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1 de novembro de 2009

MG: Frango Caipira é estrela de festival gastronômico

Quem escolhe passar o feriadão de finados no tranquilo distrito de São Gonçalo do Rio das Pedras, (município do Serro, a três horas de Belo Horizonte), acaba tendo que fazer uma escolha: frango com pequi ou ao molho pardo? Ou galeto ao leite?

Desde a última sexta-feira e até o dia 2 de novembro, acontece em São Gonçalo do Rio das Pedras o 4º Festival de Frango Caipira.

Mineiríssima, a iguaria é vendida em todos os restaurantes da cidade nessa período. São mais de vinte receitas, desde as mais tradicionais - como frango ensopado e ao vinho - até o frango “afro-mineiro” (gengibre e amendoim) e frango com quibabá, uma planta comestível que “existe no quintal de toda casa da cidade”, conta a idealizadora do evento, Cleide Greco.

Veterinária e dona de uma das pousadas do distrito, Cleide explica que a carne do frango caipira tem uma textura mais consistente por ser criada solta.

Além disso, não tem hormônios, pois o crescimento dos animais obedece o ritmo da natureza e eles não se alimentam de ração, apenas milho e folhas de horta.

Desde que Cleide e os outros donos de pousadas, restaurante de bares locais resolveram realizar pela primeira vez o Festival, em 2006, o turismo no vilarejo - que também possui atrações naturais, como cachoeiras e picos - só tem aumentado.

Chega a acontecer, como no ano passado, dos donos dos estabelecimentos terem que recorrer à criação doméstica de vizinhos por conta da procura.

Para resolver a questão da “superpopulação” de turistas, muito além das capacidades das poucas pousadas, muitos moradores praticam o turismo solidário, ou seja, recebem turistas em suas casas.

Ganham os visitantes, que encontram hospedagem barata, e os habitantes do vilarejo, que garantem uma renda extra para a família.

E você, conhece uma receita bacana de frango caipira? Comente.

(fotos: reprodução)

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2 de outubro de 2009

Em Sagarana (MG), Festa Guimarães Rosa alia cultura e sustentabilidade

Primeiro assentamento de reforma agrária de Minas Gerais, criado há cerca de 30 anos, o pequeno distrito de Sagarana, no município de Arinos (Noroeste de Minas Gerais), realiza neste mês a segunda edição da Festa Guimarães Rosa.

Também conhecido por Sagarana: Feito Rosa para o Sertão, o evento busca promover o desenvolvimento sustentável com base na preservação do meio ambiente e no patrimônio cultural da região.

O grande sertão exibe as suas veredas

O grande sertão exibe as suas veredas

- A nossa proposta é fortalecer a identidade cultural do Vale do Urucuia, entendida por nós como elemento potencializador do desenvolvimento sustentável do território. Um dos desafios é que as pessoas se reconheçam como sertanejos, que valorizem essa cultura e melhorem a avaliação que têm do sertão. - explica o deputado estadual Almir Paraca, idealizador da Festa.

Durante quatro dias de programação inteiramente gratuita (9 a 12/10), oficinas de linguagens artísticas (como artes cênicas, mímica e fotografia) dividem o espaço com oficinas de produção rural e meio ambiente (como moagem de cana, fabricação de calhas coletoras de água etc.).

saberes repassados por gerações

A receita da rapadura artesanal: um conhecimento repassado por gerações

Há, ainda, oficinas que exaltam o sagrado e os conhecimentos tradicionais, como contação de histórias; jogos, brinquedos e artesanato e danças circulares.

A programação da Festa Guimarães Rosa inclui também multirão de fiandeiras, apresentação de catira e folia de reis, balaio de poesias, encontro de carreiros (”motoristas” de carros de boi) e uma cavalgada.

Tudo isso integrado com uma articulação de instituições e lideranças locais pelo desenvolvimento da bacia do Rio Urucuia - que abrange 11 municípios (10 de Minas e um de Goiás). Agricultura familiar, tecnologias sociais e como integrar esses temas à cultura local são os principais pontos de pauta das rodas de conversa.

