Terra Magazine

20 de setembro de 2009

50 mil caminham contra intolerância religiosa no RJ

Tags:, , , - iurirubim às 6:59

Mais de 50 mil pessoas são esperadas hoje na II Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa Eu Tenho Fé! No Rio de Janeiro. O cortejo sai às 10h, do Posto 6, em Copacabana, rumo ao Leme.

Esta é a segunda edição do evento, que tenta alertar para a escalada da intolerância religiosa no Rio de Janeiro. Atualmente, um pastor e um fiel de uma igreja evangélica encontram-se presos por ataques a terreiros de religiões de matriz africana.

Organizada pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, a Caminhada conta com o apoio de diversas entidades e a presença de membros dos mais diferentes credos.

Entre outros, já confirmaram presença Sérgio Niskier, presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro; Athaylon Belo (Frei Tatá), da Pastoral do Negrosato; Abdullahi Sanin Aleiso, líder da Irmandade dos Crioulos Africanos Muçulmanos Malês;

Dos Estados Unidos e especialmente para o evento, vem ao Rio o pastor Jeremiah Wright (aquele que casou Obama e batizou suas filhas). Da Nigéria, vem o Arabá de Ilê Ifé - o mais alto sacerdote da tradição yorubá.

São esperadas delegações estrangeiras, vindas de Nigéria, Angola, Congo, Argentina, Uruguai e Paraguai, além de caravanas originadas de 23 estados do Brasil, o que significa cerca de 150 ônibus vindos de fora do Rio de Janeiro.

A expectativa de público para a Caminhada oscila bastante: os números variam entre 50 e 100 mil participantes. Certo mesmo é que será bem maior do que a primeira, em 2008, cujo público estimado variou entre 10 e 30 mil manifestantes.

A Caminhada conta ainda com a participação dos grupos de música afro Olodum e Ilê Ayiê, que vão de Salvador para o Rio com recursos próprios. Um CD gravado com canções religiosas confirma a diversidade do evento: nele religiosos cantam o hit evangélico “Faz um milagre em mim” traduzido para o yorubá.

Em declaração ao site sidneyrezende.com, o Neguinho da Beija-Flor - presença confirmadíssima na Caminhada - sintetiza o espírito da manifestação: “Peço a quem puder ir, de qualquer raça ou credo, que vá. Não podemos deixar que o Rio se transforme no Oriente Médio”.

(foto: Walter Mesquita/ Viva Favela)

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12 de julho de 2009

PR: Feira tonifica lado consumidor dos cristãos

Hoje se encerra a Expocristo - Feira Nacional do Consumidor Cristão, no Marumby Expocenter, em Curitiba. Com o foco na comercialização de produtos literários e fonográficos cristãos, é considerada o maior evento de turismo e negócios cristãos do sul do país.

- O amor pela fé cristã leva as pessoas a desejarem produtos que divulguem a crença. O resultado é Deus para todo lado: na camiseta, no adesivo do carro, em chaveiros… - conta Marisa Lobo, organizadora da Feira.

A Expocristo, que chega em 2009 à quinta edição, amplia seu público em 50% a cada ano e também aumenta o seu número de expositores, ostentando 230 estandes, 30% a mais que no ano anterior.

Para manter esse crescimento vertiginoso, a Feira aposta na elevação do número de evangélicos do país e na continuidade do interesse dos católicos em adquirir produtos que expressem a sua fé.

A organização do evento calcula que o público cristão seja quase 90% do povo brasileiro. Ou seja, mercado é o que não falta.

Entretanto, a atração de multidões para um evento, ainda que identificadas com ele, não é uma tarefa simples. A estratégia da Expocristo para garantir o público tem sido investir nos shows de música religiosa.

Participam da Feira como Mara Maravilha, Toque no Altar, Chris Durán, David Quinlan, Samuel Barbosa, Filhos do Homem, Carlinhos Félix, Tatiana Malafaia, Mara Lima e Cristina Mel - quase todos desconhecidos do mainstream cultural, mas idolatrados pelos fiéis no circuito religioso.

Além disso, o evento investe em quantidade: enquanto em 2008 subiram aos palcos 22 bandas religiosas, nesta edição esse número sobe para 50.

É importante lembrar, todavia, que na Expocristo as atrações musicais também dividem os palcos e a atenção dos fiéis com pregações e pastores-celebridades, como Marco Feliciano, “o pastor das multidões”.

Uma pesquisa no próprio site da feira indica que a preferência ainda é pelos shows, despertando o interesse de 49% dos que manifestaram a sua opinião. As pregações vêm em segundo lugar, consideradas a maior atração da Feira para 27 dos entrevistados.

Mas a verdade é que tudo se mistura um pouco: pastores viram astros da música e cantores, pregadores. E todos movimentam a economia da fé.

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11 de maio de 2009

Igreja abençoa união de pessoas do mesmo sexo

O casamento gay ainda é um tabu na maioria das sociedades. Tanto que boa parte delas ainda não reconheceu legalmente a possibilidade do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

As dificuldades que a questão enfrenta no campo civil, entretanto, não chegam nem perto do que acontece no religioso. Se o uso de preservativos ainda é condenado por muitas instituições religiosas, imaginem o casamento gay.

Na contramão - ou na vanguarda? - dessa posição está a Igreja da Comunidade Metropolitana, que há quatro anos celebra a união de casais homossexuais no Brasil.

No bolo de casamento, o s�mbolo da união

No bolo de casamento, o símbolo da união

Tecnicamente, a Igreja não realiza casamentos. Ainda que a cerimônia seja praticamente idêntica e que o menu do site da instituição aponte para “casamento”, ela é chamada de “Benção de União de Casais Homoafetivos”.

“Existe uma diferença de conceito”, argumenta o pastor Cristiano Valério, da ICM. De acordo com o pastor, “o casal não está sendo unido no altar; eles estão vivendo juntos”.

- A Igreja dá uma benção a uma união que já é legítima, que já venceu muitos obstáculos e está consolidada. Na ICM, entendemos que os casais devem celebrar sua união depois de se conhecerem, inclusive sexualmente - afirma.

Casais celebram a união com muita fé

Casais celebram a união com muita fé

O pastor Valério faz questão de esclarecer porque a cerimônia é considerada uma benção. “Abençoamos a união porque não a consideramos um sacramento. Na ICM, apenas o batismo e a eucaristia são sacramentos”.

Cristiano Valério explica, ainda, o uso do termo “homoafetivo”:

- Homossexual dá a ideia de apenas sexo. Homoafetivo realça o carinho que envolve a relação. O desejo é apenas consequência. Mas a Igreja não tem nenhum problema em usar os termos “gays” ou “homossexuais” - diz.

União coletiva

Com a proximidade da Parada Gay de São Paulo, marcada para o dia 14 de junho, a ICM prepara-se para a 2ª edição da celebração de benção de união coletiva de casais homoafetivos.

O evento acontece na véspera da Parada Gay. Como toda primeira vez, a edição de 2008 foi um pouco tímida, reunindo apenas cinco casais. “A visibilidade é muito grande, alguns casais optam por celebrar em particular, ao longo do dia”, explica o pastor. Um número maior de casais é esperado para a união coletiva deste ano.

Benção coletiva de união de casais homoafetivos em 2008

Benção coletiva de união de casais homoafetivos em 2008, na véspera da Parada Gay

“Aproveitamos sempre oportunidades para nos posicionarmos politicamente”, explica Cristiano Valério. De fato, a militância é uma marca da ICM. “E não apenas pelo movimento LGBT, mas pelos direitos das mulheres, dos negros e dos índios…”, afirma Valério.

Por essa atuação a ICM esteve na I Conferência Nacional LGBT, em 2008, e na II Conferência de Igualdade Racial, no final de semana passado. Em 2003, o fundador da Igreja, reverendo Troy Perry foi convidado pelo Govenrno Lula para discutir o Programa Nacional por um Brasil Sem Homofobia.

Essa relação entre fé e militância foi fundamental para o surgimento da Igreja. Impedido de pregar pela sua opção sexual, o Rev. Troy Perry foi compelido a fundar sua própria congregação ao ver um amigo gay ser agredido e preso pela polícia. Em seu desespero, o rapaz gritou para Perry: “Deus não se importa! Deus não se importa com os gays!”.

A Igreja da Comunidade Metropolitana é o ramo brasileiro da Metropolitan Community Churches, fundada pelo reverendo Troy Perry em 1968, em Los Angeles (EUA).

Atualmente com 60 mil membros e mais de 300 igrejas em 22 países ao redor do mundo, a MCC realizou o primeiro casamento público entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos, no ano de 1969.

O primeiro casamento gay público dos Estados Unidos ocorreu há 30 anos

O primeiro casamento gay público dos Estados Unidos ocorreu há 30 anos

Na mesma ocasião, ingressou com uma petição para o reconhecimento legal para casamentos entre homossexuais naquele país.

Desde a sua fundação, a MCC e seus membros têm sido vítimas da violência e da intolerância religiosa. O Ver. Troy - hoje aposentado - já recebeu diversas ameaças de morte e cerca de 22 templos em todo o mundo já foram incendiados.

A ICM chegou ao Brasil há cinco anos. Consequentemente, sua presença no país ainda é pequena: chega a apenas nove cidades: São Paulo e Campinas (SP); Belo Horizonte e Divinópolis (MG); Fortaleza (CE); Teresina (PI); Curitiba e Umuarama (PR); e Vitória (ES).

