Terra Magazine

17 de dezembro de 2009

SP: Grupo de teatro comunitário conta em livro 20 anos de história

Há 20 anos na estrada, o grupo de teatro comunitário Pombas Urbanas lança, neste sábado (19/12), um livro contando as aventuras e desventuras da trupe, cuja longevidade é caso raro no setor cultural brasileiro.

O evento acontece às 20h, no Centro Cultural Arte em Construção (Avenida dos Metalúrgicos, 2.100 - Cidade Tiradentes), espaço multiuso administrado pelo grupo. Esumbaú, Pombas Urbanas! 20 anos de uma Prática de Teatro e Vida, de Neomisia Silvestre, tem distribuição gratuita.

Quem chegar no local com uma hora de antecedência, também pode assistir a apresentação gratuita do espetáculo Histórias Para Serem Contadas, uma das montagens do grupo.

A pedido do Blog das Ruas, Juliana Flory Motta, atriz da trupe teatral, escreveu um texto contando momentos decisivos dessa história, que passeia ludicamente pela cartografia paulistana.

Comemorar 20 anos de grupo Pombas Urbanas

É um prazer, um rito, memória e emoção! Fizemos um projeto e com ele traçamos um plano de retornar a cinco pontos marcantes em nossa trajetória.

São Miguel Paulista, berço do grupo, bairro da zona Leste de São Paulo, culturalmente nordestino, ex-aldeia indígena. Lá, Lino Rojas, diretor fundador deste coletivo, encontrou jovens e adolescentes que seriam Pombas Urbanas na contemporânea Oficina Cultural Luiz Gonzaga, que neste 2009 também completa seus 20 anos de resistência e acesso a atividades culturais dos moradores da zona Leste.

O Pombas Urbanas tem uma história de identidade com São Paulo

O Pombas Urbanas tem uma história de identidade com a cidade de São Paulo

A Avenida São João, centro de São Paulo, na altura do Boulevard e Praça do Correio. Aliás, o prefeito de São Paulo simplesmente retirou o Boulevard São João, uma circunferência de concreto que formava uma pizza que durante décadas foi um espaço importantíssimo de trabalho e manifestação dos artistas de rua. Praticamente um crime cultural.

O calçadão ainda é passarela de ambulantes, trabalhadores, estudantes apressados, mendigos, meninos de rua, executivos, assim como nos anos 1996 a 1998, quando o grupo ali ensaiou e apresentou centenas de vezes o espetáculo Mingau de Concreto.

Tendal da Lapa, antigo matadouro dos Matarazzo, na zona Oeste da cidade, espaço invadido por artistas no início dos anos 1990, onde durante seis anos o Pombas ensaiou, ministrou oficinas, criou e montou o espetáculo Ventre de Lona.

O local resiste como espaço cultural público acessível e abrigo de dezenas de grupos para desenvolverem seus processos artísticos de treino e pesquisa.

Lino Rojas, diretor teatral peruano que fundou o grupo

Lino Rojas, dramaturgo peruano que fundou o grupo

Parque da Água Branca, reduto de natureza e cultura caipira paulistana. De 2001 a 2003, o grupo teve sede e morada na vizinhança da Barra Funda, onde criou o Instituto Pombas Urbanas, tornou-se personalidade jurídica sem fins lucrativos, concebeu e montou os espetáculos Bichos Pela Paz, A Parceria que dá certo, Largo da Matriz e Quadrúpedes Aquáticos.

Junto à emoção de celebrar os 20 anos, o grupo deparou-se com a redescoberta de que esses espaços pudessem manter-se vivos na rotina urbana, espaços de encontro, palcos de tragédias e comédias cotidianas.

A comemoração dos 20 anos nos trouxe resgate e alegria que foram compartilhados com dezenas de jovens da Cidade Tiradentes, bairro periférico do extremo Leste e maior conjunto habitacional da América Latina.

Neste bairro-cidade o grupo passou a desenvolver um intenso processo cultural comunitário, enraizou sua sede-galpão de 1.600 m² e fez-se nova morada de Pombas.

Ali nasceram e cresceram Filhos Da Dita, diversos coletivos de teatro, circo, música, dança e leitura de jovens, adolescentes, crianças e moradores da comunidade (32 mil frequentadores em 2009) que participam e apóiam cada passo da estruturação que faz jus ao nome Centro Cultural Arte em Construção.

E as Pombas Urbanas seguem em frente... para quem sabe mais 20 anos?

E as Pombas Urbanas seguem em frente... para, quem sabe, mais 20 anos?

O grupo viveu muita história, Lino se ocultou, o grupo levantou-se do baque, juntou mãos com gente do bairro, montou o espetáculo Histórias Para Serem Contadas. E também resolveu contar a sua própria história, “parindo” o livro: Esumbaú, Pombas Urbanas! 20 anos de uma prática de teatro e vida.

