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12 de novembro de 2009

BA: Festival de Músicas Mestiças aporta em Salvador

Tambores, batidas, movimentos. Ritmos tão próximos e tão radicalmente distintos. As muitas faces da musicalidade negra aportam na capital baiana de sexta a domingo, no Festival Músicas Mestiças Salvador.

Capital da Bahia e primeira capital do Brasil, Salvador é a cidade com maior população negra fora da África. Talvez por conta disso a versão baiana do Festival Musiques Métisses - criado há 34 anos pelo produtor francês Christian Mousset - tenha dado a ênfase à diáspora negra e à produção musical africana contemporânea. Mousset já está na Bahia para conferir de perto este desdobramento da sua cria.

Carlinhos Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

Brown é o anfitrião da Festa, que acontece no seu Museu du Ritmo

O Festival acontece no Museu du Ritmo, espaço para espetáculos de Carlinhos Brown, localizado no bairro do comércio. O “dono da casa” também participa da festa, tocando ao lado dos percussionistas da Les Tambours de Brazza, do Congo, logo na noite de abertura do evento.

Durante as três noites do Festival, cantores e bandas da cena musical da África francófona e da diáspora negra dividem o palco com artistas baianos cuja sonoridade também é claramente influenciada pelos ritmos africanos.

As apresentações acontecem sempre em pares. Uma saudável inversão de papéis faz dos estrangeiros anfitriões e dos baianos, convidados. Assim, o público soteropolitano tem oportunidade tanto de conhecer o trabalho solo dos grupos de fora do país quanto de vê-los no palco ao lado das estrelas locais. Confira a programação.

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

Antigo "Mercado do Ouro", o Museu du Ritmo hoje negocia sonoridades

São seis os convidados inernacionais do Festival. Os já citados percussionistas do Congo, o rapper Didier Awadi (Senegal); a cantora Mounira Mitchala (Chade), conhecida como a “pantera doce de Ndjaména”; Tiken Jah Fakoly, reggaeman da Costa do Marfim que canta em francês e no dialeto diola; e o haitiano BélO, único representante do Caribe e de fora da África entre os artistas estrangeiros, inventor do ritmo “raggaganga”, que, segundo o próprio, é uma mistura de reggae, música vodu, rara, soul, dialogando também com o jazz.

O uso da língua francesa - traço comum a todos esses artistas - foi um critério importante para sua seleção, na medida que o Festival Músicas Mestiças Salvador é encerra a programação baiana do Ano da França no Brasil.

Mas existe uma exceção nessa lista: o caboverdiano Tcheka é o único estrangeiro que não tem o francês, mas o português, como língua oficial. Cantor e compositor, Tcheka desenvolveu um estilo pessoal de tocar a guitarra baseado no batuque, um ritmo popular de Cabo Verde.

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

A cantora Mounira Mitchala é a única representante do sexo feminino entre os convidados estrangeiros

Do aldo de cá do Atlântico, os artistas baianos escolhidos para enriquecer essa diversidade sonora fazendo participações especiais nos shows são: Carlinhos Brown, Margareth Menezes, a percussão do Olodum, Mariene de Castro, Mariella Santiago, Lazzo Matumbi, Percussivo Mundo Novo e Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz, que, com sua mistura de jazz e percussão afro-baiana, abre o encontro.

Além de shows, o Festival Músicas Mestiças Salvador oferece também oficinas musicais com Mounira Mitchala (hoje), Tcheka e Les Tambours de Brazza (sábado), na Candyall Gueto Square.

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz abre o Festival

Uma conferência sobre gestão coletiva de direitos autorais, organizada pela Sociedade de Autores, Compositores e Editores de Música (SACEM), da França, completa a grade de atividades do evento nesta sexta-feira.

E, então, que tal conhecer um pouco da diversidade da música negra no mundo?

(fotos: João Meirelles [Carlinhos Brown]; Eduardo Freire [Museu du Ritmo]; Mariele Góes [Orkestra Rumpilezz]; divulgação [demais])

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23 de outubro de 2009

SP: Trupe realiza mostra de arte dentro de um ônibus

Já imaginou pegar a condução, igualzinho a todo dia, e descobrir que está no meio de uma peça de teatro? Ou de um espetáculo de dança?

