Terra Magazine

25 de setembro de 2009

PE: Olinda recebe festival de “frevo para damas”

Hoje e amanhã Olinda (PE) estará entregue ao frevo no 2º Festival de Orquestras de Pau e Corda para Blocos Líricos de Pernambuco. Mas não aquele frevo agitado, de sombrinhas na mão, que conhecemos. Nesses dois dias, a charmosa cidade histórica é envolvida na sonoridade de um frevo romântico, saudosista, feito para “boas moças”.  

Gratuito, o Festival acontece na Praça do Fortim (Carmo), a partir das 19h e reúne as melhores orquestras dos principais blocos líricos de frevo de Olinda, Paulista e Recife.

Os blocos líricos de frevo são compostos por cordas (daí o nome orquestras de pau e corda): bandolins, violões, cavaquinhos e violino. Há cerca de 40 anos, com o crescimento dos cortejos, foram introduzidos os metais, para melhorar a sonoridade.

Marcos Barbosa, o maestro do Bloco Flor da Lira - organização responsável pelo Festival - explica que no início do século XX não era “bem visto” que as damas participassem das festas de carnaval.

Então, para que elas pudessem festejar, foram aparecendo os blocos líricos, com canções com cadência suave e letras poéticas, inspirados nas serestas e nos pastoris. Por isso, a música tocada é um tipo de frevo mais arrastado, romântico, bem diferente do frenético frevo-de-rua conhecido em todo país.

Na Praça do Fortim, portanto, serão executadas canções clássicas de frevo lírico como “Madeira de lei que cupim não rói”, “Evocações”, “Sabe lá o que é isso”, “Flabelo das ilusões”, “Vem Dudu”. Confira a programação.

Durante os Festival, as orquestras tocam quatro de suas principais canções e são homenageadas com medalhas. Cada comenda tem o nome de um compositor, carnavalesco ou carnavalesca que contribuiu ou contribui para o engrandecimento do frevo. São eles: os compositores Benício Neves, Luiz Wanderley, Cândido Maximiano, Teodomiro Pereira, Romero Amorim, Joel Andrade, Getúlio Cavalcante e Fred Monteiro. Também dão nome às medalhas as carnavalescas Laura Nigro e Maria da Piedade.

Dos blocos que participam do Festival o mais antigo é o Banhistas do Pina, nascido em 3 de fevereiro de 1932, hoje com 77 anos. Já o mais jovem é o Menestréis do Paulista, fundado em 13 de dezembro de 2003, com seis anos.

(fotos: Ádria de Souza/Pref.Olinda [1,3]; reprodução [2])

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22 de fevereiro de 2009

PE: Primeiro bloco de capoeira do mundo sai hoje em Olinda

Reivindicando o título de “primeiro bloco de capoeira do mundo”, o Bloco do Berimbau desfila hoje (22/2) pelas ladeira de Olinda.

O cortejo, formado por 150 berimbaus e 500 capoeiristas - sendo pelo menos 50 mestres - se concentra logo cedo em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário.

Às nove da manhã, começa a tremular o estandarte anunciando: Salve o Bloco do Berimbau! e o cortejo segue até o Mercado Eufrásio Barbosa, num percurso que dura cerca de quatro horas, com direito a muitas rodas de capoeira no caminho.

O Bloco dos Berimbaus leva a capoeira às ladeiras de Olinda

O Bloco leva a capoeira às ladeiras de Olinda

O número de berimbaus ainda pode aumentar bastante, pois o Bloco tem uma política de distribuir gratuitamente as camisas (que custam R$ 5,00) a quem for com o próprio berimbau para o desfile.

Fundador e coordenador da Agremiação, Mestre Ulisses, do Grupo Lua de São Jorge, guarda “muitas camisas para distribuir na hora porque vem gente de outros estados e até de fora do país para participar “.

Tem ainda os muitos admiradores, que se juntam ao cortejo depois que ele sai.

A cada parada, forma-se uma nova roda de capoeira

A cada parada, forma-se uma nova roda de capoeira

Durante o desfile, Mestre Ulisses vai à frente do cortejo, junto ao carro de som, puxando o ritmo do mar de berimbaus. Além deles, os únicos instrumentos permitidos são pandeiros, um timbau e duas alfaias. “Para mexer mais com a pulsação do coração”, afirma o mestre.

- E como o senhor é pode garantir que este é o primeiro bloco de capoeira do mundo?

- Ora, não existem blocos fora de Olinda… além disso, fiz uma pesquisa quando fui fundar o Bloco do Berimbau, em 2002, e me dei conta que não existia nenhum outro - afirma o mestre.

O objetivo de fundar o Bloco do Berimbau foi chamar atenção para a capoeira durante o carnaval. “A capoeira deu origem ao frevo, mas foi reconhecida patrimônio imaterial bem depois dele”, conta o fundador do bloco.

Este é o sétimo desfile do grupo, que homenageia os 50 anos do Mestre Juarez, outro fundador da agremiação.

- Eu não homenageio gente morta não, só viva - conta Mestre Ulisses. - Se eu fosse morto e resolvessem me fazer uma homenagem, eu ficaria muito chateado.

Este ano, o Bloco leva berimbaus de 3m de altura às ruas

Este ano, o Bloco leva berimbaus de 3m de altura às ruas

Em seu quarto ano (2006) o Bloco levou para as ruas quatro berimbaus de cinco metros de altura. Virou tradição. Em 2009, os berimbaus são um pouco menores e alcançam “apenas” três metros de altura.

- Mas este ano o bambu é mais fino, dar para tocar estes berimbaus - comenta Mestre Ulisses.

Outra novidade para o desfile é um de um capoeirista negro, carregando um berimbau.

(fotos: Acervo Bloco do Berimbau)

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