Terra Magazine

10 de outubro de 2009

Hoje é o último dia 1ª Feira do Livro Indígena de Mato Grosso

Encerra-se hoje a 1ª Feira do Livro Indígena de Mato Grosso. Durante cinco dias, foram expostos nos três pontos da feira - todos no Centro Histórico da capital do Mato Grossense -, cerca de 200 títulos de autores indígenas regionais e nacionais de 700 etnias.

Durante o evento, lançamentos de diversas obras, desde livros infantis, como “A Palavra do Grande Chefe”, de Daniel Munduruku e Maurício Negro, a obras de não-ficção, como “Os direitos constitucionais dos índios e o direito, a diferença, face ao princípio da dignidade da pessoa humana”, de Samia Barbiere.

A Flimt conta com 27 estandes de editoras e livrarias e oito estandes institucionais, distribuídos no estacionamento do Palácio da Instrução e Praça da República. Há, inclusive, um estande de autores independentes, que escrevem e editam livros por conta própria.

Na programação, além de lançamentos e leituras de livros, encontro de escritores, contação de mitos e histórias, oficinas, palestras, seminários, mostra de vídeos indígenas, saraus e pinturas corporais. As pinturas corporais, aliás, mobilizaram centenas de visitantes, que faziam enormes filas para receberem no corpo desenhos sagrados.

“Cada desenho representa um bicho. Para nós, os animais são sagrados”, explica o índio Umutina Vanilson Zaloizokemae. Vanilson explica que a pintura corporal é feita sempre em ocasiões importantes para a aldeia, como rituais, danças ou guerra.

O evento também foi visto como oportunidade para o lançamento da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e da Academia dos Saberes Indígenas, uma espécie de Academia Brasileira de Letras dos índios, só que com uma diferença conceitual: a instituição pretende mostrar que a literatura indígena vai além do conceito ocidental de escrita, pondo fim à ideia de que só há um tipo de literatura - a escrita e homenageando os velhos contadores de histórias indígenas. O patrono da turma será o ex-deputado Mário Juruna.

Para o encerramento deste sábado, as etnias Umutina, Xavante e Bororo apresentam as danças de seus povos.

Mato Grosso ocupa o segundo lugar do país em populações indígenas e de etnias. Atualmente residem somente no Estado mais de 28 mil índios de 41 etnias diferentes. Há indícios de outros nove povos ainda não contatados e não identificados oficialmente.

Por conta da representatividade dos povos nativos em Mato Grosso, o secretário estadual de cultura, Paulo Pitaluga, garante que esta deve ser a primeira de muitas feiras do livro indígena, tornando-se referência entre os eventos literários realizados no país.

(imagens: divulgação)

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3 de outubro de 2009

BA: Artistas fazem arrastão pela leitura em Salvador

Neste domingo, às 11h, a Praça Almeida Couto, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, recebe o Arrastão Literário, um cortejo de poetas, atores, cordelistas, músicos, escritores e outros artistas ligados ao universo das letras.

À frente do cortejo, o poeta Marcos Peralta revive Castro Alves. No meio, integrantes de bibliotecas comunitárias da capital baiana e professores da Escola Lucinda de Poesia Viva, da poetisa Elisa Lucinda, garantem a animação da comitiva.

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Em sua segunda edição, o Arrastão Literário vai mobilizar as cerca de 1500 pessoas que frequentam a Praça todo domingo para a apresentação do grupo de chorinho Canto da Praça, convidando-as “engrossar” o divertido movimento pela leitura.

O trajeto é muito simples: uma volta na Praça, onde também acontece a I Feira de Livros do comitê soteropolitano do Proler, o Programa de Nacional de Incentivo à Leitura. A Feira de Livros acontece das 9h às 17h e reúne várias editoras e livrarias da cidade, que comercializam obras com preço entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

Vale mencionar ainda que em frente à mesma praça, e não por acaso, funciona a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a primeira biblioteca pública da Bahia a funcionar aos domingos, o que acontece desde cinco de julho deste ano.

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21 de agosto de 2009

BA: Escritor de apenas 10 anos lança segundo livro

O pequeno Gabriel Francisco Maciel é um brasileiro diferente. Aos 10 anos, lê cinco livros por mês, mais do que a média de leitura dos outros brazucas em um ano (4,7 livros/ano, segundo pesquisa do Instituto Pró-Livro). “Eu não resisto a um livro”, diz Gabriel.

Mas a surpresa não para por aí não. Hoje, às 14h, Gabriel lança o seu segundo livro (!) na biblioteca Juracy Magalhães Jr., no bairro do Rio Vermelho (Salvador).

Nada mais apropriado, na visão deste blog, que o título da obra: O Pequeno Grande Herói.

O livro conta a história de Pedro, Juca e Juliana, irmãos que moram numa casa habitada por fantasmas. Mostra a união entre os irmãos e a coragem que será necessária para viverem esta aventura. “Gosto de livros de ação”, conta o autor.

