Terra Magazine

17 de outubro de 2009

AC: Começa II Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores

Que tal participar de um campeonato brasileiro de… escalada em árvores? Isso mesmo. O Campeonato não apenas existe, como começa hoje, no Parque urbano do Tucumã em Rio Branco, capital do Acre.

Em sua segunda edição, o Campeonato Brasileiro de Escalada em Árvores é organizado pelo Governo da Acre e pela Prefeitura de Rio Branco, em parceria com a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) e a International Society of Arboryculture (ISA). O evento dura dois dias: 17 e 18 de outubro e antecede o 13º Congresso Brasileiro de Arborização Urbana (CBAU), que acontece em seguida.

A competição é destinada à arboristas, coletores de sementes, epífitas e bromélias e orquídeas e praticantes de rapel, bem como pesquisadores da flora e fauna do dossel e pessoas que trabalham com a escalada como técnica de acesso a árvores de grande porte. Para participar, é necessária a inscrição no site do evento e o pagamento da taxa de R$ 75,00.

Os competidores inscritos têm a oportunidade de visitar a Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, e hospedar-se na Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira, onde podem escalar imensas árvores amazônicas como a Samaúma e Castanheira, entre outras espécies, que chegam a medir até 50 metros de altura.

Você teria coragem de subir numa dessas?

Você teria coragem de subir numa dessas?

Para o torneio, os competidores levam seus próprios equipamentos de segurança: capacete, óculos de proteção, corda de segurança, mosquetões de no mínimo duas seguranças, sistema autoblocante e cinto específico de arborista. Todo esse equipamento é devidamente inspecionado pela comissão organizadora em reuniões prévias.

O Campeonato é realizado em duas etapas (Conheça as regras). A primeira fase, seletiva, acontece hoje. Nela, os participantes executam três modalidades: o Footlock, técnica de escalada que utiliza corda e travamento de pés para a ascensão; o Resgate em Altura, que mostra a habilidade do competidor em resgatar um trabalhador de árvore ferido, utilizando todas as técnicas de segurança; e o Deslocamento em Copa, onde é feita a locomoção e caminhada pelos galhos das árvores. Para ver a programação completa, clique aqui.

Vão para a etapa final os competidores que realizarem as modalidades de acordo com as normas corretas de escalada, sem danos às árvores, no menor tempo. Na segunda fase, dia 18, os finalistas irão executar apenas o deslocamento na copa de árvore, seguindo os mesmos critérios de avaliação.

E então, esse campeonato é para você? Comente.

(fotos: Arquivo Secom/ Governo do Acre)

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2 de outubro de 2009

Em Sagarana (MG), Festa Guimarães Rosa alia cultura e sustentabilidade

Primeiro assentamento de reforma agrária de Minas Gerais, criado há cerca de 30 anos, o pequeno distrito de Sagarana, no município de Arinos (Noroeste de Minas Gerais), realiza neste mês a segunda edição da Festa Guimarães Rosa.

Também conhecido por Sagarana: Feito Rosa para o Sertão, o evento busca promover o desenvolvimento sustentável com base na preservação do meio ambiente e no patrimônio cultural da região.

O grande sertão exibe as suas veredas

O grande sertão exibe as suas veredas

- A nossa proposta é fortalecer a identidade cultural do Vale do Urucuia, entendida por nós como elemento potencializador do desenvolvimento sustentável do território. Um dos desafios é que as pessoas se reconheçam como sertanejos, que valorizem essa cultura e melhorem a avaliação que têm do sertão. - explica o deputado estadual Almir Paraca, idealizador da Festa.

Durante quatro dias de programação inteiramente gratuita (9 a 12/10), oficinas de linguagens artísticas (como artes cênicas, mímica e fotografia) dividem o espaço com oficinas de produção rural e meio ambiente (como moagem de cana, fabricação de calhas coletoras de água etc.).

saberes repassados por gerações

A receita da rapadura artesanal: um conhecimento repassado por gerações

Há, ainda, oficinas que exaltam o sagrado e os conhecimentos tradicionais, como contação de histórias; jogos, brinquedos e artesanato e danças circulares.

A programação da Festa Guimarães Rosa inclui também multirão de fiandeiras, apresentação de catira e folia de reis, balaio de poesias, encontro de carreiros (”motoristas” de carros de boi) e uma cavalgada.

