Terra Magazine

19 de abril de 2009

SP: Cidade constrói “ocas” para Festival Indígena

Começou ontem e vai até a segunda-feira (20/4), na cidade de Bertioga, no litoral paulista, o Festival Nacional de Cultura Indígena. O evento acontece no Parque dos Tupiniquins, próximo ao Forte de São João, o primeiro forte do Brasil, construído em 1534.

Chamada antigamente pelor índios de ‘Buriquioca’ (”Morada dos Macacos Grandes”, na língua Tupi), Bertioga espera receber pelo menos 15 mil turistas nos três dias de Festival.

Sete povos indígenas estão presentes na celebração: Guarani; Xerente; Terena; Manoki; Karajá; Paresi Halití e Mehinako.

O Festival substitui a antiga Festa Nacional do Índio, realizada anualmente desde 2001 como celebração ao Dia do Índio, comemorado hoje, 19 de abril.

Mais que uma mudança de nome, o recém-nascido Festival foi desenhado para incorporar na festa a discussão da causa indígena - não por acaso, o evento é apoiado pela FUNAI e pelo Comitê Intertribal (ITC).

Segundo o próprio Comitê, foi idealizado um “cenário onde as comunidades indígenas pudessem se encontrar, intercambiar valores culturais e consolidar com a comunidade de Bertioga e outras regiões, uma aliança pela identidade brasileira”.

O novo formato tenta também aproximar o visitante do dia-a-dia do índio. Pela primeira vez, foram construídas sete ocas, casas onde habitam os indígenas, onde serão comercializado o artesanato das tribos presentes no Festival.

Com o lema “Posso ser o que você é, sem deixar de ser quem sou”, o evento terá apresentações dos povos indígenas e de grupos culturais sobre a temática.

Na abertura oficial, às 20h de ontem, teve o hino nacional interpretado em Guarani, pelo cacique Robson Miguel.

Além das apresentações, acontecem atividades esportivas, uma mostra da cozinha indígena, feira de artesanato e exposições culturais. Uma das ações mais esperadas do Festival é o simpósio que discute os direitos indígenas, que acontece durante o período da manhã, nos três dias de evento.

(foto: Tatiana Cardeal)

Blogs que citam este Post

17 de abril de 2009

Sarau Poético leva índios a SP, que declamam em línguas nativas

Já se imaginou ouvindo as mais diversas línguas nativas brasileiras, em textos declamados pelos próprios representantes de cada etnia?

O I Sarau das Poéticas Indígenas pretende dar uma amostra viva do enorme universo da literatura indígena brasileira, desconhecida da maioria do público do país.

O Sarau acontece no dia 19 de abril, das 15 às 19h, na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, São Paulo) e tem entrada gratuita. Reúne índios aldeados, escritores indígenas e indianistas. Todos com o mesmo objetivo: compartilhar sua perspectiva do encantamento com a palavra e suas possibilidades.

- Há uma enorme lacuna no universo literário brasileiro, que é a literatura indígena. É uma incrível riqueza lingüística e o Brasil não conhece essa produção. Queremos chamar atenção para a pontinha do iceberg, colocar uma isca para as pessoas procurarem saber mais - comenta a antropóloga Deborah Goldemberg, curadora do evento.

Blogueiro, Ol�vio Jekupe é um dos escritores que participam do Sarau

Blogueiro, Olívio Jekupe é um dos escritores que participam do Sarau

A antropóloga explica que este não é um Sarau tradicional - afinal, não dá para esperar que os povos indígenas tenham a mesma relação com a palavra que o “homem branco ocidental”.

- Estamos trabalhando com diversas formas de expressão desse encantamento com a palavra. No Sarau vai ter a declamação tradicional de poemas; trova; contação de histórias; palestra entremeada com textos de prosa; transcrição de cânticos; dança e encenação teatral - descreve.

Um dos “orgulhos” da organização do Sarau é a presença dos índios Pataxó, do sul da Bahia, povo que travou o primeiro contato com os portugueses. Zé Fragoso, escritor indígena e cacique da Aldeia Tibá (Prado, BA) vai ao evento acompanhado de Manoel Santana, contador de histórias da Aldeia Boca da Mata (Itamaraju, BA).

Deborah Goldemberg cita ainda a presença dos Guarani. “Eles não fazem distinção entre arte e vida. A forma como se alimentam, se vestem - todo o seu cotidiano é arte”, diz.

