Terra Magazine

13 de outubro de 2009

PE: “Terça Negra” tem competição de MC’s no Recife

Tags:, , , , - iurirubim às 16:02

Em todas as terças-feiras do mês de outubro, o Pátio de São Pedro, no centro do Recife, é ocupado pela cultura hip hop.

É a Jornada de MC’s, que além de muito rap, graffite ao vivo, mostra de vídeos e shows com grupos convidados, traz uma competição de rimas entre MC’s, na qual se dá bem quem for melhor no improviso.

A cada terça-feira, oito MC’s disputam entre si por uma vaga na final, que acontece no dia 10 de novembro. As batalhas exigem raciocínio rápido, criatividade e muito jogo de cintura.

Os MC’s têm duas rodadas de 45 segundos para rimar em cima da base musical do DJ. Cabe aos rimadores desafiar o adversário mostrando toda sua habilidade com o domínio do vocabulário e com o improviso.

O dono do jogo de palavras que mais cativar o público - cuja entrada é gratuita - é coroado o campeão e ganha uma vaga na final, dia 10 de novembro.

O melhor dos quatro MC’s que competem na final ganha uma vaga para representar Pernambuco na LIGA de MC’s, o maior evento de rima livre da cultura Hip-Hop no País, que acontece no Rio de Janeiro no Bairro da Lapa.

A Jornada de MC’s reúne em outubro 32 Mc’s de várias comunidades do Recife, como Santo Amaro, Coelhos, Água fria, Prazeres, Mustardinha, Salgadinho, dentre outras.

“Não temos nem limite de idade. Em 2007, foi para a final um menino de 12 anos. Se chegar aqui um de 10, a gente inscreve. O importante é fortalecer cultura da rima”, afirma DJ Big, que organiza o evento.

Hoje à noite, a Jornada de MC’s tem como atrações o grupo Rota Black e o rapper Sombra (antigo ex-SNJ).

A primeira Jornada de MC’s aconteceu em outubro de 2005 no Pátio de São Pedro, numa parceria com o Movimento Negro Unificado que se mantém até hoje. Daí o nome Terça Negra - por conta da força que a cultura negra tem no hip hop.

Rap e repente

A Jornada de MC’s também tem buscado fazer uma aproximação entre o rap e o repente, gêneros irmãos da poesia popular que pouco se falam.

- São pessoas que não são muito conhecidas do cotidiano dos garotos aqui da metrópole. Queremos mostrar, falar sobre esse tipo de poesia popular para as pessoas - opina Dj Big.

Essa aproximação é feita através de oficinas, para as quais são convidados repentistas. “Outro dia, tivemos aqui as irmãs Santinha e Mocinha Maurício”, conta.

Pergunto se não seria bacana os repentistas participarem das batalhas de MC’s.

- Seria covardia. É muito conhecimento.O repentista é o marco da rima. Embora não tenha BPM como o hip hop, a poesia é muito bem feita e criada na hora. Seria uma concorrência desleal! - argumenta.

(foto: Amauri Cunha)

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25 de setembro de 2009

PE: Olinda recebe festival de “frevo para damas”

Hoje e amanhã Olinda (PE) estará entregue ao frevo no 2º Festival de Orquestras de Pau e Corda para Blocos Líricos de Pernambuco. Mas não aquele frevo agitado, de sombrinhas na mão, que conhecemos. Nesses dois dias, a charmosa cidade histórica é envolvida na sonoridade de um frevo romântico, saudosista, feito para “boas moças”.  

Gratuito, o Festival acontece na Praça do Fortim (Carmo), a partir das 19h e reúne as melhores orquestras dos principais blocos líricos de frevo de Olinda, Paulista e Recife.

Os blocos líricos de frevo são compostos por cordas (daí o nome orquestras de pau e corda): bandolins, violões, cavaquinhos e violino. Há cerca de 40 anos, com o crescimento dos cortejos, foram introduzidos os metais, para melhorar a sonoridade.

Marcos Barbosa, o maestro do Bloco Flor da Lira - organização responsável pelo Festival - explica que no início do século XX não era “bem visto” que as damas participassem das festas de carnaval.

Então, para que elas pudessem festejar, foram aparecendo os blocos líricos, com canções com cadência suave e letras poéticas, inspirados nas serestas e nos pastoris. Por isso, a música tocada é um tipo de frevo mais arrastado, romântico, bem diferente do frenético frevo-de-rua conhecido em todo país.

Na Praça do Fortim, portanto, serão executadas canções clássicas de frevo lírico como “Madeira de lei que cupim não rói”, “Evocações”, “Sabe lá o que é isso”, “Flabelo das ilusões”, “Vem Dudu”. Confira a programação.

