Terra Magazine

19 de outubro de 2009

SP: Mostra Cultural põe em evidência a produção da periferia

Entre 19 e 25 de outubro, a Casa Popular de Cultura do M’Boi Mirim, o CEU Campo Limpo, o CEU Casa Blanca e o Bar do Zé Batidão, na periferia de São Paulo, são ocupados pela II Mostra Cultural da Cooperifa, a Cooperativa de Poetas da Periferia.

Chama atenção a variedade e a quantidade de produções em dança, teatro, música, artes-plásticas, literatura e cinema reunidas para comemorar a oitava festa de aniversário do Sarau da Cooperifa. Confira a programação.

Curador da Mostra, o poeta Sérgio Vaz lançou mão de todas essas linguagens para colocar a produção cultural da periferia brasileira em evidência. Dá até para se perguntar por que ou para que a periferia deve ir ao centro? Aliás, onde está o centro?

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distrtibu�das à população

Anualmente, a Cooperifa realiza a "chuva de livros", quando as publicações são distribuídas à população

Ganham destaque na programação a feira de livros e debates sobre literatura com Marcelino Freire, Xico Sá, Ferréz, Sacolinha, Heloisa Buarque de Hollanda, Écio Salles, Chacal, Sérgio Vaz, Alessandro Buzo e Nelson Maca.

Para a garotada, a espanhola Cia. Bambalina, apresenta Kraft, que usa os fantoches e mescla a linguagem teatral com outras dramaturgias para abordar o amor pelas pessoas e coisas. No teatro os interessados também podem ver Os Tronconenses, do Núcleo Teatral Filhos da Dita/Instituto Pombas Urbanas.

Este é "Para�ba", o lanterninha do Cinema na Laje

Este é "Paraíba", o lanterninha do Cinema na Laje

Já o Cinema na Laje é pura ousadia. Uma sala de cinema ao ar livre, na laje do Zé Batidão. O curador Sérgio Vaz já tinha inclusive anunciado em seu Blog que o Cinema na Laje “vai virar o cinema Paradiso da Zona Sul paulistana”.

Durante essa semana são exibidos curtas e longas nacionais a exemplo de Profissão MC (52 min), de Alessandro Buzo e Toni Nogueira e Pode me chamar de Nadí (18 min) de Déo Cardoso (CE). Esses são alguns dos títulos que vão inspirar o debate A periferia se vê no cinema de periferia?.

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Registro delicado do primeiro Sarau da Cooperifa

Para concretizar a Mostra, a Cooperifa articula parcerias que envolvem a ONG Ação Educativa, o Centro Cultural da Espanha, o Itaú Cultural, a Global Editora e o SESC Santo Amaro.

Como movimento de incentivo à leitura e à criação poética, a Cooperifa já realizou eventos inusitados como o “Poesia no ar”, quando os poemas são soltos em balões; o “Ajoelhaço”, ocasião em que poetas e convidados ajoelham-se e pedem perdão para as mulheres e a “Chuva de livros”, quando presenteia a comunidade com livros (neste ano foram 600).

(fotos: reprodução)

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26 de agosto de 2009

Maior Festival de Teatro de SP acontece na periferia

Amanhã começa o IV Festival Nacional de Teatro do Campo Limpo, bairro da periferia de São Paulo. E é justamente nesse bairro fortemente dividido, onde favelas e conjuntos populares ficam lado a lado com condomínios de classe média e média alta, que acontece o maior festival de teatro do Estado de São Paulo.

“É o maior festival do Estado de São Paulo”, garante Luciano Santiago, coordenador responsável pelo Festcal, em entrevista ao site Catraca Livre.

Santiago ainda afirma que as companhias que fazem parte do festival têm uma proposta de pesquisa continuada e “estão preocupados em saber como a obra apresentada chegará para as pessoas, por isso, estudam movimentos sociais, culturais e teatrais”.

Idealizado pela Trupe Artimanha e realizado pela primeira vez em 2006, com a participação de 11 grupos, o Festival vem crescendo ano a ano. Na quarta edição, apresentam-se 39 grupos de 15 cidades e seis estados brasileiros, além do distrito federal.

