Terra Magazine

4 de setembro de 2009

BA: Festival em Cumuruxatiba tem baleias, indígenas e orquídeas

Cumuruxatiba é uma vila de pescadores que pertence ao município de Prado, a 70 km de Porto Seguro, no litoral sul da Bahia.Ao lado das famílias dos pescadores, vivem muitos descendentes dos índios Pataxó, cuja reserva fica a poucos quilômetros do local. Mas foram os primeiros anfitriões dos portugueses na Terra de Vera Cruz, os Tupiniquins, que batizaram a localidade como “lugar onde há uma grande diferença entre maré baixa e maré alta” (Cumuxa: maré baixa; Tiba: maré alta, mar batendo nas falésias).

Carinhosamente chamada de “Cumuru” pelas quatro mil pessoas que moram lá e pelos muitos turistas apaixonados pelas suas praias, a vila hospeda, de hoje até a próxima quarta-feira (9/9), o IV Cumuru Festival.

"Onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa", é o lema de Cumuru

"Onde o tempo não tem pressa e a preguiça é mais gostosa", é a frase-tema de Cumuru

O evento leva à vila cerca de duas mil pessoas - metade de sua população - e só é superado por datas como reveillon e carnaval, quando até mesmo os pescadores alugam as suas casas. “Ainda”, afirma confiante Ester de Faria, atual presidente da Associação de Comerciantes de Cumuruxatiba e organizadora do Festival.

Barraquinhas de artesanato no centro do vilarejo, restaurantes com pratos especialmente feitos para a ocasião, apresentação de manifestações culturais locais. Cumuruxatiba poderia até repetir a fórmula de outras localidades, não fossem seus mais que particulares atrativos.

O Cumuru Festival foi criado em 2005, pela associação local de comerciantes, e reeditado nos anos seguintes (à exceção de 2008). A data em que acontece, sempre no mês de setembro favorece que os visitantes encontrem tão distintos e inesperados quanto orquídeas nativas, e a proximidade de baleias jubarte.

O Cumuru Festival ocorre no per�odo ideal para o avistamento de baleias

O Cumuru Festival ocorre no período ideal para o avistamento de baleias

Segundo a coordenadora do evento, as baleias podem ser avistadas a uma hora e meia da costa, em direção ao alto mar.

- Agosto e setembro são o ponto alto para o avistamento das baleias, logo que elas já tiveram seus filhotes e estão namorando. Se o tempo estiver bom e você tiver um pouquinho de sorte, vai ver um grande espetáculo - diz Ester de Faria.

Esse também é o perídio propício para o florescimento das muitas orquídeas nativas, que despontam nas proximidades de Cumuru. Durante o Festival, diversas espécies são recolhidas e exibidas aos turistas. Neste ano, a exposição acontece no Restaurante Catamarã, de 5 a 9 de setembro.

Dois outros atrativos sobressaem no IV Cumuru Festival. O primeiro é são as apresentações “a caráter” dos índios Pataxó.

- Quem não quer ver um índio? Quando eu morava no Rio [de Janeiro], meu sonho era ver um índio. Cheguei e até me decepcionei porque não agiam nem se vestiam como a gente vê na televisão e nos filmes. Mas durante o festival ficam devidamente caracterizados e é muito legal - opina a organizadora do evento.

Nesse ritmo, daqui a alguns anos o pier será só uma lembrança

Nesse ritmo, daqui a alguns anos o pier será só uma lembrança

O segundo atrativo está lá o ano inteiro. São as ruínas do segundo maior píer do mundo, construído há pelo menos 30 anos para o embarque de areia monazítica. As informações sobre as suas medidas são conflitantes. Enquanto as fontes modestas sugerem que tenha 600 metros, as mais empolgadas afirmam que o píer tem um quilômetro de extensão.

Primeiro local visitado pelos portugueses

Este blogueiro tem que confessar que, até escrever este post, acreditava que Porto Seguro havia sido o primeiro pedaço de terra brasileiro a ser pisado pelos portugueses. Ledo engano.

