Terra Magazine

17 de novembro de 2009

BA: Artistas ocupam esquinas em Salvador

Na cidade dos sonhos de artistas e amantes da cultura, as avenidas têm, a cada esquina, uma apresentação cultural.

Pelo menos por hoje, podemos dizer que essa cidade é Salvador e a avenida é a Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba.

Esta noite, entre as 19h e as 20h30, dez esquinas da Av. Manoel Dias da Silva, entre as ruas Bahia e Piauí, recebem performances artísticas simultâneas de circo, teatro, hip hop e, principalmente, música.

É a estréia do projeto Hoje é Dia de Esquina! Para humanizar a cidade, que pretende, a cada ano, ocupar o espaço público urbano com atrações culturais.

Mas não pense que a via, uma das mais importantes da cidade, será interditada. A produtora cultural Cássia Cardoso, idealizadora e responsável pelo projeto, procura realizar as apresentações sem mudar - aparentemente - a rotina do local, mantendo o trânsito livre e o funcionamento normal dos estabelecimentos da região.

- A nossa ideia não é sonorizar a Avenida Manoel Dias da Silva. Só a esquina. Não queremos que uma esquina incomode a outra, nem que incomode os vizinhos. Por isso, vamos ter em cada uma delas um som profissional pequeno. E também uma iluminação simples, quase que para marcar o local da atração - explica a produtora.

Os artistas tocam no chão, sem palco ou cordas que os separem do público. “Não é um show de palco. É uma apresentação na rua. Eles vão ter que se reeducar”, ressalta Cássia Cardoso.

Essa proximidade entre artistas e público não é exatamente uma novidade, mas também não é algo usual na cena soteropolitana. “A gente pode não ter esse costume aqui, mas isso já é normal lá no exterior. Todo verão no Central Park (Nova Yorque) é isso que acontece”, conta a produtora.

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas de Salvador

As performances artísticas são as seguintes:

1. Aicha Marques e André Tavares - Teatro
2. Anacê - Música
3. Banda de Rock - Música
4. Barlavento - Música
5. DJ Bandido e Denissena - Hip Hop e Grafite
6. Luizinho Assis - Música
7. Malabares & Cia - Grupo de Circo
8. Retrofoguetes - Música
9. Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - Música
10. Simone Mota - Música

Recuperação do espaço público

Mais do que apenas uma intervenção cultural, Hoje é Dia de Esquina! é um projeto de recuperação do espaço público a partir da arte. Tem até manifesto, distribuído por pessoas ligadas à produção durante as apresentações.

- Queremos chamar atenção da população para problemas críticos através da arte e da cultura. Com uma utilização melhor espaços públicos a gente vai ser mais feliz - opina Cássia Cardoso.

O texto do manifesto dá destaque a seis pontos que devem ser abordados para, como está escrito no título do projeto, “humanizar a cidade”: transporte público; ocupação privada de praças e calçadões da cidade; ocupação privada das areias das praias; poluição visual; poluição sonora; ocupação do espaço da cidade pelo setor imobiliário.

Segundo os organizadores do projeto, o manifesto não é uma simples demanda por ações dos poderes públicos, mas um pedido de abertura para o diálogo com a sociedade, para a busca conjunta de uma solução para os problema apontados e um melhor aproveitamento do espaço público.

(fotos: Aldren Lincoln [1]; Sora Maia [2])

Blogs que citam este Post

3 de outubro de 2009

BA: Artistas fazem arrastão pela leitura em Salvador

Neste domingo, às 11h, a Praça Almeida Couto, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, recebe o Arrastão Literário, um cortejo de poetas, atores, cordelistas, músicos, escritores e outros artistas ligados ao universo das letras.

À frente do cortejo, o poeta Marcos Peralta revive Castro Alves. No meio, integrantes de bibliotecas comunitárias da capital baiana e professores da Escola Lucinda de Poesia Viva, da poetisa Elisa Lucinda, garantem a animação da comitiva.

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Em sua segunda edição, o Arrastão Literário vai mobilizar as cerca de 1500 pessoas que frequentam a Praça todo domingo para a apresentação do grupo de chorinho Canto da Praça, convidando-as “engrossar” o divertido movimento pela leitura.

O trajeto é muito simples: uma volta na Praça, onde também acontece a I Feira de Livros do comitê soteropolitano do Proler, o Programa de Nacional de Incentivo à Leitura. A Feira de Livros acontece das 9h às 17h e reúne várias editoras e livrarias da cidade, que comercializam obras com preço entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

Vale mencionar ainda que em frente à mesma praça, e não por acaso, funciona a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a primeira biblioteca pública da Bahia a funcionar aos domingos, o que acontece desde cinco de julho deste ano.

