Terra Magazine

3 de outubro de 2009

BA: Artistas fazem arrastão pela leitura em Salvador

Neste domingo, às 11h, a Praça Almeida Couto, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, recebe o Arrastão Literário, um cortejo de poetas, atores, cordelistas, músicos, escritores e outros artistas ligados ao universo das letras.

À frente do cortejo, o poeta Marcos Peralta revive Castro Alves. No meio, integrantes de bibliotecas comunitárias da capital baiana e professores da Escola Lucinda de Poesia Viva, da poetisa Elisa Lucinda, garantem a animação da comitiva.

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Em sua segunda edição, o Arrastão Literário vai mobilizar as cerca de 1500 pessoas que frequentam a Praça todo domingo para a apresentação do grupo de chorinho Canto da Praça, convidando-as “engrossar” o divertido movimento pela leitura.

O trajeto é muito simples: uma volta na Praça, onde também acontece a I Feira de Livros do comitê soteropolitano do Proler, o Programa de Nacional de Incentivo à Leitura. A Feira de Livros acontece das 9h às 17h e reúne várias editoras e livrarias da cidade, que comercializam obras com preço entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

Vale mencionar ainda que em frente à mesma praça, e não por acaso, funciona a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a primeira biblioteca pública da Bahia a funcionar aos domingos, o que acontece desde cinco de julho deste ano.

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18 de setembro de 2009

AL: Família transforma casa em biblioteca infantil

Imagine uma casa em que todos os cômodos, menos os quartos, são tomados por livros e brinquedos. Uma casa com duas cozinhas, a primeira delas ocupada por uma biblioteca; a outra, por uma brinquedoteca. A sala de jantar e a garagem são usadas como salas de estudos. A sala de visitas, como pinacoteca.

Essa casa existe e fica na periferia de Arapiraca, em Alagoas. “Hoje, para os seus dez moradores, a casa “tradicional” se resume só os quartos, por enquanto”, diz Maria das Neves da Silva, servidora pública municipal e mãe de Clarinha Gonçalves (acima, na foto principal), a maior responsável pela “redecoração” dos ambientes.

Foi por causa da paixão de Clarinha pelos livros que a família começou, até meio sem saber o que estava fazendo, o projeto de transformar a casa numa biblioteca infantil.

- Com cinco meses, ela já dedicava uma atenção especial aos livros. Pouco antes de completar quatro anos, pegava os livros e “lia” pausadamente, como se já fosse alfabetizada. Isso fez com que o pai, a avó e outros membros da família começassem a dar livros de presente - relembra Maria das Neves.

Clarinha adora a casa "diferente". Seus coleguinhas também!

Clarinha adora a casa "diferente". Seus coleguinhas também!

Os livros continuaram chegando e o quarto de Clarinha ficou pequeno. Os presentes foram parar na antiga cozinha da casa e foi assim que nasceu a “Tequinha”, como a família de Clara carinhosamente chama a bibliotequinha da menina.

- É como se eu tivesse duas filhas gêmeas, a Clara e a “Tequinha”. Aqui na cidade não se tem muito lazer. A diversão são os bares e clubes. Não quero isso para minha filha - afirma Maria das Neves.

Daí em diante, a “filha mais nova” da senhora Neves só fez crescer e ocupar mais espaços na casa. Ao ponto da cozinha nova nunca ser inaugurada e virar a brinquedoteca. Atualmente, a família usa a cozinha da tia de Clara, na casa vizinha.

As atividades da biblioteca tomam todos os espaços da casa. Até o jardim.

As atividades da biblioteca tomam todos os espaços da casa. Até o jardim.

Inaugurada há dois anos, a biblioteca serviu também para facilitar a interação de Clara com os amiguinhos.

- Os coleguinhas dela vinham aqui em casa para brincar e, quando chegavam, Clara estava lendo. ‘Volte depois’, eu dizia. Uma amiguinha dela dizia que ‘a Clara só quer brincar de escola’ (risos). O pior é que quando os coleguinhas voltavam ela ainda estava lendo! Então resolvemos pedir para eles entrarem e começarem a ler também - conta a mãe de Clara.

Hoje com 10 anos, a pequena Clara adora a “casa diferente” que tem. Lê cerca de 20 livros por mês. Gosta muito da Coleção do Querido Diário Otário (12 edições) e dos gibis da Turma da Mônica.

- A minha casa é muito legal, assim diferente. Gosto muito da biblioteca e da brinquedoteca. Meus amigos também. Eles não lêem tanto quanto eu, mas também gostam de ler e de vir aqui - conta Clarinha.

Antes de ser inaugurada, a nova cozinha da casa tornou-se uma brinquedoteca

Antes de ser inaugurada, a nova cozinha da casa tornou-se uma brinquedoteca

Atualmente, a casa de Clarinha é aberta à visitação pública, inclusive de escolas da cidade. As visitas de escolas duram em geral uma hora.

