Terra Magazine

26 de junho de 2009

RJ: Festival de Inverno de Petrópolis tem “concerto de diplomatas”

Começa hoje o 9º Festival de Inverno de Petrópolis. Quem estiver na cidade mais famosa da Serra dos Órgãos vai poder até o dia 12 de julho, poderá aproveita o clima fazer uma imersão no universo da música erudita, além de curtir apresentações de chorinho, jazz, MPB, músicas francesas, dança, filmes e palestras audiovisuais.

Logo no primeiro dia de Festival, o Museu Imperial acolhe um espetáculo bastante singular: o Concerto dos Diplomatas (dia 27, 17h, Museu Imperial).

É isso aí: o cônsul e o conselheiro cultural de Portugal, respectivamente Antonio Almeida Lima (voz) e Adriano Jordão (piano), junto com o núncio apostólico da Santa Sé, Dom Lorenzo Baldisseri (piano), mostram que a música também pode trabalhar pelo entendimento dos países!

A música erudita é o carro-chefe do Festival de Inverno de Petrópolis

A música erudita é o carro-chefe do Festival de Inverno de Petrópolis

Foco principal do evento, a música erudita responde por oitenta por cento de sua programação com concertos, recitais, apresentações de corais e outras atrações que integram esse universo.

Naturalmente, muitos compositores consagrados são homenageados pelo Festival, com destaque para os 250 anos da morte de Handel; 200 anos da morte de Haydn; e os 200 anos de nascimento de Mendelssohn.

Mozart, Ravel, Brahms, Schubert, Schumann, Tchaikovsky e Rachmaninoff são outros compositores que têm espaço garantido na programação do evento.

Alguns espetáculos acontecem dentro do Palácio de Cristal

O Palácio de Cristal sedia parte da programação

O evento dá destaque especial ao pianista franco-polonês Frédéric Chopin, com um recital de Arthur Moreira Lima, que abre as comemorações do Ano de Chopin.

Entretanto, a nona edição do Festival de Inverno de Petrópolis propõe também uma jornada pelas notas de compositores menos conhecidos que trabalharam para Luís XIV, o Rei Sol.

O concerto “Música para o Rei Sol” (dia 4, 18h) é um dos “Concertos à Luz de Velas”, marca registrada do Festival de Inverno, que tentam, nesta edição, resgatar a influência francesa de séculos passados. Os Concertos à Luz de Velas acontecem às sextas e sábados, no Museu Imperial.

A companhia de dança Georges Momboye é uma das atrações contemporâneas do Festival

A companhia de dança Georges Momboye é uma das atrações contemporâneas do Festival

Parte do Ano da França no Brasil (França.Br), o Festival de Inverno de Petrópolis não apenas promove a música erudita francesa, como também abre espaço à manifestações artísticas mais recentes, desde a eterna Edith Piaf (interpretada por Letícia Carvalho - dia 7, 19h, Hotel Solar do Império) até a companhia de dança Georges Momboye (dia 29, 20h, Theatro Dom Pedro), cujos bailarinos são uma síntese do mundo francófono.

Impossível deixar de mencionar que o Festival de Inverno passeia pelos mais importantes cartões postais da cidade, como a Catedral de São Pedro de Alcântara, o Museu Imperial e o Palácio de Cristal, o presente do Conde D’Eu à sua esposa, Princesa Isabel, e primeira construção pré-fabricada do país.

No Museu Imperial são realizados concertos à luz de velas

No Museu Imperial, concertos à luz de velas relembram influência francesa nos séculos passados

- Petrópolis é uma representante viva da Corte Imperial e por isso tem um charme europeu inigualável e uma opção de locais para as apresentações que por si só se transformam em espetáculo - resume Myrian Dauelsberg, presidente da empresa que organiza o festival.

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6 de junho de 2009

RJ: Viradão Carioca homenageia maestro que estava no voo AF 447

Na noite de ontem teve início o Viradão Carioca, 48 horas seguidas de intensa programação cultural em vários locais do Rio de Janeiro como praças, ruas, teatros, cinemas, bibliotecas, lonas e centros culturais. São shows, peças, concertos, exposições, leituras, performances, filmes, literatura e circo - tudo isso de graça ou a preços populares.

No meio de tão variadas atrações, gostaria de destacar uma delas: a Batalha de MCs, que acontece neste sábado, às 17h.

Mais que uma série de duelos de improvisação dos MCs, a atividade comandada pelo MC Marechal tornou-se uma homenagem ao Maestro Sílvio Barbato, ex-regente da Orquestra Sinfônica Brasileira e do Theatro Municipal do Rio, desaparecido desde o último domingo (31/5) juntamente com os outros passageiros do voo AF 447 da Air France.

Silvio Barbato (D), ao lado do tenor e amigo Thiago Aracam (E)

Silvio Barbato (D), ao lado do tenor e amigo Thiago Aracam (E)

Nasce, assim, o Troféu Maestro Sílvio Barbato, a ser conquistado pelo MC com melhor capacidade de improvisação. A Batalha de MCs acontece no Galpão Aplauso (Rua General Luis Mendes de Moraes, 50 - Santo Cristo). A entrada para a Batalha de MCs é 1kg de alimento não perecível.

Essa aproximação entre gêneros musicais tão díspares - o mundo do hip hop e o da música erudita - foi justamente um dos maiores feitos de Barbato, o primeiro regente a conduzir uma orquestra com um DJ de hip hop.

“O maestro falava com muita empolgação desta possibilidade de sincretismo cultural. Era uma pessoa simples, uma pessoa boa” diz em seu blog o DJ Saddam. Segundo o DJ, o Troféu é “uma pequenina homenagem do Hip Hop a este que o sempre defendeu como cultura. O Brasil e o mundo da música perdem um grande nome e eu perco um valoroso amigo”.

E pelo visto esse vínculo estabelecido com o hip hop não foi a única ponte que Barbato construiu com outros gêneros musicais. Em sua coluna no Yahoo!, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura que em 2008 tocou num concerto sinfônico regido pelo maestro, afirma:

- Eu comecei a admirar muito o maestro por sua postura em relação à música. Geralmente, grandes maestros não são favoráveis à junção da música erudita com outros estilos. Na verdade, existe um grande preconceito por parte deles, muitos desprezam outras maneiras de expressão musical. O Silvio não. Ele era muita aberto a novos experimentos, mantendo a classe e a técnica da música erudita, mas sempre buscando novos caminhos. Ele me deixou muito à vontade e, apesar de ter sido a primeira vez que eu tocava com uma orquestra, estava muito confiante. Foi uma experiência inesquecível!

Barbato integrava o erudito a outros gêneros musicais

Barbato integrava o erudito a outros gêneros musicais

O tenor Thiago Aracam, que conviveu e era amigo de Silvio Barbato, também publicou uma homenagem a ele em seu perfil do orkut (de onde foram extraídas as fotos desta matéria). Ele diz: “O Brasil e o mundo inteiro perderam um grande musico, eu perdi um grande amigo. Lamento este momento de profundo dor e enorme saudades, que nunca vai desaparecer”.

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