As fiandeiras também são patrimônio cultural do sertão

As fiandeiras também são patrimônio cultural do sertão

Sagarana: Feito Rosa para o Sertão foi concebido em 2008 como uma homenagem ao centenário do escritor, cuja obra sintetiza e fortalece a identidade cultural do território. “Guimarães Rosa ajuda a gostar do sertão, a valorizar o sertão, a cultura e esse ambiente”, opina o deputado Paraca.

Nada mais adequado para um local cuja próprio nome remete aos textos do escritor. “Com certeza foi uma referência, pois ‘Sagarana’ foi um nome inventado por Guimarães Rosa. Não tem como ser outra coisa”, afirma, categoricamente, Almir Paraca.

Os carros de boi estão desaparecendo, mas alguns resistem em Sagarana

Os carros de boi estão desaparecendo, mas alguns resistem em Sagarana

No ano passado, cerca de 600 visitantes estiveram na localidade, que fica a 700km de Belo Horizonte e 240km de Brasília. “No primeiro evento houve um certo distanciamento da comunidade, que não participou intensamente. Um pouco de mineirice”, conta o deputado.

Nesta edição, porém, o cenário é outro. Há muito mais mobilização e, como consequência, o distrito deve receber cerca de três mil pessoas (mais de sete vezes a população local).

Para acomodar tanta gente, os moradores de Sagarana estão abrindo as portas das casas e realizando a chamada hospedagem solidária. Um camping também foi colocado à disposição dos visitantes, ansiosos, por ver, quem sabe, alguns frutos das invencionices de Guimarães.

(fotos: Lidyane Ponciano)

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24 de setembro de 2009

MG: Objetos comuns viram personagens de teatro em festival

Imagine assistir a uma peça de teatro em que os personagens principais são com torneiras, regadores, peneiras ou tampinhas de refrigerante.

Absurdo? Nem tanto. E para provar que não, começa hoje e vai até o dia 27, na Serraria Souza Pinto (Belo Horizonte), o I Festival Internacional de Teatro de Objetos - FITO 2009.

Um tanto diferente e inusitado, o teatro de objetos é, ainda, um segmento quase inexistente no Brasil. Em países como França, Alemanha, Estados Unidos, Hungria, Espanha e Itália, entretanto, o teatro de objetos já é bastante difundido.

Nele, busca-se dar alma a objetos em princípio vazios de vida e expressão, tornando-os grandes personagens do espetáculo.

Segundo a curadora do Festival, a chilena Sandra Vargas, do grupo Sobrevento (São Paulo), nesse tipo de teatro, o ator é um narrador e não o artista principal da trama.

As possibilidades são tão extensas quanto inteligentes. Tudo depende da imaginação dos artistas e da sua capacidade em “convencer” o público da “vitalidade” dos objetos em cena, sejam eles um sapato ou pedaços de ferro retorcidos.

os primeiros registros do teatro de objetos como gênero distinto dos demais são do início dos anos de 1970, quando três companhias francesas se reuniram para a criação do espetáculo Pequenos Suicídios.

Todas as companhias que participam do FITO 2009 atuam especificamente com esta modalidade e não apenas com inserções de objetos.

Está é a primeira vez que o Brasil recebe um festival exclusivamente de teatro de objetos. Até agora, quando algum espetáculo desse segmento aparecia, ou estava dentro de uma programação de teatro tradicional ou de teatro de bonecos.

Gratuito, o Festival leva a Belo Horizonte 12 espetáculos e nove companhias: Trecos e Cacarecos, Truks e Teatro de La Plaza (Brasil); Fernan Cardama (Argentina), La Chana Teatro (Espanha), La Voce Delle Cose (Itália) e La Balestra (França). Confira a programação.

Os espetáculos começam a ser apresentados a partir das 16h. Na chegada, o público será recebido por uma banda de música, seguida de desfile de diversos objetos gigantes, como mouse de computador, par de tênis, isqueiro, camiseta, entre outros.