"precisamos de mais contato com o �ndio contemporâneo"

Goldemberg: "precisamos de mais contato com o índio contemporâneo"

É importante ressaltar que muitos escritores indígenas não apenas trabalham com a língua portuguesa, como observam os aspectos formais da poesia. Os escritores Olívio Jekupe e Eliane Potiguara, por exemplo, possuem inclusive blogs. Não faz muito tempo, Potiguara chegou a organizar um e-book indígena (o link é de um arquivo executável, mas pode abrir sem medo).

Para a curadora do Sarau, o Brasil tem que superar a dualidade com que vê a figura do índio: ou a visão romantizada do “bom selvagem” ou a visão degradada que remete à barbárie e á ameaça à civilização.

- Temos que ter mais espaços de contatos com o índio contemporâneo. O índio que aparece nos livros de escola é o índio de 500 anos atrás. O contato seguinte das pessoas com os índios é feito pela mídia, que os retrata como incapazes, alcoólatras e, mais recentemente, “comedores de gente” - reivindica.

Eliane Potiguara entrou fundo na net e já organizou e-book ind�gena

Eliane Potiguara entrou fundo na net e já organizou e-book indígena

No Sarau também serão declamadas obras de escritores que abordam a temática indígena. Entre eles, Gonçalves Dias, José de Alencar, Sousândrade, Raul Bopp, Oswald de Andrade e Mario de Andrade.

Da literatura contemporânea vem uma das estrelas do Sarau, o paraguaio Douglas Diegues. Diegues vive na fronteira entre o Brasil e o país vizinho e auto-denomina sua obra como Portunhol Selvagem - um misto de português, espanhol e guarani.

Pergunto à curadora se qualquer um conseguiria entender os textos de Douglas Diegues.

- Tem que fazer um esforçozinho, mas não é tão diferente, por exemplo, se você for ler Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa). Toda literatura que inova tem aquele desconforto no início. Mas a obra de Diegues é quase uma volta às origens, quando a língua geral era a língua mais utilizada no Brasil - diz.

Além das declamações - que ocorrem no grande salão com espaço para 300 pessoas da Casa das Rosas - vai haver no local uma feira de artesanato indígena e outras, de livros. “Todas as editoras que publicam literatura indígena, pelo menos todas as de São Paulo, estarão lá”, garante Deborah Goldemberg.

O Sarau também vai ser tema de dois programas da TV Cultura, o Entrelinhas e o A’Wue.

(fotos: divulgação)

Blogs que citam este Post

16 de abril de 2009

MT: Povos nativos do Araguaia realizam segunda edição de jogos indígenas

Os times são suas tribos. Os esportes, levemente “adaptados” das modalidades tradicionais. É assim, promovendo a comunhão e celebrando a diferença, que centenas de indígenas reúnem-se nos dias 18 e 19 deste mês na Aldeia Urubu Branco, da etnia Tapirapé, para a realização dos II Jogos Olímpicos Esportivos Culturais dos Povos Indígenas do Araguaia.

Além dos anfitriões, outras cinco etnias (Carajás; Javaés; Camaiurás; Cuicuros e Caibis) participam dos Jogos. Ao todo, a celebração deve mobilizar, entre competidores e acompanhantes, cerca de mil indígenas das etnias envolvidas.

Segundo Fabinho Wataramy Tapirapé, presidente da APOIT (Associação Povos e Organização Indígena Tapirapé), além de comemorar o Dia do Índio (19/4), o principal objetivo da competição “é o estreitamento dos laços de amizade entre os povos” - e isso inclui os não-indígenas. O convite para apreciar os Jogos é, portanto, extensível aos “cara-pálidas”.

Como a Aldeia Urubu Branco fica bastante próxima (28 km) ao município de Confresa, situado no extremo nordeste matogrossense, há a expectativa que a aldeia receba cerca de mil visitantes não-indígenas para acompanhar o evento. Quem for lá vai perceber uma novidade: há apenas 20 dias foi feita a primeira ligação da energia elétrica na aldeia.

As modalidades esportivas em disputa são futebol, cabo de guerra, arremesso de lança, corrida de 100 metros e arco e flecha. Todas elas, divididas entre masculino e feminino. A única exceção é o arco e velha, quando homens e mulheres competem juntos.

É curioso notar, entretanto, que a premiação é muito maior para os campeões do futebol masculino, cujo primeiro lugar leva R$ 1000,00. Esse valor é o dobro da premiação do futebol feminino (R$ 500,00) e dez vezes mais a das outras modalidades, R$ 100,00.