Durante os Festival, as orquestras tocam quatro de suas principais canções e são homenageadas com medalhas. Cada comenda tem o nome de um compositor, carnavalesco ou carnavalesca que contribuiu ou contribui para o engrandecimento do frevo. São eles: os compositores Benício Neves, Luiz Wanderley, Cândido Maximiano, Teodomiro Pereira, Romero Amorim, Joel Andrade, Getúlio Cavalcante e Fred Monteiro. Também dão nome às medalhas as carnavalescas Laura Nigro e Maria da Piedade.

Dos blocos que participam do Festival o mais antigo é o Banhistas do Pina, nascido em 3 de fevereiro de 1932, hoje com 77 anos. Já o mais jovem é o Menestréis do Paulista, fundado em 13 de dezembro de 2003, com seis anos.

(fotos: Ádria de Souza/Pref.Olinda [1,3]; reprodução [2])

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21 de julho de 2009

PE: Lampião recebe homenagem 71 anos depois de seu assassinato

No intervalo de apenas nove dias, os dois maiores ícones da cultura nordestina são homenageados.

Se, no final de semana passado, a cidade de São Paulo celebrou Luiz Gonzaga, o rei do baião, o próximo (dias 25 e 26 de julho), Serra Talhada (PE) rende honras a Lampião, o rei do cangaço.

Terra natal do comandante das caatingas, a cidade de Serra Talhada vive envolta pelos mistérios do cangaço e daquele que foi seu maior representante.

Misto de herói e vilão, Virgulino Ferreira da Silva até hoje desperta paixões e controvérsias. Certo mesmo é que, seguindo os passos de Lampião, o Nordeste se reconheceu e encontrou uma identidade.

Lampião desenhava e confeccionava roupas e chapéus inspirados em Napoleão Bonaparte. Hábil artesão, também usava botas e cartucheiras de fabricação própria.

Hoje, aquela forma de se vestir, as roupas e adereços, o fuzil e até mesmo a dança inventada por ele e seu bando (o xaxado) são referências incontestáveis ao Nordeste.

O Tributo a Virgulino - A Celebração do Cangaço lembra o aniversário de 71 anos do massacre que vitimou o rei do cangaço, sua mulher, Maria Bonita, e mais nove de seus homens, ocorrido em 28 de julho de 1938.

Para facilitar a participação, Serra Talhada e a Fundação Cabras de Lampião, que organiza a festa, anteciparam a festa, transferindo-a para o final de semana anterior (dias 25 e 26 de julho). Música, dança e comidas típicas, além de artesanato, cordéis e recitais são elementos certos na celebração.

Dentre as diversas versões a respeito de sua alcunha, uma delas sustenta que o cangaceiro Virgulino Ferreira modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido.

“Em um das primeiras lutas do bando, na escuridão da noite, Antônio (um dos irmãos Ferreira), espantado com o poder de fogo do rifle de Virgulino, que expelia balas sem parar e mais parecia uma tocha acesa, gritou o seguinte: Espia, Levino! O rifle de Virgulino virou um lampião! A partir desse dia, a alcunha do famoso cangaceiro passa a ser Lampião”, escreve Semira Adler Vainsencher, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco.

Talvez por isso, a programação do Tributo a Virgulino seja aberta por uma salva de tiros dos Bacamarteiros do Vale do Pajeú (sábado, 9h).

A atividade é seguida da apresentação da Banda de Pífanos Santo Antônio (Carnaíba, PE) e da abertura da Exposição de Matérias de Jornais Antigos Noticiando as Ações de Lampião.

Criação de Lampião e seu bando, o xaxado continua inspirando grupos como o "Cabras de Lampião"

Criação de Lampião e seu bando, o xaxado continua inspirando grupos como o "Cabras de Lampião"

Ainda pela manhã, uma mesa-redonda discute “Os Mistérios que Envolvem a Morte de Lampião” e “O Cangaço e a Cultura Popular”. À tarde, as atrações são: Grupo de Danças Populares Mangueirarte (Mirandiba, PE); Grupo Arte e Dança (Serra Talhada, PE); Grupo de Xaxado Bandoleiros do Sertão (Triunfo, PB) e Os Matingueiros (Petrolina, PE).

Já a programação de domingo começa com uma celebração religiosa para o cangaço, conduzida pelo Padre Jorge Adjan e pelo Pastor Júnior.

Logo depois, apresentam-se os violeiros repentistas Zé Pereira e Assis Mourato; o poeta Caio Meneses; os grupos de xaxado Maria Bonita e Cabras de Lampião e o de dança Manoel Messias, além do Coral Aboios de Serrita, todos de Serra Talhada.

Refazendo os passos do “governador do sertão”

Durante todo o Tributo a Virgulino, podem ser visitadas a casa de Dona Jacosa, onde nasceu Lampião; as pedras onde ocorreu o primeiro confronto armado entre os homens de José Saturnino (da família Nogueira) e os irmãos Ferreira; as ruínas da antiga casa grande da Fazenda Pedreira; e o Riacho de São Domingos.

