Terra Magazine

11 de setembro de 2009

Conselho de Cultura da Bahia considera “assustadora” demolição da Fonte Nova para a Copa

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia divulgou na quarta-feira passada - último dia do prazo estipulado pelo governo baiano para consultas sobre o projeto de Salvador de sediar a copa do mundo de 2014 - um documento manifestando preocupação com a forma como vêm sido conduzidos os preparativos para a realização da Copa do Mundo em Salvador.

O documento, aprovado por unanimidade entre os conselheiros, considera “assustadora” a demolição do estádio Octávio Mangabeira, a Fonte Nova - citado no documento como “marco da história esportiva e do modernismo arquitetônico na Bahia e no Brasil”.

O mesmo adjetivo é usado quando o documento refere-se à recusa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Bahia (IPAC) em instaurar processo de tombamento do monumento, solicitado em conjunto pela Faculdade de Arquitetura da Universidade federal da Bahia, pelo departamento baiano do Instituto dos Arquitetos do Brasil e pela ONG Docomomo, em abril de 2008. Ao pedido, foi agregado um abaixo-assinado de mais de uma centena de esportistas e intelectuais baianos.

Segundo o texto divulgado no dia 09, a decisão sobre o tombamento ou não é, por atribuição legal, do próprio Conselho de Cultura e não caberia ao IPAC decidir se instaura ou não o processo.

Segundo o Conselho de Cultura da Bahia, há relatórios técnicos de empresas e da Universidade Federal da Bahia, que atestam a viabilidade da recuperação da estrutura do estádio atual, bem como sua adaptação às exigências da FIFA, ao custo de 20% do valor proposto para a demolição e construção de um novo estádio.

O Conselho de Cultura da Bahia também questiona a retirada do parque esportivo atualmente existente no estádio (piscinas, o ginásio “Balbininho”, pistas de atletismo) em troca de uma “arena de luxo mono-esportiva”. Como contrapartida, o Governo do Estado está propondo a construção de piscinas próximas ao estádio de pituaçu, onde a nesta semana jogou a seleção brasileira.

Ainda no documento, o Conselho de Cultura reclama a ausência de referências ao patrimônio cultural material e imaterial de Salvador no projeto do Governo do Estado, bem como da estratégia urbana e urbanística que irá guiar os investimentos públicos e privados na preparação da cidade para a copa do mundo.

“Entender a Copa do Mundo no Brasil para além de 2014 significa colocar nossa cidade e nossas culturas no cenário das nações, concebendo-a como possibilidade efetiva de transformação das condições de vida coletiva na cidade, garantindo espaço público vivo, inclusivo e cidadão”, conclui o documento.

 (foto: reprodução)

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25 de junho de 2009

Para celebrar a independência da Bahia, governo muda de sede

Cachoeira, cidade onde começou o movimento pela independência da Bahia, é a nova “capital” do Estado durante o dia de hoje.

Quer falar com o Governador Jaques Wagner? Então vá a Cachoeira.

Pelo segundo ano consecutivo, a sede do Governo da Bahia é transferida para a cidade de Cachoeira, localizada no Recôncavo Baiano a 111 km de Salvador. A transferência é determinação da Lei 10.695, de 2007, e é uma homenagem à lutas dos baianos pela independência.

Além de assinar atos e despachos da administração estadual - neste dia, geralmente relacionados com a região -, o governador e seu secretariado participam das comemorações pela independência da Bahia.

Também serão divulgados o envio à Assembleia Legislativa do projeto de lei que cria a medalha, condecoração ou ordem 2 de Julho e da mensagem que torna o Hino ao 2 de Julho hino oficial da Bahia.

A nova sede do governo baiano foi a primeira cidade do Estado a aprovar a independência da colônia do jugo português.

Em 25 de junho de 1822, ainda que sob ameaça de uma escuna militar portuguesa, Antônio de Cerqueira Lima, José Garcia Pacheco de Aragão, Antônio de Castro Lima, Joaquim Pedreira do Couto Ferraz, Rodrigo Antônio Falcão Brandão, José Fiúza de Almeida e Francisco Gê Acaiaba de Montezuma, reunidos na Câmara Municipal de Cachoeira, anunciam o resultado da consulta feita ao povo, que concordou com a proclamação de dom Pedro de Alcântara “regente constitucional e defensor perpétuo do Brasil”.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, na cerimônia de transferência do governo em 2008

O governador da Bahia, Jaques Wagner, na cerimônia de transferência do governo em 2008

O “Sim” da população de Cachoeira disparou a luta pela independência da Bahia - então completamente dominada pelos portugueses - que só terminou pouco mais de um ano depois, no dia 2 de julho de 1823, com a rendição do comandante português Madeira de Melo e suas tropas.

Pouco conhecida no resto do Brasil, a independência da Bahia foi o embate mais sangrento do processo de independência do Brasil (sim, a independência do Brasil não foi tão tranquila como ensinam na escola…). Entenda a independência da Bahia.

Mártires, heróis e mitos

Foram várias batalhas e confrontos que, além da independência, geraram mártires, heróis e mitos.

Ainda em 18 de fevereiro de 1821, o Brasil ganhou sua primeira mártir, a abadessa Joana Angélica, assassinada ao tentar impedir que soldados portugueses invadissem o Convento da Lapa.

- Para trás, bandidos. Respeitem a Casa de Deus. Recuai, só penetrareis nesta Casa passando por sobre o meu cadáver - teria dito Joana Angélica parada de braços abertos à porta do convento, pouco antes de sua morte.

A transferência do governo é um reconhecimento tardio da importância de Cachoeira para a Bahia

A transferência do governo é um reconhecimento tardio da importância de Cachoeira para a Bahia

O herói mais conhecido da Independência da Bahia não foi herói, e, sim, heroína. Disfarçada de “Soldado Medeiros” e sem autorização do pai, Maria Quitéria alistou-se nas forças pró-independência. Segundo é contado, Quitéria usaria um saiote escocês sobre a sua farda.

Travou várias batalhas, ganhando, inclusive, honras por bravura em combate. Não por acaso, Maria Quitéria é considerada a Joana D’Arc brasileira.

E, como muitos heróis brasileiros, ela morreu no anonimato, quase cega, em Salvador. O reconhecimento só veio mais tarde, quando foram criadas comendas, em Salvador e Feira de Santana, com o seu nome.

Por Decreto da Presidência da República, de 28 de junho de 1996, Maria Quitéria foi reconhecida como Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A sua imagem encontra-se em todos os quartéis, estabelecimentos e repartições militares da Arma, por determinação ministerial.

Os �ndios também participaram das batalhas pela independência da Bahia

Os índios também participaram das batalhas pela independência da Bahia

Não menos fantástica é a história do Corneteiro Lopes. É atribuída ao folclore da independência da Bahia a existência de um corneteiro português lutando pelas trincheiras baianas.

O que é contado e recontado a cada celebração de Dois de Julho é que, na decisiva Batalha de Pirajá, Corneteiro Lopes haveria recebido a ordem de tocar a “retirada” e inverteu o toque para “avançar cavalaria, a degolar”, apavorando os portugueses em franca vantagem e enchendo de inaudito ânimo as tropas brasileiras que venceram a batalha.

(fotos: Alberto Coutinho e Ivan Erick/ AGECOM)

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