Terra Magazine

13 de setembro de 2009

Capital mineira do folclore realiza 21º Festival

Jequitibá, uma cidadezinha de pouco mais de cinco mil habitantes a 120 km de Belo Horizonte, realiza neste fim de semana a 21ª edição de seu tradicional Festival do Folclore. O Festival do Folclore de Jequitibá começou na noite de ontem e vai até este domingo.

Durante os três dias de festa, a simpática cidade respira cultura popular, com uma extensa programação de Batuques, Folias, Cantadeiras, Encomendação de Almas, Dança do tear e Contra-dança, dentre muitas outras expressões tradicionais da cultura brasileira. Além delas, shows e oficinas completam as atrações do festival.

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A riqueza de Jequitibá vem de seu patrimônio imaterial. São mais de 15 grupos folclóricos que preservam e renovam mais de cem manifestações de cultura popular (como as citadas acima), algumas delas com mais de 200 anos de existência, passadas de geração em geração nas famílias da cidade. Destaque para o Batuque de Viola, único no Brasil.

Contam os antigos da cidade que ela tornou-se esse centro da cultura popular porque era ponto de encontro dos tropeiros que vinham do Nordeste, deixando pelo caminhos seus costumes e tradições. Fato é que a grande maioria dessas expressões populares reflete seja a religiosidade de nossos antepassados seja pela arte em inventar malabarismos para sobreviver ao cotidiano rural.

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore de Jequitibá

O Fim de Campina, por exemplo, é uma dança que representa o mutirão formado por pequenos proprietários para capinar a roça dos que não tinham como contratar a mão-de-obra assalariada. O grupo recebia o nome de Batalhão e era liderado pelo Almirante que tinha a função de marcar qual a roça seria visitada.

Cada integrante do multirão ganhava o direito de receber futuramente a visita do “batalhão” na sua roça e, assim como cada dono de roça visitada, teria o compromisso de “pagar” com seu trabalho participando na capina das roças dos colegas de empreitada. Conta-se que no término da capina levavam o pé de milho para o dono que os recebia com comidas, bebidas e doces.

Na manhã de domingo, às 10h, acontece uma missa folclórica com a participação dos grupos da região e entrega de placas aos homenageados do ano.

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

A missa remonta às origens do Festival, quando, em 1980, o advogado Geraldo Inocêncio foi convidado para ser festeiro da celebração do padroeiro da cidade - a festa do Santíssimo Sacramento.

Propôs, então, que os grupos folclóricos participassem da comemoração. Desde então, a reunião e o reconhecimento desses grupos passou a ser o maior patrimônio da cidade.

(fotos: Daniel Iglesias/divulgação)

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5 de março de 2009

DF: Encontro exalta tradição centenária de Folia de Reis

“Na família Vieira, a folia de reis passa de geração para geração. Deve estar beirando os 100 anos”, conta José Nucías Vieira Brandão, guia de folia do grupo Irmãos Vieira.

Assim como os Irmãos Vieira, dezenas de grupo de folia de reis estão reunidos em Brasília, para o IX Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal, que começa hoje e vai até o dia 8 de março, no Parque de Exposições da Granja do Torto.

O Encontro reúne na capital federal folias e ternos de reis de cinco estados brasileiros (GO, MG, SP, RJ e SC), além do Distrito Federal. “Entre 20 e 30 grupos de folia devem estar do evento, computando aproximadamente mil participantes”, revela Volmi Batista, idealizador e coordenador do Encontro.

Batista afirma ainda que, não fosse pelo limite da estrutura do evento e pelo período da Quaresma - quando muitos desses grupos, por motivos religiosos, não têm atividades -, a quantidade poderia até dobrar. “A demanda é bem maior. Poderíamos ter mais de 50 grupos reunidos aqui”, diz.

