Terra Magazine

7 de outubro de 2009

ES: Jongos e Caxambus comparam tambores e batidas em encontro estadual

No final de semana passado, a comunidade quilombola de Vargem Alegre, no município de Cachoeiro de Itapemirim (ES) foi anfitriã do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O caxambu e o jongo são manifestações culturais afrobrasileiras reconhecidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial, em 2005.

No Brasil, elas surgiram nas senzalas, no período colonial. Seus participantes dançam e cantam rimas em roda, ao som de palmas e tambores, chamados caxambus, que são feitos pelos próprios membros dos grupos. Os versos cantados remetem ao tempo da escravidão e também retratam o cotidiano. Leia mais aqui, aqui e aqui.

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Os membros dos grupos, que em geral fabricam os próprios tambores, demonstram sua habilidade

Infelizmente, o Blog das Ruas “descobriu” o Encontro apenas na última segunda-feira, o que impossibilitou uma cobertura mais bacana da nossa parte.

Para não deixar que o acontecimento passe em branco neste espaço, pedi a um de seus organizadores, o diretor de artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim, Genildo Coelho Hautequestt Filho, que escrevesse um relato sobreo encontro, transcrito logo abaixo.

“Entre os dias 3 e 4 de outubro, aconteceu na comunidade quilombola de Vargem Alegre, município de Cachoeiro de Itapemirim-ES o Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus.

O evento reuniu todos os 14 grupos de jongos e caxambus em atividade no estado, transformando-se em uma grande oportunidade de congraçamento e também em um fórum que, a partir de agora, se tornará permanente.

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

A roda é um elemento fundamental para essas manifestações culturais

No Encontro os grupos tiveram a oportunidade de contar sua história, discutir seus jongos (versos contados pelos grupos) e comparar suas batidas e tambores. Essa oportunidade causou encantamento e estranhamento pela grande diversidade entre os grupos presentes.

O mais importante acontecimento foi a criação de um fórum de discussão que pretende-se ser permanente e que terá o objetivo de discutir os problemas enfrentados pelas comunidades jongueiras do Espírito Santo buscando soluções em conjunto com as instituições públicas envilvidas.

Também estiveram representados no Encontro todas as 16 comunidades jongueiras dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro que estão ligadas ao Pontão do Jongo.

A realização do Encontro Capixaba de Jongos e Caxambus só foi possível em função da união de diversos parceiros: Comunidade de Vargem Alegre, Associação de Folclore de Cachoeiro de Itapemirim, Prefeitura Municipal de Cachoeiro de Itapemirim, através da Secretaria Municipal de Arte e Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Ministério da Cultura”.

Genildo Coelho Hautequestt Filho é arquiteto urbanista e atualmente ocupa o cargo de Diretor de Artes da Secretaria Municipal de Arte e Cultura de Cachoeiro de Itapemirim.

Blogs que citam este Post

14 de agosto de 2009

Artistas negros celebram 21 anos da Fundação Palmares

Criada em 22 de agosto de 1988, a Fundação Cultural Palmares (FCP) completa 21 anos de existência na próxima sexta-feira.Entidade pública vinculada ao Ministério da Cultura, A Fundação Palmares tem o dever de, como está escrito na lei que a institui (nº 7.668/1988), “promover a preservação dos valores culturais, sociais e econômicos decorrentes da influência negra na formação da sociedade brasileira”.

Ao longo desses 21 anos de luta contra o preconceito racial e pela afirmação da negritude brasileira, a Palmares se viu no epicentro de várias polêmicas. Posso estar esquecendo alguma, mas talvez as principais delas sejam as cotas para acesso de estudantes negros às universidades e a demarcação de terras para comunidades remanescentes de quilombos.

Dá para entender, então, porque cada aniversário da entidade é celebrado como um reconhecimento da ampliação do espaço cultura negra no país.

As senhoras do Samba de Roda Suerdieck eram funcionárias de uma fábrica de charutos

As senhoras do Samba de Roda Suerdieck eram funcionárias de uma fábrica de charutos

Em 2009, a festa começa no dia 17 e vai até o aniversário da FCP, dia 22. As festividades acontecem em cinco espaços da capital federal, onde a Palmares é sediada: na própria sede da Fundação (auditório, platô e Espaço Cultural Palmares); no Galpão Funarte e no Teatro Nacional.

A programação é totalmente gratuita e privilegia a diversidade das expressões populares da cultura afro-brasileira, representada principalmente pelos grupos Jongo da Serrinha; Contos do Congo, Tambor de Crioula; Samba de Roda Suerdieck e Maracatu de Baque Solto.

A comemoração do aniversário da Fundação Palmares também terá a presença de estrangeiros. O coletivo de artistas Entre dos mares: ensamble musical de Colombia, Ecuador y Panamá propõe a integração da música afro-latina desses países, enquanto os quatro percussionistas Benkos Kusuto apresentam a musicalidade da comunidade do Palenque de San Basílio (costa do Pacífico Colombiano).

Contam as histórias que o fundador do Grupo Gualajo seria um predestinado representante da marimba

Contam as histórias que o fundador do Grupo Gualajo seria um predestinado representante da marimba

Já o Grupo Gualajo tem uma história muito sobre o seu fundador, o maestro colombiano José Antônio Torres Gualajo, hoje com 67 anos. Tocador de marimba há mais de 50, dizem que, em seu nascimento, a parteira o colocou em cima de uma marimba para cortar o cordão umbilical.

Assim, ao ouvir a ressonância do instrumento logo ao nascer, somado à herança musical dos pais, Gualajo predestinou-se a ser um guardião da preservação de Marimba e de todos os ritmos que ela pode ressoar como: currulos, aguabajos; jugas; andareles. Além de tocar, o maestro tornou-se um mestre no ofício de construir cada um dos componentes que constituem a marimba.

Além das apresentações de música e dança, o evento conta com oficinas de Chula, de Percussão e de Ritmos Afro do Caribe e do Pacífico.

O tradicional Jongo da Serrinha também se apresenta no aniversário da Palmares

O tradicional Jongo da Serrinha também se apresenta no aniversário da Palmares

Durante toda a semana de celebrações, exposição fotográfica Negrice Cristal, de Januário Garcia, fica em cartaz.

A programação conta ainda com uma degustação de comida afro-brasileira, no dia 21, às 12h, no Platô da FCP.

No dia 22, a Fundação Palmares apaga suas velinhas no Teatro Nacional, com direito a shows de Luiz Melodia e Lazzo Matumbi, precedidos por um desfila de moda afro (estilista Rodinei, MG) e pela entrega do Troféu Palmares, que homenageia personalidades na luta em favor da igualdade preconceito racial.

Mãe Beate de Iemanjá receb o Troféu Palmares no dia 22

Mãe Beate de Iemanjá receb o Troféu Palmares no próximo dia 22, no Teatro Nacional (Brasília)

Nesta edição o Troféu vai para Esther Grossi, professora, escritora e ex-deputada federal, autora da lei que institui a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura da África e dos afro-brasileiros (nº10.639/2003) e para Mãe Beata de Iemanjá (Beatriz Moreira Costa), religiosa de matriz africana do candomblé, iniciada há mais de 50 anos, e conhecida sacerdotisa e ativista social da cidade do Rio de Janeiro.

(fotos: David Pinheiro/ divulgação [1] e reprodução [demais])

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol