Terra Magazine

14 de agosto de 2009

Artistas negros celebram 21 anos da Fundação Palmares

Criada em 22 de agosto de 1988, a Fundação Cultural Palmares (FCP) completa 21 anos de existência na próxima sexta-feira.Entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura, A Fundação Palmares tem o dever de, como está escrito na lei que a institui (nº 7.668/1988), “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

Ao longo desses 21 anos de luta contra o preconceito racial e pela afirmação da negritude brasileira, a Palmares se viu no epicentro de várias polêmicas. Posso estar esquecendo alguma, mas talvez as principais delas sejam as cotas para acesso de estudantes negros às universidades e a demarcação de terras para comunidades remanescentes de quilombos.

Dá para entender, então, porque cada aniversário da entidade é celebrado como um reconhecimento da ampliação do espaço cultura negra no país.

As senhoras do Samba de Roda Suerdieck eram funcionárias de uma fábrica de charutos

As senhoras do Samba de Roda Suerdieck eram funcionárias de uma fábrica de charutos

Em 2009, a festa começa no dia 17 e vai até o aniversário da FCP, dia 22. As festividades acontecem em cinco espaços da capital federal, onde a Palmares é sediada: na própria sede da Fundação (auditório, platô e Espaço Cultural Palmares); no Galpão Funarte e no Teatro Nacional.

A programação é totalmente gratuita e privilegia a diversidade das expressões populares da cultura afro-brasileira, representada principalmente pelos grupos Jongo da Serrinha; Contos do Congo, Tambor de Crioula; Samba de Roda Suerdieck e Maracatu de Baque Solto.

A comemoração do aniversário da Fundação Palmares também terá a presença de estrangeiros. O coletivo de artistas Entre dos mares: ensamble musical de Colombia, Ecuador y Panamá propõe a integração da música afro-latina desses países, enquanto os quatro percussionistas Benkos Kusuto apresentam a musicalidade da comunidade do Palenque de San Basílio (costa do Pacífico Colombiano).

Contam as histórias que o fundador do Grupo Gualajo seria um predestinado representante da marimba

Contam as histórias que o fundador do Grupo Gualajo seria um predestinado representante da marimba

Já o Grupo Gualajo tem uma história muito sobre o seu fundador, o maestro colombiano José Antônio Torres Gualajo, hoje com 67 anos. Tocador de marimba há mais de 50, dizem que, em seu nascimento, a parteira o colocou em cima de uma marimba para cortar o cordão umbilical.

Assim, ao ouvir a ressonância do instrumento logo ao nascer, somado à herança musical dos pais, Gualajo predestinou-se a ser um guardião da preservação de Marimba e de todos os ritmos que ela pode ressoar como: currulos, aguabajos; jugas; andareles. Além de tocar, o maestro tornou-se um mestre no ofício de construir cada um dos componentes que constituem a marimba.

Além das apresentações de música e dança, o evento conta com oficinas de Chula, de Percussão e de Ritmos Afro do Caribe e do Pacífico.

O tradicional Jongo da Serrinha também se apresenta no aniversário da Palmares

O tradicional Jongo da Serrinha também se apresenta no aniversário da Palmares

Durante toda a semana de celebrações, exposição fotográfica Negrice Cristal, de Januário Garcia, fica em cartaz.

A programação conta ainda com uma degustação de comida afro-brasileira, no dia 21, às 12h, no Platô da FCP.

No dia 22, a Fundação Palmares apaga suas velinhas no Teatro Nacional, com direito a shows de Luiz Melodia e Lazzo Matumbi, precedidos por um desfila de moda afro (estilista Rodinei, MG) e pela entrega do Troféu Palmares, que homenageia personalidades na luta em favor da igualdade preconceito racial.

Mãe Beate de Iemanjá receb o Troféu Palmares no dia 22

Mãe Beate de Iemanjá receb o Troféu Palmares no próximo dia 22, no Teatro Nacional (Brasília)

Nesta edição o Troféu vai para Esther Grossi, professora, escritora e ex-deputada federal, autora da lei que institui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura da África e dos afro-brasileiros (nº10.639/2003) e para Mãe Beata de Iemanjá (Beatriz Moreira Costa), religiosa de matriz africana do candomblé, iniciada há mais de 50 anos, e conhecida sacerdotisa e ativista social da cidade do Rio de Janeiro.

(fotos: David Pinheiro/ divulgação [1] e reprodução [demais])

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