Terra Magazine

18 de junho de 2009

PB: “O Maior São João do Mundo” tem 31 dias seguidos de festa

Festa em Campina Grande, maior cidade do interior nordestino, vai até o dia 28/6 e reúne um milhão e meio de pessoas.

“Ó linda flor, linda morena. Campina Grande, minha Borborema”. Era assim que o músico Jackson do Pandeiro se referia à Campina Grande (PB), a maior cidade do interior do nordeste. Desde 1983, a cidade também ostenta o título de “Maior São João do Mundo”.

Para sustentar esse “primeiro lugar”, o São João da cidade tem números são superlativos: com 400 mil habitantes, Campina Grande deve atrair 1,5 milhão de pessoas em 2009.

Os festejos, que começaram ainda em 29 de maio, vão até 28 deste mês, completando 31 dias e centenas de horas de forró. Nesse período, não há um dia sequer sem apresentações musicais.

Sobem aos palcos atrações de peso, como Dominguinhos, Genival Lacerda, os primos Elba e Zé Ramalho e a Banda Capypso, além de muitos outros grupos de forró de várias regiões do Brasil. Isso tudo sem contar as dezenas de trios nordestinos que se apresentam de forma descentralizada.

Campina Grande recebe 1,5 milhão de pessoas no São João

A cidade recebe 1,5 milhão de pessoas no São João

A festa junina de Campina Grande ganha mais brilho com as apresentações de centenas de quadrilhas, que podem ser vistas tanto nas ruas da cidade quanto no concurso de quadrilhas estilizadas, cuja campeã este ano (eleita no dia 15/6) foi a Quadrilha Moleca 100 Vergonha.

Em 2008, a quadrilha estilizada vencedora Mistura Gostosa participou do Concurso Nacional de Quadrilhas, em Brasília, com o apoio da Prefeitura de Campina Grande, e também sagrou-se campeã.

Embora parte da programação aconteça nos bairros da cidade O grosso da festa acontece no Parque do Povo, um imenso “forródromo” de 42,5 mil metros quadrados, onde são montadas 163 barracas e 92 quiosques.

Em 2008, o São João teve um impacto de R$ 16 milhões no PIB de Campina Grande

Em 2008, o São João teve um impacto de R$ 16 milhões no PIB de Campina Grande

Todos os anos, é erguida uma cidade cenográfica no Parque, com réplicas de prédios históricos da cidade e a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, que mede 18 metros de altura.

Também com 18 metros, destaca-se a fogueira gigante, cujas luzes imitam chamas e servem de pano de fundo para fotos de quase todos os turistas.

O principal símbolo do Maior São João do Mundo, entretanto, é a Pirâmide do Parque do Povo, uma grande estrutura coberta no meio do Parque. Em 2009, a Pirâmide foi reformada para a festa.

Dominguinhos (D) esteve na festa em 2008 e volta neste ano

Dominguinhos (D) esteve na festa em 2008 e volta à Campina Grande este ano

A grandiosidade do São João de Campina Grande se reflete na economia da cidade. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, no ano passado os festejos juninos proporcionaram um impacto de quase R$ 16 milhões no PIB de Campina Grande. A expectativa para 2009 é fazer esse número chegar a R$ 25 milhões.

As reservas da rede hoteleira, que se beneficia diretamente da festa, atingem 80% de sua capacidade máxima uma semana antes do início do São João.

Será que existe um São João maior que o de Campina Grande?

Será que existe um São João maior que o de Campina Grande?

A demanda por hospedagem é tanta que a prefeitura organizou um sistema alternativo, no qual os moradores da cidade alugam seus imóveis para os turistas.

E aí, alguém ainda duvida que o São João de Campina Grande é o Maior do Mundo? Se duvidar mesmo, deixe um comentário indicando a cidade que o Blog das Ruas vai atrás!

(fotos: Prefeitura de Campina Grande)

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16 de junho de 2009

RJ: Feira de São Cristóvão abre temporada de festas juninas

Bastou começar o mês de junho para a Feira de São Cristóvão - “um pedaço do Nordeste no Rio de Janeiro”, como é carinhosamente chamada por alguns - antecipar os festejos de São João.

Desde o dia cinco de junho, a Feira de São Cristóvão respira as tradições da mais nordestina das festas. Durante as quatro sextas-feiras, quatro sábados e quatro domingos deste mês, a Feira faz a maior reunião de bandas, trios e grupos de forró do Rio de Janeiro.

Segundo a organização das festas, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas (onde funciona a Feira) será, em junho, o espaço fechado que mais toca forró no Brasil.

Além das atrações musicais, a Feira de São Cristóvão também acolhe as brincadeiras juninas do pau-de-sebo, bumba-meu-boi, e quebra pote e as tradicionais disputas de repentistas, que improvisam versos em meio ao público.

Para o São João ficar completo, sessenta quadrilhas se apresentam no espaço, com destaque para a Quadrilha Gonzagão - grupo oficial do espaço - e outras que se sobressaíram em 2008: a Quadrilha Show Buraca Quente, de São João de Meriti e a Quadrilha Cazumbá, do Bairro de Paciência. Do mesmo bairro e com integrantes na 3ª idade, a Quadrilha Calor da Bacurinha também merece atenção especial.

A Feira de São Cristóvão atrai mensalmente 250 mil visitantes e funciona no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, um espaço de 34 mil metros quadrados, com 700 barracas padronizadas, dois palcos para shows e praça de repentistas.

