Terra Magazine

28 de novembro de 2009

SP: Ciclistas pedalam contra a homofobia

Tags:, , , , - iurirubim às 12:04

A movimentada noite de São Paulo tem hoje um atrativo a mais: saindo às 21h, do Largo do Arouche, acontece o primeiro Passeio Ciclístico da Diversidade Sexual de São Paulo - Pedalando Sem Homofobia.

Cerca de 200 ciclistas devem participar do passeio, que pretende fazer mais um alerta para o preconceito contra homossexuais. Para isso, o trajeto a ser percorrido passa por pontos de concentração do público LGBT e também locais em que já ocorreram casos de violência contra gays, lésbicas ou travestis.

O evento é aberto a pessoas de todos os sexos e orientações sexuais e terá a proteção da polícia militar. A inscrição é gratuita.

Também vai premiar com jóias o ciclista mais original e a bicicleta mais enfeitada. “Nosso passeio é político, mas o motivo festa está no movimento gay, não tem como desvincular”, afirma Karl Pinheyro, da loja KFuture Sports, uma das idealizadoras do evento. Além das jóias, serão distribuídos outros brindes aos participantes do passeio.

Idealizador do evento, o grupo SP Gay Bikers existe há dois anos

Um dos idealizadores do evento, o grupo SP Gay Bikers existe há dois anos

- Queremos deixar claro que os gays podem participar de qualquer atividade esportiva, dar visibilidade para isso. Ainda existe aquele preconceito, aquela coisa que ‘gay é o cara que cuida do corpo e vai para academia’, mas que não joga futebol opu anda de bicicleta. Parece óbvio, mas tem gente que acha que não é tão obvio assim - argumenta o publicitário Kiko Martins, do grupo SP Gay Bikers, também envolvido na realização do passeio.

Fundado há dois anos, o SP Gay Bikers é um dos primeiros grupos gays de amantes de bike do Brasil. Realiza pedaladas quinzenalmente, revezando a noite de quinta-feira e a manhã de domingo.

- Já participei de passeios com um monte de heteros. Nada contra, mas é diferente. As piadinhas são outras, as brincadeiras são outras. É bom ter liberdade de ser quem você é andando de bicicleta - conta Kiko Martins.

"Quem pedala tem menos preconceito"

Kiko Martins: "Quem pedala tem menos preconceito"

O publicitário, que vendeu o carro e hoje utiliza a bicicleta e o transporte público como meios de locomoção, faz também uma relação entre as magrelas e o preconceito. “Se você for ver, as pessoas que já andam de bicicletas são menos preconceituosas. Elas estão se abrindo para novas possibilidades”, diz.

Passeio Ciclístico da Diversidade Sexual de São Paulo deve tornar-se mais um evento regular no calendário da comunidade LGBT da capital paulista.

(fotos: SP Gay Bikers)

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23 de novembro de 2009

BA: Surdos fazem Sarau com tradução para ouvintes

Tags:, , , , - iurirubim às 14:36

O que você faria se acordasse um dia e não conseguisse se comunicar com a sua família, seus amigos, seus colegas de trabalho? Imaginou a situação? Isso é só uma amostra das dificuldades que os surdos enfrentam diariamente, apenas para realizar as tarefas mais simples de seu cotidiano.

Nós, ouvintes, temos a tendência de simplesmente ignorar a presença dos surdos no nosso país. Closed caption? Aquela pessoa num quadro pequeninho, fazendo gestos enquanto algum político fala na TV? Esse estranhamento tolerante é o mais próximo que conseguimos chegar do universo silencioso dos nossos compatriotas, que nem mesmo são poucos.

Embora pouco menos de 170 mil brasileiros se declarem surdos, segundo o IBGE 5,7 milhões de pessoas apresentam algum grau de deficiência auditiva no país. É toda uma Dinamarca de surdos. Ainda assim, são rotineiramente ignorados pelas políticas públicas e pelo restante da sociedade.

Como de costume, os melhores exemplos de tolerância e inclusão vêem de quem sofre o preconceito.

Participei, no último domingo (22/11), do I Sarau Sinalizado, uma iniciativa do Centro de Estudos Culturais Linguísticos Surdos (CECLIS) para divulgar a cultura surda que aconteceu no teatro da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, em Salvador.

Com deficiência auditiva, Cleber conta a história dos três porquinhos me libras

Com deficiência auditiva, Cleber conta a história dos três porquinhos me libras

Intérpretes a postos, há sempre uma tradução acontecendo. Seja ela do português falado para as libras (língua brasileira de sinais) ou o caminho inverso.