Blogs que citam este Post

SP: Artistas fazem ato contra golpe em Honduras

Solidariedade. Esta é a palavra que melhor define o ato que cerca de 20 artistas brasileiros fazem neste sábado, na Casa Socialista Karl Marx (Pça Américo Jacomino, 49, Vila Madalena), contra o golpe de Estado em Honduras.

Grupos de teatro, MPB, rap, teatro; poetas e exposições fazem parte da programação, gratuita, que começa às 14h30 e vai até às 22h. Ao longo do dia também são exibidos vídeos mostrando a situação atual na república centro-americana.

O conceito que norteia todo o evento é a exibição de diversas expressões artísticas da América Latina se contrapondo a golpes de Estado e ditaduras.

"A arte também tem essa função"

MC Mara Onijá: "A arte também tem essa função"

- O principal objetivo deste ato é chamar a atenção sobre o que está acontecendo em Honduras, onde um golpe de Estado já completou três meses. Grande parte da nossa população não sabe o que significa o golpe do ponto de vista da repressão a quem se coloca contra ele - explica a MC Mara Onijá, responsável pela manifestação.

Mara, que também integra o Grupo de Mulheres Pão e Rosas, conta que esse e outros atos contra o golpe de Honduras já receberam críticas por tratarem de uma “realidade muito distante do Brasil”.

A rapper rebate as críticas, afirmando que o golpe em Honduras pode ser um precedente. “O que acontece em Honduras pode trazer consequências para toda a América Latina, abre precedentes para que outras ditaduras surjam e possam se impor”.

O artista Zinho Trindade é um dos que comparecem ao evento

O artista Zinho Trindade é um dos que comparecem ao evento

- Além disso, trata-se de uma questão de solidariedade internacional. A solidariedade em relação a um povo que resiste a um golpe tem que se dar independentemente das fronteiras. A cada dia, dezenas de pessoas estão nas ruas resistindo. Temos que cercar essa resistência de solidariedade. Eles têm que saber que não estão sozinhos - afirma.

O Grupo de Mulheres Pão e Rosas está em contato frequente com uma rede de resistência feminista em Honduras - em especial com uma militante mexicana que está no país e envia informes diários.

Sabe-se, por exemplo, que foi formada em Honduras uma comissão independente para recolher denúncias de abusos dos direitos humanos. Segundo essa comissão, apenas nas cinco primeiras semanas de vigência do golpe foram identificados mais de mil casos de violação dos direitos humanos, entre torturas, estupros e prisões clandestinas.

O Grupo de Mulheres Pão e Rosas já organizou outras manifestações contra a ditadura em Honduras

O Grupo de Mulheres Pão e Rosas já organizou outras manifestações contra a ditadura em Honduras

A manifestação em São Paulo será registrada em fotografia e vídeo, inclusive com depoimentos dos artistas. Esse material será publicados na internet, para dar visibilidade à causa hondurenha.

- A arte tem que cumprir também essa função, de denunciar um processo como esse, um golpe aqui na América Latina - afirma Mara Onijá.

Blogs que citam este Post

27 de março de 2009

24 de maio recebe “maior Jam Session de Rua” de São Paulo

Acontece hoje na esquina da Rua 24 de Maio com a Dom José de Barros o Baile Soul Brasil. Propagandeado pelos organizadores como a maior Jam Session de Rua de São Paulo, o Baile é gratuito e tem no palco três DJs que se revezam, tocando música negra do período que vai do início dos anos 70 ao início dos anos 90.

Cerca de 500 pessoas são esperadas para a festa, que passará a ser um evento regular, ocorrendo sempre na última sexta-feira de cada mês. “Já temos o Baile garantido até julho”, assegura Eduardo José Barbosa, 38, coordenador do Movimento Hip Hop Revolucionário (MH2R), uma das entidades responsáveis pela festa.

DJ King Nino Brown é uma das atrações do Baile

DJ King Nino Brown é uma das atrações do Baile

Segundo Eduardo Barbosa, a esquina entre 24 de Maio com a Dom José de Barros é um marco para a cultura negra em SP. “No final da década de 60 e início de 70, pouco depois da segunda grande diáspora do povo negro em SP, era lá que os negros marcavam para se encontrar e trocar informações sobre o que estava rolando”, diz.

Ainda de acordo com o coordenador, lá foi um dos primeiros pontos encontros de militantes do hip hop na cidade e onde também surgiram os primeiros movimento étnicos da capital paulista.

Não por acaso, a festa tem como objetivo provocar nas pessoas o desejo de discutirem e repensarem o centro da cidade como espaço de convivência, onde é possível combinar comércio e moradia.

- Hoje o centro de São Paulo é um grande centro de serviços. E a política de revitalização do centro tem pressionado as pessoas que moram aqui para sair e se mudar para as periferias. Uma vez que trazem formato de “centro de serviços”, automaticamente tentam “higienizar” essa parte da cidade - afirma Eduardo Barbosa.