Gabriel tem um currículo invejável. Aos quatro anos, já dominava a arte da leitura e da escrita; aos seis, ganha um concurso de poesia da rede Municipal de ensino. Com oito, lança seu primeiro livro, Histórias do Folclore, na Biblioteca Monteiro Lobato. No mesmo ano recebe a medalha Nosso Talento da Secretaria Municipal de Educação de Salvador.

Um prodígio educado com os melhores e mais caros professores disponíveis? Que nada! Gabriel mora em Mussurunga I, bairro popular de Salvador, e cursa a 6ª série no Colégio Estadual Pinto de Aguiar. Para editar seu último livro, a mãe, Dona Clara, teve que tomar um empréstimo no banco.

- Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção, afirma o autor.

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo no banco

Para editar o livro, a mãe de Gabriel teve que tomar um empréstimo

Pergunto a Gabriel se espera vender todas as 500 cópias disponíveis no lançamento (a R$ 10,00 cada), até para poderem pagar o empréstimo. Sereno, o jovem autor responde:

- Se não vender tudo, vamos para o Campo Grande (praça no centro de Salvador) ou para a praia vender o resto. Já fizemos isso o outro [Histórias do Folclore] - diz.

Como toda criança de 10 anos, Gabriel Francisco Maciel não dá respostas longas e nem encumprida o papo. É pá-puff. Leia abaixo a íntegra da entrevista com o surpreendente autor-mirim.

Gabriel, quando você decidiu escrever um livro?

Eu sempre gostei de ler. Aí um dia me deu vontade de escrever o meu próprio livro.

Quantas páginas ele tem? E o anterior?

Histórias do Folclore tem 42 e o esse (O Pequeno Grande Herói) tem 42.

E o que os seus colegas de escola acham disso?

Os garotos de lá não acreditam. Me mãe levou o convite outro dia, mas ninguém liga não.

E que tipo de livros você gosta de ler?

Harry Potter, livros de ação, Hugo, o Homem…

E qual livro você está lendo agora?

Estava lendo Harry Potter e a Ordem da Fênix, mas já acabei.

Você tem ideia de quantos livros você lê por mês? Uns dois?

Devo ler uns cinco por mês. Acho que é isso.

Uau! Você sabia que essa quantidade é bem superior, muito mesmo, à média dos brasileiros?

É, o povo não se interessa pela cultura.

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Gabriel, no lançamento de seu primeiro livro, "Histórias do Folclore", em 2007

Como você faz com os livros? Compra, pega emprestado, vai a uma biblioteca…

Normalmente eu compro. Não gosto de pedir coisas emprestado. Mas já usei biblioteca sim. Eu não resisto a um livro.

E você qual é o primeiro livro que você consegue lembrar ter lido?

Hummm (consulta a mãe), é foi esse mesmo: Bazar do Folclore, de Ricardo Azevedo. Eu li quando tinha cinco anos. Tenho até hoje. É um livro muito bom.

Você escreve no papel ou no computador? Quanto tempo levou para escrever O Pequeno Grande Herói?

Escrevo direto no computador. Acho que levei um mês para fazer o livro. Mas demorou demais assim foi mesmo para editar.

E como você faz para editar esses livros? Alguém financia?

Mãe até escreveu umas cartas para o Ministério da Cultura, mas ninguém deu atenção. Aí ela teve que pegar um empréstimo no Banco.

São quantas cópias?

São quinhentas cópias.

Acha que vai vender todas no lançamento?

Se não vender, eu e minha mãe vamos para a Praça do Campe Grande ou para a praia vender. Já fizemos isso com o outro.

E você já está planejamento escrever outro?

Não, ainda não pensei em nenhum assunto.

(fotos: ASCOM/ Fundação Pedro Calmon)

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20 de agosto de 2009

Concurso premia contos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros

Tags:, , , - iurirubim às 13:06

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Valdeck Almeida de Jesus de Literatura, iniciativa que vai escolher contos de temática LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) a serem publicados em uma antologia.

O Prêmio Valdeck Almeida de Jesus de Literatura existe desde 2004. Esta é uma edição especial, dedicada ao universo LGBT, simbolizado pela figura do escritor e ganhador do reality show Big Brother Brasil, Jean Wyllys.

Organizado pelo próprio Valdeck Almeida, o concurso tem inscrição gratuita, que deve ser feita até o dia 30 de novembro. Podem participar contistas com obras já publicadas ou não, desde que a obra enviada seja inédita (veja o regulamento).

Cada autor pode inscrever apenas um conto, que deve ser enviado para o e-mail valdeck2007@gmail.com.

Obviamente, serão desclassificados quaisquer contos que tenham algum tipo de discriminação, homofobia, racismo, preconceito ou menosprezo aos homossexuais.

Os doze melhores contos deverão ser editados em antologia organizada pelo escritor Valdeck Almeida de Jesus, sem ônus para os participantes. Cada autor publicado receberá um exemplar do livro pelos correios.

A edição poderá ser lançada nas bienais internacionais do livro da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro, nos primeiros três anos seguintes à publicação.