O mais interessante é que, ainda que exista uma ou outra apresentação falada, os intérpretes estão ali para garantir que os ouvintes entendam o que está sendo dito. Naquele local, naquele breve momento, a ordem das coisas se inverte e quem precisa de ajuda são as pessoas “normais”.

Este blogueiro, por exemplo, sentiu-se completamente perdido e despreparado quando ao tentar entrevistar alguns dos surdos presentes. Ali, quem precisava de tradução era eu.

À direita, a intérprete ora fala, ora sinaliza

À direita, a intérprete ora fala, ora sinaliza

No Sarau não está em questão a complexidade estética das apresentações, mas a possibilidade de pessoas com deficiência auditiva subirem ao palco e contarem histórias, declamarem poesias e, o melhor de tudo, ficarem à vontade, serem entendidas do jeito que se expressam.

O auditório lotado com mais de 200 pessoas, repleto de famílias constituídas de ouvintes e surdos, vê o surdo Cléber contar, em libras, a história dos três porquinhos e a Cia de teatro Riso Cá Cá mesclar atores surdos e ouvintes em sua apresentação. Vê também o hino nacional ser sinalizado, na abertura do Sarau.

O momento mais emocionante, entretanto, é a apresentação do Coral de Mães. Vestidas de vermelho e portando luvas brancas, cerca de 10 mulheres na faixa dos quarenta anos sobem ao palco. Dentro de alguns minutos, o som do auditório vai tocar duas músicas, que serão interpretadas em linguagem de sinais por elas.

- Resolvemos usar a música para aprender a nos comunicar com nossos filhos porque isso é muito importante para a gente. Temos que saber o que eles querem fazer, o que estão com vontade de comer, entender o que querem dizer - diz uma delas.

As mães de surdos montaram um coral que sinalização de músicas para aprenderem a entender os filhos

As mães de surdos montaram um coral que sinalização de músicas para aprenderem a entender os filhos

Presente na apresentação, Eunice Rosa dos Santos é mãe de Ana Carolina, 21, filha única dela e do marido. Surda desde que nasceu, Ana Carolina não tem muitas dificuldades em se entender com a mãe. Entretanto, Eunice é a única da família que consegue se comunicar com a filha.

- Meu marido não sabe. Aliás, ninguém na família nunca se interessou em aprender os sinais para falar com ela.

Embora o drama de Eunice se reproduza em muitos lares de pessoas com deficiência auditiva, o auditório da Biblioteca Monteiro Lobato também abrigava o extremo oposto: casais formados por surdos e ouvintes, em que o afeto aproxima os dois universos e faz com que os ouvintes se engajem na causa dos companheiros deficientes auditivos.

O Sarau Sinalizado deve tornar-se regular e ser realizado anualmente, sempre com intérpretes prontos para facilitar o entendimento entre surdos e ouvintes. Mediação que, espero, um dia não será mais necessária.

[atualizado dia 26/11/2009. Obrigado pelos comentários e esclarecimentos sobre a libras]

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6 de setembro de 2009

Hoje é o Dia do Sexo. Qual é o seu programa?

Tags:, , , , - iurirubim às 7:00

Muita gente ainda não sabe, mas, desde o ano passado, o dia seis de setembro (6/9, preste atenção nos números!) é o Dia do Sexo!

Inspirados na nova data comemorativa do país, vários brasileiros solteiros, casados, divorciados e enrolados estão agendando programas especiais para hoje - particularmente, é claro, para esta noite.

Em São Paulo, as namoradas Renata e Melissa* vão realizar esta noite uma antiga fantasia: levar um homem para a cama delas. Com um pouco de timidez, as moças dizem que já haviam elegido o “sortudo” há algum tempo e estavam à espera da oportunidade certa. Na quinta-feira passada fizeram a proposta e ele… topou!

Ainda na capital paulista, Marcos revela seus planos de gastar a poupança dos últimos seis meses num bordel. “Vou transar até não conseguir mais”, avisa.

Na cidade maravilhosa, um amigo que recentemente teve sua primeira experiência de sexo grupal - com garotas de nacionalidades distintas - lamenta ter que trabalhar a noite inteira num bar. “Talvez se acontecer alguma coisa muito diferente esta noite”, diz, esperançoso.

Em Belém, o clima está mais romântico. Roberto, que admitiu não saber da data antes, já estava preparando um jantar-surpresa para sua companheira. “Agora vou caprichar na sobremesa”, afirma, com certa timidez.

Outro par, Henrique e Giovanna, é mais “saidinho”. Contam que vão passar em vários bares de Brasília e que, se em algum deles encontrarem um casal atraente, vão fazer o “convite” e alugar uma suíte de motel para quatro.