Muita gente esteve no primeiro Baile, em dezembro de 2008

Muita gente esteve no primeiro Baile, em dezembro de 2008

Ele mesmo morador do centro de São Paulo (”meu filho nasceu aqui”), o coordenador do MH2R espera que a reunião de várias gerações de moradores, promovida pelo Baile, mobilize essas pessoas a lutarem por um modelo diferente para o local.

- O Baile traz discussão de ressignificar o espaço. Priorizar a pessoa, deixar esse espaço com a cara das pessoas, e não com a cara do consumo. O consumo está afastando as pessoas. As intervenções culturais têm que buscar essa possibilidade. Mas cultura como manutenção de valores, possibilidade de encontros, não a cultura como produto, entretenimento puro - argumenta Eduardo Barbosa.

O risco é que ocorra com o local a mesma coisa que já aconteceu com muitos outras regiões centrais de aglomerados urbanos: a expulsão da população local intensifica o abandono do centro da cidade, degradando-o ainda mais.

O DJ Fino1 também estará no comando das pick-ups

O DJ Fino1 também estará no comando das pick-ups

- Se isso aqui virar só um centro comercial, vai ser uma terra de zumbis. De dia, tudo acontecendo; à noite, fica aquele vazio. O que minimiza ações de violência e sujeira é a comunidade. A própria comunidade policia a população e evita os problemas. Como é o comércio, como as relações pessoais são inexistentes, vira terra de ninguém - alerta Barbosa.

Negros e leprosos

Este é o segundo Baile Soul Brasil. O primeiro ocorreu no dia cinco de dezembro de 2008. Mais de 300 pessoas estiveram presentes. Entre B-boys e vários outros representantes do hip hop, haviam desde crianças de 8 anos até pessoas na maior idade.

A data também não havia sido escolhida à toa: “foi nesse dia que, se não me engano, em 1958, foi instituída um lei aqui em São Paulo que negros e leprosos não poderiam ter acesso à escola pública”, lembra Eduardo Barbosa.

(fotos: divulgação)

Blogs que citam este Post

21 de março de 2009

RS: Acampamento projeta mobilização do movimento negro

Pelo nono ano seguido, acontece em São Lourenço do Sul, o Acampamento Regional de Cultura Afro. Desde ontem, centenas de pessoas de diversas regiões do Rio Grande do Sul aportam na cidade, que fica a 200 km da capital gaúcha, no estuário da Lagoa dos Patos.

A localização do acampamento é particularmente importante porque a cidade de Rio Grande, bastante próxima de São Lourenço do Sul, era a primeira parada dos primeiros negros a chegarem no Estado.

Tradicional celebração e resistência da cultura afro no sul do Brasil, o acampamento dura três dias (20, 21 e 22 de março) e deve reunir neste ano cerca de mil pessoas, sendo 400 acampados e 600 visitantes.

- Esta é uma região de muitos quilombos e cuja população é repleta de afrodescentes, que comparecem em peso ao acampamento. O que mantém o nosso povo unido, fora a luta contra a discriminação racial, é a nossa cultura - afirma José Antonio da Silva, Secretário Geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) no Rio Grande do Sul.

Música, dança, artes plásticas, artesanato, canto, capoeira e culinária negra são alguns dos atrativos do evento. Há, inclusive, a escolha da musa do acampamento e do mais belo e criativo traje afro.

Em 2009, entretanto, o encontro passa a acolher também articulações para a agenda das lutas negras no Estado. “Estamos ampliando a participação de outros setores no acampamento e abrindo espaços para temas mais políticos”, revela José Antonio da Silva.

Não é por acaso que hoje (21 de março), o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial, é considerado o principal dia na programação do IX Acampamento Regional de Cultura Afro.

Dentre as atividades destaque para I Seminário Estadual de Articulação da 3ª Marcha Estadual Zumbi dos Palmares. São tratados no seminário os seguintes temas: Saúde Integral e Defesa do SUS; Estatuto da Igualdade Racial; a articulação dos Clubes Negros; o lançamento da Cartilha Contra a Discriminação Racial no Mercado de Trabalho, além de diversos outros encontros do movimento.

Também merecem atenção o Seminário Estadual das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, que articula fóruns de religiosos de matriz africana de várias regiões do Estado, e o lançamento da Campanha Estadual Contra o Extermínio Programado da Juventude Negra.

- Esta é uma nova fase do acampamento. Se os encontros anteriormente eram puramente culturais, agora também estamos tratando de todas as demandas históricas do movimento negro - afirma Rubinei Silva Machado, do Movimento Clubista Negro Nacional.

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol