Terra Magazine

13 de julho de 2009

SP: Mapeamento revela iniciativas sociais de arte e cultura para a juventude

A partir de um convênio entre a Coordenadoria Estadual de Juventude e o Centro de Estudos de Políticas Públicas - CEPP, dezesseis jovens estão mapeando as experiências sociais de arte e cultura desenvolvidas por ou para a juventude no Estado de São Paulo.

Os dados coletados permitirão conhecer a fundo as iniciativas mapeadas, seus perfis, graus de formalidade, tempo de trabalho, áreas de atuação, tipos de financiadores, volume de recursos mobilizados, mecanismos de divulgação e comunicação, articulação e características de suas parcerias, principais dificuldades e necessidades e potencial para intercâmbio.

A posse dessas informações vai orientar a elaboração e execução de políticas públicas no estado. “O mapeamento reforça nossa missão de ser uma fonte norteadora para a implementação de políticas públicas na área da juventude”, afirma Mariana Montoro, coordenadora estadual de juventude.

O levantamento, que começou em maio, dura quatro meses. Durante esse período, os jovens pesquisadores recebem uma bolsa-auxílio de R$ 300/mês para se dedicar, meio-período diário, à identificação dos grupos e projetos.

O mapeamento proposto para São Paulo segue o modelo bem-sucedido que o CEPP já implementou em toda a região nordeste, que agora está em curso no Espírito Santo e que também deve ser realizado no Rio de Janeiro.

Todas essas iniciativas serão integradas ao Banco de Experiências do Programa Juventude Transformando com Arte, que conta atualmente com 572 experiências do nordeste do país.

A divulgação desses grupos dá visibilidade às organizações pesquisadas aumentando as oportunidades de intercâmbio e financiamento de seus projetos.

“O mapeamento está se firmando como referência de consulta para todos os interessados no tema, em especial para governos, empresas, institutos e fundações que desenvolvem programas na área”, afirma Beatriz Azeredo, diretora do CEPP.

Este Blog, inclusive, já utilizou em diversas ocasiões os dados do Banco de Experiências do Programa  Juventude Transformando com Arte, comprovando sua relevância.

A versão final do mapeamento em São Paulo também fica disponível para o público no portal do Governo do Estado dedicado à juventude.

Além da Coordenadoria Estadual de Juventude e do CEPP, estão envolvidos na iniciativa as prefeituras de Ribeirão Preto, Sorocaba, São Vicente e Sertãozinho; o Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), da prefeitura de São Paulo; e a ONG Cidade Escola Aprendiz.

Quem quiser adiantar a pesquisa e informar sobre grupo ou organização que desenvolva atividades regulares com arte e cultura em processos de transformação social envolvendo jovens, entre o contato com juventudearte@juventudearte.org.br ou juventude@sp.gov.br.

(foto: Mila Petrillo / 2ª Mostra Brasil Juventude Transformando com Arte)

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29 de maio de 2009

PE: Jovens surdos produzem vídeos

Seis vídeos produzidos por jovens foram lançados ontem, no município de Nazaré da Mata, em Pernambuco. Nada de extraordinário, não fosse o fato desses jovens terem deficiência auditiva.

Na tela, contam histórias que variam entre a comédia e o drama, sobre casamento, amor entre surdos e, é claro, o preconceito. Faladas em libras, todas as histórias são também legendadas para que os ouvintes possam entendê-las.

Agora o plano é exibir os vídeos em todos os canais possíveis, em especial a TV aberta. Para tanto, já existem negociações em andamento com a TV Cultura e a TV Solidária (retransmissora da TV Brasil).

Com quatro minutos cada, os vídeos são resultado de oficinas de audiovisual para surdos realizadas em 2008. Duas delas no próprio município de Nazaré da Mata e outra em Surubim, no agreste pernambucano.

Aproximadamente 60 jovens participaram das oficinas, nas quais as responsabilidades pela produção dos vídeos eram divididas segundo suas aptidões.

- Eles decidiam e executavam tudo. Nós prestávamos apenas uma espécie de assessoria. Só a operação do software de edição ficou por nossa conta. Ainda assim, também esse processo era dirigido por eles. Tinham autonomia total - explica Rafael Coelho, coordenador do projeto.

A montagem das oficinas, entretanto, foi uma aventura bastante complexa e repleta de obstáculos.

- O surdo tem uma dificuldade incrível de ler e escrever! Não sei como o ministério da educação nunca se deu conta disso - comenta Coelho.

Para superar essa dificuldade, os roteiros criados pelos jovens foram concebidos principalmente a partir de desenhos, e não da palavra escrita.

Os organizadores das oficinas também tiveram que enfrentar o fato de não existirem, em libras (linguagem dos surdos) sinais correspondentes à linguagem audiovisual especializada.

- Termos como flashback, sequência, cena, efeito especial simplesmente não existiam em libras. Tivemos que fazer uma adaptação e criar novos sinais - afirma o coordenador das oficinas.

Segundo Coelho, todo esse trabalho está à disposição de outras organizações que pretendam trabalhar audiovisual com pessoas dotadas de deficiência auditiva.

As oficinas ocorreram em locais onde já existia uma ação voltada para surdos. Enquanto a Escola Estadual Severino Farias, em Surubim, tem uma turma especial para eles, em Nazaré da Mata, onde acabam de ser lançados os filmes, está sediado o Cefras - Centro de Referência em Formação da Criança e Adolescentes Surdos.

Realizadas pela produtora Página 21, as oficinas forma apoiadas pelo Banco do Nordeste e pela Votorantim.

(fotos: divulgação/ Página 21)

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6 de março de 2009

Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo

O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.

Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!

Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.
(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)

A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.

Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.

Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).

- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? - diz André Luiz, o Rapper Pirata, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.

"Cobramos como cidadãos"

Rapper Pirata: "Cobramos como cidadãos"

O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.

Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:

Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?

Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.

Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?

Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?

Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.

Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.

Chegaram a um acordo?

O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.

Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.

Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer?

Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.

"Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"

Pirata: "Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos"

Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?

Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.

Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.

Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.

Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.

Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.

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