- Temos que dar acesso, democratizar o livro. A gente libera tudo: o corredor, o jardim. Queremos que a Tequinha seja um lugar sedutor e aconchegante para criança ler. A gente sabe que a criança quando é estimular desde cedo pode se tornar leitora. E, se deixar, elas ficam o dia todo lá! - afirma Maria das Neves.

Antes de terminar a conversa, Maria das Neves me faz uma última confidência: “Ainda quero fazer uma Cinemateca, será que cabe?”.

(fotos: Acervo Tequinha)

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21 de agosto de 2009

BA: Escritor de apenas 10 anos lança segundo livro

O pequeno Gabriel Francisco Maciel é um brasileiro diferente. Aos 10 anos, lê cinco livros por mês, mais do que a média de leitura dos outros brazucas em um ano (4,7 livros/ano, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro). “Eu não resisto a um livro”, diz Gabriel.

Mas a surpresa não para por aí não. Hoje, às 14h, Gabriel lança o seu segundo livro (!) na biblioteca Juracy Magalhães Jr., no bairro do Rio Vermelho (Salvador).

Nada mais apropriado, na visão deste blog, que o título da obra: O Pequeno Grande Herói.

O livro conta a história de Pedro, Juca e Juliana, irmãos que moram numa casa habitada por fantasmas. Mostra a união entre os irmãos e a coragem que será necessária para viverem esta aventura. “Gosto de livros de ação”, conta o autor.

Gabriel tem um currículo invejável. Aos quatro anos, já dominava a arte da leitura e da escrita; aos seis, ganha um concurso de poesia da rede Municipal de ensino. Com oito, lança seu primeiro livro, Histórias do Folclore, na Biblioteca Monteiro Lobato. No mesmo ano recebe a medalha Nosso Talento da Secretaria Municipal de Educação de Salvador.

Um prodígio educado com os melhores e mais caros professores disponíveis? Que nada! Gabriel mora em Mussurunga I, bairro popular de Salvador, e cursa a 6ª série no Colégio Estadual Pinto de Aguiar. Para editar seu último livro, a mãe, Dona Clara, teve que tomar um empréstimo no banco.

- Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção, afirma o autor.

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo no banco

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo

Pergunto a Gabriel se espera vender todas as 500 cópias disponíveis no lançamento (a R$ 10,00 cada), até para poderem pagar o empréstimo. Sereno, o jovem autor responde:

- Se não vender tudo, vamos para o Campo Grande (praça no centro de Salvador) ou para a praia vender o resto. Já fizemos isso o outro [Histórias do Folclore] - diz.

Como toda criança de 10 anos, Gabriel Francisco Maciel não dá respostas longas e nem encumprida o papo. É pá-puff. Leia abaixo a íntegra da entrevista com o surpreendente autor-mirim.

Gabriel, quando você decidiu escrever um livro?

Eu sempre gostei de ler. Aí um dia me deu vontade de escrever o meu próprio livro.

Quantas páginas ele tem? E o anterior?

Histórias do Folclore tem 42 e o esse (O Pequeno Grande Herói) tem 42.

E o que os seus colegas de escola acham disso?

Os garotos de lá não acreditam. Me mãe levou o convite outro dia, mas ninguém liga não.

E que tipo de livros você gosta de ler?

Harry Potter, livros de ação, Hugo, o Homem…

E qual livro você está lendo agora?

Estava lendo Harry Potter e a Ordem da Fênix, mas já acabei.

Você tem ideia de quantos livros você lê por mês? Uns dois?

Devo ler uns cinco por mês. Acho que é isso.

Uau! Você sabia que essa quantidade é bem superior, muito mesmo, à média dos brasileiros?

É, o povo não se interessa pela cultura.

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Como você faz com os livros? Compra, pega emprestado, vai a uma biblioteca…

Normalmente eu compro. Não gosto de pedir coisas emprestado. Mas já usei biblioteca sim. Eu não resisto a um livro.

E você qual é o primeiro livro que você consegue lembrar ter lido?

Hummm (consulta a mãe), é foi esse mesmo: Bazar do Folclore, de Ricardo Azevedo. Eu li quando tinha cinco anos. Tenho até hoje. É um livro muito bom.

Você escreve no papel ou no computador? Quanto tempo levou para escrever O Pequeno Grande Herói?

Escrevo direto no computador. Acho que levei um mês para fazer o livro. Mas demorou demais assim foi mesmo para editar.

E como você faz para editar esses livros? Alguém financia?

Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção. Aí ela teve que pegar um empréstimo no Banco.

São quantas cópias?

São quinhentas cópias.

Acha que vai vender todas no lançamento?

Se não vender, eu e minha mãe vamos para a Praça do Campe Grande ou para a praia vender. Já fizemos isso com o outro.

E você já está planejamento escrever outro?

Não, ainda não pensei em nenhum assunto.

(fotos: ASCOM/ Fundação Pedro Calmon)

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