(fotos: FITO 2009/ divulgação)

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18 de setembro de 2009

MG: Festival de Jazz faz tributo a Billie Holiday nos 50 anos de sua morte

Tags:, , , , - iurirubim às 12:36

Começa esta noite a oitava edição do Festival Tudo É Jazz de Ouro Preto (MG). Quem estiver lá até o dia 20 de setembro, tem a chance de ver estrelas do jazz internacional tocando com, ao fundo, a primeira cidade brasileira a ser declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO (em 1980).

Todos os shows do Festival são gratuitos e acontecem ao ar livre, no tradicional Largo do Rosário. Serão 11 apresentações em três dias, com a participação de cerca de 70 músicos. Na programação, nomes como Madeleine Peyroux, revelações como a cantora e guitarrista Kate Schutt, e veteranos, a exemplo do guitarrista Bucky Pizzarelli.

O Brasil também está representado no festival pela cantora Mart’Nália, que se junta a Peyroux e a Lady Day All-Star Band - composta por 6 músicos de peso do cenário jazzístico internacional - no Tributo a Billie Holiday, realizado no dia 19 de setembro, com direção musical de Oded Lev-Ari.

O evento também integra as atividades do Ano da França no Brasil, comemorado no último dia de festival com a apresentação de um quarteto de ex-alunos da Escola de Marciac e da Paris Jazz Big Band, a maior da França.

Setecentos dólares na coxa

Tida como a maior cantora de jazz de todos os tempos, Billie Holiday morreu no dia 17 de julho de 1959. Apesar da fama, sucumbiu ao álcool e às drogas.

Morreu pobre, de overdose, num hospital público, com 700 dólares - todo dinheiro que tinha - colados com esparadrapo na coxa.

O apelido “Lady Day” foi-lhe dado pelo saxofonista Lester Young, com quem tocou por muito tempo.

(foto: William P. Gottlieb/Ira and Leonore S. Gershwin Fund Collection, Music Division, Library of Congress)

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13 de setembro de 2009

Capital mineira do folclore realiza 21º Festival

Jequitibá, uma cidadezinha de pouco mais de cinco mil habitantes a 120 km de Belo Horizonte, realiza neste fim de semana a 21ª edição de seu tradicional Festival do Folclore. O Festival do Folclore de Jequitibá começou na noite de ontem e vai até este domingo.

Durante os três dias de festa, a simpática cidade respira cultura popular, com uma extensa programação de Batuques, Folias, Cantadeiras, Encomendação de Almas, Dança do tear e Contra-dança, dentre muitas outras expressões tradicionais da cultura brasileira. Além delas, shows e oficinas completam as atrações do festival.

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A Dança da Fita é uma das muitas expressões do patrimônio imaterial de Jequitibá

A riqueza de Jequitibá vem de seu patrimônio imaterial. São mais de 15 grupos folclóricos que preservam e renovam mais de cem manifestações de cultura popular (como as citadas acima), algumas delas com mais de 200 anos de existência, passadas de geração em geração nas famílias da cidade. Destaque para o Batuque de Viola, único no Brasil.

Contam os antigos da cidade que ela tornou-se esse centro da cultura popular porque era ponto de encontro dos tropeiros que vinham do Nordeste, deixando pelo caminhos seus costumes e tradições. Fato é que a grande maioria dessas expressões populares reflete seja a religiosidade de nossos antepassados seja pela arte em inventar malabarismos para sobreviver ao cotidiano rural.

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore

É nas margens dessa lagoa que acontece o Festival de Folclore de Jequitibá

O Fim de Campina, por exemplo, é uma dança que representa o mutirão formado por pequenos proprietários para capinar a roça dos que não tinham como contratar a mão-de-obra assalariada. O grupo recebia o nome de Batalhão e era liderado pelo Almirante que tinha a função de marcar qual a roça seria visitada.