As orqu�deas nativas são uma atração à parte no Cumuru Festival

As orquídeas nativas são uma atração à parte no Cumuru Festival

Diversos moradores de Cumuru afirmam - e garantem que há pesquisas para comprovar - que o primeiro desembarque português foi comandado pelo navegador Nicolau Coelho, de bote, nas margens do rio Caí (antigamente grafado Cahy), a 18 km de Cumuruxatiba. “Oficialmente, somos considerados Costa das Baleias, mas deveríamos fazer parte da Costa do Descobrimento”, reclama Ester de Faria, que explica:

- Na carta de Caminha, ele afirma que alguns membros da esquadra foram buscar água potável na barra de um rio, de onde era possível avistar o Monte Pascoal. A barra do Caí é o único lugar da região com água doce onde é possível enxergar o Monte. Somente depois de coletar a água, por conta dos recifes e do mar agitado, os portugueses iriam procurar um “porto seguro”.

(fotos: Douglas Fernandes [2]; Fabíola Congio [4]; reprodução [demais])

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19 de agosto de 2009

GO: Festival celebra 120 anos de Cora Coralina

A região cento-oeste festeja hoje a sua maior poetisa. Às 19h, no museu Casa de Cora Coralina, acontece a abertura oficial do Festival Cora Viva Coralina, que vai até o dia 23 de agosto.

A miríade de atrações presente no Festival sugere o alcance da poesia da escritora goiana. Além da esperada declamação de poemas, a Cidade de Goiás ganha roteiros Poético e Gastronômico, alvorada festiva, exposição fotográfica, debate acadêmico, desfile de moda, exibição de vídeos, shows e espetáculos teatrais inspirados na obra de Cora Coralina.

- A cidade inteira está mobilizada para o Festival. Cora viva dizendo que era a geração vindoura que iria entender o significado de sua obra. Ela pensou que a palavra dela seria para o futuro. A semente está florescendo - diz Marlene Vellasco, presidente da Associação Casa de Cora Coralina, que gerencia o museu da poetisa.

Dentre os destaques da programação, estão uma visita pelo Museu Casa de Cora Coralina, guiada e “cantada” pelo músico Daniel Melo, com a apresentação de poemas da escritora; o espetáculo Cora Coralina, Coração Encarnado, eleito pela crítica de O GLOBO como um dos dez melhores espetáculos do ano de 2006; e um show especial de Zeca Baleiro, intitulado: “Minha Cora, minha Coralina, mais de um Goiás de amor carrego, destino de violeiro cego”.

Unindo os dois maiores prazeres de Cora Coralina, escrever e cozinhar, o Festival também promove um recital de poemas aliado à degustação de doces e um roteiro gastronômico que enfatiza comidas da infância de Cor, quando ela ainda vivia na Fazenda Paraíso, como frango caipira e comida de tropeiros. O roteiro gastronômico se permite ainda algumas inovações inspiradas na culinária da época, como a peculiar pizza de pequi.

A poetisa tinha para si que seu maior dom era o de doceira. “A senhora é uma artista, admirável em sua arte, a mais nobre das artes, a da culinária”, disse-lhe em certa ocasião Jorge Amado.

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

O Festival Cora Viva Coralina comemora, ainda, o Dia do Vizinho, criado pela própria escritora em 1980.

- Cora morou a vida inteira fora de Goiás. Ela dizia que o vizinho é pessoa mais próxima que se tem. Fez inclusive um poema falando sobre isso. Ela dizia sempre que queria que o dia de seu aniversário, diz 20 de agosto, fosse encarado como um dia de confraternização, de partilha com o próximo. Criou então o Dia do Vizinho - explica Marlene Vellasco.

Desde então, a Cidade de Goiás celebra a data. Em 1982, transformou-se em Lei Municipal. Uma grande mesa é montada na porta da igreja e a prefeitura oferece um grande bolo à população. “Mas todos os vizinhos também levam bolos. A cidade inteira espera Dia do Vizinho”, conta Vellasco.

O Festival termina neste domingo na Cidade de Goiás, mas os poemas de Cora Coralina voltam a estar em destaque no dia 28 de setembro, em São Paulo, quando será aberta a exposição Cora Coralina Coração do Brasil, com cenografia de Daniela Thomas, no Museu da Língua Portuguesa.

Até hoje, apenas quatro outros escritores brasileiros ocuparam a sala principal do Museu da Língua Portuguesa: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gilberto Freyre e Machado de Assis.

A vida começa aos 50

Considerada uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX, Cora Coralina nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto, em 20 de agosto de 1889, na Cidade de Goiás.