Os tambores são parte essencial da folia de reis

Os tambores são parte essencial da folia de reis

- Gostamos muito de participar, de fazer nossas danças e cantorias. Neste encontro, vemos de novo colegas, outras folias de muitos lugares. É um local que você se sente bem. Não sei se é porque é um pessoal mais humilde, né, mais fácil de conviver… - opina Joaquim de Felipe, 52, capitão do grupo “Unidos na Fé”, da zona rural de Planaltina, que participa pela terceira vez do Encontro.

O público Parque de Exposições da Granja do Torto pode assistir gratuitamente as apresentações das folias de reis, de duplas caipiras e violeiros conhecidos, como Almir Sater, que faz o show de abertura desta noite.

Pode também experimentar pratos típicos, comprar artesanato, ver presépios e fazer oficinas de danças folclóricas, confecção de instrumentos e brinquedos populares. São esperados cerca de 50 mil visitantes nos quatro dias de programação.

A rabeca também tem o seu espaço

A rabeca também tem o seu espaço

Realizado anualmente, o Encontro de Folia de Reis tem como principal objetivo chamar atenção para esta tradição centenária dos interiores do Brasil.

- Todo ano, a gente vem para o centro irradiador que é Brasília para discutir as necessidades que esses grupos têm para preservar essa antiga e rica tradição brasileira - explica o coordenador do encontro.

A Folia de Reis é uma tradição de origem portuguesa, trazida pelos padres jesuítas, que ganhou força especialmente no séc. XIX e mantém-se viva em praticamente todo o Brasil, especialmente em Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal.

Os palhaços fazem parte da folia de reis

Os palhaços fazem parte da folia de reis

Com forte presença no imaginário popular, a Folia de Reis mantém características antigas, preservando cantos, danças, ritmos e melodias há várias gerações, cujos traços típicos se manifestam nas catiras, lundus, curraleiras e muitas outras criações de Grupos, Companhias e Ternos de Reis.

“Nossos pais, nossos avós já faziam essas festas. Temos que continuar a tradição, né?”
Joaquim de Felipe - grupo Unidos pela Fé

Para o coordenador do Encontro, Volmi Batista, um dos maiores feitos das agora nove edições do evento foi reaproximar pessoas que atualmente moram em Brasília, vindas de outros estados, com manifestações populares que fizeram parte de sua formação cultural e afetiva.

O reencontro de uma família

Dividida entre Brasília e Bonfinópolis de Minas (MG), a família Vieira aproveita o Encontro de Folias de Reis para se reencontrar.

- A nossa família é muito grande. Tem parente que a gente só encontra aqui no evento. Contando o pessoal que vem de lá, a nossa caravana completa deve chegar a umas 90 pessoas - conta, alegre, José Nucías Vieira, do grupo Irmãos Vieira.

Com quase 100 anos, o grupo só foi ter um nome em 2000, quando gravou o primeiro CD.

- Antes a gente era conhecido como Folia de José de Cesário, meu avô [no interior, as pessoas são conhecidas com referência ao pai ou à mãe]. Depois, Folia de Manuel Vieira, meu pai. Só agora, quando fomos gravar o CD, que o Roberto Correa disse que a gente precisava de um nome. Então ficou Irmãos Vieira - conta.

Com quatro filhos, todos integrando o grupo, José Nucía garante que continua a tradição familiar. “Mas o grupo não é só da família, não. Quem tiver possibilidade e quiser participar, é bem vindo”, diz.

Shows de violeiros famosos

Todas as noites do Encontro de Folia de Reis têm shows com violeiros e duplas caipiras bastante conhecidas do público. Na programação, marcam presença desde Almir Sater, cujo show abre o evento, até Inezita Barroso, que o encerra (uma homenagem da organização ao Dia Internacional da Mulher).

Outros nomes, como Roberto Correa, Zé Mulato e Cassiano e Chico Lobo também estão confirmados.

Além dos shows, as noites são abertas com apresentações das folias de reis, também presentes em apresentações livres, no coreto. Na tarde de sexta-feira, um arrastão cultural faz um giro pela Esplanada dos Ministérios.

(fotos: divulgação/ Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal)

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