Completamente gratuito, o Festcal dura 12 dias (27 de agosto a 7 de setembro). As apresentações ocorrem em seis espaços distintos: os CEUs (Centros Educacionais Unificados) Casablanca, Paraisópolis e Cantos do Amanhecer; o Centro Cultural Monte Azul; o Espaço Artemanha de Teatro e a Praça do Campo Limpo, onde acontece a mostra de teatro de rua (5, 6 e 7 de setembro).

Além das apresentações, a programação do Festcal também inclui oficinas e debates.

Em 2009, a novidade do Festival são os “Encontrões Noturnos”, um momento para conhecer trabalhos em processo de experimentação, performances e cenas curtas. Nove coletivos participam dos Encontrões, que são realizados no Espaço Artemanha de Teatro, sempre às 23h.

Nos dias de encerramento (6 e 7 de setembro), as noites terminam com a apresentação de poetas no Sarau Exepedición Dondes Miras e de dois grupos musicais da região: Velha Guarda do Helga e a Banda Preto Soul.

(foto: divulgação)

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4 de agosto de 2009

BA: Soundsystem mobiliza mutirão de artistas na periferia de Salvador

Junte alguns DJs, MCs e muitas caixas de som. Acrescente uma multidão dançando em volta e você terá um genuíno soundsystem.

Os soundsystems (sistemas de som) são muito populares na Jamaica, uma verdadeira paixão nacional da pátria do reggae. Surgida nos anos 50, a cultura dos soundsystems é
uma das mais sólidas tradições jamaicanas, por onde passa boa parte da cultura popular daquele país.

Se depender do pessoal do ministereopublico - Sistema Perambulante de Som também serão populares em breve na Bahia.

Formado em 2004, o ministereopublico vem, ao longo dos anos, ocupando ruas, praças, bairros e casas noturnas da capital baiana, com o intuito de popularizar e fortalecer a cultura de soundsystem no Estado.

Único soundsystem de Salvador especializado em reggae, dub, ragga, dancehall e jungle, o Ministereopublico também começa a fazer uma pequena revolução nas periferias de Salvador.

A comunidade se mobiliza pela arte no Mutirão Mete Mão

A comunidade se mobiliza pela arte no Mutirão

É o Multirão Mete Mão, evento itinerante que percorre os bairros da periferia soteropolitana, mobilizando artistas locais, grafiteiros, estudantes, músicos, líderes comunitários, professores, e, é claro, os “anfitriões-moradores”.

Realizado em conjunto com o grupo de graffiti 071 Crew, o Multirão Mete Mão é inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas de Recife e do Rio de Janeiro.

O diálogo com o público flui principalmente fez através do graffiti e da ambientação sonora baseada na música jamaicana, cultura que têm forte influência no som produzido na Bahia.

No Mutirão, entretanto, tem de tudo. Malabares, grupos de percussão, b-boys, palhaço, pintura, teatro infantil. O limite do Multirão é a criatividade da comunidade onde estiver ancorado.

O evento, que acaba de ocorrer em comunidade de Nova Brasilia (Estrada Velha do aeroporto), é mensal. O bairro é selecionado de acordo com a carência de oportunidades de lazer e entretenimento. E o que é mais bacana: geralmente é uma solicitação da própria comunidade.

O Blog das Ruas fez uma entrevista com Murilo F, produtor do Ministereopublico, na qual ele conta um pouco da história do Multirão. Veja o que ele tem a dizer:

Quando e como surgiu a ideia de promover multirões para a juventude das periferias? Qual é o objetivo principal da atividade?

MutirãoMeteMão acontece em Salvador no ano 2007, inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas do Rio de janeiro e Recife. O projeto tem como um dos objetivos centrais a utilização da música e do grafitti para estimular o potencial criativo dos participantes, abrindo um novo canal de comunicação.

A proposta também é promover o intercâmbio entre artistas e comunidades carentes de atividades culturais, dialogando com o público através do graffitti e de um sistema de som nos moldes jamaicanos.