Somente em três delas (São Paulo, Belo Horizonte e Fortaleza), tem os serviços completos, que incluem ação social e militância pelo movimento LGBT.

"queremos adorar Deus sem máscaras"

Pastor Cristiano: "queremos adorar Deus sem máscaras"

Embora a entrevista enfoque principalmente a união de pessoas do mesmo sexo, o pastor faz questão de enfatizar que “a ICM celebra a união de qualquer casal, homoafetivos ou heterosexuais”.

- Na ICM fazemos o que chamamos de inclusão radical. Aceitamos e pronto. Não existe um ser humano no planeta que não seria bem vindo na ICM. Nosso objetivo é adorar Deus sem usar máscaras - afirma o pastor Cristiano Valério.

(fotos: Igreja Cristã Metropolitana)

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24 de abril de 2009

AM: Igreja flutuante reúne fiéis sobre as águas do Rio Negro

Tags:, , , , - iurirubim às 15:55

Ontem o Blog das Ruas publicou a história de seu Davi Navelaiko, que construiu uma casa flutuante no Mato Grosso.

Tal não é a minha surpresa quando o internauta Silvio Ferreira deixa lá um comentário, informando que haveria no Amazonas uma igreja flutuante, sobre as águas do Rio Negro.

E não é que existe mesmo?!

Fui atrás da “Igreja sobre as águas”, que alguns comentários na internet dizem ser a única do Brasil (caso você, internauta, conheça outra, por favor, escreva um comentário com a pista dela).

A Igreja em questão é da Congregação Cristã no Brasil e flutua, efetivamente, sobre o Rio Negro. “Só chega aqui de barco!”, diz, com certo espanto, o autor de um vídeo que mostra o templo na internet. veja mais fotos aqui.

Infelizmente, não consegui contatar nenhum membro da Congregação Cristã no Brasil do Amazonas que pudesse falar mais sobre a Igreja. Recebendo mais informações, atualizo este post.

(fotos: Ricardo Diniz)

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9 de abril de 2009

Procissão do Fogaréu é realizada em várias cidades brasileiras

Nos primeiros minutos desta quinta-feira, mais uma vez milhares de pessoas (cerca de 30 mil) lotaram as ruas de Goiás Velho para ver o espetáculo da Procissão do Fogaréu.

Tradicional manifestação da cultura popular - acontece há mais de 260 anos -, a cerimônia dura duas horas e simboliza a busca e a prisão de Jesus Cristo.

Com as luzes das ruas apagadas, milhares de pessoas caminham pela cidade carregando tochas ao som de tambores e músicas barrocas do século 19. À frente da procissão, dezenas de farricocos, fiéis encapuzados que representam a guarda romana.

As figuras encapuzadas remontam às cerimônias espanholas, mais especificamente as de Toledo e Sevilha e ao período da inquisição. A escuridão, as tochas, os encapuzados e a rapidez com quem se desenrola a cerimônia criam um clima medieval assustador e excitante de beleza sem igual.

A Procissão do Fogaréu de Goiás Velho é certamente a mais famosa do Brasil. Engana-se, porém, quem pensa que seja a única. O Blog das Ruas fez uma pesquisa e descobriu muitas outras procissões do fogaréu ocorrendo em diferentes cidades do Brasil.

Realizam a cerimônia de fé desde cidades bastante conhecidas dos brasileiros, como Paraty e Olinda, até a pequena Florânia (RN), município de apenas oito mil habitantes, a 200 km de Natal.

O Blog das Ruas encontrou nove cidades que fazem regularmente a Procissão. Sete delas, no nordeste brasileiro.

Várzea Alegre, localizada ao sul do Ceará, a quase 500 Km de Fortaleza, foi a primeira delas a realizar a cerimônia, no último dia 3, uma semana antes da sexta-feira da paixão.

À exceção de Várzea Alegre, a realização da procissão nas outras cidades divide-se entre a madrugada de quarta para quinta-feira, como acontece em Goiás Velho, e da quinta-feira santa para a sexta-feira da paixão.

No primeiro grupo, estão Caxias (MA), Olinda (PE) e Pedreira (SP); no segundo, Florânia (RN), Paraty (RJ), Oeiras (PI), São Cristóvão (SE) e Serrinha (BA).

Enquanto em cidades como São Cristóvão (SE) - a quarta mais antiga do Brasil -, as cerimônias são uma tradição secular, em outros municípios, a exemplo de Florânia (RN) e Pedreira (SP), a procissão esta apenas em suas terceira e quarta edições, respectivamente.

São datas, cenários e formas de diferentes de interpretar a busca e a prisão de Cristo, igualadas apenas pela fé dos manifestantes e pela plasticidade dessa expressão cultural.

(fotos da Procissão do Fogaréu em Goiás Velho, em 2008 - gentilmente cedidas por Benedito Braga)

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