Bahia realiza “seletiva” para a final do Festival do Rap Popular Brasileiro
Acontece nas noites de hoje e amanhã, na Praça Teresa Batista, no Pelourinho (Salvador), a etapa baiana do II Festival do Rap Popular Brasileiro. Reunindo 12 bandas locais de rap, o evento gratuito seleciona - da mesma forma que todos os outros estados brasileiros - representantes para a final nacional do II RPB Festival, no dia 26 de setembro, no Rio de Janeiro.
Organizado pela Central Única de favelas, a CUFA, o RPB Festival procura estimular o mercado musical nacional do rap, valorizando a arte que nasceu nas periferias e apresentando novos grupos e cantores de rap.
“Muita gente começa nesses espaços e desponta com o talento aprisionado, e que muitas vezes não teria outra oportunidade de ser apresentado”, argumenta Gog, o “poeta do Rap”, vencedor do Prêmio Hutúz 2008 na categoria “Melhor Videoclipe”.
Para selecionar o representante do Estado na final, a etapa baiana tem como jurados Letieres Leite (Orquestra Rumpilezz), DJ Bandido, Vivian (coordenadora da Didá), Jô Guimarães (arte-educadora da escola Mãe Hilda e Ilê Ayê) e Mona Brito (representante do ‘Movimento Social’).
- Pô, mano, diz aí você, se coloque no meu lugar: como seria representar o hip hop do meu Estado no Festival nacional? Não sei nem o que dizer… - comenta Pablo, um dos MCs do Quatro Preto, na estrada desde 2002.
Para a etapa baiana, foram inscritas 30 bandas e pré-selecionadas 12. Única rapper do sexo feminino entre as bandas que se apresentam hoje e amanhã, Mahara não acredita que haja discriminação no meio e prega a união em torno da cultura negra.
- É a mesma coisa, tá todo mundo na rua, tem que saber dividir, ter respeito. Depende da cabeça de cada um e da postura da mulher. Ainda não é a mesma quantidade dos homens, mas já tem muita mulher. Ta todo mundo na mesma vibração que é a da negritude do país. Tem discriminação é contra o nosso ritmo, mas agora que a gente está começando a ter voz, a ter vez - argumenta Mahara.
Traço comum a Mahara, Quatro Preto e a várias bandas que se apresentam na etapa baiana, a incorporação de outros ritmos ao rap parece uma tendência no Estado. “A gente mistura mesmo: entra samba, jazz, maracatu, instrumentos de corda, percussão, baixo”, conta o MC Pablo.
Entretanto, essa tendência parece mas é mal vista pelos grupos do sul, mais alinhados ao hip hop “tradicional”, que ainda dominam o cenário brasileiro.
A estrutura do RPB Festival, que seleciona representantes de cada estado brasileiro para uma grande final, pode ser então um momento de afirmação política de identidades regionais.
- É a nossa chance de mudar um pouco a cara do rap nacional, sempre concentrado nos grupos do Sul. Eles são os que mais se parecem com os americanos e não entendem quando a gente, da Bahia, do Nordeste, mistura os ritmos, afirma a negritude do nosso jeito - diz Janda Mawusi, produtora do Festival.