“As meninas têm o mesmo valor dos homens. Têm premiação menor porque os homens disputam mais partidas, é mais concorrido”, argumenta Fabinho Tapirapé. O presidente da APOIT, entretanto, não se sai tão bem quando tenta explicar a diferença em relação às outras modalidades:

- O futebol é o que mais chama atenção, as pessoas são mais interessadas no futebol… além disso, estamos com pouco dinheiro para evento…

Premiações à parte, Fabinho Tapirapé garante que o estímulo à prática esportiva, cuja ápice seria a realização dos Jogos, “é ainda um incentivo para que os jovens das aldeias não se envolvam com drogas”.

Os II Jogos Indígenas do Araguaia também são um momento de manter viva as tradições e as marcas de identidade cultural dos povos.

Na noite do dia 17, quando acontece a abertura oficial dos Jogos, os representantes de cada povo fazem uma apresentação, dão uma amostra aos presentes dos encantos de sua etnia. O mesmo acontece no encerramento dos Jogos.

- Nesse momento não há competição nem prêmios - diz Fabinho Tapirapé. - As culturas de cada um dos povos têm o mesmo valor.

(fotos: Ednilson Aguiar/ Secom-MT [1]; Leandro Nascimento [2; 3])

Blogs que citam este Post

15 de abril de 2009

Fogo Sagrado anuncia Semana dos Povos Indígenas

De hoje até domingo, diversos povos indígenas reúnem-se para discutir a situação do índio no Brasil. Durante a Semana, serão convênios com os governos federal e distrital voltados aos povos nativos.

Hoje às 18h tem início a cerimônia de acendimento do Fogo Sagrado no Memorial dos Povos Indígenas, Eixo Monumental Oeste, em Brasília.

“Aceso como luz para o nosso direito à vida”, o Fogo Sagrado inaugura a Semana dos Povos Indígenas, um conjunto de eventos dedicados a por o índio no centro da agenda pública nacional que culmina com a celebração do Dia do Índio no próximo domingo, 19.

As chamas, acesas pelos dois líderes espirituais do povo Guarani Kaiowá, simbolizam também o respeito à diversidade cultural brasileira e a possibilidade de convivência sadia dos muitos povos que habitam este país multi-étnico.

Projetado por Oscar Niemeyer em forma de espiral que remete a uma maloca redonda dos índios Yanomami, o Memorial dos Povos Indígenas recebe seis etnias de quatro estados brasileiros, que representam oficialmente os povos indígenas presentes no território nacional. São elas: Fulni-ô e Pankararu (PE); Guarani Kaiowá (MS); Kariri-Xocó (AL); Pareci Haliti e Yawalapíti (MT).

Chama a atenção um esporte tradicional praticado pela etnia Pareci Haliti, o Xikunahatí, também conhecido como “cabeça-bol” ou “futebol de cabeça”, no qual só se pode utilizar a cabeça para tocar a bola, que é feita com cera da mangabeira.

Durante esses cinco dias, indígenas e não-indígenas cumprem uma extensa programação, que contempla rituais indígenas; pintura corporal; exposição e venda de Artes Indígenas; exposições diversas; exibição de filmes e documentários; apresentação de lendas e história de vida indígena e muitos debates envolvendo a temática.

Também estão agendadas assinaturas de convênios e termos de cooperação. Na quinta-feira, 16, o Ministério da Cultura e a FUNAI, diante de entidades indígenas e indigenistas, lançam 150 novos Pontos de Cultura Indígenas. No dia seguinte, é a Secretaria de Cultura do Distrito Federal quem firma cooperação com a FUNAI.

O Domingo é aberto uma café da manhã intercultural, seguido da celebração do Dia do Índio. Ao por-do-sol, o Fogo Sagrado é apagado, sinalizando o fim das comemorações.

150 Pontos de Cultura para os povos indígenas até 2010

Já existe uma rede de cerca de dois mil pontos de cultura espelhados pelo país, dentre eles cerca de 33 instalados em comunidades indígenas.

Tradicionalmente escolhidos via edital público, os pontos são considerados uma das ações mais bem sucedidas da pasta da cultura do governo federal.

A iniciativa inédita de dedicar mais 150 pontos exclusivamente para os povos indígenas vai possibilitar que muitas tribos ganhem, além de dinheiro para potencializar suas atividades, conexões de internet via satélite (programa Gesac), equipamentos de informática e audiovisuais. Também está prevista a capacitação para a produção de vídeos e inclusão digital.

Serão contempladas imediatamente 30 comunidades indígenas de cinco estados (Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima). Outras 60 ainda em 2009 e mais 60 no ano que vem.

(fotos: reprodução/ AP)

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol