
O pequeno Gabriel Francisco Maciel é um brasileiro diferente. Aos 10 anos, lê cinco livros por mês, mais do que a média de leitura dos outros brazucas em um ano (4,7 livros/ano, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro). “Eu não resisto a um livro”, diz Gabriel.
Mas a surpresa não para por aí não. Hoje, às 14h, Gabriel lança o seu segundo livro (!) na biblioteca Juracy Magalhães Jr., no bairro do Rio Vermelho (Salvador).
Nada mais apropriado, na visão deste blog, que o título da obra: O Pequeno Grande Herói.
O livro conta a história de Pedro, Juca e Juliana, irmãos que moram numa casa habitada por fantasmas. Mostra a união entre os irmãos e a coragem que será necessária para viverem esta aventura. “Gosto de livros de ação”, conta o autor.
Gabriel tem um currículo invejável. Aos quatro anos, já dominava a arte da leitura e da escrita; aos seis, ganha um concurso de poesia da rede Municipal de ensino. Com oito, lança seu primeiro livro, Histórias do Folclore, na Biblioteca Monteiro Lobato. No mesmo ano recebe a medalha Nosso Talento da Secretaria Municipal de Educação de Salvador.
Um prodígio educado com os melhores e mais caros professores disponíveis? Que nada! Gabriel mora em Mussurunga I, bairro popular de Salvador, e cursa a 6ª série no Colégio Estadual Pinto de Aguiar. Para editar seu último livro, a mãe, Dona Clara, teve que tomar um empréstimo no banco.
- Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção, afirma o autor.

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo
Pergunto a Gabriel se espera vender todas as 500 cópias disponíveis no lançamento (a R$ 10,00 cada), até para poderem pagar o empréstimo. Sereno, o jovem autor responde:
- Se não vender tudo, vamos para o Campo Grande (praça no centro de Salvador) ou para a praia vender o resto. Já fizemos isso o outro [Histórias do Folclore] - diz.
Como toda criança de 10 anos, Gabriel Francisco Maciel não dá respostas longas e nem encumprida o papo. É pá-puff. Leia abaixo a íntegra da entrevista com o surpreendente autor-mirim.
Gabriel, quando você decidiu escrever um livro?
Eu sempre gostei de ler. Aí um dia me deu vontade de escrever o meu próprio livro.
Quantas páginas ele tem? E o anterior?
Histórias do Folclore tem 42 e o esse (O Pequeno Grande Herói) tem 42.
E o que os seus colegas de escola acham disso?
Os garotos de lá não acreditam. Me mãe levou o convite outro dia, mas ninguém liga não.
E que tipo de livros você gosta de ler?
Harry Potter, livros de ação, Hugo, o Homem…
E qual livro você está lendo agora?
Estava lendo Harry Potter e a Ordem da Fênix, mas já acabei.
Você tem ideia de quantos livros você lê por mês? Uns dois?
Devo ler uns cinco por mês. Acho que é isso.
Uau! Você sabia que essa quantidade é bem superior, muito mesmo, à média dos brasileiros?
É, o povo não se interessa pela cultura.

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007
Como você faz com os livros? Compra, pega emprestado, vai a uma biblioteca…
Normalmente eu compro. Não gosto de pedir coisas emprestado. Mas já usei biblioteca sim. Eu não resisto a um livro.
E você qual é o primeiro livro que você consegue lembrar ter lido?
Hummm (consulta a mãe), é foi esse mesmo: Bazar do Folclore, de Ricardo Azevedo. Eu li quando tinha cinco anos. Tenho até hoje. É um livro muito bom.
Você escreve no papel ou no computador? Quanto tempo levou para escrever O Pequeno Grande Herói?
Escrevo direto no computador. Acho que levei um mês para fazer o livro. Mas demorou demais assim foi mesmo para editar.
E como você faz para editar esses livros? Alguém financia?
Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção. Aí ela teve que pegar um empréstimo no Banco.
São quantas cópias?
São quinhentas cópias.
Acha que vai vender todas no lançamento?
Se não vender, eu e minha mãe vamos para a Praça do Campe Grande ou para a praia vender. Já fizemos isso com o outro.
E você já está planejamento escrever outro?
Não, ainda não pensei em nenhum assunto.
(fotos: ASCOM/ Fundação Pedro Calmon)