PE: Jovens surdos produzem vídeos
Seis vídeos produzidos por jovens foram lançados ontem, no município de Nazaré da Mata, em Pernambuco. Nada de extraordinário, não fosse o fato desses jovens terem deficiência auditiva.
Na tela, contam histórias que variam entre a comédia e o drama, sobre casamento, amor entre surdos e, é claro, o preconceito. Faladas em libras, todas as histórias são também legendadas para que os ouvintes possam entendê-las.
Agora o plano é exibir os vídeos em todos os canais possíveis, em especial a TV aberta. Para tanto, já existem negociações em andamento com a TV Cultura e a TV Solidária (retransmissora da TV Brasil).
Com quatro minutos cada, os vídeos são resultado de oficinas de audiovisual para surdos realizadas em 2008. Duas delas no próprio município de Nazaré da Mata e outra em Surubim, no agreste pernambucano.
Aproximadamente 60 jovens participaram das oficinas, nas quais as responsabilidades pela produção dos vídeos eram divididas segundo suas aptidões.
- Eles decidiam e executavam tudo. Nós prestávamos apenas uma espécie de assessoria. Só a operação do software de edição ficou por nossa conta. Ainda assim, também esse processo era dirigido por eles. Tinham autonomia total - explica Rafael Coelho, coordenador do projeto.
A montagem das oficinas, entretanto, foi uma aventura bastante complexa e repleta de obstáculos.
- O surdo tem uma dificuldade incrível de ler e escrever! Não sei como o ministério da educação nunca se deu conta disso - comenta Coelho.
Para superar essa dificuldade, os roteiros criados pelos jovens foram concebidos principalmente a partir de desenhos, e não da palavra escrita.
Os organizadores das oficinas também tiveram que enfrentar o fato de não existirem, em libras (linguagem dos surdos) sinais correspondentes à linguagem audiovisual especializada.
- Termos como flashback, sequência, cena, efeito especial simplesmente não existiam em libras. Tivemos que fazer uma adaptação e criar novos sinais - afirma o coordenador das oficinas.
Segundo Coelho, todo esse trabalho está à disposição de outras organizações que pretendam trabalhar audiovisual com pessoas dotadas de deficiência auditiva.
As oficinas ocorreram em locais onde já existia uma ação voltada para surdos. Enquanto a Escola Estadual Severino Farias, em Surubim, tem uma turma especial para eles, em Nazaré da Mata, onde acabam de ser lançados os filmes, está sediado o Cefras - Centro de Referência em Formação da Criança e Adolescentes Surdos.
Realizadas pela produtora Página 21, as oficinas forma apoiadas pelo Banco do Nordeste e pela Votorantim.
(fotos: divulgação/ Página 21)