As muitas histórias de Lampião

Médico, farmacêutico, dentista, vaqueiro, poeta, estrategista, guerrilheiro, artesão: Lampião era um homem de muitas facetas, cada uma com um número maior ainda de boatos e histórias. É verdadeiramente impossível descobrir ou contar todas os “causos” sobre o maior cangaceiro que já existiu.

Ainda assim, o Blog das Ruas selecionou algumas pérolas do texto da pesquisadora Semira Vainsencher. Divirta-se, internauta.

Parteiro

“Em 1932, o casal de cangaceiros tem uma filha. Chamam-na de Expedita. Maria Bonita dá à luz no meio da caatinga, à sombra de um umbuzeiro, em Porto de Folha, no estado de Sergipe. Lampião foi o seu próprio parteiro”.

Assinatura

“Maria Bonita sempre insistia muito para que Lampião cuidasse do olho vazado. Diante dessa insistência, ele se dirige a um hospital na cidade de Laranjeiras, em Sergipe, dizendo ser um fazendeiro pernambucano. Virgulino tem o olho extraído pelo Dr. Bragança - um conhecido oftalmologista de todo o sertão - e passa um mês internado para se recuperar. Após pagar todas as despesas da internação, ele sai do hospital, escondido, durante a madrugada, não sem antes deixar escrito, à carvão, na parede do quarto:

Doutor, o senhor não operou fazendeiro nenhum. O olho que o senhor arrancou foi o do Capitão Virgulino Ferreira da Silva, Lampião”.

Veneno, fogo e nove vezes baleado

“Além das emboscadas planejadas para liquidá-lo, cabe ressaltar que Lampião conseguiu sobreviver ao veneno e ao fogo. Do primeiro, contou com a dosagem fraca que lhe deu, somente, um inconveniente desarranjo intestinal; do segundo, apesar de chamuscado, conseguiu escapar pulando. Mas foi ferido à bala diversas vezes.

(…)

Apesar de ter sido baleado nove vezes, Lampião sobreviveu a todos os ferimentos, sem contar com qualquer tipo de assistência médica formal. Naquela época, desconheciam-se os antibióticos e as sulfas. Para estancar o sangue e curar os ferimentos, por exemplo, usavam-se mofo, pó de café e, até, excrementos de gado. Eram usadas, ainda, ervas medicinais e rezas dos curandeiros, que nem sempre funcionavam como se esperava. Um ferimento em seu pé, neste sentido, condenou Virgulino a mancar para o resto da vida”.

Foi o próprio Lampião que fez o parto da filha Expedita, que teve com Maria Bonita

Foi o próprio Lampião que fez o parto da filha Expedita, que teve com Maria Bonita

Cauteloso

“Desconfiado, só ingeria algo depois que alguém tivesse provado o alimento. Por outro lado, só entregava o dinheiro após ter recebido a mercadoria. Entretanto, não conseguiu se livrar da traição dos falsos amigos”.

Cabeças decepadas e expostas

A força volante, de maneira bastante desumana, decepa a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando sua cabeça foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira e Mergulhão: tiveram suas cabeças arrancadas em vida.

Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto para servirem de alimento aos urubus.

(..)

Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Maceió e, depois, foram ao sul do Brasil.

Do sul do País, apesar de se encontrarem em péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

(…)

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do projeto de lei no. 2867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.

(fotos: Fundação Cabras de Lampião [1, 2]; reprodução [3])

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30 de junho de 2009

PE: Festas Juninas movimentam mais de R$ 90 milhões

Tags:, , , , - iurirubim às 15:46

O Governo de Pernambuco acaba de divulgar uma avaliação dos impactos do São João e das comemorações correlatas no Estado.

Segundo os dados oficiais, catorze “pólos de animação” foram montados pelo governo estadual, com um investimento de R$ 8,4 milhões. Esses pólos atraíram 890 mil pessoas durante as festas juninas, sendo 350 mil de fora do Estado, e geraram uma movimentação financeira de R$ 90 milhões.

Somente levando em consideração a contratação direta, isto é, postos de trabalho gerados diretamente pelo investimento do Governo de Pernambuco, foram criados 11.239 empregos, sendo a absoluta maioria artistas, logo que 11.165 deles subiram nos palcos pernambucanos.

O documento não precisa a quantidade de empregos indiretos gerados pela intensificação do turismo e da economia da festa nos municípios pernambucanos neste período.

Um outro dado interessante, levando em conta a quantidade de artistas contratados, é a criação de circuitos regionais. Os municípios que sediam os pólos de animação recebem uma grade artística composta de cantores e músicos de sua região, promovendo o desenvolvimento local e movimentando apenas a economia da cultura.

No interior de Pernambuco, a rede hoteleira teve ocupação média de 95,04%. Algumas cidades - Carpina, Pesqueira e Caruaru - esgotaram os leitos disponíveis para hospedagem. A permanência média foi de 3,3 dias em cada cidade e o gasto individual, R$ 86,54.