Tudo isso integrado com uma articulação de instituições e lideranças locais pelo desenvolvimento da bacia do Rio Urucuia - que abrange 11 municípios (10 de Minas e um de Goiás). Agricultura familiar, tecnologias sociais e como integrar esses temas à cultura local são os principais pontos de pauta das rodas de conversa.

As fiandeiras também são patrimônio cultural do sertão

As fiandeiras também são patrimônio cultural do sertão

Sagarana: Feito Rosa para o Sertão foi concebido em 2008 como uma homenagem ao centenário do escritor, cuja obra sintetiza e fortalece a identidade cultural do território. “Guimarães Rosa ajuda a gostar do sertão, a valorizar o sertão, a cultura e esse ambiente”, opina o deputado Paraca.

Nada mais adequado para um local cuja próprio nome remete aos textos do escritor. “Com certeza foi uma referência, pois ‘Sagarana’ foi um nome inventado por Guimarães Rosa. Não tem como ser outra coisa”, afirma, categoricamente, Almir Paraca.

Os carros de boi estão desaparecendo, mas alguns resistem em Sagarana

Os carros de boi estão desaparecendo, mas alguns resistem em Sagarana

No ano passado, cerca de 600 visitantes estiveram na localidade, que fica a 700km de Belo Horizonte e 240km de Brasília. “No primeiro evento houve um certo distanciamento da comunidade, que não participou intensamente. Um pouco de mineirice”, conta o deputado.

Nesta edição, porém, o cenário é outro. Há muito mais mobilização e, como consequência, o distrito deve receber cerca de três mil pessoas (mais de sete vezes a população local).

Para acomodar tanta gente, os moradores de Sagarana estão abrindo as portas das casas e realizando a chamada hospedagem solidária. Um camping também foi colocado à disposição dos visitantes, ansiosos, por ver, quem sabe, alguns frutos das invencionices de Guimarães.

(fotos: Lidyane Ponciano)

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22 de setembro de 2009

Estacionamentos viram “vagas vivas” no Dia Mundial Sem Carro

Hoje é o Dia Mundial Sem Carro. O dia 22 de setembro é reconhecido internacionalmente como a data em que pessoas de todo o planeta se esforçam para deixar seus veículos em casa e deslocar-se apenas usando transportes públicos ou não-motorizados.

Mais que produzir uma redução significativa nas emissões de carbono, a data tem um objetivo didático: provar que é possível utilizar bem menos os automóveis, reduzindo os engarrafamentos, a poluição e as emissões de carbono e - por quê não? - o nosso stress do dia-a-dia.

Criado nos últimos anos do século passado em várias cidades européias, o Dia Mundial Sem Carro cruzou fronteiras e oceanos, tornando-se um evento realizado em dezenas (centenas, talvez?) de cidades de todos os cinco continentes.

No Brasil, várias organizações, como a Nossa São Paulo, Fundação SOS Mata Atlântica, Bicicletada (acontece uma edição especial para a data), Moutain Bike BH, apenas para citar algumas, têm atividades agendadas.

Como não poderia deixar de ser, o Greenpeace também preparou uma ação especial para o Dia Mundial Sem Carro. Em oito capitais brasileiras - São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Recife - vagas de estacionamento na rua são ocupadas por pessoas e transformadas em “vagas vivas”.

Barracas de camping, distribuição de sementes e mudas e até almofadas para leitura ocupam as oito vagas Rua da França (bairro do Comércio), em Salvador. Essas são algumas das vagas mais disputas da capital baiana no horário comercial.

- Essa manifestação não está lá para provocar atitude violenta, agressiva, mas queremos mostrar que as pessoas têm condição de transitar a pé, andar de bicicleta, de ônibus. Tem muita gente na região que poderia não usar o carro - argumenta Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace, que foi à capital baiana organizar a manifestação.

Os cerca de dez voluntários da ONG no local vão apresentar o Dia Mundial Sem Carro a motoristas e pedestres e tentar engajá-los no movimento. O mesmo formato se repete nas outras capitais.

O que você vai fazer no dia mundial sem carro?

O Blog das Ruas aproveitou para perguntar a diversas pessoas o que elas vão fazer no Dia Mundial Sem Carro. Caso interesse, este blogueiro vai resolver seus aferes a pé, de busão (como é chamado o ônibus aqui em Salvador) e de carona.

Liliane Reis, apresentadora do programa Atitude.com (TV Brasil):
“Yes, babe! nós e espero boa parte do mundo! vou de bike, mas tb de metro pra driblar o engarrafamento do rio q é punk!”