Além da culinária típica e do artesanato das barracas, durante o ano inteiro os visitantes arrastam o pé com trios e bandas de forró, apreciam poetas populares, repentistas e a literatura de cordel.

Desde 1945, a Feira ocupa o Campo de São Cristóvão. Era lá que chegavam os caminhões pau-de-arara, trazendo retirantes de vários estados do Nordeste para trabalhar na construção civil.

Música e comidas típicas animavam o encontro dos recém-chegados com parentes e outros conterrâneos, dando origem à Feira de São Cristóvão. Durante 58 anos, a tradicional Feira permaneceu no Campo de São Cristóvão, debaixo das árvores.

Em 2003, as barracas foram transferidas para dentro do antigo Pavilhão, reformado pela Prefeitura do Rio e transformado no Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.

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7 de maio de 2009

Festival transforma Brasília na “capital” do Nordeste

Dentro de sete dias, a capital federal assume também o status de “capital do nordeste”. Com atrações de cada um dos estados nordestinos e um variado leque de atividades girando em torno da cultura daquela região, o Encontro do Nordeste acontece de 14 a 17 de maio, em Brasília.

“O encontro tem um apelo muito grande aqui em Brasília, pois mais de 40% da população é de nordestinos”, afirma Luiz Paulo, coordenador de Culturas Populares do evento. Segundo ele, o festival espera colocar cerca de 150 mil pessoas para “respirar nordeste” durante quatro dias.

A proximidade das festas de São João - melhor época do ano para qualquer nordestino - também ajuda a criar um “clima” de prévias para o evento, intensificando a sua atratividade. Quem for solidário com as vítimas das enchentes que assolam a região ganha desconto na entrada do festival: enquanto o ingresso normal é 20 reais, quem doar agasalhos paga R$ 12,00.

O Encontro do Nordeste faz parte de um projeto mais amplo, batizado de Brasília Capital Cultural, que visa, ao trazer outras atrações para a cidade, caracterizá-la como um local culturalmente ativo.

- As pessoas precisam conhecer Brasília pelo povo da cidade. Temos que acabar essa mística de que o Brasil só conhece Brasília pela Esplanada dos Ministérios. Queremos mostrar que a cidade tem muitos atrativos e fervilha de cultura - enfatiza o coordenador de culturas populares.

O festival chama atenção pela abrangência com que propõe representar os nove estados nordestinos. Trazer grupos e artistas das localidades mais variadas e não deixar nenhum estado “de fora” foi um dos critérios adotados para preparar a programação, de acordo com o coordenador de culturas populares.

Além de conhecidas atrações musicais, como Geraldo Azevedo, Zé Ramalho e a banda de forró Calcinha Preta, o Encontro do Nordeste reservou um palco apenas para manifestações de cultura popular, no qual se apresentam quadrilhas, trios nordestinos, teatro de mamulengos e um conjunto de outras expressões folclóricas que compõem a miríade cultural da região.

Um dos pontos altos da cultura popular no festival é o Desafio de Repentistas. Todas as noites do evento terão disputas entre esses mestres do improviso cantado, vindos das mais variadas cidades do nordeste brasileiro. É um campeonato mesmo, com direito inclusive a troféu para os vencedores.

Também merece destaque a homenagem a Luiz Gonzaga, rei do baião e o brasileiro que melhor “encarnou” a cultura nordestina. A coreografia de 11 bailarinos de Teresina tem presença garantida nos dois palcos do evento: abre um dos shows das atrações musicais no palco principal e depois é apresentada, completa, no espaço das culturas populares.

O público do festival também pode participar gratuitamente das oficinas de cerâmica, pintura de cerâmica, renda de bilro, xilografia, cordel e aprender até mesmo a fazer aquelas garrafas de areia colorida do Ceará. Para ministrar as oficinas, especialistas escolhidos a dedo, como o Mestre Vitalino Neto.

- A gente queria fazer um negócio como uma estação. Fazer parte do público participar de todas oficinas e ter contato com as várias expressões de cultura do nordeste. Mas o tempo é muito curto, daí tivemos que pensar em turmas separadas mesmo. As oficinas são gratuitas, mas as inscrições têm que ser feitas com antecedência - alerta Luiz Paulo.

Essas expressões da diversidade da cultura popular nordestina podem ser vistas na ExpoNordeste, uma grande feira de artesanato destinada à exposição e demonstração de produtos culturais da região, inclusive de comidas típicas, com aquisição de produtos diretamente do artesão.

A feira funciona ainda como um espaço de atração de investimentos e turismo para os estados nordestinos, que possuem tendas decoradas com suas principais cores e atrativos. Alguns oferecem promoções em conjunto com agências de viagens.

Curiosamente, a participação dos estados na feira não é tão simples quanto parece. “Tem prefeitura me pedindo passagem aérea para mandar secretário de turismo”, conta o coordenador de culturas populares. Será a crise econômica?

Certeza mesmo é que a crise já afetou o projeto Brasília Capital Cultural. Originalmente, o plano era fazer na capital federal encontros temáticos de todas as regiões brasileiras. O recuo nos patrocínios culturais gerou incerteza sobre a realização desses encontros, que dependerão do êxito do Encontro do Nordeste.

- Vamos fazer esse bem-feito e depois ver quais são as condições para fazer os outros. Não adianta projetar para a frente e perder o foco do trabalho agora - afirma Luiz Paulo.

Em caso bons ventos, o próximo encontro a ser realizado será o da região Sudeste.

(Foto: Arquivo/ Grupo de Xaxado Cabras de Lampião)

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