Além disso, todo o quadro de festejos juninos de Pernambuco pode ser acompanhado por um site específico para o período, o São João de Pernambuco, com programações culturais e informações turísticas dos polos de animação.

A plataforma também ofereceu informações sobre tradições juninas, simpatias, receitas de comidas típicas, rádio online e possibilitou aos internautas puderam publicarem fotos e vídeos para as galerias do site.

Os dados apresentados neste levantamento, ainda que pudessem ter maiores amplitude e complexidade, reiteram algo que os gestores públicos brasileiros insistem em não dedicar a devida atenção: a força da economia das festas, especialmente aquelas com forte base na cultura popular.

Mesmo sem entrar na discussão dos modelos e formatos dos festejos populares, a exemplo de Pernambuco serve de parâmetro para que os outros Estados brasileiros, principalmente os da região nordeste, pensem a organização de suas respectivas festas populares.

(foto: Priscilla Buhr)

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19 de junho de 2009

PE: Caruaru homenageia Mestre Vitalino e briga por título de “Maior São João do Mundo”

Assim que publiquei o post anterior, “PB: “O Maior São João do Mundo” tem 31 dias seguidos de festa”, referindo aos festejos juninos de Campina Grande (PB), sabia que ia criar confusão. E não é que logo o primeiro comentário do post exige que o título de ‘Maior São João do Mundo” vá para Caruaru (PE)?

Também conhecida como “Princesa do Agreste” e “Capital do Forró”, Caruaru fica a 150 km de Campina Grande. Se já é de praxe os habitantes das duas cidades disputarem em quase tudo, com o São João a rixa é muito maior.

Vamos, então, conhecer os festejos juninos de Caruaru. Deixo para você, leitor, a decisão de qual é o “Maior São João do Mundo”.

A obra do Mestre Vitalino fez escola em todo nordeste

A obra do Mestre Vitalino fez escola em todo nordeste

Em 2009, o São João de Caruaru tem 42 dias. Começou em 30 de maio e termina apenas no dia 10 de julho, quando, caso ainda fosse vivo, Mestre Vitalino completaria 100 anos.

Esta edição dos festejos juninos de Caruaru é, aliás, toda dedicada a Vitalino, mestre na arte da moldar o barro cuja vasta obra universalizou o cotidiano do homem sertanejo. Vitalino influenciou as gerações seguintes de artistas figurativos nordestinos e é comum encontrarmos esculturas parecidas às do Mestre pelas feiras de toda a região.

Filho de lavradores nascido em Sítio Campos, Vitalino morava no Alto do Moura, a sete quilômetros do centro da cidade, onde está localizado o primeiro dos dez polos oficiais de animação. Todos os polos de animação e pontos turísticos da cidade são povoados por réplicas dos bonecos de Vitalino, em tamanhos médio e grande.

“O barro, que levou o nome da cidade ao mundo inteiro, será destacado mais do que nunca”, avisa a organização do evento.

E não são apenas as esculturas do Mestre Vitalino que fazem o São João de Caruaru “grande”. Além da duração (11 dias a mais que Campina Grande), o São João pretende ter a maior fogueira do planeta - que, para minimizar os danos à natureza, é erguida com lenha de podas de árvores desde o início do ano.

Maior cuscuz do mundo

Maior cuscuz do mundo

A obsessão dos moradores de Caruaru pelo superlativo parece não ter limites e gera uma programação cheia de “maiores do mundo”: já foram apresentados o maior chocolate quente; a maior pipoca; a maior pamonha; o maior cuscuz do mundo.

Mas não é só: ainda dá tempo de ver o maior pé-de-moleque (hoje); o maior arroz-doce e a maior canjica (20/6); o maior cozido de milho (21/6); maior quentão (23/6); maior xerém e maior bolo de macaxeira do mundo (28/6).

Há, inclusive, uma praça - a “Praça dos maiores - onde ficam expostas réplicas de todas essas comidas superlativas. Ufa! Será que ainda sobra espaços para as pessoas na cidade?

Para além das disputas grandiosas, o São João da Princesa do Agreste tem muitos atrativos que fazem dos festejos uma diversão garantida. Na programação principal, no Parque de Eventos Luiz Gonzaga, apresentam-se 15 atrações de “primeira linha”, como o ex-ministro Gilberto Gil, Dominguinhos, Elba e Zé Ramalho, Fagner e Alceu Valença. Mais 40 atrações regionais, distribuídas pelos dez polos, completam a programação musical.

O forrozeiro Santana foi uma das estrelas a ser apresentar no palco principal de Caruaru

O forrozeiro Santana foi uma das estrelas que já se apresentaram no palco principal de Caruaru

A programação diversificada proporciona outros atrativos, além da música, no São João. Oficinas de pífano, forró e xaxado; Festival de Violeiros; o Museu do Barro, com acervo de 2,3 mil peças, e o Galpão das Artes, com obras e réplicas do Mestre Vitalino, são boas opções.