Cada integrante do multirão ganhava o direito de receber futuramente a visita do “batalhão” na sua roça e, assim como cada dono de roça visitada, teria o compromisso de “pagar” com seu trabalho participando na capina das roças dos colegas de empreitada. Conta-se que no término da capina levavam o pé de milho para o dono que os recebia com comidas, bebidas e doces.

Na manhã de domingo, às 10h, acontece uma missa folclórica com a participação dos grupos da região e entrega de placas aos homenageados do ano.

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

Se depender da nova geração, as tradições da cidade permanecem vivas

A missa remonta às origens do Festival, quando, em 1980, o advogado Geraldo Inocêncio foi convidado para ser festeiro da celebração do padroeiro da cidade - a festa do Santíssimo Sacramento.

Propôs, então, que os grupos folclóricos participassem da comemoração. Desde então, a reunião e o reconhecimento desses grupos passou a ser o maior patrimônio da cidade.

(fotos: Daniel Iglesias/divulgação)

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16 de agosto de 2009

MG: Festejo do Tambor Mineiro reverencia religiosidade negra

Já virou tradição: todo ano, a Associação Cultural Tambor Mineiro fecha dois quarteirões da Rua Ituiutaba (bairro Prado, na região oeste de Belo Horizonte) para reunir Guardas de Congado e outras expressões da musicalidade afro-mineira.Hoje, a partir das 10h, o espetáculo se repete.

Em sua sétima edição, o Festejo do Tambor Mineiro une artistas e grupos de Minas Gerais a dez Guardas de Congado.

Entre as atrações da programação, Sérgio Pererê, Moçambique Velho Africano, Guarda de Congo Feminina de Nossa Senhora do Rosário, Guarda Vilão Santa Efigênia, Guarda de Caboclo São Jorge e Mauricio Tizumba.

A festa levou 10 mil pessoas às ruas em 2008. Neste ano, espera-se pelo menos o mesmo público

A festa levou 10 mil pessoas às ruas em 2008. Neste ano, espera-se pelo menos o mesmo público

- Essa manifestação da negritude congadeira normalmente fica lá no seu terreiro, na sua região. Já aqui [no Festejo], aparecem negros e não-negros. É a melhor forma de fazer as pessoas se conhecerem, se respeitarem e acreditarem uns nos outros. Esse vínculo faz as pessoas passarem a conviver melhor - afirma o artista Maurício Tizumba, idealizador da festa.

De fato, ao longo de sua existência, o Festejo do Tambor Mineiro vem apresentando as Guardas de Congado e outras manifestações da cultura negra mineira - como Moçambiques e Caboclos - que tradicionalmente ocorrem na periferia de Belo Horizonte para o público da classe média da cidade.

- O que a gente faz lá é um dia. Na periferia, a festa não para. O congado tem novena, acontece em uma semana. Esse contato desperta a curiosidade das pessoas e algumas delas passam a acompanhar as manifestações também na periferia - explica Elias Gibran, coordenador de produção do evento.

Para Tizumba, idealizador do evento, religiosidade é fundamental

Para Tizumba, idealizador do evento, religiosidade é fundamental

A festa dura cerca de 10 horas, das 10h às 20h. Pela manhã, apresentam-se as manifestações de base religiosa, como os grupos de Congado; à tarde, os artistas, a parte “profana” do espetáculo. “O interessante é que, a cada ano, as guardas de congado ficam para ver os profanos e vice-versa”, diz Gibran.

A religiosidade é sempre presente no Festejo do Tambor Mineiro, que também é uma celebração aos santos negros, em especial a Nossa Senhora do Rosário. “A Santa aceitou os negros como eles são. Com muita fé, cantamos e dançamos para cultuar e reverenciar a divindade”, conta Pedrina Lourdes dos Santos, capitã da Guarda Nossa Senhora das Mercês de Oliveira.

A religiosidade negra mistura fé católica e rituais de origem africana

A religiosidade negra mistura fé católica e rituais de origem africana

Extremamente religioso, o criador do evento também enfatiza o aspecto espiritual do evento: “Eu sempre ando com o rosário no pescoço. É maior que as pedras do caminho, mais forte que uma flecha certeira”, diz.

