Terra Magazine

13 de outubro de 2009

PE: “Terça Negra” tem competição de MC’s no Recife

Tags:, , , , - iurirubim às 16:02

Em todas as terças-feiras do mês de outubro, o Pátio de São Pedro, no centro do Recife, é ocupado pela cultura hip hop.

É a Jornada de MC’s, que além de muito rap, graffite ao vivo, mostra de vídeos e shows com grupos convidados, traz uma competição de rimas entre MC’s, na qual se dá bem quem for melhor no improviso.

A cada terça-feira, oito MC’s disputam entre si por uma vaga na final, que acontece no dia 10 de novembro. As batalhas exigem raciocínio rápido, criatividade e muito jogo de cintura.

Os MC’s têm duas rodadas de 45 segundos para rimar em cima da base musical do DJ. Cabe aos rimadores desafiar o adversário mostrando toda sua habilidade com o domínio do vocabulário e com o improviso.

O dono do jogo de palavras que mais cativar o público - cuja entrada é gratuita - é coroado o campeão e ganha uma vaga na final, dia 10 de novembro.

O melhor dos quatro MC’s que competem na final ganha uma vaga para representar Pernambuco na LIGA de MC’s, o maior evento de rima livre da cultura Hip-Hop no País, que acontece no Rio de Janeiro no Bairro da Lapa.

A Jornada de MC’s reúne em outubro 32 Mc’s de várias comunidades do Recife, como Santo Amaro, Coelhos, Água fria, Prazeres, Mustardinha, Salgadinho, dentre outras.

“Não temos nem limite de idade. Em 2007, foi para a final um menino de 12 anos. Se chegar aqui um de 10, a gente inscreve. O importante é fortalecer cultura da rima”, afirma DJ Big, que organiza o evento.

Hoje à noite, a Jornada de MC’s tem como atrações o grupo Rota Black e o rapper Sombra (antigo ex-SNJ).

A primeira Jornada de MC’s aconteceu em outubro de 2005 no Pátio de São Pedro, numa parceria com o Movimento Negro Unificado que se mantém até hoje. Daí o nome Terça Negra - por conta da força que a cultura negra tem no hip hop.

Rap e repente

A Jornada de MC’s também tem buscado fazer uma aproximação entre o rap e o repente, gêneros irmãos da poesia popular que pouco se falam.

- São pessoas que não são muito conhecidas do cotidiano dos garotos aqui da metrópole. Queremos mostrar, falar sobre esse tipo de poesia popular para as pessoas - opina Dj Big.

Essa aproximação é feita através de oficinas, para as quais são convidados repentistas. “Outro dia, tivemos aqui as irmãs Santinha e Mocinha Maurício”, conta.

Pergunto se não seria bacana os repentistas participarem das batalhas de MC’s.

- Seria covardia. É muito conhecimento.O repentista é o marco da rima. Embora não tenha BPM como o hip hop, a poesia é muito bem feita e criada na hora. Seria uma concorrência desleal! - argumenta.

(foto: Amauri Cunha)

Blogs que citam este Post

24 de julho de 2009

Bahia realiza “seletiva” para a final do Festival do Rap Popular Brasileiro

Acontece nas noites de hoje e amanhã, na Praça Teresa Batista, no Pelourinho (Salvador), a etapa baiana do II Festival do Rap Popular Brasileiro. Reunindo 12 bandas locais de rap, o evento gratuito seleciona - da mesma forma que todos os outros estados brasileiros - representantes para a final nacional do II RPB Festival, no dia 26 de setembro, no Rio de Janeiro.

Organizado pela Central Única de favelas, a CUFA, o RPB Festival procura estimular o mercado musical nacional do rap, valorizando a arte que nasceu nas periferias e apresentando novos grupos e cantores de rap.

“Muita gente começa nesses espaços e desponta com o talento aprisionado, e que muitas vezes não teria outra oportunidade de ser apresentado”, argumenta Gog, o “poeta do Rap”, vencedor do Prêmio Hutúz 2008 na categoria “Melhor Videoclipe”.

Para selecionar o representante do Estado na final, a etapa baiana tem como jurados Letieres Leite (Orquestra Rumpilezz), DJ Bandido, Vivian (coordenadora da Didá), Jô Guimarães (arte-educadora da escola Mãe Hilda e Ilê Ayê) e Mona Brito (representante do ‘Movimento Social’).