Já a noite de Valentina, em Salvador, que já teve os cabelos presos pelo ventilador em pleno ato, depende do desempenho do Flamengo, time do coração do namorado. “Se não ganha, já viu, né? Esta noite vou torcer como nunca! Não pode passar em branco”, deseja.

Um outro amigo de Salvador não revela seus planos, mas compartilha uma reflexão:

- Interessante saber que a Independência do Brasil vem depois do sexo. Mas depois do sexo vem o quê? Aquela preguiça gostosa para não fazer nada, vontade de botar a criatura na rua pra se livrar do problema ou pedir em casamento e selar as algemas para sempre? Independência ou Morte? Pra pensar (na cama), rsrs.

De todos os relatos que este Blog encontrou, o mais emocionante é relatado pelo Blog do Chris: O Sr. Jovenildo, 72, e Dona Euclécia, 69, fazem sexo uma vez por ano. E será hoje! “Agora você entende a minha ansiedade, não é, meu filho?”, explica o vovô ao blogueiro.

Cem mil assinaturas por calendário oficial

O Dia do Sexo foi inventado em 2008, como resultado de uma ação de marketing da fabricante de preservativos Olla e da agência age., com direito a promoções e até uma festa - a Dia do Sexo Celebration - no Beach Club Sirena, na praia de Maresias.

Deu tão certo que toda blogosfera ficou sabendo e a experiência se repetiu este ano. Uma iniciativa, entretanto, se destaca: a campanha para que o Dia do Sexo se torne data oficial do calendário brasileiro. Antes deste blogueiro subscrevê-lo, o manifesto já havia recebido mais de 60.850 assinaturas. A expectativa é que a reivindicação alcance a marca de 100 mil assinaturas, para que então seja enviada ao Ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

E você, já decidiu qual será a sua aventura do Dia do Sexo? Escreva contando qual é o seu programa!

* Todos os nomes de pessoas entrevistadas pelo Blog são fictícios, a fim de não expor a intimidade alheia.

(a imagem acima é gentilmente cedida por André Leal, amigo de traço seguro)

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28 de julho de 2009

PM de Alagoas invade terreiros de candomblé

Em seis ocasiões apenas neste ano, terreiros de candomblé de Maceió foram invadidos por policiais militares, que interromperam os cultos religiosos e ameaçaram confiscar instrumentos, caso as batidas sagradas não fossem interrompidas.

- Isso aconteceu em seis terreiros diferentes, nos bairros de Vergel, Ponta Grossa, Benedito Bentes, aqui em Maceió. Já chegaram a algemar um pai de santo, mas isso foi no ano passado - conta Paulo Silva, presidente da Federação de Zeladores de Culto Afro.

Povo de santo e OAB tiveram reunião com o comando da pol�cia militar

Representantes do povo de santo e da OAB tiveram reunião com o comando da polícia militar de Alagoas

A fim de denunciar os casos de intolerância religiosa e violência policial, vários representantes de entidades ligadas aos cultos afrobrasileiros reuniram-se na sexta-feira passada (24/7) com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Alagoas, Gilberto Irineu de Medeiros.

- Esses episódios são uma afronta ao Estado de Direito. Vão totalmente contra a constituição. São um desrespeito e um cerceamento à liberdade de culto e de crenças. É resultado da ignorância, do despreparo e da falta de conhecimento jurídico, humano e técnico da polícia estadual - brada o advogado.

Por sugestão de Medeiros, foram reunir-se também com o comandante da polícia militar no Estado de Alagoas. No encontro, além de cobrar uma investigação acerca do ocorrido, ficou acertado que as religiões de matriz africanas passariam a integrar a formação dos policiais.

- O comandante acolheu nossas sugestões de incluir o sincretismo religioso e as religiões de matriz africana na formação de praças e de oficiais. Também vai reorientá-los em relação ao tratamento de terreiros. Quanto às denúncias, ele disse para aguardar informações dos comandantes da capital e do interior sobre ações policiais em terreiros - explica o presidente da comissão de direitos humanos da OAB.

"Violência é resultado da ignorância, do despreparo e da falta de conhecimento da PM"

"Violência é resultado da ignorância, do despreparo e da falta de conhecimento da PM"

Gilberto Irineu de Medeiros explica que, caso as entidades ligadas ao candomblé tivessem formalizado a denúncia na OAB, a Ordem já haveria acionado o Ministério Público e a corregedoria da polícia militar.

Entretanto, como foi um queixa informal, ambas as partes optaram por um contato com o comandante geral da PM.

- Mas se isso se repetir, a OAB entrará fortemente em ação. Não tenha dúvida que agirei de imediato - garante.

(fotos: Jornal Gazeta de Alagoas [1]; OAB/AL [2])

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