O acesso ao Festejo do Tambor Mineiro é feito mediante 1kg de alimentos não-perecíveis, a ser doado para as Guardas de Congado. “O alimento é para ajudar as Guardas a realizarem as festas na periferia ao longo do ano”, explica Gibran.

(fotos: Leonardo Lara/ Festejo do Tambor Mineiro)

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5 de agosto de 2009

Soundsystem celebra Dia da Jamaica em Praça de Belo Horizonte

Se o ministereopublico está levando a cultura dos soundsystems para a periferia de Salvador, o RoodBoss Soundsystem dissemina a cultura musical jamaicana pelas praças de da capital mineira.

O sistema de áudio, instalado eventualmente no espaço público de BH, também se inspira nos antigos sound systems jamaicanos e leva o balanço caribenho em alta potência a uma enorme quantidade e diversidade de pessoas.

No in�cio, apenas uma barraca e os aparelhos de som...

No início, apenas uma barraca e os aparelhos de som...

Enquanto o povo jamaicano celebra a independência de seu país no dia 6 de agosto, o Jamaican Day é comemorado pelo RoodBoss no sábado, dia 8, na Praça da Savassi. Essa é a quarta vez que o RoodBoss Soundsystem chega às praças.

“Trata-se de um evento de rua gratuito onde todos são bem vindos”, diz a equipe do RoodBoss.

... No final, uma multidão dança animada ao som da Jamaica

... No final, uma multidão dança animada ao som da Jamaica

A homenagem tem uma proposta interessante: tentar percorrer as vertentes da música da Jamaica com base na cronologia de seu desenvolvimento.

Dessa forma, vão tocar: Mento/Calypso às 14h, Ska/Jamaican Jazz às 15h, Rocksteady/Early Reggae às 16h, Roots Reggae/Dub às 17h, Dancehall/Ragga às 18h e a partir das 19h uma miscelânea que inclui estilos influentes e influenciados.

Será que, aos poucos, o Brasil também entra na onda dos soundsystems? Estaremos atentos.

(fotos: Roodboss Soundsystem)

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1 de agosto de 2009

Centenário de Patativa do Assaré tem homenagem de ex-menino de rua, afilhado do poeta

Caso estivesse vivo, Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, chegaria aos 100 anos em 2009.

Nascido em 5 de março de 1909, Patativa era considerado o maior repentista do Brasil. Semiletrado e dono de uma obra alto teor social, o poeta foi estudado por diversas universidades, inclusive estrangeiras. Seus versos, cantados por grandes nomes da música brasileira, a começar por Luiz Gonzaga.

Noite passada. O centenário do mestre cearense é celebrado pelo II Vozes de Mestres - Encontro Internacional de Culturas Populares, em Ouro Branco (MG). No palco, o cantor José Fábio dedica um show inteiro ao poeta de Assaré.

Quando Patativa conheceu o cantor, ele não era José Fábio, e, sim, Zezinho, um menino de rua de seis anos de idade, que dormia pelas praças de Assaré. “O poeta sempre me tratou por Zezinho”, diz.

Antes de conhecer Patativa, a vida do então menino de rua era muito difícil. “Eu era muito explorado. Fugia de casa e cantava para recolher dinheiro nas paradas de ônibus. Muitas pessoas queriam lucrar às minhas custas”, revela o cantor.

Impressionado com aquela criança que saia de casa para ajudar no sustento da família, Patativa passou a dar conselhos e incentivos a José Fábio, que também recebeu de presente o poema “Menino de Rua”.

O encontro com aquele senhor de chapéu, óculos escuros e bengala, que gostava de poesia, foi fundamental na vida de Zezinho. “Ele foi pegando aquele carinho por mim. Tentava me ajudar de alguma forma, sempre me incentivando a estudar”, diz o crescido José Fábio. “Ele inspirou em mim essa vontade de ser alguém”, completa.

Entretanto, a ajuda Patativa não podia ser material porque o próprio repentista não dispunha de recursos.