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

- Pô, mano, diz aí você, se coloque no meu lugar: como seria representar o hip hop do meu Estado no Festival nacional? Não sei nem o que dizer… - comenta Pablo, um dos MCs do Quatro Preto, na estrada desde 2002.

Para a etapa baiana, foram inscritas 30 bandas e pré-selecionadas 12. Única rapper do sexo feminino entre as bandas que se apresentam hoje e amanhã, Mahara não acredita que haja discriminação no meio e prega a união em torno da cultura negra.

- É a mesma coisa, tá todo mundo na rua, tem que saber dividir, ter respeito. Depende da cabeça de cada um e da postura da mulher. Ainda não é a mesma quantidade dos homens, mas já tem muita mulher. Ta todo mundo na mesma vibração que é a da negritude do país. Tem discriminação é contra o nosso ritmo, mas agora que a gente está começando a ter voz, a ter vez - argumenta Mahara.

Mahara vê discriminação contra o rap

Mahara vê discriminação contra o rap no Brasil

Traço comum a Mahara, Quatro Preto e a várias bandas que se apresentam na etapa baiana, a incorporação de outros ritmos ao rap parece uma tendência no Estado. “A gente mistura mesmo: entra samba, jazz, maracatu, instrumentos de corda, percussão, baixo”, conta o MC Pablo.

Entretanto, essa tendência parece mas é mal vista pelos grupos do sul, mais alinhados ao hip hop “tradicional”, que ainda dominam o cenário brasileiro.

A estrutura do RPB Festival, que seleciona representantes de cada estado brasileiro para uma grande final, pode ser então um momento de afirmação política de identidades regionais.

- É a nossa chance de mudar um pouco a cara do rap nacional, sempre concentrado nos grupos do Sul. Eles são os que mais se parecem com os americanos e não entendem quando a gente, da Bahia, do Nordeste, mistura os ritmos, afirma a negritude do nosso jeito - diz Janda Mawusi, produtora do Festival.

Blogs que citam este Post

6 de junho de 2009

RJ: Viradão Carioca homenageia maestro que estava no voo AF 447

Na noite de ontem teve início o Viradão Carioca, 48 horas seguidas de intensa programação cultural em vários locais do Rio de Janeiro como praças, ruas, teatros, cinemas, bibliotecas, lonas e centros culturais. São shows, peças, concertos, exposições, leituras, performances, filmes, literatura e circo - tudo isso de graça ou a preços populares.

No meio de tão variadas atrações, gostaria de destacar uma delas: a Batalha de MCs, que acontece neste sábado, às 17h.

Mais que uma série de duelos de improvisação dos MCs, a atividade comandada pelo MC Marechal tornou-se uma homenagem ao Maestro Sílvio Barbato, ex-regente da Orquestra Sinfônica Brasileira e do Theatro Municipal do Rio, desaparecido desde o último domingo (31/5) juntamente com os outros passageiros do voo AF 447 da Air France.

Silvio Barbato (D), ao lado do tenor e amigo Thiago Aracam (E)

Silvio Barbato (D), ao lado do tenor e amigo Thiago Aracam (E)

Nasce, assim, o Troféu Maestro Sílvio Barbato, a ser conquistado pelo MC com melhor capacidade de improvisação. A Batalha de MCs acontece no Galpão Aplauso (Rua General Luis Mendes de Moraes, 50 - Santo Cristo). A entrada para a Batalha de MCs é 1kg de alimento não perecível.

Essa aproximação entre gêneros musicais tão díspares - o mundo do hip hop e o da música erudita - foi justamente um dos maiores feitos de Barbato, o primeiro regente a conduzir uma orquestra com um DJ de hip hop.

“O maestro falava com muita empolgação desta possibilidade de sincretismo cultural. Era uma pessoa simples, uma pessoa boa” diz em seu blog o DJ Saddam. Segundo o DJ, o Troféu é “uma pequenina homenagem do Hip Hop a este que o sempre defendeu como cultura. O Brasil e o mundo da música perdem um grande nome e eu perco um valoroso amigo”.

E pelo visto esse vínculo estabelecido com o hip hop não foi a única ponte que Barbato construiu com outros gêneros musicais. Em sua coluna no Yahoo!, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura que em 2008 tocou num concerto sinfônico regido pelo maestro, afirma:

- Eu comecei a admirar muito o maestro por sua postura em relação à música. Geralmente, grandes maestros não são favoráveis à junção da música erudita com outros estilos. Na verdade, existe um grande preconceito por parte deles, muitos desprezam outras maneiras de expressão musical. O Silvio não. Ele era muita aberto a novos experimentos, mantendo a classe e a técnica da música erudita, mas sempre buscando novos caminhos. Ele me deixou muito à vontade e, apesar de ter sido a primeira vez que eu tocava com uma orquestra, estava muito confiante. Foi uma experiência inesquecível!