Também disputam a atenção dos festeiros as apresentações de quadrilhas tradicionais e estilizadas (Pólo das Quadrilhas) e das irreverentes mega-quadrilhas (Corredor das Drilhas), que se tornaram marca registrada da cidade.

Merecem destaque ainda a Feirinha de Caruaru, uma reprodução em menor escala da famosa feira, que tem “de tudo que há no mundo”; e a Cidade São João dos Carneirinhos, um espaço dedicado especialmente às crianças onde há oficinas de barro e pífano, com direito a uma exposição dos trabalhos elaborados pelos pequenos, no último de da festa.

O clima junino não se perde nem em meio a tantos superlativos

O clima junino não se perde nem em meio a tantos superlativos

Maior Pé-de-Moleque do Mundo

Como escrevi acima, hoje é o dia do “maior pé-de-moleque do mundo”. Realizada desde 1998, a tradicional festa do pé-de-moleque gigante costuma atrair um grande número de visitantes ao bairro das Rendeiras.

Em 2008, seis mil pessoas participaram da festa. Neste ano, são esperadas 10 mil. A celebração tem uma origem bastante peculiar: de acordo com dona Maria Eugênia, organizadora do evento, essa foi a maneira que arranjou para manter a filha, Ana Katarina, sob os seus olhares, já que a moça sempre pedia para festejar o São João em outros lugares da cidade.

O sucesso da festa foi tanto que os vizinhos passaram a contribuir e ajudá-la na organização. Esta já é a 12ª edição do Maior Pé de Moleque do Mundo.

Para o preparo do bolo, são necessários 700 kg de massa de mandioca, principal ingrediente da receita. Pronto, o bolo mede 12 metros e pesa duas toneladas e meia (!).

Dona Maria Eugênia e sua equipe passaram 10 dias preparando o Maior Pé de Moleque do planeta, e, para assar essa grandiosidade, foram utilizadas 52 fôrmas, onde a massa foi distribuída.

(fotos: Prefeitura de Caruaru)

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9 de junho de 2009

PE: Movimentos reagem à condenação de 31 indígenas da etnia Xukuru

Diversos movimentos ligados à causa indígena estão se mobilizando contra a possível prisão de indígenas da etnia Xukuru, em Pernambuco.

Atualmente, pelo menos 43 indígenas estão sendo processados. Dez aguardam julgamento, dois estão presos e 31 já foram condenados pela Justiça Federal do estado, incluindo o cacique da tribo, Marcos Luidson de Araújo, cuja pena é de 10 anos e quatro meses de prisão.

Os movimentos acusam a Justiça e os poderes públicos de Pernambuco de criminalizarem os Xukuru e apontam irregularidades no processo que levou à condenação dos indígenas.

O cacique Marcos Luidson foi condenado a mais de 10 anos de prisão

Cacique Marcos Luidson, condenado a mais de 10 anos de prisão

Agora tentam pressionar o Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, em Recife, que vai julgar recurso contra as condenações, a reverter o quadro.

Um dos mecanismos de pressão é a Campanha contra a Criminalização do Povo Xukuru, em que a divulgação dos argumentos contrários às condenações é acompanhada de uma mensagem já redigida, que o internauta ou sua organização pode enviar ao TRF da 5ª Região.

Os emails e telefones dos desembargadores que integram o TRF são divulgados junto com a mensagem.

Dom Pedro Casaldáliga, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, pronunciou-se sobre a questão. Abaixo, trecho da nota divulgada pelo bispo:

“Querido povo Xukuru, povo do patriarca Xikão, mártir dos direitos do seu povo e do meu afilhado Marcos, o Marquinho, tão admirado.

Me associo ao testemunho de milhares do Brasil e do exterior, que respaldam vossa luta pelos direitos fundamentais de terra, cultura, justiça e paz. Denunciamos as fraudes, a corrupção comprada e a insensibilidade de certas autoridades estaduais e federais”.

O Ministério Público Federal, ao noticiar o fato em seu site, caracteriza-o como uma “tentativa de desestruturar os Xukuru, por meio da criminalização de suas lideranças”.

Entenda o caso

Cerca de 10 mil Xukurus vivem em sua terra tradicional, na serra do Ororubá, município de Pesqueira, agreste de Pernambuco. São 27 mil hectares homologados como terra indígena apenas em 2001, após um processo que durou 12 anos.

A luta pela reconquista da terra pelos indígenas gerou, e continua gerando, muita tensão no local, inclusive perseguições e mortes. Em 1998, a mais emblemática delas: o assassinato do cacique Chicão Xukuru, pai do atual cacique Marcos Luidson.

O próprio Marcos, escolhido cacique em 2000, passou a receber ameaças de morte após a sua nomeação. As ameaças levaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) a solicitar que o Estado Brasileiro protegesse a vida do cacique e de sua mãe, Zenilda, o que, segundo eles, nunca ocorreu.