É isso que vai acontecer com os passageiros do ônibus no trajeto Terminal Sacomã - Terminal Mercado do Expresso Tiradentes, na capital paulista, entre os dias 25 e 28 de outubro. Seguindo o trajeto normal da linha, um ônibus oferece à “platéia de passagem” intervenções de teatro, dança, música e artes visuais, sempre das 10 às 13h.

Idealizada pela Trupe Sinhá Zózima, a mostra Arte Expressa deve ser vista por 6300 moradores da capital paulista. Segundo a própria Trupe, essa é a “primeira mostra de artes dentro do transporte público no município de São Paulo”. Confira a programação.

- O Público está ali para se locomover. Não sabe que naquele dia ele vai se deparar com esse tipo de arte. E não é um ônibus adaptado. A única diferença são as placas no teto de feitas pelos artistas plásticos. Daí um grupo entra e se apresenta, com passageiro, cobrador, motorista. Como um dia qualquer - explica o ator Anderson Maurício, um dos membros da Sinhá Zózima.

Para realizar a mostra, a Trupe conseguiu que uma empresa de transportes disponibilizasse um veículo a mais para a linha. “Também não obrigamos os passageiros a entrar; se quiserem, podem pegar o ônibus normal”, comenta Anderson.

- O nosso desafio é experimentar o espaço e levar a arte para outros lugares. Há Espaço ocioso e é o nosso trabalho mostrar que a arte pode se manifestar em todo lugar - completa o membro da Trupe.

O encerramento da mostra Arte Expressa fica por conta de uma exposição fotográfica no Terminal Mercado, entre 14 e 21 de novembro. As fotos registram os espetáculos e dividem os melhores momentos da mostra, além, claro de despertas a curiosidade de quem não teve a oportunidade de embarcar com o grupo.

A ousadia da iniciativa é consequência de uma pesquisa que a Trupe Sinhá Zózima vem desenvolvendo desde abril de 2007, quando os membros do grupo entraram pela primeira vez num ônibus, em Ubatuba, apresentando cenas, canções e intervenções artísticas.

Atualmente, o grupo teatral tem dois espetáculos que utilizam ônibus: “Cordel do Amor Sem Fim” e “Valsa no. 6″. Enquanto no primeiro a platéia realmente embarca numa viagem teatral com o ônibus em movimento, no segundo os atores apresentam-se com o veículo parado. “Isso gera uma angústia enorme do público, que fica na expectativa do ônibus andar”, conta Anderson Maurício.

Em cada montagem, o ônibus recebe um significado, e a interação com este espaço só é plena após a estréia, pois o público-passageiro é peça fundamental para ditar o ritmo e desenrolar da movimentação e interação entre o ônibus e as personagens do espetáculo. “O grau de improvisação é enorme”, diz Anderson Maurício.

Certa feita, quando a Trupe apresentava o “Cordel do Amor Sem Fim” em pleno engarrafamento de São Paulo, os atores perceberam que um grupo de crianças de rua acompanhava o espetáculo pelo lado de fora.

- Foi muito bonito. Ali a gente percebeu que espetáculo também acontecia fora do ônibus. Por mais que passe rápido, as pessoas nos pontos de ônibus notam a intervenção. No mínimo, pensam: “Pôxa, gostaria de pegar esse ônibus”. Acordamos um pouco e percebemos que o espetáculo atinge um público muito maior - argumenta Anderson Maurício.

E você, topa embarcar nesse ônibus?

(foto: Danilo Dantas/Divulgação)

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28 de agosto de 2009

Ao completar 10 anos, Jam Session é fenômeno na Bahia

Quem já foi ao Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, sabe que, além de obras de arte, o local - uma construção do séc. XVII, em plena Baía de Todos os Santos - reserva gratas surpresas aos visitantes. Uma delas são as jam sessions - sessões de improvisação de música instrumental - que acontecem às noites de sábado.