O grafitti está sempre presente no Mutirão

O grafitti está sempre presente no Mutirão

Realizado 14 vezes entre 2007 e 2008 - no Bairro da Paz, Saramandaia, Massaranduba, Itinga, Garcia, Boca do Rio, Federação, Bate Facho, Vasco da Gama, Pituaçu, Castelo Branco e São Lázaro e nas cidades de Feira de Santana e Cachoeira - BA. Nesse ano o Mutirao ja aconteceu em Nova Brasilia e Estrada Velha do Aeroporto.

E por que Mutirão Mete Mão?

Junto a esta belíssima iniciativa da parceria entre ministereopublico, 071Crew e a comunidade agregamos ao projeto uma diversidade de profissionais liberais e não liberais em prol de um objetivo: promover a realização do evento em que todos possam colaborar em algum aspecto interessante a comunidade sem receber dinheiro, por isso ‘mutirão mete mão’.

Existe alguma estrutura ou programação fixa para o desenrolar do evento?

O projeto MutirãoMeteMão, é um evento itinerante mensal que busca percorrer nos bairros e praças de Salvador que necessitem de atividade cultural.

Como vocês decidem quais bairros serão visitados? Existe alguma regularidade para as visitas?

O que leva essa atividade a um determinado bairro é basicamente a carência de lazer e entretenimento e geralmente é uma solicitação da própria comunidade. Não existe um calendário fixo.

E qual é a reação das à chegada de vocês? Há algum tipo de preparação para receber o evento?

Eles já são previamente informados durante a semana que antecede a data de realização do que acontecerá em sua comunidade. Mas o primeiro contato que é o inicio do projeto: chegada ao local, montagem dos equipamentos faz com que surja a curiosidade das pessoas , no segundo contato quando começamos a tocar e o grafitti já está pintado existe o despertar e o terceiro contato a satisfação.

Sempre conversamos com a comunidade junto com os grafiteiros explicando e informando sobre o que realizamos, antes de começarmos a ação.

Como o passar do tempo, o que foi sendo modificado nos mutirões?

Estamos mais organizados, conseguimos alcançar uma maturidade que facilita a desenvoltura e realização do projeto. A quantidade de pessoas que gostariam de trabalhar na realização aumentou. A satisfação das comunidades sempre é positiva.

E, principalmente, que não poderemos parar este projeto tão cedo, pois ainda há muitos bairros a serem visitados e pretendemos disseminar nossa linguagem musical e artística.

"Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada"

Murilo F: "Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada"

Vocês afirmam que a diversidade é uma característica do evento. Ele é aberto a outros gêneros artísticos fora do universo do hip hop e da música eletrônica?

Dentro de suas varias edições nós já tivemos a presença de malabares de luzes e fogo, teatro infantil, oficina de criação de brinquedos infantis, grupo de percussão, grupo de dança, b-boys, workshop sobre técnicas de dj e grafitti, recital de poesias, performance corporal… Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada.

Nessa linha, como líderes comunitários, estudantes, professores, formadores de opinião contribuem para o mutirão?

Eles entram como facilitadores, despertando o interesse dos moradores trazendo-os mais próximos da atividade, para que participem da ação e não permaneçam apenas como espectadores. Funcionam também como nossos maiores veículos de comunicação, pois, além da internet é no “boca a boca” que conseguimos mobilizar a todos, nada melhor do que realizar um evento com vontade, organizado e divulgá-lo.

Que tipo de impacto vocês acreditam ter nas comunidades?

O projeto visa popularizar a cultura urbana, difundindo a linguagem artística através do trabalho da equipe. Dessa forma, as comunidades passam a ter contato com expressões artísticas e por um reflorescimento intelectual levando os jovens a uma reflexão crítica sobre a sua identidade e riqueza cultural, contribuindo para marcar traços na identidade local, ainda que em menor grau e muito mais no imaginário popular, como expressão de uma cultura.

Quando esse impacto é mais concreto?

O fator que mais nos deixa feliz é que quando acabamos e temos que desmontar o equipamento. Vemos ali o quanto conseguimos trazer de satisfação tanto pra gente como pra comunidade. Nunca foi diferente.