- Tem uma coisa que ninguém fala, mas o poeta era pobre. Era rico em nome e na sua arte. Mas sempre foi pobre - revela José Fábio.

Aos 10 anos, em 1993, um produtor, José Ribamar, o Rebinha, levou Zezinho para São Paulo.

- Ele era um grande conhecedor do poeta. Começou a querer levar eu para São Paulo. Teve que ir o Prefeito de Assaré e outras autoridades lá em casa convencer minha mãe. Disseram que ele poderia me ajudar. Aí minha mãe cedeu a guarda para ele, que virou meu tutor - lembra o cantor.

Ainda em 1993, gravou o primeiro disco, com quatro composições de Patativa, “inclusive Menino de Rua, que fez para mim”.

Para gravar o disco, participou da campanha, em São Paulo, do empresário e candidato a deputado Zé de Abreu. “Ele me prometeu: ‘Se você ajudar na minha campanha, eu gravo seu CD. Se ganhar, eu gravo. Se não ganhar, gravo também’”, relata o diálogo José Fábio.

- Ah, ele se elegeu! Nós elegemos ele duas vezes! - diz o cantor.

Em 1999, já “com a voz engrossada”, o cantor gravou o CD “José Fábio canta Patativa do Assaré”, com direção musical de Téo Azevedo e participações de Dominguinhos, Alcymar Monteiro e Jackson Antunes.

Ceumar e Pererê também tocaram na noite de ontem, no Vozes de Mestres

Ceumar e Pererê também tocaram na noite de ontem, no Vozes de Mestres

Morando em Belo Horizonte, José Fábio não volta para sua terra, o Ceará, há nove anos. Soube da morte de Patativa pela televisão e, como não tinha dinheiro na época, não pode se despedir do padrinho artístico.

- Você tá doido… Soube quando falaram no Jornal Nacional. Fiquei sem chão porque era um padrinho meu. No dia que fiquei sabendo, estava sem nenhum. Não pude ir prestar minha ultima homenagem. Já tem nove anos que não vou na minha terra. Gostaria de ir lá todo dia cinco de março, quando comemoram o aniversário do poeta - explica, com certa tristeza.

Vozes de Mestres

O II Encontro Vozes de Mestres foi aberto no dia 23 de julho, em Belo Horizonte, e depois seguiu para Ouro Branco, onde acontece até amanhã. Ainda este ano, será levado a sete cidades brasileiras: São Luis, Belém, Florianópolis, Curitiba, Natal, Goiânia e Joinville (SC), dentro do projeto Centro Cultural Banco do Brasil Itinerante.

(fotos: divulgação/ II Encontro Vozes de Mestres)

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10 de julho de 2009

Coral faz campanha para ir à “copa do mundo” da música de coro, na Áustria

Já pensou se classificar para a Copa do Mundo e não poder participar dela? É assim que podem se sentir os jovens do Coral da Academia Libre Cantare, da pequena Itabirito (MG).

Em dezembro de 2008, logo após gravar seu primeiro CD, o Coral se inscreveu na categoria infanto-juvenil do 26º Festival Internacional de Corais Franz Schubert, em Viena, na Áustria, que acontece no período de 11 a 15 de novembro de 2009.

Foi selecionado. Pode não parecer muito para quem não é da área, mas o Festival é comparado a uma Copa do Mundo ou um Oscar pela sua importância para a música de coro.

O Coral de Itabirito, formato há oito anos por jovens entre 13 e 20 anos, já conquistou um feito inédito sem nem levantar voo: esta é a primeira vez que um coral brasileiro é selecionado para este festival.

- Para nós, além de ter sido surpresa muito grande, é um acontecimento praticamente histórico, principalmente no coro juvenil. O Brasil não teve nenhuma participação nos anos anteriores. Quase não acreditei - conta Leandro Henrique Dantas, 28, maestro do Coral.