Mariana Neri, webdesigner:
“Eu vou andar de ônibus, como todo dia :B”

Cecília Sardemberg, pesquisadora e professora universitária:
“Eu não tenho carro há muito tempo. Sai muito mais barato andar de taxi…”

Sérgio Britto, músico e fotógrafo:
“Hehehehe, dia mundial sem carro? Isso é todo dia pra mim. Vejamos, nesse dia eu vou pegar ônibus, depois não diga que eu não sou engajado”

Sílvio César Tudela, jornalista:
“Eu nunca tive carro e vou a pé- ou de bike - para o meu trabalho… O que seria uma tragédia para os dias atuais, pode ser uma solução em tempos de aquecimento global…”

Tiago Bugarin, programador:
“Morador de Itapoã e trabalhador do Pelourinho, tenho apenas um ônibus até a Praça da Sé, um até o Campo Grande e um até a Lapa. Ir de bicicleta não é uma possibilidade agora tanto pelo despreparo físico quanto pelas dificuldade de acomodar o veículo no trabalho como também pela insegurança para os ciclistas em alguns trechos do trajeto.

Ir de carro não é uma possibilidade pelo custo elevado do combustível e pelo estresse que é dirigir nessa cidade, principalmente para quem tem que passar pelo Centro, Rio Vermelho, Pituba, Paralela e/ou Iguatemi.

Portanto, pra mim, o Dia Mundial Sem Carro será só mais um dia frustrante de tráfego pela cidade, com poucos ônibus que me atendam, caros e desconfortáveis. (e os motoristas dos mini-ônibus? insanos!)”

Depoimentos de fora do país

Também recebi depoimentos de outras duas brasileiras, que vivem em Buenos Aires e Montreal, respectivamente:

Clarice Val (Buenos Aires):
“Muito legal esse tema, vou lhe dizer que tenho o privilégio de viver em uma cidade na qual carro é totalmente dispensável, pois o transporte público funciona, isso é incrível.

Em Buenos Aires você pode se dar o luxo de não ter carro se viver na capital, pois há metrô conectando a cidade toda, trens urbanos que realmente funcionam, além do bom e velho busu (sem cobrador, aqui), que serve bastante bem à população, melhor inclusive que em muitas capitais da Europa. segundo quem já viajou e observou.

Você acredita que um ônibus de madrugada demora 20 minutos pra passar, se muito? Eu disse de madrugada, depois da meia-noite. E durante o dia é comum ver pessoas engravatadas usando transporte coletivo, coisa bastante pouco comum no Brasil.

Enfim, mais que um dia mundial, a dispensa do uso do carro depende, e muito, do serviço de transporte coletivo nas grandes metrópoles, e das cidades estarem preparadas para o uso de bicicletas, coisa que a maioria não está. Nossa lógica continua sendo pretrolífera, e é preciso escassez do óleo preto para que isso mude, pelo visto! Mas é bom mudar antes, pois senão dentro de pouco teremos que viver em barcos, hehe”.

Camila Novais (Montreal):
“A prefeitura aqui de Montreal, no Canadá, também adere à data. Algumas ruas da cidade (posso garantir pelo menos uma relativamente importante no centro da cidade) vão ficar bloqueadas. Tô bem por fora dessa data (se é algo com a participação das prefeituras ou um movimento individual de cada cidadão), mas achei bem legal a cidade aderir”

E você, o que você vai fazer no Dia Mundial Sem Carro?

(imagens:crédito: imagem Blógol [1]; Até onde deu para ir de bicicleta [2]; Blog Ecologia Urbana [3])

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19 de setembro de 2009

“Não sei se existe evento como a Virada Esportiva no Planeta”, diz Secretário de Esportes de SP

Começou a Virada Esportiva. Das 10h de hoje às 20h deste domingo (20/09), ginásios, ruas, parques e praças da cidade de São Paulo vão estar tomados por esportistas regulares, de final de semana e até mesmo baladeiros.

A expectativa da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, que organiza o evento, é de que 2,5 milhões de pessoas participem da Virada 2009, que terá duas mil atividades em mais de mil locais. Confira a programação.

O Blog das Ruas entrevistou o secretário de esportes Walter Feldman, idealizador da Virada Esportiva, que desde 2007 acontece na capital paulista.

Praticamente assíduo de esportes, o secretário publica em seu blog pessoal o roteiro que irá seguir  durante a Virada Esportiva, que classifica como um evento espórtivo único no mundo.

- É um evento de dimensões exemplares. Não sei se existe evento esportivo dessas dimensões planeta. Com centenas de atividades acontecendo simultaneamente, em toda a cidade, e a participação de algo entre dois a três milhões de pessoas. É uma grande vitrine. Tem muita atividade esportiva. Seguramente uma delas se encaixa no perfil de quem ainda não pratica esportes - afirma.

Na esteira da Virada Esportiva, encontra-se a intenção de “transformar São Paulo na capital brasileira do esporte”.

Segundo Feldman, a capital paulista faz do esporte hoje uma política pública prioritária. “É um fato quase inédito no Brasil. Tenho quatro vezes o orçamento de meu antecessor”, destaca.

O Secretáriod e Esportes de São Paulo, em trajes pouco adequados à atividades esportiva

O Secretário de Esportes de São Paulo, em trajes pouco adequados à atividades esportiva

O secretário relata a mudança de perfil da secretaria, cujas atividades, na sua opinião, se reduziam a “eventos e apoio ao futebol profissional”.

- Agora a Secretaria de Esportes passou a investir pesadamente no esporte amador e no estímulo à atividade física pelo cidadão comum como instrumento de melhoria da educação, da saúde e do convívio comunitário, o que funciona para reduzir a criminalidade - argumenta Walter Feldman.

O secretário também não se esquiva em falar da dívida que a capital paulista tem com a construção de ciclovias e facilitação do transporte através de meios não-motorizados.

- São Paulo deve demais nesse aspecto! Sabe qual é o meu sonho? Que a ciclofaixa possa abrir as portas da cidade para um modelo que priorize atividades não-motorizadas para não apenas como lazer, mas como meio de transporte. Existe na cidade um enorme potencial que ainda não foi explorado.

Leia abaixo a íntegra da entrevista.

Secretário Feldman, para começar, quais esportes o senhor pratica?

Gosto muito de corrida de rua. Também faço ginástica, musculação, alongamento; atividades aeróbicas. Jogo futebol, ando de bicicleta. Agora mesmo no final de semana passado, dei duas pedaladas.

Mas estou procurando um esporte que seja mais competitivo. Talvez faça squash. Eu tenho um jeito brincalhão, o lado menino muito forte, de onde tem esporte eu quero participar.

A canoagem é uma das mais de duas mil atividades previstas na Virada Esportiva

A canoagem é uma das mais de duas mil atividades previstas na Virada Esportiva

Foi o senhor que idealizou a iniciativa da Virada Esportiva, em 2007. Qual é o principal ganho que ela pode trazer?

Existem dois objetivos estratégicos por trás da Virada: tornar a capital paulista uma cidade saudável e transformar São Paulo na capital brasileira do esporte.

A Virada Esportiva é um evento de dimensões exemplares. Não sei se existe evento esportivo dessas dimensões planeta. Com centenas de atividades acontecendo simultaneamente, em toda a cidade, e a participação de algo entre dois a três milhões de pessoas. É uma grande vitrine. Tem muita atividade esportiva. Seguramente uma delas se encaixa no perfil de quem ainda não pratica esportes.

O problema é que nós fomos culturalmente treinados a gostar apenas de futebol. E o pior: sabemos hoje que o futebol é muito mais assistido do que praticado.

Mas não é meio estranho propor uma “virada” para os esportes, cuja realização depende também de noites bem dormidas?

Nós não estamos propondo isso todas as noites. A Virada é um choque de atividades esportivas para, a partir daí, a pessoa programar atividades regulares duas ou três vezes na semana.

Também existe outro dado. São Paulo é uma cidade 24h. Temos iluminado muitos campos e percebemos que existe um espaço de tempo do trabalhador que pode ser aproveitado para atividades que não sejam chegar em casa e ver TV. Eles fazem um uso extraordinário desses equipamentos.

Agora a Virada também tem algumas atividades que não são exatamente saudáveis, como os “esportes boêmios”…

De fato, elas são muito pouco saudáveis, assim, praticadas no bar. Mas você tem também tem que entrar na característica da cidade. Não pode ser cara chato, pregando a atividade esportiva. Tem que ser meio: “olha, se você não quer, terá uma opção de atividade coletiva também”. E tem o aspecto de emoção, convivência, da relação que é você ir para a rua com seu vizinho, com um companheiro. Quando se vive para fora a vida comunitária acontece.

Para Feldman, patins e bicicletas devem ser usados também como meio de transporte

Para Feldman, patins e bicicletas devem ser usados também como meio de transporte

Existem alguns estudos que comprovam que jogos de cartas, por exemplo, contribuem para um envelhecimento mais saudável.

Por causa da convivência. São os chamados “esportes mentais”. Veja o truco hoje. É uma febre no mundo universitário.

Mudando um pouco de direção, me parece que as políticas para o esporte são sempre episódicas e pouco ousadas. Quais são as políticas ousadas de São Paulo para os Esportes?

São Paulo faz do esporte hoje uma política pública prioritária. É um fato quase inédito no Brasil. Tenho quatro vezes o orçamento de meu antecessor. Fizemos reformas de 320 equipamentos esportivos na cidade. Criamos o programa social clube-escola. Estamos realizando os Jogos da Cidade, o maior campeonato amador do Brasil. Só para você ver, o site que acompanha o evento já teve 21 milhões de acesso.

Na verdade, a Secretaria de Esportes deixou de apenas promover eventos e apoiar o futebol profissional. Embora seja um evento, a Virada está conectada com toda uma política esportiva.

São Paulo hoje faz do esporte uma política pública prioritária. A Secretaria de Esportes passou a investir pesadamente no esporte amador e no estímulo à atividade física pelo cidadão comum como instrumento de melhoria da educação, da saúde e do convívio comunitário, o que funciona para reduzir a criminalidade.

Também vamos implantar uma rede de esportes olímpicos para que existam triagens e parte desse universo caminhe para o esporte alto rendimento.

Ainda assim, o senhor não acha que, mesmo levando em conta a recente implantação da ciclofaixa de lazer, a cidade de São Paulo ainda deve muito para quem deseja usar bicicleta e outros meios de deslocamento não-poluentes, como patins?

São Paulo deve demais nesse aspecto! Sabe qual é o meu sonho? Que a ciclofaixa possa abrir as portas da cidade para um modelo que priorize atividades não-motorizadas para não apenas como lazer, mas como meio de transporte. Existe na cidade um enorme potencial que ainda não foi explorado.

Mas isso está mudando. O Serra já autorizou a implantação de ciclovias na marginal pinheiros. A prefeitura também está construindo mais ciclovias. Lançamos recentemente a ciclofaixa, que une os Parques os Parques das Bicicletas, do Ibirapuera e do Povo Ibirapuera e o Parque do Povo. Política maior. Daqui a um ano, já teremos 100 km de ciclofaixas.

Além disso, a nossa ideia é que domingo é o dia das pessoas. No domingo, elas vão para rua, se apropriam dos espaços públicos e usam o fim de semana para se renovar para enfrentar o tempo do trabalho.

(fotos: Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo [1;3;4]; Dibjr [2])

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10 de setembro de 2009

DF: Grito do Cerrado exige uso sustentável do 2o. maior bioma do país

Na manhã desta sexta-feira, o Dia do Cerrado (11/9), a Esplanada dos Ministérios assiste a um espetáculo que já está se tornando uma tradição: a corrida de toras realizada entre as diversas etnias de povos indígenas do Cerrado.

Mas se engana quem pensa que a competição é apenas uma exibição da biodiversidade do segundo maior bioma brasileiro. Ela, na verdade, é o ritual de abertura do Grito do Cerrado, uma manifestação pacífica de povos indígenas, quilombolas, geraiszeiros, agroextrativistas, quebradeiras de coco, pescadores artesanais, assentados da reforma agrária; enfim, dos diversos povos que habitam os quase dois milhões de km² onde se encontra o Cerrado brasileiro.

Logo após a corrida das toras, os manifestantes partem em direção ao congresso nacional - a organização do evento espera reunir pelo menos duas mil pessoas na passeata.

Ao longo da caminhada, o Movimento Cerrado Vivo de Brasília organiza o SOS Cerrado, uma formação composta por centenas de pessoas no gramado da Esplanada dos Ministérios.

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios tornou-se um ritual de abertura do Grito do Cerrado

A corrida de toras na Espalnada dos Ministérios abre o Grito do Cerrado

No Congresso, parlamentares - dentre eles o presidente da Câmara, deputado Michel Temer - recebem a Carta do Cerrado, que também será entregue ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

O documento considera os posicionamentos políticos e as reivindicações da Rede Cerrado, composta por centenas de organizações que representam os povos do bioma. em relação às políticas públicas de proteção ao bioma e sua população.

Embora a Carta do Cerrado ainda esteja sendo redigida, o Blog das Ruas entrevistou Carlos Dayrell, integrante da equipe Rede Cerrado, que organiza a mobilização, e do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, que destacou algumas questões cuja presença no documento é certa.

A primeira delas é a ênfase na situação crítica em que o Cerrado e os povos que o habitam se encontram. Grande reserva de biodiversidade (5% das espécies do planeta), cuja importância é comparável à da Amazônia, “o Cerrado encontra-se massacrado e constantemente violentado pela frente agrícola”, afirma Dayrell.

Segundo o ativista, para ter uma dimensão correta do problema, é preciso enxergar também as novas ameaças ao bioma: o avanço da demanda dos biocombustíveis (”particularmente o etanol”); o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal (”está acelerando o processo de destruição do Cerrado”); e o sistema de créditos de carbono que, na visão do membro da Rede, pode “transformar o Cerrado na lixeira do mundo global, sem diversidade e com grandes monoculturas de eucalipto”.

Junto ao processo de degradação ambiental, vem a expulsão das comunidades tradicionais, que aprenderam, ao longo de muitas gerações, a conviver harmoniosamente com o bioma.
E é justamente das experiências dessas comunidades, muitas delas com integrantes na Rede cerrado, que vêm as sugestões da Carta do Cerrado para o uso sustentável do bioma.

- São tradições milenares quando falamos dos indígenas e seculares quando nos referimos aos povos quilombolas e extrativistas. Existe uma lógica de convivência com o Cerrado que é benéfica para as pessoas e para a natureza - afirma o membro da rede Cerrado.

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Uma das edições anteriores do Grito do Cerrado

Um dos maiores passos nesse direção seria a aprovação da PEC do Cerrado, que tramita há 14 anos no congresso nacional.

- Caso ela seja aprovada, não apenas os territórios das populações nativas como também seus conhecimentos vão ser reconhecidos. Poderemos estimular economias agroextrativistas, nas quais é central o aproveitamento de frutos, madeiras e mesmo plantas medicinais - conclui Carlos Dayrell.

Encontro e Feira dos Povos do Cerrado

O Grito do cerrado faz parte do VI Encontro dos Povos do Cerrado, que ocorre em Brasília, entre 9 e 13 de setembro. Durante todo o período do encontro acontecem apresentações culturais e uma feira com mais de 100 estantes expõe e comercializa os produtos advindos do bioma - frutos, flores, artesanatos, alimentos, entre outros (veja a programação).

Ainda durante o VI Encontro, acontece o Festival Gastronômico do Cerrado, no qual os presentes podem degustar pratos, receitas e alimentos típicos do bioma.

(fotos: Rede Cerrado [1,2]; reprodução [3])

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1 de setembro de 2009

SP: Começa a 5a. edição do festival ecológico Ecosystem

Pela quinta vez, DJs internacionais deixam de cobrar cachê para participar do Ecosystem, festival ecológico de música eletrônica.

Criado em 2005 pelo DJ Carlos “Soul” Slinger, é considerado um dos eventos pioneiros no engajamento da juventude para defesa do meio ambiente e dos direitos humanos. Sob a supervisão do Greenpeace, responsável pela eco-visão que norteia o evento, jovens e DJs reuniram-se a indígenas, celebrando a proteção à natureza.

As três primeiras edições do Ecosystem ocorreram na Amazônia (Manaus) e a quarta, em Brasília. Esta é a primeira vez que o evento vai para São Paulo.

O Ecosystem 5.0 mantém a fórmula de misturar diversão e música a palestras sobre as diversas perspectivas de sustentabilidade. No comando das pick-ups, gente como o duo Air Liquide; Tc Izilam e DJ Wesnesday, além dos DJs brasileiros Soul Slinger e Bell Mesk.

Algumas das atividades do Ecosystem acontecem no espaço Matilha Cultural!, por ocasião do Setembro Verde. Dentre elas, uma mostra de filmes ambientais - com curadoria coletiva das ONGs e grupos envolvidos - e workshops com DJ G. Brown (Hip Hop), SPLURT (Reggae).

O clímax do Festival, a festa de encerramento, acontece no dia seis de setembro, na Casa das Caldeiras.

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22 de agosto de 2009

Contra energia nuclear, pessoas simulam estar mortas no asfalto

Tags:, , , - iurirubim às 7:00

Nas cidades de Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro, exatamente às 10h deste sábado, o promove uma GreenpeaceFlashmob - mobilização relâmpago - na qual as pessoas vão deitar no asfalto e fingir estar mortas.

O objetivo da mobilização é protestar contra a parceria entre França e Brasil na área de energia nuclear.

O evento, que ganhou o apelido “flash mob die in”, por conta da morte coletiva simbólica, é reconhecido pela própria organização como “o primeiro flash mob do Greenpeace no Brasil”.

Pelo visto, parece ser uma nova forma de protesto a ser usada pela organização internacional para defender as causas ambientais.

Moda em todo o mundo, a flashmob se baseia na mobilização coletiva, aparentemente casual e espontânea. Nos tempos de “febre”, muitos cruzamentos, espaços públicos e até lojas de departamento eram invadidas por dezenas ou mesmo centenas de pessoas com atitudes coreografadas.

Quantas pessoas deitam no asfalto hoje? Você vai?

Pontos de encontro:
São Paulo - Lado de fora da estação do METRÔ BRIGADEIRO
Rio de Janeiro - Lado de fora da estação do metrô da Carioca (Av. Chile)
Salvador - Na frente do Colégio Sartre Coc da Graça

(foto: reprodução)

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22 de julho de 2009

SP: Ação civil pública pode interromper obras da Nova Marginal Tietê

Após a polêmica derrubada de árvores centenárias, as obras da Freeway da Marginal Tietê voltam aos holofotes.

Desta vez, um pedido de liminar, impetrado pelo Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo com o apoio de mais cinco entidades, no dia 16 de julho de 2009, pode provocar a interrupção imediata da obra. Hoje, inclusive, expira o prazo para que o governo da capital paulista responda aos questionamentos da ação.

Entre os vários pontos abordados, está o questionamento sobre a competência para a elaboração do EIA (Estudo de Impacto Ambiental).

O estudo atual foi produzido pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo, num período de tempo considerado bastante célere (seis meses) e com a realização de apenas uma audiência pública.

O governo municipal alega que, como é uma obra de impacto apenas no município de São Paulo, caberia a prefeitura conceder o parecer.

Entretanto, a Dersa S/A, empresa de economia mista responsável pela obra, já fez uma consulta acerca desta questão à Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e de Proteção de Recursos Naturais do Estado.

A resposta, publicada no Diário Oficial do Estado, recomenda a realização de um Estudo de Impacto Ambiental em âmbito estadual, como mostra o comunicado abaixo:

Processo SMA 13551/2007 - Município: São Paulo
Interessado: DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A

Empreendimento: Consulta referente à necessidade de licenciamento ambiental para o programa de revitalização e requalificação da marginal Tietê, que através do Ofício CPRN/DAIA n° 0297/2007 de 26/03/2007 e Parecer Técnico CPRN/DAIA n° 062/2007 de 26/03/2007, conclui que o licenciamento do Projeto “Nova Marginal do Tietê” deverá ser realizado no âmbito estadual, através da apresentação de um Estudo de Impacto Ambiental, devidamente procedido da apresentação de um Plano de Trabalho ao DAIA - Departamento de Impacto Ambiental.

Para acompanhar o processo pela internet, acesse o site do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e digite 053.09.025071-3 no campo “número do processo”.

As informações e fotos desta matéria foram fornecidas pelo site CicloBR, parceiro do Blog das Ruas que acompanha de perto tanto a construção da Freeway da Marginal Tietê quanto outras questões relacionadas ao presente e futuro dos deslocamentos urbanos.

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28 de junho de 2009

SP: Ciclistas protestam contra “cemitério de árvores” na Marginal Tietê

No momento que publico este post, um grande grupo de ciclistas, mobilizado pelo Coletivo Pedal Verde, deve ter chegado à Ponte das Bandeiras. Lá, encontra-se com outros ativistas ambientais para vistoriar o “cemitério de árvores” - como passou a ser chamado o local onde, na última segunda-feira, foram cortadas árvores de mais de 50 anos para a reforma da Marginal Tietê (imagem abaixo).

>> Veja o trajeto cumprido pelos ciclistas

No convite do encontro, as árvores ainda existem

No convite do encontro, as árvores ainda existem

Segundo alegam os manifestantes, que fazem uma espécie de piquenique no local, para ampliar a Marginal Tietê, a prefeitura da capital paulista está eliminando “diversas árvores com mais de 50 anos de vida, que cumprem papel ecológico importantíssimo no equilíbrio climático e da poluição da marginal”.

A própria Secretaria de Verde e Meio Ambiente de São Paulo (SVMA) admite o “corte de 559 árvores no entorno da via em um universo de 4.589 árvores existentes no local” - ou seja, mais de 10% do total de árvores.

árvores com mais de 50 anos mortas

As provas do "ecocídio": árvores com mais de 50 anos mortas

Ainda de acordo com a SVMA, 419 das árvores a serem eliminadas são exóticas, “como fícus elásticas, eucaliptos, chorões etc.”.

Essas informações estão num texto de esclarecimento da Secretaria, no qual o órgão municipal afirma que o corte justifica-se por tratar-se de uma obra emergencial (a reforma da Marginal Tietê). Afirma também que, posteriormente, serão platandas 4900 árvores na Marginal, 83 mil em seu entorno e 63 mil no Parque Ecológico do Tietê, que também será criado (veja íntegra do texto).

Entretanto, os ativistas garantem que - embora seja chocante, de sua perspectiva - o corte das árvores não é o único problema da obra de reforma da Marginal.

As cruzes foram colocadas pelos cicloativistas

As cruzes foram colocadas pelos cicloativistas

Argumentam que a impermeabilização dos canteiros centrais, responsáveis pelo escoamento das águas, agravará o problema já crônico das enchentes naquela via.

- Esse projeto assina o decreto de morte para que um dia possamos a voltar a viver juntos e de forma saudável junto do Rio Tietê, indo completamente na contramão de projetos realizados em diversas cidades pioneiras do mundo - um retrocesso de mais de 40 anos no pensamento humano!!! - afirma o Coletivo Pedal Verde.

O Blog das Ruas passará a monitorar os desdobramentos dessa questão.

(fotos: Luciano Ogura)

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13 de maio de 2009

SP: Alunos de escola rural percorrem 300 km de bicicleta

A partir de amanhã, começa uma jornada de 11 dias de conhecimento e contato com a natureza, pelo interior e parte dos litorais de São Paulo e Paraná.

Vinte e três alunos da Escola Aitiara, localizada na zona rural de Botucatu, fazem uma cicloviagem, percorrendo cerca de 300 km em duas rodas, desde o município de São Miguel Arcanjo até Paranaguá. A expedição ganhou o nome de Projeto CicloAitiara.

Com idades variando entre 14 e 16 anos e situações sociais e financeiras bastante distintas, os alunos são acompanhados por quatro ciclistas, um deles André Pasqualini, do site Ciclobr, que vai fazer um diário de bordo da viagem, com relatos, fotos e vídeos.

- Vou embarcar num das mais importantes cicloviagens da minha vida. Espero que, aos que acompanharem essa aventura, ela sirva de inspiração e motivação para entrarem nesse maravilhoso mundo do cicloturismo - afirma Pasqualini.

A cicloviagem também será monitorada pelos próprios alunos, através de um site que eles mesmos desenvolveram.

Além dos ciclistas, acompanha a turma a professora que idealizou o projeto, Ana Ventura (com esse nome, não poderia ser diferente, né?). Nos primeiros dias do ano, a professora e a Escola começaram a buscar apoios - como o da Associação de Cicloturismo de São Paulo - para transformar a ideia em realidade.

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Pasqualini: poluição de São Paulo fica para trás durante 11 dias de contato com a natureza.

Em fevereiro teve início a preparação física dos estudantes para a viagem. Orientados pelos professores de educação física da escola, passaram a percorrer semanalmente 40km no “lombo” das bicicletas.

Com saída marcada para as 9h desta quinta-feira, na portaria do Parque Carlos Botelho, a 25 km da região urbana de São Miguel do Arcanjo. A partir daí, passam por Sete Barras; Registro; Iguape; Ilha Comprida; Cananéia e Ilha do Cardoso, em São Paulo; Ilhas de Superagui e das Peças e Paranaguá, no Paraná.

Ao longo do trajeto, os alunos terão aulas campais de história, biologia, meio ambiente e filosofia. Estão previstos acampamentos; visitas a reservas, museus, sambaquis e vilas de pescadores; discussões com biólogos e membros de ONGs; viagens de barcos. Ao final da aventura, a turma viaja de trem até Curitiba.

(fotos: Site Ciclobr)

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