Aos 14 anos, escreveu seus primeiros contos e poemas. Em 1910, aos 21 anos de idade, quando publicou o conto Tragédia na Roça, publicado no Anuário Geográfico e Histórico, passou a ser conhecida pseudônimo Cora Coralina, que usaria para o resto da vida.

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Após um longo período morando em São Paulo, volta a Goiás e à literatura nos anos 50. “Ela dizia que tinha um porãozinho dentro da cabeça. Quando voltou a Goiás, passou a produzir a maior parte de sua literatura”, conta Marlene Vellasco.

Curiosamente, a escritora costumava dizer que uma mulher se liberta quando completa 50 anos. “Ela dizia que, aos 50, já criou filho e neto e vive própria vida, é uma mulher liberta. Aos 70, pode dizer e viver tudo que quiser”, lembra Marlene.

Publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, somente em 1965, aos 76 anos. Alguns anos mais tarde, ao ter sua poesia conhecida e receber elogios de Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina passou a ser admirada por todo o Brasil.

Em 1983, dois anos antes de sua morte, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores.

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16 de maio de 2009

PR: Festival de circo “ocupa” ruas e cartões postais de Curitiba

A capital paranaense encontra-se “ocupada” pelo mundo do circo. Desde a quinta-feira (14) e até este domingo, o Festival Curitibano de Circo toma conta das ruas e de cartões postais da cidade, como a Ópera de Arame.

Em 2009, o Festival chega a sua terceira edição. “Pelo sucesso dos eventos anteriores, podemos afirmar com orgulho que está crescendo cada vez mais o intercâmbio entre artistas profissionais e amadores interessados em aprender as técnicas circenses”, conta uma das organizadoras, Camila Ceguinel, da Companhia TripCirco.

Outro coordenador do evento e mebro da TripCirco, Adrian Pagliano, enfatiza a importância da participação do público. “A participação da população é fundamental, sobretudo porque fortalece os vínculos com o circo e artes afins. O circo é uma das mais antigas manifestações artísticas na história das civilizações”, afirma.

Trupes de vários lugares do pa�s vêm à Curitiba no Festival

Trupes de vários lugares do país vêm à Curitiba no Festival

Seis espetáculos de rua tomam de assalto as Ruínas de São Francisco; o Memorial de Curitiba; as escadarias da UFPR; o Largo da Ordem e a Boca Maldita.

Enquanto isso, mais sete espetáculos se apresentam nos seguintes espaços culturais da cidade: Ópera de Arame; Teatro Londrina; Mini Auditório Teatro Guairá e Teatro da Reitoria.

Todos os espetáculos são apresentados diversas vezes. Dessa forma, quem perdeu o Festival nos dois primeiros dias ainda tem tempo de ver muita coisa (veja programação completa).

Cartão postal de Curitiba, a Ópera do Arame abriga alguns dos espetáculos

Cartão postal de Curitiba, a Ópera do Arame abriga alguns dos espetáculos

Só não vai dar mais é para participar do Cortejo Circense, uma caminhada ocorrida hoje pela manhã, pelo centro de Curitiba, no trecho da rua XV de Novembro entre a Boca Maldita e as escadarias da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No cortejo, artistas com seus figurinos fazendo arte pela rua; malabaristas brincando com bolas e claves; e palhaços de bicicletas e pernas de pau. Tudo isso ao som de um grupo de percussão e dança, que acompanhou os brincantes durante o trajeto.

As apresentações dividem-se entre o palco e a rua

As apresentações dividem-se entre o palco e a rua

“O Festival é para trocar experiências. Uma reciclagem de idéias”, diz Adrian Pagliano. “Além da troca de informações e conhecimentos proporcionada pelo convívio durante o encontro, profissionais de capacidade reconhecida ministram oficinas envolvendo as diversas técnicas circenses”.

O Festival Curitibano de Circo oferece oficinas de malabares; aéreos; equilíbrio; acrobacias; clown, dentre outras. E muitas gargalhadas para o público em geral.

(fotos: divulgação [1, 2 e 4], reprodução [3])

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28 de abril de 2009

BA: Moradores de rua viram astros em Festival

O Jornal Aurora da Rua realiza, pelo segundo ano consecutivo, o Festival Arte Rua e abre o palco às pessoas sem-teto.

Enquanto escrevo este post, uma aglomeração se forma na Praça da Piedade (Salvador) para assistir a animação e a perícia musical de moradores de rua.