Este final de semana, a JAM no MAM comemora 10 anos de atividade com uma média de público superior a mil pessoas por noite! Nada mal para uma iniciativa de música instrumental na terra da axé-music, onde os músicos de outros gêneros vivem reclamando da falta de espaço ou de público.

Para celebrar os 10 anos, foi elaborada uma programação especial para as noites de quinta, sexta e sábado. Ontem, a banda de música instrumental jazzística Jurassik Quartet e a cantora Elza Soares - que entrou no clima do improviso e decidiu o repertório apenas momentos antes da apresentação - fizeram as honras da casa.

Mais de mil pessoas comparecem a cada sessão da JAm no MAM

Desde 2007, quando a JAM retornou, mais de mil pessoas comparecem a cada sessão

A atração da noite de hoje é uma apresentação especial do antigo Grupo Garagem, a mais importante banda de música instrumental formada na Bahia. Não é à toa que os músicos Ivan Bastos e Ivan Huol, integrantes à época do Garagem, foram os criadores da Jam Session em 1993. Após, o Garagem, o compositor e guitarrista Toninho Horta e a Orquestra Fantasma comandam o show com clássicos da música brasileira.

Para o último dia da celebração, no sábado, está reservada uma jam session especial, com a maioria dos músicos convidados para o projeto. Música baiana, baião, samba, frevo, salsa, blues, swing e, claro, jazz, são alguns dos ritmos esperados para a noite.

Todas as apresentações dividem espaço com a mostra “JAM em imagens”, na qual são exibidos vídeos e fotos produzidas pelo público nos últimos anos do evento. O ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Ivan Huol, um dos criadores do evento, era integrante do Grupo Garagem

Ivan Huol, um dos criadores do evento, era integrante do Grupo Garagem

Criada com o objetivo de ser um ponto de encontro da música instrumental, a JAM no MAM já levou ao Museu de Arte Moderna artistas de países tão diferentes como Canadá, EUA, Dinamarca, Colômbia, Itália, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Irlanda, Chile, Cuba, Argélia, Japão, Coréia e Espanha.

A história da JAM na área externa do Museu de Arte Moderna da Bahia tem duas fases distintas - daí a diferença entre os 10 anos comemorados agora e os 16, desde que foi criada.

Entre 1993 e 2001, quando era conhecida como JAZZ MAM, a JAM era gratuita e acontecia ta religiosamente todo sábado. Tinha uma média de público de aproximadamente 200 pessoas por sessão.

O público assiste as improvisações num dos cenários mais bonitos da cidade

O público assiste as improvisações num dos cenários mais bonitos da cidade

Convidada novamente para assumir as noites de sábado do Museu de Arte Moderna, em 2007, manteve a mesma assiduidade. Mudou o local das apresentações (agora no estacionamento do Museu, de frente para a Baía de Todos os Santos), e o ingresso, que passou a ser cobrado, a módicos R$ 4,00.

Quem acha que a cobrança afastou o público está redondamente enganado: a JAM passou a receber mais de mil pessoas por noite e tornou-se um fenômeno soteropolitano, provando, mais uma vez, que a Bahia não é terra de um ritmo só.

(fotos: Tiago Vaz)

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10 de junho de 2009

DF: Festival reúne pampa e cerrado em Brasília

Um festival diminui a distância entre o pampa e o cerrado, que se misturam a partir desta quinta-feira (11/05), na capital do Brasil.

Produto de um programa homônimo de televisão, veiculado pela TV Brasília, o I Festival de Música Pampa e Cerrado premia cantores que melhor traduzam a sonoridade de cada região.

- O Festival tem o objetivo de valorizar a música regional do sul do país e do centro-oeste. E promover o diálogo, fazer intercâmbios entre as duas culturas. Culturas que têm coisas muito semelhantes, com destaque para o Brasil rural. Mesmo as pessoas que vem para a cidade não perdem esse espírito - explica Nelson Gilles, que coordena o evento.

Lúcio Yanel é uma das atrações do Festival

Lúcio Yanel é uma das atrações do Festival

São oito concorrentes na quinta-feira (noite do cerrado) e oito na sexta (noite do pampa). No sábado, todos os 16 sobem novamente ao palco e são anunciados os vencedores do concurso.

