Terra Magazine

12 de agosto de 2009

MS: Vídeo Índio Brasil projeta indígenas nas telonas

O Festival Vídeo Índio Brasil 2009, que acontece até o dia 16, chega a sua segunda edição com projeções em aldeias e localidades de sete cidades do Mato Grosso do Sul, onde vive 10% dos cerca de 700 mil indígenas brasileiros.

O evento, realizado pelo Pontão de Cultura Guaicuru, valoriza a presença das muitas populações e etnias indígenas na telona como forma de difundir a cultura indígena no Brasil.

São cerca de 285 atividades entre seminários, debates, exposições, exibições de filmes e uma oficina de produção de vídeo para indígenas.

Quarenta filmes serão exibidos em 16 localidades diferentes de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Sidrolândia, Caarapó, Bonito e Coxim.

“A cultura indígena é a base da diversidade cultural brasileira. Nós, da cultura, queremos um País multicultural, e o Vídeo Índio Brasil quer revelar essa multidiversidade”, disse Andréa Freire, a coordenadora do Vídeo Índio Brasil 2009, na abertura do festival, na última segunda-feira.

Entre os destaques da programação, duas produções de atores globais: os documentários “Hotxuá”, de Letícia Sabatella, e “Expedição A’uwê, A Volta do Tsiwari”, de Marcos Palmeira e Laine Milan.

Enquanto o primeiro conta a história de Hotxuá, o palhaço sagrado da tradição dos índios Krahô, do Tocantins, o filme de Marcos palmeira retrata a vida de 400 pessoas na Terra Indígena Parabubure, no Mato Grosso, onde vivem Xavantes das aldeias São Pedro e Onça Preta.

Como não poderia deixar de ser, o Festival também exibe várias produções de cineastas indígenas, entre elas: “Bakororo Itubore, Ure Boe Ero Towujewuge, Legisladores Bororo”, de Paulinho Kadojeba, sobre um rito que representa os criadores das regras sociais da sociedade Bororo; “Um Olhar Sobre Ñhandereko”, de Sandra Terena e Aline Pereira, sobre o contato da população da aldeia Mbyá Pindoty, na Ilha da Cotinga (litoral paranaense) com o homem branco; “Tsõ’rehipãri, Sangradouro”, de Divino Tserewahú e Tiago Campos Tôrres, sobre a relação entre um grupo Xavante e a missão Salesiana de Sangradouro; e “Pi’õnhitsi, Mulheres Xavante Sem Nome”, dos mesmos autores, que tentam produzir um filme sobre ritual de iniciação feminina xavante.

Seja como autores das obras, seja como personagens principais de produções não-indígenas, os povos nativos brasileiros passam a ocupar um dos principais espaços de afirmação cultural contemporânea, o audiovisual.

Infelizmente, ainda hoje isso pode causar estranhamento a muitas pessoas, que vêem algo de impróprio na relação entre indígenas e uma câmera de vídeo.

É triste imaginar que esta ou outras notícias sobre o tema podem gerar comentários para lá de preconceituosos como “E índio faz filme?” ou “Lugar de índio não é na aldeia?”.

Quando vamos nos acostumar a esta cena no cinema?

Quando vamos nos acostumar a esta cena no cinema?

Em resposta a esse tipo de pensamento, o seminário “A Imagem dos Povos Indígenas na Mídia” faz parte da programação do Festival. Todas as manhãs até o dia 16, No CineCultura, em Campo Grande, cineastas e personalidades, indígenas ou não, discutem vários tópicos relacionados à imagem dos povos nativos - ou a ausência dela - construída pelos meios de comunicação.

A primeira edição do Vídeo Índio Brasil aconteceu no ano passado em Campo Grande, Corumbá e Dourados.

As atividades atingiram de forma direta mais de 10 mil espectadores nas três cidades, em oito locais, com grande repercussão em todo o País.

O Vídeo Índio Brasil 2009 é organizado pela Associação Cultural Oficina de Criação / Pontão de Cultura Guaicuru em parceria com o CineCultura, a Associação Amigos do CineCultura, a Funai, a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura e o Ministério do Turismo.

(imagens: Ministério da Cultura [1]; Vídeo Índio Brasil [2, 3])

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