a Ópera do Arame abriga alguns dos espetáculos

Cartão postal de Curitiba, a Ópera do Arame abriga alguns dos espetáculos

Só não vai dar mais é para participar do Cortejo Circense, uma caminhada ocorrida hoje pela manhã, pelo centro de Curitiba, no trecho da rua XV de Novembro entre a Boca Maldita e as escadarias da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No cortejo, artistas com seus figurinos fazendo arte pela rua; malabaristas brincando com bolas e claves; e palhaços de bicicletas e pernas de pau. Tudo isso ao som de um grupo de percussão e dança, que acompanhou os brincantes durante o trajeto.

As apresentações dividem-se entre o palco e a rua

As apresentações dividem-se entre o palco e a rua

“O Festival é para trocar experiências. Uma reciclagem de idéias”, diz Adrian Pagliano. “Além da troca de informações e conhecimentos proporcionada pelo convívio durante o encontro, profissionais de capacidade reconhecida ministram oficinas envolvendo as diversas técnicas circenses”.

O Festival Curitibano de Circo oferece oficinas de malabares; aéreos; equilíbrio; acrobacias; clown, dentre outras. E muitas gargalhadas para o público em geral.

(fotos: divulgação [1, 2 e 4], reprodução [3])

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29 de abril de 2009

PR: Companhia de circo resgata estética do bizarrro

A Cia. TripCirco, de Curitiba, fez uma viagem de volta ao passado quando, no último sábado, promoveu o primeiro Cabaré Freak. Proibido para menores, o espetáculo coloca diante da plateia irmãos siameses, um mágico sanguinário, um anão e sua “noiva cadáver” e até mesmo a própria “morte”.

Envolto de sangue artificial e muito humor macabro, o Cabaré Freak resgata uma estética do bizarro presente nos circos antigos e há muito distante dos picadeiros brasileiros.

Embora o show de horrores seja uma releitura do original, sem a presença de anões ou irmãos siameses verdadeiros, o espetáculo simula mortes e mutilações. Nem a plateia não fica impune: é envolvida nas brincadeiras recebendo, por exemplo, uma saraivada de ovos de galinha.

- Tem cenas fortes. Muito sangue. Jogam ovo na platéia. É uma bagunça geral - diz o argentino Adrian Pagliano, um dos fundadores da Companhia, em 1999.

O artista lembra de alguns dos números mais bem recebidos pelo público.

- O que mais gostaras foi o do anão e a noiva cadáver. O anão tira da mala a noiva, uma menina que faz contorcionismo, deita numa cama de pregos… tem também o mágico, que decepa a mão de sua parceira com uma guilhotinha… tem ainda a “morte” que anda no meio do público e “morre” durante o seu número - conta.

Criada em Buenos Aires e “posteriormente abrasileirada” no Paraná, a TripCirco é ao mesmo tempo companhia de circo e escola experimental.

Realiza uma vez por mês o Cabaré de Variété, quando leva a público os resultados das pesquisas de professores e alunos. A partir da reação da plateia, abandonam ou continuam a desenvolver os números.

A versão freak do Cabaré foi criada para abrir espaço a muitos números “poucos convencionais”, que não tinham espaço no formato regular do Cabaré.

O teor do espetáculo, entretanto, fez com que a Companhia tomasse cuidados especiais, inclusive proibir a entrada de menores. “Avisamos muito a todo mundo porque o nosso público tradicional é família, tem muitos idosos e crianças”, comenta Adrian.

O sucesso foi tanto que agora a Companhia quer retomar o Cabaré Freak pelo menos uma vez por ano.

Adrian Pagliano não conhece nenhum espetáculo ou companhia circense no Brasil que adote a estética freak, mas chama atenção para um de seus desdobramentos: “parte do freak evoluiu para a galera que hoje faz body-piercing e body modification”.

O artista lembra que antes as pessoas diferentes eram presas e tratadas como animais pelos donos de circo e considera que o universo circense evoluiu ao criar certos limites:

- Não conheço a situação jurídica aqui no Brasil, mas nos Estados Unidos está proibido porque consideram isso uma exploração do ser humano, tratado como aberrações. Agora proibiu circo de animais, o que acho corretíssimo. São evoluções - afirma.

Lembra, entretanto, que a estética do bizarro continua em voga e que existem algumas trupe que rodam a Europa de forma semelhante ao início do circo.