O cacique Chicão, pai do atual, foi assassinado em 1998

Pai de Marcos Luidson, o cacique Chicão foi assassinado em 1998

Na versão dos Xukurus, a questão que deu início ao processo, em fevereiro de 2003, foi justamente uma emboscada contra o cacique. Na tentativa de defendê-lo, dois indígenas teriam sido mortos por José Lourival Frazão (Louro Frazão), também Xukuru, mas ligado ao grupo de fazendeiros que questiona a legalidade da terra indígena.

Segundo a interpretação da justiça de Pernambuco, não houve emboscada e, sim, uma discussão entre o cacique e Frazão, que acabou atirando nas vítimas e foi condenado a 12 anos e seis meses de reclusão apenas por um dos homicídios.

Aos assassinatos, seguiu-se uma comoção dos Xukurus, que incendiaram casas de fazendeiros (que permaneciam ilegalmente na terra Xukuru) e alguns indígenas aliados deles, expulsando-os das terras. É por esse ato que os indígenas estão sendo processados.

Para o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), segundo o qual os Xukuru são vítimas de “violência institucional”, o julgamento que levou à condenação dos indígenas é irregular.

Acusa a justiça de proferir a sentença antes que duas testemunhas de defesa - o deputado federal Fernando Ferro (PT) e a sub-procuradora Geral da República Raquel Dodge - fossem ouvidas. A condenação do cacique saiu no dia 21 de maio enquanto o depoimento do deputado estaria marcada somente para o dia 28.

Além disso, alega que o indígena Wilton Lopes da Silva, condenado a 9 anos e 4 meses de reclusão, sequer estava na terra indígena no momento da expulsão dos invasores. O fato é sustentado por testemunhas.

O argumento da ausência na ação é usado também para questionar a condenação do cacique do povo Xukuru, Marcos Luidson.

Em decorrência do embate anterior, Luidson teria sido sedado no hospital e passado a noite dormindo na casa da mãe. O cacique foi condenado a 10 anos e quatro meses por comandar os atos de violência contra os fazendeiros, dois anos e dois meses a menos que a condenação recebida por Louro Frazão.

As palavras do cacique ao jornal Brasil de Fato resumem os protestos e alertas dos movimentos indígenas sobre a questão: “Os inimigos dos Xukuru não aceitaram o fato da gente ter conquistado o território”.

(fotos: Ricardo Stuckert/PR [1]; reprodução [2])

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29 de maio de 2009

PE: Jovens surdos produzem vídeos

Seis vídeos produzidos por jovens foram lançados ontem, no município de Nazaré da Mata, em Pernambuco. Nada de extraordinário, não fosse o fato desses jovens terem deficiência auditiva.

Na tela, contam histórias que variam entre a comédia e o drama, sobre casamento, amor entre surdos e, é claro, o preconceito. Faladas em libras, todas as histórias são também legendadas para que os ouvintes possam entendê-las.

Agora o plano é exibir os vídeos em todos os canais possíveis, em especial a TV aberta. Para tanto, já existem negociações em andamento com a TV Cultura e a TV Solidária (retransmissora da TV Brasil).

Com quatro minutos cada, os vídeos são resultado de oficinas de audiovisual para surdos realizadas em 2008. Duas delas no próprio município de Nazaré da Mata e outra em Surubim, no agreste pernambucano.

Aproximadamente 60 jovens participaram das oficinas, nas quais as responsabilidades pela produção dos vídeos eram divididas segundo suas aptidões.

- Eles decidiam e executavam tudo. Nós prestávamos apenas uma espécie de assessoria. Só a operação do software de edição ficou por nossa conta. Ainda assim, também esse processo era dirigido por eles. Tinham autonomia total - explica Rafael Coelho, coordenador do projeto.

A montagem das oficinas, entretanto, foi uma aventura bastante complexa e repleta de obstáculos.

- O surdo tem uma dificuldade incrível de ler e escrever! Não sei como o ministério da educação nunca se deu conta disso - comenta Coelho.

Para superar essa dificuldade, os roteiros criados pelos jovens foram concebidos principalmente a partir de desenhos, e não da palavra escrita.

Os organizadores das oficinas também tiveram que enfrentar o fato de não existirem, em libras (linguagem dos surdos) sinais correspondentes à linguagem audiovisual especializada.

- Termos como flashback, sequência, cena, efeito especial simplesmente não existiam em libras. Tivemos que fazer uma adaptação e criar novos sinais - afirma o coordenador das oficinas.

Segundo Coelho, todo esse trabalho está à disposição de outras organizações que pretendam trabalhar audiovisual com pessoas dotadas de deficiência auditiva.

As oficinas ocorreram em locais onde já existia uma ação voltada para surdos. Enquanto a Escola Estadual Severino Farias, em Surubim, tem uma turma especial para eles, em Nazaré da Mata, onde acabam de ser lançados os filmes, está sediado o Cefras - Centro de Referência em Formação da Criança e Adolescentes Surdos.