Barbato integrava o erudito a outros gêneros musicais

Barbato integrava o erudito a outros gêneros musicais

O tenor Thiago Aracam, que conviveu e era amigo de Silvio Barbato, também publicou uma homenagem a ele em seu perfil do orkut (de onde foram extraídas as fotos desta matéria). Ele diz: “O Brasil e o mundo inteiro perderam um grande musico, eu perdi um grande amigo. Lamento este momento de profundo dor e enorme saudades, que nunca vai desaparecer”.

Blogs que citam este Post

8 de maio de 2009

RJ: Rappers contam sua vida pelos olhos das mães

Documentário Mães do Hip Hop tem pré-lançamento no sábado, véspera do Dia das Mães.

Cinco cantores de rap do Morro Agudo, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), tiveram uma ideia diferente: contar as suas vidas pelos depoimentos das mães. Assim nasceu o documentário Mães do Hip Hop.

Através delas, o filme faz uma panorâmica social da juventude na Baixada Fluminense e mostra o papel do hip hop na transformação da vida desses jovens. O pré-lançamento acontece no Espaço Enraizados, às 17h de amanhã, durante um evento em homenagem ao Dia das Mães.

O documentário também tem lançamento previsto em Nancy e Blanc Mesnil (França) e, provavelmente, em Rotterdam (Holanda), nos próximos meses.

Além das mães dos rappers, participam do filme Jana Guinond, atriz; Dedé Barbosa, um morador do bairro desde que nasceu, cujo filho foi vítima da violência; e o sociólogo Luiz Eduardo Soares.

As mães dos MCs Leo da XIII, Átomo, Kall, Lisa e Dudu do Morro Agudo enfrentaram dificuldades financeiras, a quase total ausência de serviços públicos e problemas com a violência, dentro e fora de casa, para criarem os futuros rappers.

Três deles quase não nasceram para contar a história.

Dona Evanil, mãe do MC Átomo, conta que teve seu filho confundido com um mioma (tipo de câncer) quando estava grávida. Mesmo quando foi ter o filho, os médicos reafirmaram que ela tinha um câncer, e não um bebê.

D. Evanil teve gravidez confundida com câncer

D. Evanil teve gravidez confundida com câncer

O marido de Giselda, mãe de Leo da XIII, tinha problemas com bebida. O vício impediu que ele a acompanhasse para o hospital, no momento de dar a luz. Sem acesso a transporte público, ela teve que andar três quilômetros até o hospital. Quando chegou lá, os médicos disseram que não havia leitos e por pouco ela não tem o bebê no corredor.

“A saúde pública aqui é uma parada muito precária”, conta Dudu do Morro Agudo, diretor do filme. Ele mesmo quase não veio ao mundo. Sua mãe, D. Lúcia, chegou a pensar em abortar o filho.

Conseguir nascer seguramente não foi o único obstáculo enfrentado pelos cinco rappers. A ausência das mães, que passavam o dia todo longe, trabalhando pelo sustento da família, também foi muito marcante.

- Aqui no morro, as mães não participam da criação do filho. Elas têm que trabalhar pelo sustento. O filho é criado pela rua. E é normal aqui sair para comprar pão e encontrar gente porta na rua. Enquanto a mãe está trabalhando, a droga circula nas ruas - conta Dudu.

O hip hop foi um caminho alternativo ao ambiente de drogas e violência para Leo da XIII, Átomo, Kall, Lisa e Dudu do Morro Agudo. “O hip hop nos deu a capacidade de escolher”, explica Dudu.

Giselda andou 3km para ter o bebê

Giselda andou 3km para ter o bebê

Mas ainda tinha o preconceito. Era difícil a comunidade aceitar um movimento musical feito por negros.

- Todos os MCs são negros. Tem discriminação racial mesmo aqui. A molecada tem uma auto-estima muito baixa. Tudo que é branco é bom; preto não presta - diz o diretor do documentário.

O preconceito se estendia às mães dos rappers. “Para mim, hip hop era coisa de bandido”, dizia Dona Lúcia. A opinião, entretanto, mudou quando D. Lúcia percebeu que a música promovia não a proximidade, mas o afastamento das drogas e da violência.