Em todas as entradas da Praça, uma espécie de calçamento de papelão leva ao palco. Pintadas sobre o papelão, longas faixas vermelhas fazem as vezes de tapetes, convidando o público para o espetáculo.

“O momento é nobre”, afirma o cenógrafo Haroldo Garay, 50, responsável pela instalação. O artista, cuja obra foi doada ao Festival, explica a importância do papelão para as pessoas em situação de rua:

“O papelão é a cama, o abrigo, a casa, o travesseiro e a comida dessas pessoas. É tudo!” diz. Recita, sarcástico, a frase que sintetiza sua obra: “Brasil, qual o teu papel? Que papelão!”.

Elmário Bonfim superou cinco anos de alcoolismo e conseguiu um emprego

Elmário Bonfim superou cinco anos de alcoolismo e conseguiu um emprego

Invisíveis durante quase o ano inteiro, as estrelas do dia provocam surpresa e admiração de quem interrompe sua pressa para assistir o espetáculo.

“Estou encantada, arrepiada, estou aqui tentando não chorar”, diz Nilzete Marinho, no meio da plateia. Ansiosa, ela me pergunta as horas. Explica que tem médico marcado e perder a consulta significa mais um mês de espera.

- Se eu não tivesse compromisso, sentava ali e ficava a tarde inteira. Tem tanta gente com tanto dinheiro que não tem metade da alegria deles! É formidável! - elogia.

Como muitos outros baianos, Nilzete Marinho não conhecia o Jornal Aurora da Rua, cujo segundo aniversário é comemorado pelo Festival.

Sônia fez a saia em homenagem aos "40 milhões de empregos" que já teve

Sônia fez a saia em homenagem aos "40 milhões de empregos" que já teve

- O Festival Arte Rua é para isso mesmo: para aproximar as pessoas e mostrar nossa animação, para mostrar o jornal e chamar atenção que o povo de rua existe - diz Elmário Bonfim, 58, vendedor do Jornal, ex-morador de rua e um dos organizadores do Festival.

Além do palco aberto, o Festival conta também com uma tenda livre para as artes e uma exposição de fotografias, que conta o processo de criação do Jornal, do qual as pessoas em situação de rua participam integralmente.

Esta é a segunda edição do festival. A primeira foi em 2008, quando o Aurora da Rua comemorou um ano de vida.

durante o festival, muita gente se aproxima

Superação do preconceito: durante o festival, muita gente se aproxima

Primeiro periódico do norte-nordeste feito por moradores de rua, o Aurora da Rua tem como objetivo projetar uma imagem mais humanizada das pessoas em situação de rua e, simultaneamente, servir como fonte de renda. Em 2008, o Blog das Ruas fez uma matéria sobre o Jornal.

Atualmente, o Jornal continua com tiragem bimensal de sete mil exemplares, vendidos pela rede de 21 moradores e ex-moradores de rua. Cada exemplar é vendido a R$ 1,00, do qual 75 centavos ficam como remuneração para os vendedores. O valor restante cobre os custos operacionais da publicação.

Desde 2007, foram mais de 100 mil exemplares impressos e 54 moradores de rua formados como vendedores.

De papelão, o "tapete vermelho" convida a plateia a participar

De papelão, o "tapete vermelho" convida a plateia a participar

A renda gerada pela venda do Jornal, associada a outros benefícios, como o ganho de responsabilidade e a melhora da auto-estima, fazem grande diferença no cotidiano dos vendedores, permitindo a muitos deles sair da rua.

É o caso de Edilene dos Santos, que vende o Jornal desde suas primeiras edições e mora de aluguel. Recentemente, sofreu bastante porque seu ex-marido vendeu tudo que tinham em casa para comprar drogas. Reerguida da tristeza e do choque, ela começou tudo de novo e, sorridente, oferece seus exemplares.

- Eu quero que os outros moradores de rua sigam o meu caminho, que eles tenham uma vida digna - diz Edilene.

Já Elmário Bonfim foi mais longe. Após passar cinco anos lutando contra o alcoolismo, foi sua presença constante como vendedor uniformizado, numa mesma região da cidade, que conquistou a confiança de uma senhora, hoje patroa de Elmário.

