Terra Magazine

19 de agosto de 2009

GO: Festival celebra 120 anos de Cora Coralina

A região cento-oeste festeja hoje a sua maior poetisa. Às 19h, no museu Casa de Cora Coralina, acontece a abertura oficial do Festival Cora Viva Coralina, que vai até o dia 23 de agosto.

A miríade de atrações presente no Festival sugere o alcance da poesia da escritora goiana. Além da esperada declamação de poemas, a Cidade de Goiás ganha roteiros Poético e Gastronômico, alvorada festiva, exposição fotográfica, debate acadêmico, desfile de moda, exibição de vídeos, shows e espetáculos teatrais inspirados na obra de Cora Coralina.

- A cidade inteira está mobilizada para o Festival. Cora viva dizendo que era a geração vindoura que iria entender o significado de sua obra. Ela pensou que a palavra dela seria para o futuro. A semente está florescendo - diz Marlene Vellasco, presidente da Associação Casa de Cora Coralina, que gerencia o museu da poetisa.

Dentre os destaques da programação, estão uma visita pelo Museu Casa de Cora Coralina, guiada e “cantada” pelo músico Daniel Melo, com a apresentação de poemas da escritora; o espetáculo Cora Coralina, Coração Encarnado, eleito pela crítica de O GLOBO como um dos dez melhores espetáculos do ano de 2006; e um show especial de Zeca Baleiro, intitulado: “Minha Cora, minha Coralina, mais de um Goiás de amor carrego, destino de violeiro cego”.

Unindo os dois maiores prazeres de Cora Coralina, escrever e cozinhar, o Festival também promove um recital de poemas aliado à degustação de doces e um roteiro gastronômico que enfatiza comidas da infância de Cor, quando ela ainda vivia na Fazenda Paraíso, como frango caipira e comida de tropeiros. O roteiro gastronômico se permite ainda algumas inovações inspiradas na culinária da época, como a peculiar pizza de pequi.

A poetisa tinha para si que seu maior dom era o de doceira. “A senhora é uma artista, admirável em sua arte, a mais nobre das artes, a da culinária”, disse-lhe em certa ocasião Jorge Amado.

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

O Festival Cora Viva Coralina comemora, ainda, o Dia do Vizinho, criado pela própria escritora em 1980.

- Cora morou a vida inteira fora de Goiás. Ela dizia que o vizinho é pessoa mais próxima que se tem. Fez inclusive um poema falando sobre isso. Ela dizia sempre que queria que o dia de seu aniversário, diz 20 de agosto, fosse encarado como um dia de confraternização, de partilha com o próximo. Criou então o Dia do Vizinho - explica Marlene Vellasco.

Desde então, a Cidade de Goiás celebra a data. Em 1982, transformou-se em Lei Municipal. Uma grande mesa é montada na porta da igreja e a prefeitura oferece um grande bolo à população. “Mas todos os vizinhos também levam bolos. A cidade inteira espera Dia do Vizinho”, conta Vellasco.

O Festival termina neste domingo na Cidade de Goiás, mas os poemas de Cora Coralina voltam a estar em destaque no dia 28 de setembro, em São Paulo, quando será aberta a exposição Cora Coralina Coração do Brasil, com cenografia de Daniela Thomas, no Museu da Língua Portuguesa.

Até hoje, apenas quatro outros escritores brasileiros ocuparam a sala principal do Museu da Língua Portuguesa: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gilberto Freyre e Machado de Assis.

A vida começa aos 50

Considerada uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX, Cora Coralina nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto, em 20 de agosto de 1889, na Cidade de Goiás.

Aos 14 anos, escreveu seus primeiros contos e poemas. Em 1910, aos 21 anos de idade, quando publicou o conto Tragédia na Roça, publicado no Anuário Geográfico e Histórico, passou a ser conhecida pseudônimo Cora Coralina, que usaria para o resto da vida.

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Após um longo período morando em São Paulo, volta a Goiás e à literatura nos anos 50. “Ela dizia que tinha um porãozinho dentro da cabeça. Quando voltou a Goiás, passou a produzir a maior parte de sua literatura”, conta Marlene Vellasco.