Realizadas pela produtora Página 21, as oficinas forma apoiadas pelo Banco do Nordeste e pela Votorantim.

(fotos: divulgação/ Página 21)

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24 de maio de 2009

PE: Mestre João do Pife celebra com shows 50 anos de carreira

Ele fabrica seus próprios instrumentos e os vende na feira. Como músico, dissemina a arte de pifar pelo país. O mestre popular João do Pife, uma das maiores referências em pífanos no Brasil, completa 50 anos de carreira.

As bodas do artista popular serão comemoradas - claro - com muita música, em frente à oficina onde fabrica seus pífanos e instrumentos de percussão, no bairro do Salgado, em Caruaru (PE).

Palco armado, mestre João do Pife recebe vários amigos músicos em quatro sessões diferentes, todas com entrada franca. Ontem foi a primeira, seguida por hoje à noite (18h) e os dias 6 e 7 de junho, às 22h e 18h, respectivamente.

- Pra mim é uma felicidade muito grande receber outros artistas na minha casa para tocarmos juntos - diz o mestre João do Pife.

Em show, com a Banda Dois Irmãos

Em show, com a Banda Dois Irmãos

Entre os convidados estão Cláudio Rabeca; Banda de Pífano Zé do Estado; Valdir Santos; João Limoeiro e a Ciranda Brasileira; Azulão; e Luiz Paixão da Rabeca.

O projeto Música no Salgado é um sonho antigo do mestre, que no ano passado, após turnê nacional, encerrou o circuito no bairro do Salgado, onde reside.

50 anos pifando

Não é comum ver um artista popular, virtuoso e de grande poder de improvisação, fazer 50 anos tocando seu pífano e vivendo da música.

No começo foi tudo muito difícil para aquele menino que acompanhava seu pai tocando nas novenas em Riacho das Almas, onde nasceu.

Com a morte de seu pai, João Alfredo Marques dos Santos, conhecido como João do Pife, tomou conta da Banda Dois Irmãos de Caruaru. Veja post no Blog das Ruas sobre a história de João do Pife.

Do interior de Pernambuco, levou a arte do pífano para o mundo. Apresentou-se nas principais cidades brasileiras, na Europa e nos Estados Unidos. Agora traz o mundo de volta para a oficina onde fabrica suas maravilhas.

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1 de maio de 2009

PE: Adoração à estátua dá origem a grande festa da cultura popular

O dia é do trabalhador, mas a festa é da lavadeira. Uma das maiores festas da cultura popular de Pernambuco, a Festa da Lavadeira acontece pelo 23º ano consecutivo no primeiro de maio, na Praia do Paiva, Cabo de Santo Agostinho, Litoral Sul de Pernambuco.

Quase deserta, repleta de coqueiros em toda sua extensão, a Praia do Paiva não dá pistas de estar tão próxima a um dos maiores centros urbanos do nordeste. Toda essa calmaria é interrompida apenas uma vez por ano, quando mais de trinta mil pessoas festejam, de graça, a diversidade da cultura popular brasileira.

São maracatus, cavalos-marinhos, cocos, afoxés, bois, pastoris, cirandas e muitas outras manifestações culturais que se apresentam na Festa, considerada a única de Pernambuco 100% voltada para a cultura popular.

Por esse motivo, o evento ganhou virou, em 2006, Patrimônio do Povo de Pernambuco e foi duas vezes premiado pelo IPHAN como melhor projeto de divulgação da cultura popular no Nordeste do Brasil, em 1998 e 2008.

Dona Selma do Coco participa da Festa há 20 anos consecutivos

Dona Selma do Coco participa da Festa há 20 anos consecutivos

Além das atrações, a Festa tem show pirotécnico e brincadeiras, como banho de lama e “arremesso de sogra”. Vendedores ambulantes faturam alto negociando os mais diferentes produtos com os visitantes.

Neste ano, o número de atrações da programação, que costumava chegar a 40, foi reduzido para 26. Dos quatro palcos, nomeados em homenagem à natureza (mata, vento, mar e terra), sobraram apenas dois: o Palco da Mata e o Palco do Mar. No meio do caminho entre os palcos, um terceiro pólo de atrações, a Rua da Lavadeira.

Idealizador e produtor da Festa, o artista plástico pernambucano Eduardo Melo lamenta a redução das atrações - algumas delas já haviam sido contratadas e tiveram que ser dispensadas por falta de recursos.

- Infelizmente, a nossa cultura ainda não está inserida no valor de mercado. As grandes empresas acreditam que a nossa cultura não agrega valor nenhum - diz Melo, em depoimento gravado pelo JC Online.