O marido de Edilene vendeu tudo que tinha em casa por causa das drogas

O marido de Edilene vendeu tudo que tinha em casa por causa das drogas

“Ela me deu a chave da barraca, confiou em mim”, diz Elmário, contratado para cuidar de uma barraca “que vende de tudo”. Nesse emprego, ele fatura R$ 300,00 mensais mais alimentação e complementa a renda vendendo o Aurora da Rua nos finais de semana. Fatura cerca de R$ 540,00 por mês, mais do que um salário mínimo.

Hoje o Aurora da Rua é uma referência nacional sobre pessoas em situação de rua. Passou a fazer parte da INSP - International Network of Street Papers e está em diálogo com o Governo Federal para a elaboração de uma política pública voltada para esse segmento social.

A poucos metros do Festival, a realidade dura das ruas

A poucos metros do Festival, a realidade dura das ruas

A população de rua foi contabilizada oficialmente pela primeira vez em outubro de 2007, pela Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, que envolveu 71 municípios (23 capitais e 48 cidades com mais de 300 mil habitantes).

O levantamento, realizado pelo Ministério de Desenvolvimento Social em conjunto com a ONU, identificou 31.992 pessoas com 18 anos ou mais de idade em situação de rua, 3.289 na capital baiana.

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26 de fevereiro de 2009

Festival Rec-Beat reúne Pernambuco e América Latina em SP

Há 14 anos, o Festival Rec-Beat leva ao limite o ideal de Carnaval Multicultural da cidade do Recife. Festival independente, leva todo ano à capital pernambucana, sempre no período do carnaval, as mais variadas novidades musicais do Brasil e de países da América Latina.

A primeira edição do Festival Recbeat foi num pequeno bar em Olinda, chamado Oficina Mecânica, que funcionava no Pina, com uma “filial” em Olinda, naquele ano. Bandas como Eddie, Paulo Francis Vai Pro Céu e Dreadful Boys estavam lá. A empreitada deu certo e chamou a atenção do público que passava a ir para a noite de Carnaval em Olinda para conferir essas bandas.

No ano passado, o Blog das Ruas entrevistou Pedro Bayeux, autor de dois vídeos sobre o Festival.

Em 2009, o festival inova novamente e realiza uma edição especial em São Paulo. O Rec-Beat.SP leva ao Sesc Pompéia bandas pernambucanas e latinas em três dias de apresentações, de hoje a sábado.

A cantora Catarina Dee Jah nao tem problemas em embarcar no tecno-brega

A cantora Catarina Dee Jah embarca sem problemas no tecno-brega

É uma pena que, em São Paulo, o festival não seja de graça, como sua versão recifense. Ainda assim, os preços cobrados (R$ 20,00, a inteira) são bastante possíveis.

São duas apresentações por noite, sempre com os artistas de Pernambuco fazendo o primeiro show e as atrações internacionais encerrando a noite. Da terra de Chico Science, sobem ao palco a dupla recifense Júlia Says cujo som se situa entre o rock e a música eletrônica; a cantora, DJ e artista plástica Catarina Dee Jah, que mistura dub, disco music, ritmos eletrônicos, gafieira e brega; e o já bastante conhecido DJ Dolores.

A banda venezuelana de ska Desorden Publico fez o show mais empolgante no Rec-Beat em Pernambuco

A banda venezuelana de ska Desorden Publico fez o show mais empolgante no Rec-Beat em Pernambuco

Os estrangeiros são: Desorden Público (Venezuela); Bomba Estéreo (Colômbia) e Original Hamster (Chile). Considerado por muitos o melhor show do festival em Pernambuco, o ska do Desorden Público levou o público a dançar freneticamente.

Os colombianos do Bomba Estéreo também possuem apresentações ao vivo bem energéticas, misturando música e imagem.

O DJ chileno Original Hamster divide a ultima noite com o DJ Dolores

O DJ chileno Original Hamster divide a ultima noite com o DJ Dolores

Já o chileno Vicente Sanfuentes (Original Hamster) compartilha de muitas das influências do DJ Dolores, artista com quem divide a última noite. Brincando com os estilos musicais, Hamster faz da imprevisibilidade a marca de suas apresentações ao vivo.

Essa é uma pequena amostra do Rec-Beat, festival que acrescentou mais diversão, irreverência e originalidade ao carnaval do Recife. E que todo ano dá um jeito de surpreender novamente o público que participa da folia pernambucana.

(Fotos: divulgacao/ Festival Rec-Beat)

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