Os primeiros lugares de cada categoria levam para casa R$ 10 mil e os vices, R$ 7.500,00. Também há prêmios, no valor de R$ 2 mil, para melhor instrumentista, intérprete (feminino e masculino), melhor letra e melhor arranjo.

Para chegar nos 16 finalistas, a organização do Festival teve que ouvir em torno de 385 canções, enviadas por cerca de 200 compositores, de 10 estados brasileiros.

- Pena que só pudemos colocar 16 competidores no palco. Se a gente tivesse mais patrocínio, colocaria 12 cantores por noite - comenta o organizador do Festival.

Curiosamente, nenhum dos 16 finalistas pertence ao DF, que sedia o Festival. “Por incrível que pareça! Mas temos que reconhecer que Brasília não tem uma tradição forte de mostras competitivas”, argumenta Nelson Gilles.

Volmir Martins encarna a cultura do pampa

Volmir Martins encarna a cultura do pampa

O I Festival de Música Pampa e Cerrado acontece de 11 a 13 deste mês, no pavilhão do ExpoBrasília. Integra a programação oficial da ExpoTchê, uma das maiores feiras de cultura regional da capital federal, que está na 17ª, edição.

- Achamos por bem fazer lá porque é um palco de excelência para divulgação da cultura gaúcha. Um alimenta o outro. A feira atrai cerca 200 mil visitantes em 10 dias (5 a 14 de junho). Esperamos que em torno de 1000 a 1500 pessoas visitem nossos palcos por noite - explica Nelson Gilles.

Mas o Festival os competidores não são as únicas atrações do Festival. Na quinta-feira, a noite é encerrada pelos músicos Luís Carlos Borges e Lúcio Yanel. Na sexta, sobem no palco Juanito e Sua Harpa e Márcio Texano e Gabriel. Na última noite do Festival, Volmir Martins e Renato Teixeira delineiam os contornos do pampa e do cerrado.

convidado de peso para o encerramento do Festival

Renato Teixeira: convidado de peso para o encerramento do Festival

Argentino criado no Rio Grande do Sul, atualmente vivendo em Brasília, Nelson Gilles entende a cidade como uma pequena babel que reúne todo o país.

- Brasília é na verdade o povo do Brasil inteiro. Nessa região tem cerca de 250 mil gaúchos, tem encontros de violeiros, uma folia de reis muito forte… tem todas as culturas do povo que vem para cá trabalhar e não quer perder sua identidade. Brasília propicia isso. Acolhe as pessoas e suas culturas - diz.

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3 de abril de 2009

BA: Artista transforma papelão em instrumentos percussivos

Já imaginou uma bateria de 80 músicos tocando instrumentos… de papelão? O artista plástico e inventor Ives Qualglia teve essa visão e, desde 2002, passou a fabricar marcações, timbaus, repiques, pandeiros, moringas, tamborins e muitos outros tendo como principal matéria-prima o papelão.

Além do papelão, são utilizados eventualmente madeira, tecido e papéis diversos. Para o lugar das peles (membranas tocadas com as mãos), o artista utiliza garrafas plásticas, radiografias e outros materiais similares.

- Cato, literalmente, o lixo da rua. Estamos mudando o conceito contemporâneo de lixo. Encontramos papelão, madeira, radiografias, garrafas pet… e conseguimos construir instrumentos, seja ele qual for - afirma Ives Quaglia.

Ives Quaglia, "tirando um som" até de lixeira feita por ele

Ives Quaglia, "tirando um som" até de lixeira de papel feita por ele

Há muitos anos, Ives desenvolve uma pesquisa sobre as possibilidades do papelamento, a técnica de construir objetos a partir da sobreposição e modelagem de camadas de papel. As primeiras experiências de produção de instrumentos aconteceram em 2002, quando coordenou as Oficinas de Instrumentos Percussivos do bloco Malê Debalê.

- Eu transformo o papel em madeira. Faço o processo inverso. A madeira não é constituída de fibras sobrepostas? Claro que é uma reinterpretação, mas faço o mesmo com papel e construo objetos com a tão firmes quanto madeira. Com a vantagem que as possibilidades de modelagem são infinitas! - assegura o artista.