Curiosamente, a escritora costumava dizer que uma mulher se liberta quando completa 50 anos. “Ela dizia que, aos 50, já criou filho e neto e vive própria vida, é uma mulher liberta. Aos 70, pode dizer e viver tudo que quiser”, lembra Marlene.

Publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, somente em 1965, aos 76 anos. Alguns anos mais tarde, ao ter sua poesia conhecida e receber elogios de Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina passou a ser admirada por todo o Brasil.

Em 1983, dois anos antes de sua morte, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores.

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31 de maio de 2009

GO: Após 23 dias, Festa do Divino chega ao fim em Pirenópolis

Este domingo, o Imperador vai desfilar sobre as ruas de Pirenópolis, acompanhado de virgens e levando seu cortejo para uma missa solene na igreja matriz da cidade. Após a missa, cantada em latim, será escolhido um novo Imperador, que governará a cidade apenas na próxima Festa do Divino, no ano seguinte.

A Festa do Divino Espírito Santo é a celebração popular mais importante de Pirenópolis. Tanto que está em processo de tombamento e poderá obter status de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, reconhecido pelo IPHAN. Tradicional, acontece na cidade desde a segunda metade do século XVIII, embora tenha sido documentada pela primeira vez apenas em 1819.

Grande expressão da fé católica, a Festa do Divino tem origem difusa na Europa. Ao atravessar o atlântico, ganhou a participação de índios e negros e também cedeu à mistura, incorporando folguedos profanos e originais de outras datas religiosas, a exemplo do Congo, dos Mascarados, das Cavalhadas e das Pastorinhas.

A Festa é realizada em Pirenópolis desde meados do Século XVIII

A Festa é realizada em Pirenópolis desde meados do Século XVIII

Em Pirenópolis, a Festa do Divino dura 23 dias. Começou no dia oito de maio, com a saída da Folia do Divino Espírito Santo denominada popularmente “Folia do Padre”, percorrendo a zona rural do município.

No dia 24 de maio, a Folia do Espírito Santo desfila na cidade em busca da casa do Imperador. No mesmo dia, é levantado o mastro, com direito a fogueiras e queima de fogos.

Daí em diante, todos os dias começam com Alvoradas, a Novena do Espírito Santo (então no terceiro dia) continua até o sábado e a semana é ocupada com muitas outras atividades.

Toda essa preparação leva ao domingo, último dia da Festa - pela tradição, o Domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa).

S�mbolo da Festa do Divino na cidade

Símbolo da Festa do Divino na cidade

Figura central da Festa, o Imperador é escolhido por sorteio, no domingo do ano anterior. Qualquer um pode se candidatar para o nobre cargo, sob o qual repousa a responsabilidade de organizar a Festa. “Se rico, promove a festa com suas posses; se pobre a promove com a ajuda do povo”, diz a tradição pirinopolina.

Os habitantes da cidade também podem se oferecer para a posição quantas vezes quiserem. Na relação dos Imperadores da Festa, que em 2009 chega ao número 191, várias pessoas já foram sorteadas por duas ou três vezes.

O Imperador tinha bastante prestígio na época dos primeiros registros oficiais da Festa do Divino, no início do Séc. XIX. Tão grande que, naqueles tempos, possuía inquestionável autoridade, a ponto de libertar da cadeia presos políticos, o que realmente era feito.

As cavalhadas foram introduzidas na Festa por um dos Imperadores

As cavalhadas foram introduzidas na Festa por um dos Imperadores e duram três dias

Foi justamente um Imperador, o Padre Manuel Amâncio da Luz, quem introduziu as Cavalhadas, simulação da luta entre mouros e cristãos, que começa no Domingo do Divino e dura três dias.

Além disso, o mesmo Pe. Amâncio mandou confeccionar uma coroa de pura prata, a Coroa do Divino, oferecendo-a à Igreja Matriz, e distribuiu à população pãezinhos e alfenins, docinhos feitos de açúcar puro chamados de Verônicas, ato que também foi incorporado à tradição da Festa.

Quem estiver por perto de Pirenópolis e nunca teve a oportunidade de conhecer um Imperador, essa é sua chance. Hoje ou daqui a um ano.

(fotos: Portal de Turismo de Pirenópolis)

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