Ufa! Quanta coisa! São histórias, ações, voos pela cidade de 14 milhões de pessoas e por encontros, sempre guiados pela confiança no coletivo e pelo fazer, o agir, o interesse e o cultivo humano. Pelo teatro de rua se identificam, mas essas pombas bicam de tudo, sentem o sabor, digerem, soltam seu canto.

Juliana Flory Motta, atriz do Pombas Urbanas

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21 de agosto de 2009

BA: Escritor de apenas 10 anos lança segundo livro

O pequeno Gabriel Francisco Maciel é um brasileiro diferente. Aos 10 anos, lê cinco livros por mês, mais do que a média de leitura dos outros brazucas em um ano (4,7 livros/ano, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro). “Eu não resisto a um livro”, diz Gabriel.

Mas a surpresa não para por aí não. Hoje, às 14h, Gabriel lança o seu segundo livro (!) na biblioteca Juracy Magalhães Jr., no bairro do Rio Vermelho (Salvador).

Nada mais apropriado, na visão deste blog, que o título da obra: O Pequeno Grande Herói.

O livro conta a história de Pedro, Juca e Juliana, irmãos que moram numa casa habitada por fantasmas. Mostra a união entre os irmãos e a coragem que será necessária para viverem esta aventura. “Gosto de livros de ação”, conta o autor.

Gabriel tem um currículo invejável. Aos quatro anos, já dominava a arte da leitura e da escrita; aos seis, ganha um concurso de poesia da rede Municipal de ensino. Com oito, lança seu primeiro livro, Histórias do Folclore, na Biblioteca Monteiro Lobato. No mesmo ano recebe a medalha Nosso Talento da Secretaria Municipal de Educação de Salvador.

Um prodígio educado com os melhores e mais caros professores disponíveis? Que nada! Gabriel mora em Mussurunga I, bairro popular de Salvador, e cursa a 6ª série no Colégio Estadual Pinto de Aguiar. Para editar seu último livro, a mãe, Dona Clara, teve que tomar um empréstimo no banco.

- Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção, afirma o autor.

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo no banco

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo

Pergunto a Gabriel se espera vender todas as 500 cópias disponíveis no lançamento (a R$ 10,00 cada), até para poderem pagar o empréstimo. Sereno, o jovem autor responde:

- Se não vender tudo, vamos para o Campo Grande (praça no centro de Salvador) ou para a praia vender o resto. Já fizemos isso o outro [Histórias do Folclore] - diz.

Como toda criança de 10 anos, Gabriel Francisco Maciel não dá respostas longas e nem encumprida o papo. É pá-puff. Leia abaixo a íntegra da entrevista com o surpreendente autor-mirim.

Gabriel, quando você decidiu escrever um livro?

Eu sempre gostei de ler. Aí um dia me deu vontade de escrever o meu próprio livro.

Quantas páginas ele tem? E o anterior?

Histórias do Folclore tem 42 e o esse (O Pequeno Grande Herói) tem 42.

E o que os seus colegas de escola acham disso?

Os garotos de lá não acreditam. Me mãe levou o convite outro dia, mas ninguém liga não.

E que tipo de livros você gosta de ler?

Harry Potter, livros de ação, Hugo, o Homem…

E qual livro você está lendo agora?

Estava lendo Harry Potter e a Ordem da Fênix, mas já acabei.

Você tem ideia de quantos livros você lê por mês? Uns dois?

Devo ler uns cinco por mês. Acho que é isso.

Uau! Você sabia que essa quantidade é bem superior, muito mesmo, à média dos brasileiros?

É, o povo não se interessa pela cultura.

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Como você faz com os livros? Compra, pega emprestado, vai a uma biblioteca…

Normalmente eu compro. Não gosto de pedir coisas emprestado. Mas já usei biblioteca sim. Eu não resisto a um livro.

E você qual é o primeiro livro que você consegue lembrar ter lido?

Hummm (consulta a mãe), é foi esse mesmo: Bazar do Folclore, de Ricardo Azevedo. Eu li quando tinha cinco anos. Tenho até hoje. É um livro muito bom.

Você escreve no papel ou no computador? Quanto tempo levou para escrever O Pequeno Grande Herói?

Escrevo direto no computador. Acho que levei um mês para fazer o livro. Mas demorou demais assim foi mesmo para editar.

E como você faz para editar esses livros? Alguém financia?

Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção. Aí ela teve que pegar um empréstimo no Banco.

São quantas cópias?

São quinhentas cópias.

Acha que vai vender todas no lançamento?

Se não vender, eu e minha mãe vamos para a Praça do Campe Grande ou para a praia vender. Já fizemos isso com o outro.

E você já está planejamento escrever outro?

Não, ainda não pensei em nenhum assunto.

(fotos: ASCOM/ Fundação Pedro Calmon)

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