- Até hoje, se você perguntar para elas, as mães não sabem dizer o que hip hop. Mas apoiam. Só que elas não apoiam o hip hop pelo macro, pelas causas por que lutamos. Elas apoiam porque pensam: “o hip hop vai salvar o meu filho” - explica Dudu do Morro Agudo.

O apoio das mães aos filhos rappers gerou uma situação curiosa: a presença delas nos shows. “Eu acho super-maneiro, mas tem cara que não gosta porque tem vergonha”, admite Dudu.

Mas embora já aceitem o hip hop e reconheçam valor nele, as mães ainda não o consideram uma boa opção profissional.

- Ela diz que “queria que o filho fosse outra parada”. Minha mãe queria mesmo era que eu fosse da farda. Para elas, ter profissão é carteira assinada. Não enxergam muito futuro no hip hop - afirma.

Assumindo a responsa

Aos 20 anos, Dudu do Morro Agudo passou para o outro lado: foi pai e teve que se virar para cuidar da filha Beatriz, hoje com nove anos.

- Não sofri mais porque tive ajuda da minha mãe e da minha sogra. Mas tive que trabalhar de carteira assinada, num lugar que não me valorizava, para poder dar um futuro maneiro para minha filha.

"Quando dei liberdade, virou pai. É esperto, é malandro? Não é"

D. Lúcia, sobre Dudu ser pai muito jovem: "Quando dei liberdade, virou pai. É esperto, é malandro? Não é"

Rindo, conta como a mãe encarou a situação:

- Minha mãe fala no filme que eu sempre quis liberdade. Todo mundo no bairro tinha liberdade. Eu nunca tive. Daí ela diz: ‘quando dei liberdade, ele virou pai. É esperto, é malandro? Não é’.

Dudu do Morro Agudo me conta também como ele e os outros quatro MCs deixaram de ser filhos e passaram a ter um papel de liderança no morro, fundando o Movimento Enraizados.

- O Enraizados hoje está presente em 17 estados e o nosso site tem 600 mil acessos por mês. Essa galera que não ia nem nascer hoje fala para esse povo todo - brinca.

Os cinco MCs, juntamente com outras pessoas do movimento, trabalham com a juventude da comunidade, tentando mostras oportunidades e novos pontos de vista. Admitem que nem sempre é fácil.

- É uma parada sofrida. Ta todo mundo andando de nike. Aí o cara pensa: “porque eu não vou andar?”. Não dá para a galera ficar nessa de consumismo e ter roupa de marca. Mas não é fácil não - desabafa Dudu.

Blogs que citam este Post

12 de abril de 2009

BA: “Batalhas de Break” ganham espaço em teatros de Salvador

Em pleno Domingo de Páscoa, b.boys e b.girls de diferentes cidades da Bahia reúnem-se às 13h no Teatro do Irdeb (fim de linha da Federação, Salvador) para a eliminatória da 2ª Batalha de Break - Evolução Hip Hop, com apresentação de grupos de RAP e discotecagem com Dj Bandido.

Disputada em duplas no formato 2×2 no estilo b.boy, a batalha conta com três jurados e tem premiações para o 1º lugar de R$ 300.00, 2º lugar de R$ 150.00 e 3º lugar de R$ 50.00. As três primeiras colocações também ganham troféu e medalha.

Trinta duplas de break já estão escritas para a eliminatória. A Batalha de Break busca incentivar o fortalecimento da dança de rua como uma linguagem artística e promover intercâmbio de artistas de breakdancing com dançarinos das mais variadas técnicas.

Dançado majoritariamente por jovens de periferia, o break permite a criação livre de movimentos próprios a partir do estudo de técnicas da dança.

A “batalha final”

A final da 2ª Batalha de Break acontece no dia 19 de abril (domingo), às 18h, no Palco Principal do Teatro Vila Velha (Campo Grande, Salvador) e tem como um dos jurados o pioneiro do break no Brasil, Nelson Triunfo, de São Paulo.

A 2ª Batalha de Break - Evolução HipHop é uma das ações do Projeto HipHop em Movimento que acontece nos dias 18 e 19 de abril no Teatro Vila velha com Workshop de Break, Grafite e Dj.

O ambiente da batalha tem ainda uma feira com artigos de hip hop e artesanato, exposição de grafite e uma mesa redonda que discute o HipHop como um Fator de Transformação social.