Esses jovens realizaram um feito que nunca outro coral brasileiro conseguiu

Esses jovens realizaram um feito que nenhum outro coral brasileiro conseguiu

A mera apresentação do Coral de Itabirito no evento já faz o grupo ser considerado um dos 1000 melhores do mundo. Competitivo, o Festival faz um ranking dos melhores coros do planeta. Apenas na etapa Áustria, deve reunir representantes de 50 países.

“A premiação lá pode garantir uma turnê internacional. O grupo se torna muito visível em todo o mundo”, diz Telmo Lins, produtor do Coral.

Entretanto, para que o maestro e os jovens de Itabirito realizem o sonho de figurar entre os melhores do mundo do canto coral, eles precisam conseguir chegar até Viena. E parece que este vai ser um desafio ainda mais difícil.

- Achávamos que o mais difícil seria a seleção. Porque competiram com a gente mais de 4500 grupos, cantores de tudo que é lugar. E não temos nem de longe as mesmas condições de local, verba, professores e preparação que têm os corais dos Estados Unidos e da Europa. Falta estrutura. Mas agora percebo que vai ser ainda mais complicado conseguir esse dinheiro para viajar - desabafa o maestro Leandro Dantas.

Segundo o produtor do grupo, que sobrevive hoje com apoio da lei municipal de incentivo, o custo da viagem, principalmente passagens e hospedagem para 35 pessoas - entre elas os cantores, o maestro, o produtor, o diretor do Coral e dois pais -, gira em torno de R$ 100 mil.

Para participar do Festival, o Coral de Itabirito tem que juntar R$ 100 mil até outubro

Para participar do Festival, o Coral de Itabirito tem que arrecadar R$ 100 mil até outubro

- A gente sabe que não é fácil não. Mas começamos uma campanha para arrecadar os fundos dessa viagem. Estamos investindo em várias frentes: desde editais de cultura e leis de incentivo até pequenas ações como espetáculos com vendas de CD e jantares pagos - revela produtor Telmo Lins.

O grupo, que iniciou a campanha há pouco tempo, ainda não arrecadou nenhum valor significativo para a viagem. Mas isso não faz ninguém jogar a toalha. “É um momento muito difícil. Tem toda aquela desculpa da crise. Mas as portas estão começando a se abrindo e estamos confiantes”, afirma Lins.

Neste momento, o Coral busca também 30 patronos que assumam os custos da retirada do passaporte dos cantores. Como agradecimento, cada patrono recebe o CD do coral lançado em 2008. O custo estimado, somente da retirada dos passaportes, gira em torno de R$ 5 mil.

Além de tudo isso, o Coral criou uma conta para receber doações. Interessados em doar ou ajudar de alguma forma, podem clicar aqui e entrar em contato com o Coral, para quem desejo boa sorte nessa dupla empreitada, de conseguir participar do Festival e também fazer bonito lá pelo Brasil.

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21 de junho de 2009

Festival leva circo contemporâneo da França a Belo Horizonte

Começou, na última sexta-feira, o 5º Festival Mundial de Circo. Primeiro e maior do gênero no país, o evento, desde 2001, leva à capital mineira um panorama da produção circense brasileira e mundial.

Neste ano, o Festival Mundial de Circo é dedicado ao Ano da França no Brasil (França.br). São seis grupos franceses e dez brasileiros, que ocupam juntos as ruas, praças e teatros de Belo Horizonte até 28 de junho.

Além dos espetáculos, gratuitos e pagos, os mineiros da capital têm acesso a campeonato de malabares, oficinas, debates, lançamento de livros e uma mostra de filmes - tudo isso girando em torno do universo circense.

Reconhecidamente um dos maiores centros da arte circense no mundo, o país de Napoleão é berço de muitos prodígios no ofício de abrilhantar o picadeiro - e alguns deles estão neste Festival.

Ainda é tempo de ver o espetáculo de abertura do Festival: “20º Première”, do Centre National des Arts du Cirque (CNAC), marcado para a noite de hoje.