O sonho de Ives é formar uma bateria com 80 músicos tocando "instrumentos verdes"

O sonho de Ives é formar uma bateria com 80 músicos tocando "instrumentos verdes"

Segundo Quaglia, os instrumentos construídos de papelão têm a vantagem adicional de possuírem extrema leveza e durabilidade.

Para demonstrar o seu ponto de vista, ele simplesmente arremessa um timbau no chão - algo impensável de se fazer com um instrumento tradicional. Logo depois, recolhe o instrumento, sem nenhum dano aparente.

- Os objetos têm leveza e durabilidade. Resistem inclusive à água. E, caso ocorra de terem algum dano, basta “papelar” novamente - argumenta com tranqüilidade o artista.

O uso do papel vai além da estrutura dos instrumentos. Durante a entrevista, o artista plástico me mostra um outro instrumento - Xequerê -, cujas contas responsáveis por sua sonoridade são feitas de papel.

até as contas são de papel

Xequerê: até as contas são de papel

Na “fábrica” de Ives Quaglia ainda há espaço para mais inovação. Ele não apenas copia objetos existentes, como cria novos instrumentos percussivos.

Filho de pescador, nomeia todas suas criações fazendo analogias com o universo marinho. Aponta para dois instrumentos e diz: “aqueles ali são baiacu e cachimbau”.

Radiografias no lugar da "pele" dos tambores

Radiografias e garrafas pet no lugar da "pele" dos tambores

O artista também criou um sistema próprio de afinação dos instrumentos, para garantir a qualidade do som produzido por eles.

- Tudo o que produzo aqui testo com amigos músicos, que vão me dando retorno e sugerindo melhorias. Não sou músico, mas sei que este trabalho tem dado uma grande repercussão na área musical. É um novo paradigma, né? - explica.

O artista desenvolveu um sistema de afinação próprio para seus instrumentos

O artista desenvolveu um sistema de afinação próprio para seus instrumentos

Desde novembro de 2005, o artista trabalha com um grupo percussivo de instrumentos confeccionados com materiais reutilizáveis, o Bandodipapel, formado com 30 componentes percussionistas e 10 dançarinas.

Com adereços criados e confeccionados também na técnica do papelamento, o grupo acompanha várias festas populares, especialmente as que acontecem em Itapuã.

Criar e educar

Aos 49 anos, Ives Quaglia é também professor concursado do Estado da Bahia, atualmente cedido à Escola Percussiva Pracatum, fundada por Carlinhos Brown.

A Pracatum é um dos locais em que o artista une as suas duas paixões: criar e ensinar. Definindo-se como arte-educador, Ives explica que a própria confecção das obras é uma ação educativa.

Ives Quaglia em seu estúdio

Ives Quaglia em seu estúdio

“O processo de confecção das obras é produto de um contexto, uma ação coletiva. Não dá para eu ficar isolado com esse conhecimento”, revela o artista, que afirma sempre construir os objetos compartilhando a sua.

Faz questão de que parte significativa dos materiais utilizados seja coletada e/ou aproveitada do universo da Instituição ou da localidade próxima (rua, bairro, região), dando um caráter de identidade e pertencimento desde o início da concepção da proposta.

Acusação de plágio no carnaval 2009

O clima da entrevista fica automaticamente tenso quando Ives Quaglia me fala sobre o carnaval de 2009. Assegura que a baleia de garrafas pet de 10 metros assinada pelo artista plástico Ray Vianna e exibida por Carlinhos Brown em seu Camarote Andante seria uma cópia de um projeto seu.

- Fui convidado para fazer esse trabalho com ele (Vianna) por uma ONG inglesa chamada Global Ocean. Era fazer uma interferência dentro do carnaval, uma baleia de garrafas pet. Então eu socializei com ele todo o trabalho que venho fazendo há anos em Itapuã, tanto que a baleia dele é igual à minha, uma jubarte, as mesmas características - afirma.

O projeto, entretanto, não foi adiante por desistência da ONG, que alegou falta de recursos.

Projeto da baleia de Ives

Projeto da baleia de Ives

Ives conta se sentiu traído por Ray Vianna, amigo de infância dele, quando soube que o bloco de Brown teria como tema o aquecimento global e exibiria a baleia que ele havia projetado.

- É muita coincidência uma baleia nas mesmas proporções, nas mesmas dimensões do meu projeto, aparecer de repente no carnaval. Então a força divina que deve ter colocado essas informações todas na mão lá dele - afirma.

Confrontado com a resposta do “ex-amigo”, que nega ter usado o projeto de Ives, o artista plástico de Itapuã reage com mais ironia:

- Não é o carnaval de “vamos beijar na boca”? Ele deu uma chupada na gente daquele jeito bastante peculiar do carnaval, na tora. E sem creditar. Tanto que os efeitos especiais da baleia que são borrifar confete, borrifar água e balançar a calda são do meu projeto - enfatiza.

Baleia que todos os anos "desfila" no carnaval de Itapuã

Baleia que todos os anos "desfila" no carnaval de Itapuã

Para Ives Quaglia, a revolta não vem da ausência de remuneração, mas pela falta de reconhecimento de seu trabalho.

- Não estou querendo cobrar nada dele, acho até constrangedor estar me posicionando. Quero apenas o reconhecimento de um trabalho que já vem sendo feito há anos dentro da comunidade de Itapuã. Não sou só eu não. Isso tem a ver com todo o sentimento de pertencimento de uma comunidade do trabalho que vem sendo feito há anos durante o carnaval. Ele se nega a se manifestar - conclui.

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16 de março de 2009

Festival Internacional coloca a Sanfona em destaque

Começa hoje o I Festival Internacional da Sanfona, maior do gênero já realizado no Brasil.

Até o próximo sábado (21), o festival oferece uma extensa programação de palestras, oficinas, exposições e grandes shows, inclusive a gravação do segundo DVD de Targino Gondim, curador e diretor artístico do evento.

- O objetivo do festival é valorizar a arte de tocar sanfona, garantindo a troca de experiências e a divulgação do instrumento que é uma ação fundamental para o fortalecimento da autêntica música brasileira - afirma Gondim.

Targino Gondim é o curador e diretor art�stico do festival

Targino Gondim é curador e diretor artístico do festival

Pela sanfona, as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), separadas apenas pelo Rio São Francisco, superaram a eterna rixa e recebem conjuntamente o festival, que deve atrair cerca de 20 mil pessoas.

“Eu gosto de Juazeiro, mas adoro Petrolina”
Versos da canção Petrolina-Juazeiro (Jorge de Altinho)

A cidade pernambucana dá início à programação, recebendo no River Shopping, durante todo o período do festival, a exposição de modelos de sanfonas da coleção de Valério Sanzovo e a mostra do acervo do Museu Fonográfico Luiz Gonzaga.

Renato Borghetti representa a tradição sulista no uso do acordeon

Renato Borghetti representa a tradição sulista no uso do acordeon

A abertura oficial do Festival da Sanfona acontece na terça-feira, às 20h, no Centro de Cultura João Gilberto, quando o italiano Mirco Patarini realiza um concerto solo.

Único artista que permite ao evento intitular-se internacional, Mirco Patarini sagrou-se, aos 18 anos, campeão do Troféu Mundial do Acordeon, em La Caux-de-Fonds, na Suíça. Atualmente, apresenta-se em vários palcos mundo afora e é presidente do Conselho da Confederação Internacional de Acordeonistas.

Petrolina e Juazeiro (foto) superam rivalidade e recebem Festival da Sanfona

Petrolina e Juazeiro (foto) superam rivalidade e recebem Festival da Sanfona

Homenageados do festival, Luiz Gonzaga e Sivuca são temas de palestras nos dias 16 e 18, respectivamente, no Grande Hotel de Juazeiro. Presente no evento, o instrumentista Dominguinhos também é assunto de palestra, realizada no dia 20, no mesmo local.

O ponto alto do festival são os grandes shows e a gravação do DVD de Targino Gondim. Enquanto a gravação ocorre no dia 19, às 19h, no Centro de Cultura João Gilberto, os shows acontecem nas duas noites seguintes, na Orla Nova de Juazeiro.

