Terra Magazine

15 de outubro de 2009

BA: Moraes Moreira e Margareth Menezes fazem show pelo Dia Mundial da Alimentação

Para comemorar o Dia Mundial da Alimentação (16/10), diversos artistas baianos fazem um show beneficente hoje, às 18h, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador.

Entre as atrações, nomes de peso como Moraes Moreira, Margareth Menezes, Luiz Caldas, Gerônimo e Paulinho Boca de Cantor, Cortejo Afro e o DJ Nazca, que se apresenta junto à percussão do Bloco da Cidadania.

Moraes Moreira participa hoje do show pelo Dia Mundial da Alimentação

Moraes Moreira participa hoje do show pelo Dia Mundial da Alimentação

Promovido pelo comitê soteropolitano da Ação da Cidadania, o show tem apresentações de várias outras linguagens artísticas além da música, como dança, teatro, circo, poesia e artes plásticas.

Para participar do evento, o público deve levar como ingresso o chamado kit solidariedade: dois quilos de alimento não-perecíveis (como feijão e arroz, por exemplo). Os alimentos serão entregues às Voluntárias Sociais da Bahia e à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), para serem distribuídos à população carente da Bahia.

Desde 2003 a Ação da Cidadania - Salvador vem realizando eventos em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação. O show é um pré-lançamento da quarta edição da campanha Carnaval sem Fome, que tem como meta para 2010 arrecadar 300 toneladas de alimento.

Outra ação mobiliza a capital baiana pelo Dia Mundial da Alimentação. Nesta sexta-feira, uma série de restaurantes da cidade doa parte do faturamento - em alguns casos, um percentual do faturamento; em outros, o faturamento obtido na venda de pratos específicos - para o apoio a projetos de organizações populares que trabalham com crianças ou adolescentes. Veja aqui a lista dos restaurantes.

Os consumidores poderão acompanhar a aplicação do recurso mobilizado durante a campanha através do site da CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço, que coordena essa ação.

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21 de fevereiro de 2009

BA: 117 blocos de matriz africana desfilam no carnaval

Considerado maior festa popular do mundo, o carnaval de Salvador reserva inúmeras surpresas aos foliões.

Neste universo de atrações que pipocam a todo instante, um dos maiores destaques é o Carnaval Ouro Negro, iniciativa para ampliar a visibilidade dos blocos afro, de índio, samba, percussão e reggae no carnaval da capital baiana.

Em 2009, 117 blocos de matriz africana estão na avenida com o apoio do Programa, recebendo valores que variam de R$ 15 a 100 mil cada. Para garantir o desfile dos blocos nos circuitos da folia, o investimento total da Secretaria de Cultura da Bahia foi de R$ 4,2 milhões.

A participação dos blocos “Ouro Negro” na vida cultural da cidade vai muito além de sua apresentação no carnaval. Além de representarem a resistência de valores culturais afrobaianos, desenvolvem, simultaneamente, um trabalho social e de inovação estética nas comunidades em que atuam. Produzem inovações que vira e mexe contagiam todo o carnaval.

Além disso, uma pesquisa da própria Secretaria de Cultura mostra outro aspecto da importância dos blocos de matriz africana: são responsáveis pela absoluta maioria (79,6%) dos postos de trabalho gerados por todas agremiações.

Não é à toa que um desses blocos, o Ilê Ayiê, fundado em 1974, seja considerado um dos marcos da disseminação de uma estética negra pelo Brasil. Até hoje, o Ilê promove, às vésperas do carnaval, a Noite da Beleza Negra, em que é escolhida a Deusa de Ébano de cada ano.

O Cortejo Afro produz quase tudo na própria comunidade

O Cortejo Afro produz quase tudo na própria comunidade

Assim como o Ilê, quase todos os blocos do Carnaval Ouro Negro representam conquistas para a diversidade cultural da Bahia - ou pelo menos têm belas histórias para contar.

Levando milhares de pessoas às ruas da capital baiana, o Afoxé mais famoso do Brasil, os Filhos de Gandhy, foi fundado antes mesmo de existir o trio elétrico, em 1949, um ano após a morte do líder pacifista que inspirou estivadores a cantarem e dançarem pela paz.

Os Sacerdotes, outro afoxé de Salvador, é dedicado ao candomblé, reunindo no circuito do carnaval mais de 800 sacerdotes de terreiros da cidade.

Mais uma agremiação reverencia outro líder negro: fundado em 1997, o bloco Malcolm X surgiu com o objetivo de denunciar os problemas vividos pela comunidade negra da periferia da cidade.

A referência às lutas sociais também é marca do Malê de Balê, que homenageia a Revolta dos Malês, um levante de negros muçulmanos ocorrido em 1835, em Salvador. O bloco é considerado o maior balé afro do mundo por realizar apresentações com 2 mil dançarinos atuando conjuntamente.

Também dado a superlativos é o bloco Os Negões. Originalmente chamado de Os Negões de 1,80m, foi batizado assim porque todos os seus fundadores possuíam pelo menos essa estatura. Somente em 1995, treze anos após a fundação do bloco, passou a permitir a participação de mulheres e homens mais baixos.

Se Os Negões ganhava na altura, o bloco de samba Alerta Geral foi campeão em velocidade: fundado em 1993, a agremiação foi criada faltando apenas 18 dias do carnaval pelo sambista Nelson Rufino e seu parceiro Guilherme Simões. Na quinta-feira de carnaval, o bloco fazia sua estréia na avenida.

O bloco de samba Alerta Geral foi criado em apenas 18 dias

O bloco de samba Alerta Geral foi criado em apenas 18 dias

Fundado pelos moradores do bairro Beiru, o único bairro de Salvador com o nome de um africano (o nigeriano Preto Beiru), o bloco Mundo Negro foi a estratégia encontrada pela população local para garantir que não mudassem o nome do bairro.

Também em benefício do bairro, o Cortejo Afro faz fantasias para as crianças de Pirajá a partir de sobras de pano na terça de carnaval. Os pequenos, então, saem pelas ruas do bairro, um mini bloco infantil com banda própria.

O mundo infantil também é representado pelo bloco Mamulengo da Bahia, o único bloco do Estado composto apenas de bonecões. São 100 bonecos que desfilam do Campo Grande à Praça da Sé, acompanhados de uma banda de choro. Os bonecões representam personalidades internacionais, como Chaplin, Mandela e Gandhi; e nacionais, como Caetano e Jorge Amado.

O Carnaval Ouro Negro tem muitas outras peculiaridades, antes ofuscadas pelos grandes blocos de trio. A força dessas manifestações é a diversidade do carnaval e o motor de sua renovação. Nada como vê-las a pleno vapor.

(fotos: Agecom [1]/ Robson Mendes/ Agecom [2]; Manu Dias/ Agecom [3])

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