RJ: Viradão Carioca homenageia maestro que estava no voo AF 447
Na noite de ontem teve início o Viradão Carioca, 48 horas seguidas de intensa programação cultural em vários locais do Rio de Janeiro como praças, ruas, teatros, cinemas, bibliotecas, lonas e centros culturais. São shows, peças, concertos, exposições, leituras, performances, filmes, literatura e circo - tudo isso de graça ou a preços populares.
No meio de tão variadas atrações, gostaria de destacar uma delas: a Batalha de MCs, que acontece neste sábado, às 17h.
Mais que uma série de duelos de improvisação dos MCs, a atividade comandada pelo MC Marechal tornou-se uma homenagem ao Maestro Sílvio Barbato, ex-regente da Orquestra Sinfônica Brasileira e do Theatro Municipal do Rio, desaparecido desde o último domingo (31/5) juntamente com os outros passageiros do voo AF 447 da Air France.
Nasce, assim, o Troféu Maestro Sílvio Barbato, a ser conquistado pelo MC com melhor capacidade de improvisação. A Batalha de MCs acontece no Galpão Aplauso (Rua General Luis Mendes de Moraes, 50 - Santo Cristo). A entrada para a Batalha de MCs é 1kg de alimento não perecível.
Essa aproximação entre gêneros musicais tão díspares - o mundo do hip hop e o da música erudita - foi justamente um dos maiores feitos de Barbato, o primeiro regente a conduzir uma orquestra com um DJ de hip hop.
“O maestro falava com muita empolgação desta possibilidade de sincretismo cultural. Era uma pessoa simples, uma pessoa boa” diz em seu blog o DJ Saddam. Segundo o DJ, o Troféu é “uma pequenina homenagem do Hip Hop a este que o sempre defendeu como cultura. O Brasil e o mundo da música perdem um grande nome e eu perco um valoroso amigo”.
E pelo visto esse vínculo estabelecido com o hip hop não foi a única ponte que Barbato construiu com outros gêneros musicais. Em sua coluna no Yahoo!, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura que em 2008 tocou num concerto sinfônico regido pelo maestro, afirma:
- Eu comecei a admirar muito o maestro por sua postura em relação à música. Geralmente, grandes maestros não são favoráveis à junção da música erudita com outros estilos. Na verdade, existe um grande preconceito por parte deles, muitos desprezam outras maneiras de expressão musical. O Silvio não. Ele era muita aberto a novos experimentos, mantendo a classe e a técnica da música erudita, mas sempre buscando novos caminhos. Ele me deixou muito à vontade e, apesar de ter sido a primeira vez que eu tocava com uma orquestra, estava muito confiante. Foi uma experiência inesquecível!
O tenor Thiago Aracam, que conviveu e era amigo de Silvio Barbato, também publicou uma homenagem a ele em seu perfil do orkut (de onde foram extraídas as fotos desta matéria). Ele diz: “O Brasil e o mundo inteiro perderam um grande musico, eu perdi um grande amigo. Lamento este momento de profundo dor e enorme saudades, que nunca vai desaparecer”.