A programação tem ainda oficinas práticas de sanfona cromática de 120 baixos (18 a 20 de março) e de 8 baixos (dia 20), no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro (BA), ministradas pelos sanfoneiros Mestre Camarão - que dirige a Escola Acordeon de Ouro e é maestro da Oficina Sanfônica do Recife - e Luizinho Calixto, autor do primeiro manual de oito baixos do País.

Oswaldinho é uma das atrações do evento

Oswaldinho é uma das atrações do evento

O festival leva a Juazeiro instrumentistas que têm muita intimidade com o acordeon. Além dos já citados, também participam: Oswaldinho do Acordeon; Renato Borghetti; Cicinho de Assis; Raimundinho do Acordeon; Joaquinha Gonzaga (sobrinho de Gonzagão e atualmente único sanfoneiro da família) e a Orquestra Sanfônica de Aracaju. Completam o time de artistas o grupo Clã Brasil e a cantora Elba Ramalho.

Animado, o curador do festival já projeta outras edições do festival com artistas que não estarão presentes agora, como Hermeto Pascoal, Adelson Viana e Toninho Ferragutti. Targino Gondim também promete mais espaço aos sanfoneiros locais: “desde já digo que estaremos dando vez aos da nossa terra nos próximos festivais”.

Instrumento com mais de 3200 de história

Descendente do milenar Sheng chinês, a sanfona ou acordeon tem mais de 3.200 anos de história. Foi patenteada em Viena, no ano de 1827.

�cone da cultura popular brasileira

Sanfona: ícone da cultura popular brasileira

Ícone do nordeste brasileiro ainda é, hoje, o principal instrumento das festas tradicionais brasileiras, presente na maioria dos arranjos musicais dos mais variados gêneros e estilos. O instrumento é muito praticado na Alemanha, nos Estados Unidos, Itália, interior da França, Bulgária e mesmo no Japão.

Um dia para a Sanfona

Aproveitando a mobilização em torno do festival, a Câmara Municipal de Juazeiro aprovou por unanimidade, no dia 11 de março, o projeto de lei nº 2.578/2009 que institui o Dia Municipal da Sanfona, no dia 07 de outubro dia do aniversário do “sanfoneiro de ouro, Targino Gondim”.

Embora pernambucano de Salgueiro, Targino Gondim mudou-se aos dois anos para Juazeiro, onde foi criado e começou a “tomar gosto” pela sanfona.

- Essa é uma homenagem justa a uma das maiores expressões da sanfona na nossa cidade e que está realizando um evento tão relevante para o município como o I Festival Internacional da Sanfona - declarou durante a sessão o vereador Crisóstomo Lima, autor do projeto.

(fotos: divulgação/ I Festival Internacional da Sanfona)

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1 de março de 2009

GO: Fim de semana de música, teatro e circo em Pirenópolis

Desde ontem, as praças do centro histórico de Pirenópolis, uma das cidades mais charmosas de Goiás, recebem música, teatro e circo.

Oito espetáculos culturais desenvolvidos por artistas brasilienses e pirenopolinos circulam na cidade nesses dois dias, em várias apresentações, completando mais de 10 horas de entretenimento gratuito.

Esta é a primeira edição do projeto Circularte - realizado pelo Instituto Zabilin, com apoio do Ministério do Turismo -, cujo objetivo é valorizar o turismo cultural.

Entre as atrações, palhaços acrobatas, miniteatro de bonecos, brincadeiras infantis, cantigas de trabalho dos agricultores, shows, aula-espetáculo sobre a história das violas, teatro de cordel e um auto teatral sobre histórias, mitos, lendas de Pirenópolis.

Ainda dá tempo de ver

Embora boa parte das apresentações tenha ocorrido neste sábado e na manhã de hoje, ainda dá tempo de ver algumas. Às 16h, no Alto do Bonfim (Vila Mutirão), são apresentados os espetáculos “O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” (teatro) e “Tome sua Poltrona” (circo), de Brasília, e o “Teatro de Jovens da Escola da Vila”, de Pirenópolis.