Além de organizar Prêmios, o próprio Valdeck Almeida já participou de vários concursos e recebeu, em 2008, pela sua “obra literária sobre poesia homoerótica e pela contribuição que vem prestando ao Movimento Homossexual Brasileiro”, o Prêmio Luiz Mott de Cidadania, promovido pelo GLICH - Grupo Liberdade, Igualdade e Cidadania Homossexual.

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19 de agosto de 2009

GO: Festival celebra 120 anos de Cora Coralina

A região cento-oeste festeja hoje a sua maior poetisa. Às 19h, no museu Casa de Cora Coralina, acontece a abertura oficial do Festival Cora Viva Coralina, que vai até o dia 23 de agosto.

A miríade de atrações presente no Festival sugere o alcance da poesia da escritora goiana. Além da esperada declamação de poemas, a Cidade de Goiás ganha roteiros Poético e Gastronômico, alvorada festiva, exposição fotográfica, debate acadêmico, desfile de moda, exibição de vídeos, shows e espetáculos teatrais inspirados na obra de Cora Coralina.

- A cidade inteira está mobilizada para o Festival. Cora viva dizendo que era a geração vindoura que iria entender o significado de sua obra. Ela pensou que a palavra dela seria para o futuro. A semente está florescendo - diz Marlene Vellasco, presidente da Associação Casa de Cora Coralina, que gerencia o museu da poetisa.

Dentre os destaques da programação, estão uma visita pelo Museu Casa de Cora Coralina, guiada e “cantada” pelo músico Daniel Melo, com a apresentação de poemas da escritora; o espetáculo Cora Coralina, Coração Encarnado, eleito pela crítica de O GLOBO como um dos dez melhores espetáculos do ano de 2006; e um show especial de Zeca Baleiro, intitulado: “Minha Cora, minha Coralina, mais de um Goiás de amor carrego, destino de violeiro cego”.

Unindo os dois maiores prazeres de Cora Coralina, escrever e cozinhar, o Festival também promove um recital de poemas aliado à degustação de doces e um roteiro gastronômico que enfatiza comidas da infância de Cor, quando ela ainda vivia na Fazenda Paraíso, como frango caipira e comida de tropeiros. O roteiro gastronômico se permite ainda algumas inovações inspiradas na culinária da época, como a peculiar pizza de pequi.

A poetisa tinha para si que seu maior dom era o de doceira. “A senhora é uma artista, admirável em sua arte, a mais nobre das artes, a da culinária”, disse-lhe em certa ocasião Jorge Amado.

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

Poesia e culinária eram as duas grandes paixões de Cora Coralina

O Festival Cora Viva Coralina comemora, ainda, o Dia do Vizinho, criado pela própria escritora em 1980.

- Cora morou a vida inteira fora de Goiás. Ela dizia que o vizinho é pessoa mais próxima que se tem. Fez inclusive um poema falando sobre isso. Ela dizia sempre que queria que o dia de seu aniversário, diz 20 de agosto, fosse encarado como um dia de confraternização, de partilha com o próximo. Criou então o Dia do Vizinho - explica Marlene Vellasco.

Desde então, a Cidade de Goiás celebra a data. Em 1982, transformou-se em Lei Municipal. Uma grande mesa é montada na porta da igreja e a prefeitura oferece um grande bolo à população. “Mas todos os vizinhos também levam bolos. A cidade inteira espera Dia do Vizinho”, conta Vellasco.

O Festival termina neste domingo na Cidade de Goiás, mas os poemas de Cora Coralina voltam a estar em destaque no dia 28 de setembro, em São Paulo, quando será aberta a exposição Cora Coralina Coração do Brasil, com cenografia de Daniela Thomas, no Museu da Língua Portuguesa.

Até hoje, apenas quatro outros escritores brasileiros ocuparam a sala principal do Museu da Língua Portuguesa: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Gilberto Freyre e Machado de Assis.

A vida começa aos 50

Considerada uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX, Cora Coralina nasceu Ana Lins dos Guimarães Peixoto, em 20 de agosto de 1889, na Cidade de Goiás.

Aos 14 anos, escreveu seus primeiros contos e poemas. Em 1910, aos 21 anos de idade, quando publicou o conto Tragédia na Roça, publicado no Anuário Geográfico e Histórico, passou a ser conhecida pseudônimo Cora Coralina, que usaria para o resto da vida.

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Para Cora, uma mulher a partir dos 50 anos é uma "mulher liberta"

Após um longo período morando em São Paulo, volta a Goiás e à literatura nos anos 50. “Ela dizia que tinha um porãozinho dentro da cabeça. Quando voltou a Goiás, passou a produzir a maior parte de sua literatura”, conta Marlene Vellasco.

Curiosamente, a escritora costumava dizer que uma mulher se liberta quando completa 50 anos. “Ela dizia que, aos 50, já criou filho e neto e vive própria vida, é uma mulher liberta. Aos 70, pode dizer e viver tudo que quiser”, lembra Marlene.

Publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, somente em 1965, aos 76 anos. Alguns anos mais tarde, ao ter sua poesia conhecida e receber elogios de Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina passou a ser admirada por todo o Brasil.

Em 1983, dois anos antes de sua morte, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores.

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