BA: Mais de 40 países discutem como preservar a diversidade cultural do mundo
Desde a última quinta-feira, representantes de governos e da sociedade civil de mais de 40 países estão reunidos em Salvador, com um único objetivo: encontrar soluções para preservar e promover a diversidade cultural no mundo.
O Encontro Internacional pela Diversidade Cultural vai até domingo (8/11) e é promovido conjuntamente pela Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural e pela Federação Internacional das Coalizões pela Diversidade Cultural (FICDC).
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A principal missão dos participantes do Encontro é encontrar mecanismos de implementar a Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO em seus respectivos países, seja através de da influência em políticas públicas, seja por iniciativas da sociedade civil.
- Essa reunião é importantíssima porque é a oportunidade desses países se encontrarem e saírem com diretrizes que possam ajudar a contribuir com políticas públicas junto a governos - comenta Américo Córdula, secretário da diversidade do Ministério da Cultura.
A luta pela preservação e promoção da diversidade cultural no mundo ganhou força quando governos e sociedade civil de várias regiões do planeta, por conta da globalização, começaram a temer pelo desaparecimento das suas indústrias culturais nacionais.
Entretanto, com o passar do tempo e a criação de cada vez mais coalizões nacionais pela diversidade cultural - entidades civis que promovem a diversidade cultural dentro das nações -, ganhou força a preocupação com expressões da cultura fora do mercado, e ainda mais vulneráveis a processos de desagregação social.
- Como falar em ameaças à indústria cultural do Equador, por exemplo, que é um país cujo problema é a diversidade das culturas indígenas? Como falar no Brasil em proteção da dversidade cultural, concentrando-se na indústria cultural, que está no centro-sul, quando o norte, o nordeste, o centro-oeste e mesmo regiões periféricas do centro-sul têm manifestações culturais diversificadas e riquíssimas? - questiona Geraldo Moraes, o presidente da Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural.
Moraes faz questão de destacar o momento positivo vivido pela cultura brasileira, em que o governo federal desenvolve uma política consistente de promoção da diversidade, pactuada com Estados e, em alguns casos, também com municípios.
- A partir do trabalho especialmente feito pelo Gil no Ministério da Cultura, começou um processo de descentralização, de regionalização e principalmente um trabalho de diversificação para atender a todas as áreas, todas as regiões e todos os tipos de manifestação - afirma Geraldo Moraes.
Em complemento à assertiva de Moraes, o secretário Américo Córdula destaca que a missão do Ministério agora é consolidar uma nova visão de cultura e diversidade cultural nos municípios. “Esse é o desafio”, diz.
Córdula chama atenção para a realização de conferências municipais de cultura - mais de duas mil até agora - como ambientes propícios a essa interface com as administrações municipais.
Nas rodas de conversa do encontro,destaque para o respeito que a política cultural da Bahia parece gozar entre os presentes. Elogiado tanto pelo governo federal quanto pela Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural, entidade civil, o secretário estadual de cultura, Márcio Meirelles, explica a admiração de seus interlocutores.
- É mais que um elogio É a avaliação de um processo cujo resultado começa a aparecer. A cultura adotou imediatamente o conceito e a divisão do Estado em territórios de identidade, assumida pela Governo Estadual e originária do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Começamos a trabalhar nessa lógica e pensar em redes, sistemas. Começamos também definir qual é o papel do Estado, da sociedade, dos municípios e da união, tentando fazer com que esse pacto federativo se consolide na área da cultura - explica o secretário.
(fotos: Thiago Fernandes/ COMUNIKA Press)