“O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” é um espetáculo de rua cuja temática, o uso dos preservativos, é tratada a partir de um divertido teatro de cordel. Ao final da apresentação, são distribuídas camisinhas para o público.

Já o espetáculo circense “Tome sua Poltrona” mostra dois palhaços acrobatas, que dançam manipulando objetos e fazem números de magia cômica. Dirigido por Denis Camargo, com atuação de Érika Mesquita e Atawallpa Coello, o espetáculo tem na música (clássica, popular e jazz) o elemento chave na evolução das cenas.

Finalmente, o grupo de Teatro de Jovens da Escola da Vila encerra a programação com um auto teatral contando a história de Pirenópolis reinventada pelo grupo a partir dos relatos e memórias do Mestre Griô Bastião de Chica, atualmente com 92 anos de idade.

(foto: Flogão Circo Rebote)

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26 de fevereiro de 2009

Festival Rec-Beat reúne Pernambuco e América Latina em SP

Há 14 anos, o Festival Rec-Beat leva ao limite o ideal de Carnaval Multicultural da cidade do Recife. Festival independente, leva todo ano à capital pernambucana, sempre no período do carnaval, as mais variadas novidades musicais do Brasil e de países da América Latina.

A primeira edição do Festival Recbeat foi num pequeno bar em Olinda, chamado Oficina Mecânica, que funcionava no Pina, com uma “filial” em Olinda, naquele ano. Bandas como Eddie, Paulo Francis Vai Pro Céu e Dreadful Boys estavam lá. A empreitada deu certo e chamou a atenção do público que passava a ir para a noite de Carnaval em Olinda para conferir essas bandas.

No ano passado, o Blog das Ruas entrevistou Pedro Bayeux, autor de dois vídeos sobre o Festival.

Em 2009, o festival inova novamente e realiza uma edição especial em São Paulo. O Rec-Beat.SP leva ao Sesc Pompéia bandas pernambucanas e latinas em três dias de apresentações, de hoje a sábado.

A cantora Catarina Dee Jah nao tem problemas em embarcar no tecno-brega

A cantora Catarina Dee Jah embarca sem problemas no tecno-brega

É uma pena que, em São Paulo, o festival não seja de graça, como sua versão recifense. Ainda assim, os preços cobrados (R$ 20,00, a inteira) são bastante possíveis.

São duas apresentações por noite, sempre com os artistas de Pernambuco fazendo o primeiro show e as atrações internacionais encerrando a noite. Da terra de Chico Science, sobem ao palco a dupla recifense Júlia Says cujo som se situa entre o rock e a música eletrônica; a cantora, DJ e artista plástica Catarina Dee Jah, que mistura dub, disco music, ritmos eletrônicos, gafieira e brega; e o já bastante conhecido DJ Dolores.

A banda venezuelana de ska Desorden Publico fez o show mais empolgante no Rec-Beat em Pernambuco

A banda venezuelana de ska Desorden Publico fez o show mais empolgante no Rec-Beat em Pernambuco

Os estrangeiros são: Desorden Público (Venezuela); Bomba Estéreo (Colômbia) e Original Hamster (Chile). Considerado por muitos o melhor show do festival em Pernambuco, o ska do Desorden Público levou o público a dançar freneticamente.

Os colombianos do Bomba Estéreo também possuem apresentações ao vivo bem energéticas, misturando música e imagem.

O DJ chileno Original Hamster divide a ultima noite com o DJ Dolores

O DJ chileno Original Hamster divide a ultima noite com o DJ Dolores

Já o chileno Vicente Sanfuentes (Original Hamster) compartilha de muitas das influências do DJ Dolores, artista com quem divide a última noite. Brincando com os estilos musicais, Hamster faz da imprevisibilidade a marca de suas apresentações ao vivo.

Essa é uma pequena amostra do Rec-Beat, festival que acrescentou mais diversão, irreverência e originalidade ao carnaval do Recife. E que todo ano dá um jeito de surpreender novamente o público que participa da folia pernambucana.

(Fotos: divulgacao/ Festival Rec-Beat)

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