Terra Magazine

1 de novembro de 2009

MG: Frango Caipira é estrela de festival gastronômico

Quem escolhe passar o feriadão de finados no tranquilo distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, (município do Serro, a três horas de Belo Horizonte), acaba tendo que fazer uma escolha: frango com pequi ou ao molho pardo? Ou galeto ao leite?

Desde a última sexta-feira e até o dia 2 de novembro, acontece em São Gonçalo do Rio das Pedras o 4º Festival de Frango Caipira.

Mineiríssima, a iguaria é vendida em todos os restaurantes da cidade nessa período. São mais de vinte receitas, desde as mais tradicionais - como frango ensopado e ao vinho - até o frango “afro-mineiro” (gengibre e amendoim) e frango com quibabá, uma planta comestível que “existe no quintal de toda casa da cidade”, conta a idealizadora do evento, Cleide Greco.

Veterinária e dona de uma das pousadas do distrito, Cleide explica que a carne do frango caipira tem uma textura mais consistente por ser criada solta.

Além disso, não tem hormônios, pois o crescimento dos animais obedece o ritmo da natureza e eles não se alimentam de ração, apenas milho e folhas de horta.

Desde que Cleide e os outros donos de pousadas, restaurante de bares locais resolveram realizar pela primeira vez o Festival, em 2006, o turismo no vilarejo - que também possui atrações naturais, como cachoeiras e picos - só tem aumentado.

Chega a acontecer, como no ano passado, dos donos dos estabelecimentos terem que recorrer à criação doméstica de vizinhos por conta da procura.

Para resolver a questão da “superpopulação” de turistas, muito além das capacidades das poucas pousadas, muitos moradores praticam o turismo solidário, ou seja, recebem turistas em suas casas.

Ganham os visitantes, que encontram hospedagem barata, e os habitantes do vilarejo, que garantem uma renda extra para a família.

E você, conhece uma receita bacana de frango caipira? Comente.

(fotos: reprodução)

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19 de agosto de 2009

GO: Festival celebra 120 anos de Cora Coralina

A região cento-oeste festeja hoje a sua maior poetisa. Às 19h, no museu Casa de Cora Coralina, acontece a abertura oficial do Festival Cora Viva Coralina, que vai até o dia 23 de agosto.

A miríade de atrações presente no Festival sugere o alcance da poesia da escritora goiana. Além da esperada declamação de poemas, a Cidade de Goiás ganha roteiros Poético e Gastronômico, alvorada festiva, exposição fotográfica, debate acadêmico, desfile de moda, exibição de vídeos, shows e espetáculos teatrais inspirados na obra de Cora Coralina.

- A cidade inteira está mobilizada para o Festival. Cora viva dizendo que era a geração vindoura que iria entender o significado de sua obra. Ela pensou que a palavra dela seria para o futuro. A semente está florescendo - diz Marlene Vellasco, presidente da Associação Casa de Cora Coralina, que gerencia o museu da poetisa.

Dentre os destaques da programação, estão uma visita pelo Museu Casa de Cora Coralina, guiada e “cantada” pelo músico Daniel Melo, com a apresentação de poemas da escritora; o espetáculo Cora Coralina, Coração Encarnado, eleito pela crítica de O GLOBO como um dos dez melhores espetáculos do ano de 2006; e um show especial de Zeca Baleiro, intitulado: “Minha Cora, minha Coralina, mais de um Goiás de amor carrego, destino de violeiro cego”.

Unindo os dois maiores prazeres de Cora Coralina, escrever e cozinhar, o Festival também promove um recital de poemas aliado à degustação de doces e um roteiro gastronômico que enfatiza comidas da infância de Cor, quando ela ainda vivia na Fazenda Paraíso, como frango caipira e comida de tropeiros. O roteiro gastronômico se permite ainda algumas inovações inspiradas na culinária da época, como a peculiar pizza de pequi.

A poetisa tinha para si que seu maior dom era o de doceira. “A senhora é uma artista, admirável em sua arte, a mais nobre das artes, a da culinária”, disse-lhe em certa ocasião Jorge Amado.

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

O Festival Cora Viva Coralina comemora, ainda, o Dia do Vizinho, criado pela própria escritora em 1980.

- Cora morou a vida inteira fora de Goiás. Ela dizia que o vizinho é pessoa mais próxima que se tem. Fez inclusive um poema falando sobre isso. Ela dizia sempre que queria que o dia de seu aniversário, diz 20 de agosto, fosse encarado como um dia de confraternização, de partilha com o próximo. Criou então o Dia do Vizinho - explica Marlene Vellasco.

Desde então, a Cidade de Goiás celebra a data. Em 1982, transformou-se em Lei Municipal. Uma grande mesa é montada na porta da igreja e a prefeitura oferece um grande bolo à população. “Mas todos os vizinhos também levam bolos. A cidade inteira espera Dia do Vizinho”, conta Vellasco.

O Festival termina neste domingo na Cidade de Goiás, mas os poemas de Cora Coralina voltam a estar em destaque no dia 28 de setembro, em São Paulo, quando será aberta a exposição Cora Coralina Coração do Brasil, com cenografia de Daniela Thomas, no Museu da Língua Portuguesa.

Até hoje, apenas quatro outros escritores brasileiros ocuparam a sala principal do Museu da Língua Portuguesa: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gilberto Freyre e Machado de Assis.

A vida começa aos 50

Considerada uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX, Cora Coralina nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto, em 20 de agosto de 1889, na Cidade de Goiás.

Aos 14 anos, escreveu seus primeiros contos e poemas. Em 1910, aos 21 anos de idade, quando publicou o conto Tragédia na Roça, publicado no Anuário Geográfico e Histórico, passou a ser conhecida pseudônimo Cora Coralina, que usaria para o resto da vida.

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Após um longo período morando em São Paulo, volta a Goiás e à literatura nos anos 50. “Ela dizia que tinha um porãozinho dentro da cabeça. Quando voltou a Goiás, passou a produzir a maior parte de sua literatura”, conta Marlene Vellasco.

Curiosamente, a escritora costumava dizer que uma mulher se liberta quando completa 50 anos. “Ela dizia que, aos 50, já criou filho e neto e vive própria vida, é uma mulher liberta. Aos 70, pode dizer e viver tudo que quiser”, lembra Marlene.

Publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, somente em 1965, aos 76 anos. Alguns anos mais tarde, ao ter sua poesia conhecida e receber elogios de Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina passou a ser admirada por todo o Brasil.

Em 1983, dois anos antes de sua morte, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores.

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