
Começou, na última sexta-feira, o 5º Festival Mundial de Circo. Primeiro e maior do gênero no país, o evento, desde 2001, leva à capital mineira um panorama da produção circense brasileira e mundial.
Neste ano, o Festival Mundial de Circo é dedicado ao Ano da França no Brasil (França.br). São seis grupos franceses e dez brasileiros, que ocupam juntos as ruas, praças e teatros de Belo Horizonte até 28 de junho.
Além dos espetáculos, gratuitos e pagos, os mineiros da capital têm acesso a campeonato de malabares, oficinas, debates, lançamento de livros e uma mostra de filmes - tudo isso girando em torno do universo circense.
Reconhecidamente um dos maiores centros da arte circense no mundo, o país de Napoleão é berço de muitos prodígios no ofício de abrilhantar o picadeiro - e alguns deles estão neste Festival.
Ainda é tempo de ver o espetáculo de abertura do Festival: “20º Première”, do Centre National des Arts du Cirque (CNAC), marcado para a noite de hoje.
Convidado especial da 5ª edição do Festival, o CNAC é uma das mais importantes escolas superiores de circo da Europa, localizada em Châlons-en-Champagne, interior da França. Em todo final de curso os alunos do CNAC montam um espetáculo profissional e realizam apresentações na França e em outros países.
Este ano, o espetáculo - dirigido por Georges Lavaudant e coreografado por Jean-Claude Gallotta - tenta ludribriar a gravidade, valorizando as acrobacias aéreas, seja no mastro chinês, nas básculas coreanas, sobre um arame, no mastro pendular ou no tecido.
A programação traz outro “francês voador”, o artista circense Julot, também integrante do grupo Les Cousins. Com quase 30 anos de experiência artística, Julot apresenta-se gratuitamente em parques, no topo de um mastro de nove metros de altura, brincando com a capacidade da platéia suportar a vertigem.

Não se recomenda fazer isso em casa: o mastro tem nove metros de altura!
Também de graça, mesmo bem preso a terra, é o espetáculo “Passage Désemboîté”, da Cia Les Apostrophés. Nele, cinco engravatados brincam com objetos esquecidos nas ruas: um livro em um banco de praça, um chapéu que voa, restos de feira, baguetes de pão. Misturando humor, malabarismo, música e dança, os artistas se misturam aos passantes, à caça de pistas para o próximo improviso.
O improviso também aparece do lado brasileiro. O espetáculo “Jogando no Quintal”, montado pelo grupo homônimo, segue a estrutura de uma partida de futebol, com dois times, juiz e hino. Em disputa, a afeição da platéia, que sugere temas para que cada time improvise os seus números.
Além do já bastante conhecido Circo Zanni, também merece destaque, entre as companhias nacionais, o grupo La Mínima, que apresenta “A Noite dos Palhaços Mudos”. Espetáculo de clown escrito pelo cartunista Laerte, “A Noite” explora o humor sem palavras e a lógica do absurdo, abrindo espaço para truques de magia e números musicais.
A quinta edição do Festival Mundial de Circo traz uma novidade em relação às anteriores: a Mostra “Cenas de Circo”. A mostra é um novo formato, no qual são apresentadas duas cenas de 15 a 30 minutos, de diferentes companhias, numa mesma noite.
A interação entre os grupos circenses tem seu ápice no Espetáculo de Variedades, que reúne os melhores números circenses inscritos para participarem do evento, além de músicos e um diretor convidado. A iniciativa, que tem entrada gratuita, fomenta encontros e intercâmbios artísticos, estimulando novas produções na área de circo.
Música e circo ainda se encontram no Cabaré Circo, espetáculo inspirado no universo dos antigos cabarés que põe no mesmo “picadeiro” atrações circenses e musicais.
Este blogueiro gostaria de destacar ainda uma paixão pessoal: a mostra competitiva de malabares. Para a disputa, foram selecionados números de malabares de acordo com critérios como a excelência artística, figurinos, trilha sonora, criatividade, técnica e presença de palco. O resultado é apresentado em um espetáculo com entrega de prêmios para os três primeiros lugares.

O improviso e a brincaderia com elementos do cotidiano são destaques no Festival
Festival Mundial de Circo
Realizado em 2001, 2003, 2005, 2007 e 2009, o Festival Mundial de Circo e faz a cada dois anos uma síntese da produção circense nacional e internacional. Sediado em Belo Horizonte, investe também na realização de ações residuais para reforçar o processo de formação de novas platéias para o circo, incentivando o surgimento de novas gerações de artistas.
Ao longo dos anos, um público estimado de 200 mil pessoas presenciou as 201 apresentações de espetáculos, 72 apresentações de números na Mostra de Números Circenses, 14 workshops para profissionais, quatro oficinas para iniciantes, 12 debates com diversos representantes do circo nacional e internacional, sete lançamentos de livros sobre a arte circense, além de cinco festas que mesclam apresentações circenses e teatrais com shows musicais.
O Festival Mundial de Circo do Brasil acolheu em solo brasileiro artistas e grupos de países como: Argentina, Uruguai, Austrália, Canadá, Estados Unidos, China, Quênia, Ghana, Rússia, França, Portugal, Inglaterra, Itália, Bélgica, Espanha e Cuba.