O Afoxé Alafin Oyó é uma das atrações da Festa da Lavadeira

O Afoxé Alafin Oyó é uma das atrações da Festa da Lavadeira

Ainda assim, há muito o que comemorar. Um dos principais momentos da 23ª edição da Festa da Lavadeira é a entrega da Taça da Rainha a Dona Selma do Coco, em homenagem a vigésima participação consecutiva na Lavadeira. É isso mesmo: 20 anos seguidos!

Além de D. Selma do Coco, destacam-se na programação a Família Salustiano e a Rabeca Encantada; a Escola de Samba Galeria do Ritmo e o Maracatu Nação Leão Coroado.

A estátua que virou Iemanjá

A Festa da Lavadeira tem suas raízes profundamente fincadas nas crenças afro-brasileiras.

Há mais de 20 anos, uma escultura feita pelo artista plástico Ronaldo Sá e colocada em frente à casa de Eduardo Melo atrai a atenção e o fascínio dos moradores da região. Segundo os moradores, a estátua exala perfume e acompanha com o olhar as pessoas que passam por ela em certas noites.

Estátua da Lavadeira, no local da primeira Festa

Estátua da Lavadeira, no local da primeira Festa

Composta majoritariamente por tiradores de côco, pescadores, jardineiros e donas de casa, a população local identificou a estátua com Iemanjá, a vaidosa orixá rainha das águas. Passaram, então, a fazer pedidos e oferecer-lhe oferendas, deixando aos seus pés frutas da época.

Percebendo o interesse da população nativa pela estátua, Eduardo Melo convidou a todos no dia 1º de maio de 1987 para o que viria a ser a primeira Festa da Lavadeira, comemorada anualmente desde então.

(fotos: Marcelo Lyra/ Site da Festa da Lavadeira [1;3]; Beto Figuerora/ Site da Festa da Lavadeira [3]; Blog da Festa da Lavadeira [4])

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14 de abril de 2009

PE: Festa da Pitomba é realizada há mais de 350 anos

É uma das manifestações religiosas mais antigas do país. Em sua 352ª edição (!), a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres começou no último domingo e segue até o dia 20 de abril no Parque Nacional Histórico dos Guararapes (Jaboatão dos Guararapes, PE).

Igreja Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes dos Guararapes

Igreja Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes dos Guararapes

A Festa é popularmente conhecida como Festa da Pitomba, por causa da fruta tropical colhida nesta época, muito apreciada na região.

Além de antiga, a Festa é extensa: em geral, acontece nos primeiros 10 dias após a Páscoa. Como ocorre com quase todas as festas populares do Brasil, o lado “profano” das comemorações acaba ganhando maior visibilidade.

Em 2009, a programação não-religiosa da Festa tem shows de pelo menos três grandes atrações por noite - com destaque para Dominguinhos, Reginaldo Rossi e a Orquestra da Bomba do Hemetério.

Durante a Festa da Pitomba, o público pode participar de oficinas gratuitas de brinquedos feitos de material reciclado, desenho artesanato, colagem, percussão, circo, hip hop, dança popular e de salão. Caso prefira, há também atividades esportivas: futebol, vôlei, atletismo, ginástica e artes marciais.

Isso tudo sem contar o lado religioso da Festa, responsável pela sua origem e perpetuação por mais de três séculos e meio.

A devoção à Santa se materializa na realização diária de missas, novenas com noiteiros, cânticos marianos, batizados, crismas e casamentos.

A maior expressão da fé em Nossa Senhora dos Prazeres, entretanto, é o monumental cortejo com a imagem da Santa, que sai em procissão acompanhada por milhares de fiéis. Muitos deles sobem o Morro dos Guararapes de joelhos, para depositar aos pés da Santa oferendas em agradecimento às graças recebidas.

Santa guardiã das tropas brasileiras

Talvez ofuscado pela exaustiva programação de festejos, o significado da Festa - um marco na história do país - perde um pouco de evidência.

A sua origem remonta ao tempo em que as tropas brasileiras travavam uma sangrenta batalha para liberar a região, tomada pelos os invasores holandeses em 1630.

Segundo as tradições, a Santa fez uma milagrosa aparição aos soldados diante do Monte Guararapes, para proteger, fortificar as tropas e comandar a vitória dos brasileiros contra os inimigos estrangeiros.

A partir da aparição da Virgem dos Prazeres, o comandante das tropas brasileiras, general Francisco de Menezes, como agradecimento, mandou edificar uma Capela-mor, em homenagem à Santa, pelas vitórias alcançadas nas duas importantes batalhas contra os holandeses, após 24 anos de dominação.

Em documento textual datado de 8 de novembro de 1656, emitido pelo general, consta o registro de autorização para entrega da Capela à Ordem Beneditina de Olinda, com a seguinte ressalva:

“Neste altar deverá ser celebrada missa todos os dias santos, e todos os anos deverá exaltar Nossa Senhora dos Prazeres, com grandes festejos e muita pompa”.

A partir de então, o compromisso foi honrado, resultando numa tradição de 352 anos de homenagem à Santa - e de festejos populares.

(foto: divulgação)

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