O projeto tem transmissão ao vivo do programa “Evolução HipHop” (Rádio Educadora FM) do Passeio Público no dia 18 de abril, em comemoração ao mês de aniversario do movimento HipHop na Bahia. Toda a programação é gratuita, as inscrições para o workshop serão feitas no local.

Breakdancing em Salvador

As primeiras roda de break em Salvador começou a ser realizada na década de 80, no centro histórico (pelourinho), pelo dançarino “Roque”, que até então, apenas imitava passos de Michael Jakson.

Com o passar do tempo, a cultura hip-hop evoluiu na Bahia. O B.Boy Ananias, integrante do grupo Independente de Rua criou uma nova aparelhagem de som e reuniu diversos b.boys e b.girls no ano de 2002, na Praça da Sé, local que até hoje é o ponto de encontro de b.boys e b.girls na cidade, toda as tercas-feiras às 20h. A partir de então, surgiram as batalhas de break e oficinas em diversos bairros da cidade.

Blogs que citam este Post

6 de março de 2009

Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo

O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.

Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!

Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.
(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)

A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.

Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.

Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).

- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? - diz André Luiz, o Rapper Pirata, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.

"Cobramos como cidadãos"

Rapper Pirata: "Cobramos como cidadãos"

O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.

Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:

Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?

Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.

Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?

Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?

Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.

Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.

Chegaram a um acordo?

O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.

Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.

Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer?

Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.

"Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"

Pirata: "Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos"

Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?

Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.

Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.

Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.

Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.

Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.

Blogs que citam este Post

7 de fevereiro de 2009

Blackitude e Ilê Aiyê reverenciam a Bahia Negra

Tags:, , , , , , - iurirubim às 14:15

Duas festas neste sábado celebram os mais diferentes aspectos da cultura negra na Bahia.

Se, na Senzala do Barro Preto, sede do bloco Ilê Aiyê, a 30a Noite da Beleza Negra exalta a tradição afro-baiana, o BlacKitude 40º, no Pelourinho, traz uma perspectiva mais contemporânea dessa matriz cultural.

Hoje à noite, na Senzala do Barro Preto, será escolhida a nova Deusa do Ébano. Representação máxima da beleza negra, ela terá, por um ano, a adoração dos três mil associados do Ilê e, por tabela, de boa parte dos 600 mil habitantes do Curuzu, bairro onde fica a sede o bloco.

- Eu já disse para as meninas que quando se é rainha do Ilê não se quer reinar em mais lugar nenhum – disse, ontem, a dançarina Adriana Silva, Deusa do Ébano 2008, na apresentação das 15 candidatas ao trono.

O concurso nasceu nos anos 70, a partir da observação que “o Brasil sempre exportou um biotipo de mulheres nos concursos de beleza que nunca correspondeu à realidade étnica nacional”. Em contraponto a essa realidade, nasceu a competição pela fantasia da Deusa do Ébano, escolhida sempre na Festa da Beleza Negra.

Nesta edição, a Festa, que começa às 21h (horário local), terá como atrações as bandas Araketu, Band’Aiyê, Fora da Mídia e outros artistas convidados.

a cultura negra contemporânea

Balckitude 40 Graus: a cultura negra contemporânea

Com o foco na cultura negra urbana e atual, o BlacKitude 40º leva ao Pelourinho (Praça Tereza Batistas, a partir das 19h) múltiplas linguagens artísticas, focadas na intervenção criativa na cidade.

O evento é idealizado pelo Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, há quase 10 anos atuante na Bahia.

Como não poderia deixar de ser, os trabalhos começam com a apresentação dos quatro elementos do hip hop: MC, break, grafite, DJ. Simultaneamente, poetas da negritude soltam o verbo.

As apresentações musicais são abertas pelo DJ Bandido, que assumiu o compromisso de elevar a temperatura até os 40 graus anunciados pelo evento. Em seguida, os grupos Afrogueto, Daganja, RBF (Rapaziada da Baixa Fria) e Opanijé assumem a responsabilidade por manter o clima quente.

Break e os outro 3 elementos do hip hop no Blackitude

Break e os outro 3 elementos do hip hop no Blackitude

Paralelamente aos shows, os grafiteiros pintam ao vivo os painéis que farão parte do cenário. Os responsáveis pela execução das obras são Bigod, Lee27, Neuro e Tito Lama.

O BlacKitude 40º conta ainda com os dançarinos Ananias e Thina, acompanhados do grupo de Independente de Rua, que transfere sua tradicional roda de break da Praça da Sé para a Praça Tereza Batista.

(fotos: Ilê Aiyê [1] e Fernando Gomes [2])

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol