Terra Magazine

1 de julho de 2009

SP: Mostra pretende difundir a mímica no país

Foi aberta ontem, no Espaço Cultural Pyndorama, na capital paulista, a I Mostra de Mímica Contemporânea. São debates, espetáculos, oficinas e palestras dedicadas à “arte de sem palavras” - todos gratuitos - até o dia 16 de julho.

Com poucos grupos especializados em mímica no Brasil, os artistas Victor de Seixas e Rose Prado tomaram para si a tarefa de difundir a arte no país, mostrando ao público e aos colegas de profissão a diversidade de técnicas e possibilidades que o gênero detém.

- Quando você fala de mímica, fala muitas coisas. Mímica não é só aquele cara de cara branca. Nós queremos criar referencial para o gênero. Especialmente a partir Mímica Corporal Dramática, que praticamente não é conhecida aqui - explica Victor de Seixas.

Técnica originalmente desenvolvida pelo artista francês Etienne Decroux, a Mímica Corporal Dramática se diferencia do que chamam de “mímica tradicional”, de acordo com Seixas, por valorizar os movimentos corporais, enquanto a segunda “está condicionada manipulação de objetos invisíveis”.

- Não pretendemos descrever nada. A mímica convencional é quase um jogo de adivinhação. Mais importante que a ilusão, para nós, é aprender a expressar com o corpo ideias e emoções - esclarece Victor de Seixas.

A Mostra acontece ao mesmo tempo que o II Colóquio Pyndorama. Se, por um lado, os dois eventos são repletos de workshops e palestras para artistas e amadores, por outro, poucos espetáculos - apenas três - são apresentados ao público (veja a programação).

- Este ano, não conseguimos verbas para muitos espetáculos. Em 2010, vamos fazer uma mostra maior, inclusive com artistas gringos - explica o coordenador.

Embora também sejam abertas ao público em geral, as muitas oficinas e palestras têm o papel de desmistificar o gênero para os próprios profissionais da área. “As pessoas não conhecem e às vezes têm preconceito. Muita gente usa como suporte para outra coisa, mas a mímica como produto final é pouco reconhecida”, afirma Seixas.

- É uma coisa meio na contramão. A gente é quase marginal. É uma técnica que demanda muito treino, estudos a longo prazo. E as pessoas querem resultados rápidos. É que nem balé clássico: você não pode fazer um workshop de uma semana e sair dançando balé - diz.

(fotos: divulgação)

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