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5 de maio de 2009

RJ: Artistas pintam 2o. maior painel linear da América Latina, com 421m

por Cláudio Costa

Quem vê os desenhos pintados nos muros da Vila Olímpica de Queimados, Baixada Fluminense, fica impressionado com o tamanho da obra.

Foram 421 metros de muro pintados com diferentes desenhos em apenas 43 dias. Todo o trabalho foi feito, com rolinhos e pincéis, por dois artistas locais, Marcos Barreto e Luiz Caio.

Marcos e Luiz aceitaram o desafio de criar o maior painel linear do Rio de Janeiro e o segundo da América Latina, superado apenas pela obra em comemoração aos 100 anos da imigração japonesa em São Paulo. Contudo, os 431 metros do painel em São Paulo exigiram o trabalho de nada menos que 140 artistas.

- Fazer uma obra de grande proporção sempre esteve na minha cabeça. Quando surgiu o convite para saber a viabilidade de pintar esse painel, fiquei muito feliz. Até porque todos os desenhos dizem respeito ao esporte, que é um grande agregador social e não podemos abrir mão dessas oportunidades de fazer um pouco mais pela comunidade - conta Marcos Barreto, que há seis anos pinta painéis pela cidade e fez o trabalho voluntariamente.

Marcos Barreto e Luiz Caio, autores do maior painel linear do Rio de Janeiro

Marcos Barreto e Luiz Caio, autores do maior painel linear do Rio de Janeiro

Com mais de 25 anos de profissão e autor da maioria dos desenhos, Luiz Caio considera que a pintura não é importante apenas pela dimensão, mas pelo o que significa.

- Em alguns pontos do muro a pintura chega a cinco metros de altura. Quem passa, mesmo de longe, tem a ideia de que aqui é lugar onde se deve praticar esporte e, consequentemente, ter qualidade de vida. É isso que todas as figuras querem dizer. Numa cidade onde a cultura não é prestigiada, podemos oferecer um contraponto que é o esporte. Por isso tento fazer minha parte, mesmo que não seja muito - diz o artista.

Obra para reinaugurar a Vila Olímpica

Todo o material para a pintura foi doado pela Secretaria de Esporte do município. O painel vai fazer parte da festa de reinauguração da Vila Olímpica da cidade, marcada para o dia 17 de maio.

"Vila Ol�mpica será reinaugurada no dia 17 de maio"

Secretário de esporte: "Vila Olímpica será reinaugurada no dia 17 de maio"

“Nós queremos fazer um trabalho de iniciação esportiva não apenas em futebol, mas em outras as modalidades olímpicas. Para participar, o candidato precisa estar matriculado na escola e com a presença em dia”, conta Luiz Carlos Monteiro, secretário de esporte de Queimados.

Rafael Oliveira, 14, cursa o primeiro ano do ensino médio na Escola Estadual São Cristovão e faz parte da equipe de futebol de salão, que se prepara para as Olimpíadas da Baixada, que começou semana passada com o torneio de futebol. Na competição participam alunos de várias escolas da região.

O painel foi aprovado pelos moradores do munic�pio

O painel foi aprovado pelos moradores do município

“Treinar olhando o mural é muito bom. Motivam todos a seguir em frente, principalmente quem quer tentar uma carreira no esporte”, conta Rafael.

Embora a maioria dos atletas na vila seja formada por meninos, aos poucos as moças vão conquistando seu espaço, como é o caso de Gabriela Rodrigues, 16 anos, atleta de futebol de salão e estudante do segundo ano em técnica de gestão, no Colégio Betel.

Cláudio Costa, autor do texto e das fotos deste post, é repórter do Portal Viva Favela

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6 de março de 2009

Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo

O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.

Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!

Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.
(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)

A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.

Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.

Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).

- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? - diz André Luiz, o Rapper Pirata, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.

"Cobramos como cidadãos"

Rapper Pirata: "Cobramos como cidadãos"

O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.

Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:

Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?

Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.

Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?

Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?

Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.

Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.

Chegaram a um acordo?

O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.

Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.

Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer?

Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.

"Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"

Pirata: "Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos"

Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?

Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.

Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.

Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.

Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.

Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.

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