- Mas hoje em dia as pessoas são livres, a exploração não acontece. Elas na realidade estão trabalhando e vendo arte nisso. Aí está toda a diferença.

(fotos: divulgação/ Cia. TrpCirco)

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28 de março de 2009

SP: Festival circense resgata “arte do chapéu”

Anualmente, o Festival de Circo e Espetáculos de Rua comemora o Dia do Circo (27 de março), no Beco do Projeto Cidade Escola Aprendiz, na Vila Madalena.

Em 2009, na quinta edição do Festival, os festejos começam hoje às 14h e vão até a segunda-feira. No programa, malabares, acrobacias, monociclo, trapézio, tecido, pirofagia, perna de pau e samba de roda. Isso sem falar no palco aberto, quando qualquer pessoa da platéia pode apresentar seus números.

O gran finale fica por conta das competições circenses e malabrísticas que duram todo o dia 31. Confira a programação.

Sem picadeiro, mas com muita alegria e apuro técnico, o Festival oferece atrações de qualidade por um preço estabelecido pelo público. De tempos em tempos, o chapéu transita entre os participantes.

- O chapéu é uma forma democrática que substitui a cobrança de ingressos e permite acesso a cultura aos que eventualmente não tem condições de pagar. O trabalho de valorização da cultura do chapéu consiste em fazer com que as pessoas percebam que esse tipo de pagamento não é necessariamente uma maneira de mendicância, ao contrário, configura-se em uma forma de troca comparável, por exemplo, aos “bilhetes de entrada” nos teatros, mas não obrigatória - dizem os organizadores.

Centenas de pessoas comparecem ao festival, que tem um clima leva e descontraído. O trânsito frequente entre o palco e a plateia dificulta um pouco discernir quem são os artistas e quem é o público. Afinal, a alegria estampada no rosto é comum a todos.

Juntamente com o Dia do Circo, é comemorado o aniversário do Circo do Beco, evento mensal que acontece desde 2003, no Beco do Projeto Cidade Escola Aprendiz. Fruto dedicação de artistas para valorizar a Arte de Rua e a Arte na Rua, o Circo no Beco tornou a Praça do Aprendiz um lugar de referência para a arte circense em São Paulo.

(imagens: divulgação/Circo no Beco [1]; Henrique Mochida [2])

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1 de março de 2009

GO: Fim de semana de música, teatro e circo em Pirenópolis

Desde ontem, as praças do centro histórico de Pirenópolis, uma das cidades mais charmosas de Goiás, recebem música, teatro e circo.

Oito espetáculos culturais desenvolvidos por artistas brasilienses e pirenopolinos circulam na cidade nesses dois dias, em várias apresentações, completando mais de 10 horas de entretenimento gratuito.

Esta é a primeira edição do projeto Circularte - realizado pelo Instituto Zabilin, com apoio do Ministério do Turismo -, cujo objetivo é valorizar o turismo cultural.

Entre as atrações, palhaços acrobatas, miniteatro de bonecos, brincadeiras infantis, cantigas de trabalho dos agricultores, shows, aula-espetáculo sobre a história das violas, teatro de cordel e um auto teatral sobre histórias, mitos, lendas de Pirenópolis.

Ainda dá tempo de ver

Embora boa parte das apresentações tenha ocorrido neste sábado e na manhã de hoje, ainda dá tempo de ver algumas. Às 16h, no Alto do Bonfim (Vila Mutirão), são apresentados os espetáculos “O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” (teatro) e “Tome sua Poltrona” (circo), de Brasília, e o “Teatro de Jovens da Escola da Vila”, de Pirenópolis.

“O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” é um espetáculo de rua cuja temática, o uso dos preservativos, é tratada a partir de um divertido teatro de cordel. Ao final da apresentação, são distribuídas camisinhas para o público.

Já o espetáculo circense “Tome sua Poltrona” mostra dois palhaços acrobatas, que dançam manipulando objetos e fazem números de magia cômica. Dirigido por Denis Camargo, com atuação de Érika Mesquita e Atawallpa Coello, o espetáculo tem na música (clássica, popular e jazz) o elemento chave na evolução das cenas.

Finalmente, o grupo de Teatro de Jovens da Escola da Vila encerra a programação com um auto teatral contando a história de Pirenópolis reinventada pelo grupo a partir dos relatos e memórias do Mestre Griô Bastião de Chica, atualmente com 92 anos de idade.

(foto: Flogão Circo Rebote)

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