Terra Magazine

24 de julho de 2009

Bahia realiza “seletiva” para a final do Festival do Rap Popular Brasileiro

Acontece nas noites de hoje e amanhã, na Praça Teresa Batista, no Pelourinho (Salvador), a etapa baiana do II Festival do Rap Popular Brasileiro. Reunindo 12 bandas locais de rap, o evento gratuito seleciona - da mesma forma que todos os outros estados brasileiros - representantes para a final nacional do II RPB Festival, no dia 26 de setembro, no Rio de Janeiro.

Organizado pela Central Única de favelas, a CUFA, o RPB Festival procura estimular o mercado musical nacional do rap, valorizando a arte que nasceu nas periferias e apresentando novos grupos e cantores de rap.

“Muita gente começa nesses espaços e desponta com o talento aprisionado, e que muitas vezes não teria outra oportunidade de ser apresentado”, argumenta Gog, o “poeta do Rap”, vencedor do Prêmio Hutúz 2008 na categoria “Melhor Videoclipe”.

Para selecionar o representante do Estado na final, a etapa baiana tem como jurados Letieres Leite (Orquestra Rumpilezz), DJ Bandido, Vivian (coordenadora da Didá), Jô Guimarães (arte-educadora da escola Mãe Hilda e Ilê Ayê) e Mona Brito (representante do ‘Movimento Social’).

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

- Pô, mano, diz aí você, se coloque no meu lugar: como seria representar o hip hop do meu Estado no Festival nacional? Não sei nem o que dizer… - comenta Pablo, um dos MCs do Quatro Preto, na estrada desde 2002.

Para a etapa baiana, foram inscritas 30 bandas e pré-selecionadas 12. Única rapper do sexo feminino entre as bandas que se apresentam hoje e amanhã, Mahara não acredita que haja discriminação no meio e prega a união em torno da cultura negra.

- É a mesma coisa, tá todo mundo na rua, tem que saber dividir, ter respeito. Depende da cabeça de cada um e da postura da mulher. Ainda não é a mesma quantidade dos homens, mas já tem muita mulher. Ta todo mundo na mesma vibração que é a da negritude do país. Tem discriminação é contra o nosso ritmo, mas agora que a gente está começando a ter voz, a ter vez - argumenta Mahara.

Mahara vê discriminação contra o rap

Mahara vê discriminação contra o rap no Brasil

Traço comum a Mahara, Quatro Preto e a várias bandas que se apresentam na etapa baiana, a incorporação de outros ritmos ao rap parece uma tendência no Estado. “A gente mistura mesmo: entra samba, jazz, maracatu, instrumentos de corda, percussão, baixo”, conta o MC Pablo.

Entretanto, essa tendência parece mas é mal vista pelos grupos do sul, mais alinhados ao hip hop “tradicional”, que ainda dominam o cenário brasileiro.

A estrutura do RPB Festival, que seleciona representantes de cada estado brasileiro para uma grande final, pode ser então um momento de afirmação política de identidades regionais.

- É a nossa chance de mudar um pouco a cara do rap nacional, sempre concentrado nos grupos do Sul. Eles são os que mais se parecem com os americanos e não entendem quando a gente, da Bahia, do Nordeste, mistura os ritmos, afirma a negritude do nosso jeito - diz Janda Mawusi, produtora do Festival.

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6 de março de 2009

Rappers exigem a realização da Semana do Hip Hop em São Paulo

O Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo lança na internet um documento exigindo que a administração da cidade e a Coordenadoria de Juventude realizem a Semana de Hip Hop de 2009.

Colem no fórum hip hop municipal de são paulo!

Venham! Fazer o hip hop ser respeitado, seja você mc, dj, grafiteiro(a), break, produtor, estudante, simpatizante e ou somente ouvinte de rap. A parada é nossa.
(abertura do manifesto divulgado pelo Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo)

A semana do Hip Hop é uma conquista do movimento organizado do hip hop e acontece desde 2006. Realizada anualmente na segunda quinzena de março, gira em torno de 21 de março, o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial.

Durante sete dias, breakers, grafiteiros, DJs e Bboys juntam-se a ativistas de organizações não-governamentais para denunciar o preconceito, divulgando o hip hop e discutindo o papel da juventude afro-brasileira e da periferia na sociedade.

Devido à pressão política do Movimento Hip Hop, a Semana passou a figurar no calendário oficial da capital paulista (Lei Ordinária de São Paulo-SP, nº 14485, de 19/07/2007) e ganhou dotação orçamentária de 100 mil reais para 2009 (empenho 1944).

- A gente fez pressão na votação do orçamento deste ano e conseguimos incluir o recurso para a realização da semana do Hip Hop. Agora eles vêem dizer que não tem dinheiro? - diz André Luiz, o Rapper Pirata, uma das vozes mais atuantes do Fórum de Hip Hop.

"Cobramos como cidadãos"

Rapper Pirata: "Cobramos como cidadãos"

O rapper lembra que é dever de quem está na administração municipal cumprir com os compromissos assumidos: “Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos”.

Leia a seguir a entrevista feita com o Rapper Pirata, 34, na qual ele fala da realização da Semana do Hip Hop e das negociações do movimento com o poder público:

Desde quando existe o Fórum Hip Hop? Quem participa dele?

Seu início foi no ano 2005, já fazem 3 e meio. Um Fórum é um espaço público então não existe um número de membros. Em todas reuniões temos uma frequencia de 15 a 30 pessoas, mas temos uma lista de 500 pessoas.

Existe uma lei prevendo a realização da Semana do Hip Hop?

Sim, foi uma conquista do movimento hip hop paulistano, e elaborada pela ex vereadora do PT Claudete Alves e sancionada em 2004 pela ex-prefeita Marta Suplicy (Lei nº 13.924/04). Agora tem uma nova, lei municipal 14.485/2007.

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

"A Semana do Hip Hop é uma conquista da Sociedade"

Quais os sinais de resistência do poder público municipal ao cumprimento dessa lei?

Eles dizem que vão fazer a semana, mas falam sempre que existem dificuldades. Esse ano é o papo de crise, algo que na administração pública é balela, porque eles deixam de arrecadar um determinado volume grana em impostos, não é que eles ficam sem caixa, porque não são empresas.

Não existe conversa do poder público com a sociedade jovem da periferia, eles ficam na disputa partidária, algo que não nos interessa.

Chegaram a um acordo?

O Fórum está com conversa na Câmara de Vereadores junto a Comissão de Juventude, e a Secretaria de Participação e Parceria, nas Coordenadoria do Negro e Juventude, mas não temos resposta positiva. Não sabemos ainda se estão só enrolando.

Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos.

Caso a prefeitura não queira realizar a Semana, o que vocês pretendem fazer?

Estamos fazendo um carta de moção para entregar aos vereadores e secretárias da prefeitura. Temos um lance de panfletagem e depois entregaremos um abaixo-assinado para Ministério Público contra a administração.

"Parecem desinformados referente às pol�ticas públicas geradas por eles mesmos"

Pirata: "Parecem desinformados referente às políticas públicas geradas por eles mesmos"

Como o fórum hip hop municipal vê as ações dos três poderes públicos em relação a esse gênero artístico?

Então temos a discussão que cultura não é valorizada no país, tanto que os recursos dos orçamentos nunca chegam a 1%.

Vemos como bons olhos a ação do governo federal, mas como a dita direita administra o estado e prefeitura, eles investem pouco porque disputam como partidos.

Mas o Fórum é apartidário. Cobramos como cidadãos. Os caras tão na administração e tem o dever que cumprir isso aí, de fazer os projetos. Se a gente não estiver ali, cobrando, eles vão fazer tudo sozinhos.

Veja, tem 80 milhões para se investir no primeiro emprego aqui em São Paulo. Não se investiu um centavo.

Eles fazem cursos para as pessoas serem empregadas como garçom, ajudante de cozinha, engraxate… Não desvalorizo essas profissões, mas querem que sejamos empregados o resto de nossas vidas.

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7 de fevereiro de 2009

Blackitude e Ilê Aiyê reverenciam a Bahia Negra

Tags:, , , , , , - iurirubim às 14:15

Duas festas neste sábado celebram os mais diferentes aspectos da cultura negra na Bahia.

Se, na Senzala do Barro Preto, sede do bloco Ilê Aiyê, a 30a Noite da Beleza Negra exalta a tradição afro-baiana, o BlacKitude 40º, no Pelourinho, traz uma perspectiva mais contemporânea dessa matriz cultural.

Hoje à noite, na Senzala do Barro Preto, será escolhida a nova Deusa do Ébano. Representação máxima da beleza negra, ela terá, por um ano, a adoração dos três mil associados do Ilê e, por tabela, de boa parte dos 600 mil habitantes do Curuzu, bairro onde fica a sede o bloco.

- Eu já disse para as meninas que quando se é rainha do Ilê não se quer reinar em mais lugar nenhum – disse, ontem, a dançarina Adriana Silva, Deusa do Ébano 2008, na apresentação das 15 candidatas ao trono.

O concurso nasceu nos anos 70, a partir da observação que “o Brasil sempre exportou um biotipo de mulheres nos concursos de beleza que nunca correspondeu à realidade étnica nacional”. Em contraponto a essa realidade, nasceu a competição pela fantasia da Deusa do Ébano, escolhida sempre na Festa da Beleza Negra.

Nesta edição, a Festa, que começa às 21h (horário local), terá como atrações as bandas Araketu, Band’Aiyê, Fora da Mídia e outros artistas convidados.

a cultura negra contemporânea

Balckitude 40 Graus: a cultura negra contemporânea

Com o foco na cultura negra urbana e atual, o BlacKitude 40º leva ao Pelourinho (Praça Tereza Batistas, a partir das 19h) múltiplas linguagens artísticas, focadas na intervenção criativa na cidade.

O evento é idealizado pelo Coletivo Blackitude: Vozes Negras da Bahia, há quase 10 anos atuante na Bahia.

Como não poderia deixar de ser, os trabalhos começam com a apresentação dos quatro elementos do hip hop: MC, break, grafite, DJ. Simultaneamente, poetas da negritude soltam o verbo.

As apresentações musicais são abertas pelo DJ Bandido, que assumiu o compromisso de elevar a temperatura até os 40 graus anunciados pelo evento. Em seguida, os grupos Afrogueto, Daganja, RBF (Rapaziada da Baixa Fria) e Opanijé assumem a responsabilidade por manter o clima quente.

Break e os outro 3 elementos do hip hop no Blackitude

Break e os outro 3 elementos do hip hop no Blackitude

Paralelamente aos shows, os grafiteiros pintam ao vivo os painéis que farão parte do cenário. Os responsáveis pela execução das obras são Bigod, Lee27, Neuro e Tito Lama.

O BlacKitude 40º conta ainda com os dançarinos Ananias e Thina, acompanhados do grupo de Independente de Rua, que transfere sua tradicional roda de break da Praça da Sé para a Praça Tereza Batista.

(fotos: Ilê Aiyê [1] e Fernando Gomes [2])

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