Convidado especial da 5ª edição do Festival, o CNAC é uma das mais importantes escolas superiores de circo da Europa, localizada em Châlons-en-Champagne, interior da França. Em todo final de curso os alunos do CNAC montam um espetáculo profissional e realizam apresentações na França e em outros países.

Este ano, o espetáculo - dirigido por Georges Lavaudant e coreografado por Jean-Claude Gallotta - tenta ludribriar a gravidade, valorizando as acrobacias aéreas, seja no mastro chinês, nas básculas coreanas, sobre um arame, no mastro pendular ou no tecido.

A programação traz outro “francês voador”, o artista circense Julot, também integrante do grupo Les Cousins. Com quase 30 anos de experiência artística, Julot apresenta-se gratuitamente em parques, no topo de um mastro de nove metros de altura, brincando com a capacidade da platéia suportar a vertigem.

o mastro tem nove mestros!

Não se recomenda fazer isso em casa: o mastro tem nove metros de altura!

Também de graça, mesmo bem preso a terra, é o espetáculo “Passage Désemboîté”, da Cia Les Apostrophés. Nele, cinco engravatados brincam com objetos esquecidos nas ruas: um livro em um banco de praça, um chapéu que voa, restos de feira, baguetes de pão. Misturando humor, malabarismo, música e dança, os artistas se misturam aos passantes, à caça de pistas para o próximo improviso.

O improviso também aparece do lado brasileiro. O espetáculo “Jogando no Quintal”, montado pelo grupo homônimo, segue a estrutura de uma partida de futebol, com dois times, juiz e hino. Em disputa, a afeição da platéia, que sugere temas para que cada time improvise os seus números.

Além do já bastante conhecido Circo Zanni, também merece destaque, entre as companhias nacionais, o grupo La Mínima, que apresenta “A Noite dos Palhaços Mudos”. Espetáculo de clown escrito pelo cartunista Laerte, “A Noite” explora o humor sem palavras e a lógica do absurdo, abrindo espaço para truques de magia e números musicais.

A quinta edição do Festival Mundial de Circo traz uma novidade em relação às anteriores: a Mostra “Cenas de Circo”. A mostra é um novo formato, no qual são apresentadas duas cenas de 15 a 30 minutos, de diferentes companhias, numa mesma noite.

A interação entre os grupos circenses tem seu ápice no Espetáculo de Variedades, que reúne os melhores números circenses inscritos para participarem do evento, além de músicos e um diretor convidado. A iniciativa, que tem entrada gratuita, fomenta encontros e intercâmbios artísticos, estimulando novas produções na área de circo.

Música e circo ainda se encontram no Cabaré Circo, espetáculo inspirado no universo dos antigos cabarés que põe no mesmo “picadeiro” atrações circenses e musicais.

Este blogueiro gostaria de destacar ainda uma paixão pessoal: a mostra competitiva de malabares. Para a disputa, foram selecionados números de malabares de acordo com critérios como a excelência artística, figurinos, trilha sonora, criatividade, técnica e presença de palco. O resultado é apresentado em um espetáculo com entrega de prêmios para os três primeiros lugares.

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival

Festival Mundial de Circo

Realizado em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009, o Festival Mundial de Circo e faz a cada dois anos uma síntese da produção circense nacional e internacional. Sediado em Belo Horizonte, investe também na realização de ações residuais para reforçar o processo de formação de novas platéias para o circo, incentivando o surgimento de novas gerações de artistas.

Ao longo dos anos, um público estimado de 200 mil pessoas presenciou as 201 apresentações de espetáculos, 72 apresentações de números na Mostra de Números Circenses, 14 workshops para profissionais, quatro oficinas para iniciantes, 12 debates com diversos representantes do circo nacional e internacional, sete lançamentos de livros sobre a arte circense, além de cinco festas que mesclam apresentações circenses e teatrais com shows musicais.

O Festival Mundial de Circo do Brasil acolheu em solo brasileiro artistas e grupos de países como: Argentina, Uruguai, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Quênia, Ghana, Rússia, França, Portugal, Inglaterra, Itália, Bélgica, Espanha e Cuba.

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