PE: Olinda recebe festival de “frevo para damas”
Hoje e amanhã Olinda (PE) estará entregue ao frevo no 2º Festival de Orquestras de Pau e Corda para Blocos Líricos de Pernambuco. Mas não aquele frevo agitado, de sombrinhas na mão, que conhecemos. Nesses dois dias, a charmosa cidade histórica é envolvida na sonoridade de um frevo romântico, saudosista, feito para “boas moças”.
Gratuito, o Festival acontece na Praça do Fortim (Carmo), a partir das 19h e reúne as melhores orquestras dos principais blocos líricos de frevo de Olinda, Paulista e Recife.
Os blocos líricos de frevo são compostos por cordas (daí o nome orquestras de pau e corda): bandolins, violões, cavaquinhos e violino. Há cerca de 40 anos, com o crescimento dos cortejos, foram introduzidos os metais, para melhorar a sonoridade.
Marcos Barbosa, o maestro do Bloco Flor da Lira - organização responsável pelo Festival - explica que no início do século XX não era “bem visto” que as damas participassem das festas de carnaval.
Então, para que elas pudessem festejar, foram aparecendo os blocos líricos, com canções com cadência suave e letras poéticas, inspirados nas serestas e nos pastoris. Por isso, a música tocada é um tipo de frevo mais arrastado, romântico, bem diferente do frenético frevo-de-rua conhecido em todo país.
Na Praça do Fortim, portanto, serão executadas canções clássicas de frevo lírico como “Madeira de lei que cupim não rói”, “Evocações”, “Sabe lá o que é isso”, “Flabelo das ilusões”, “Vem Dudu”. Confira a programação.
Durante os Festival, as orquestras tocam quatro de suas principais canções e são homenageadas com medalhas. Cada comenda tem o nome de um compositor, carnavalesco ou carnavalesca que contribuiu ou contribui para o engrandecimento do frevo. São eles: os compositores Benício Neves, Luiz Wanderley, Cândido Maximiano, Teodomiro Pereira, Romero Amorim, Joel Andrade, Getúlio Cavalcante e Fred Monteiro. Também dão nome às medalhas as carnavalescas Laura Nigro e Maria da Piedade.
Dos blocos que participam do Festival o mais antigo é o Banhistas do Pina, nascido em 3 de fevereiro de 1932, hoje com 77 anos. Já o mais jovem é o Menestréis do Paulista, fundado em 13 de dezembro de 2003, com seis anos.
(fotos: Ádria de Souza/Pref.Olinda [1,3]; reprodução [2])






