Terra Magazine

20 de novembro de 2009

RJ: “Trem do Funk” realiza baile sobre trilhos

Depois que foi reconhecido como patrimônio cultural do Rio de Janeiro, o funk está mesmo saidinho.

Hoje, chama o eterno herói Zumbi dos Palmares para balançar sobre os trilhos. É isso mesmo: a galera do batidão resolveu celebrar o Dia da Consciência Negra criando o “Trem do Funk”, uma iniciativa inédita para o gênero musical.

Seis vagões, com capacidade para 1800 passageiros, partem às 11h (horário de Brasília) da Central do Brasil até Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Para participar do batidão, basta pagar a passagem comum: R$ 2,50.

O trem vai seguir o trajeto em velocidade reduzida e tem paradas previstas apenas nas estações Jacarezinho, Mercadão de Madureira e Pavuna. Nelas, embarcam, além de passageiros, artistas locais que animam as três plataformas enquanto o público espera pelo trem. A jornada deve levar cerca de uma hora.

A festa, entretanto, começa bem antes da partida do trem. Às 10h, na própria Central do Brasil, o som já toca à toda, colocando todo mundo no clima do passeio.

Na chegada em Belford Roxo o baile continua com a equipe do Furacão 2000 na Praça Eliakim Araújo, a principal da cidade.

Primeira edição do Trem do Funk já tem confirmadas as presenças de Furacão 2000; Priscila Nocetti e Cia de Dança; Os Hawaianos; Leandro e as Abusadas; David Bolado e Rose Bumbum; Márcio G; Mc Créu; Max; Bruninha e Jaula das Gostozudas.

Como é inspirado no Trem do Samba - que há 13 anos passeia com bambas no dia 2 de dezembro (Dia do Samba) -, o “bonde” do funk também recebe estrelas desse e de outros gêneros musicais. Ivo Meireles; Neguinho da Beija-Flor; a Bateria da Mangueira; a Banda Afroreggae; Dida Nascimento e Afoxé Raízes Africanas “dividem os trilhos” com o pessoal do batidão.

O projeto do Trem do Funk é organizado por Rômulo Costa, secretário de Cultura de Belford Roxo e membro da Furacão 2000, que promete torná-lo parte do calendário oficial de eventos do Rio de Janeiro.

Funk solidário

Além de celebrar o Dia da Consciência Negra, o Trem do Funk tem um objetivo social. Durante o trajeto do trem, serão arrecadados donativos para ajudar as vítimas das chuvas que assolaram Belford Roxo recentemente - até o último dia 17, a cidade tinha mais de três mil desabrigados. A colaboração, claro, é voluntária.

(foto: Proderj/ Governo do Estado do Rio de Janeiro)

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11 de novembro de 2009

RJ: Baixada Fluminense recebe festival de música independente

A partir de amanhã e até o próximo domingo (12 a 15/11), a cidade de Nova Iguaçu é a Meca dos roqueiros da Baixada Fluminense.

Durante esse período, acontece o Espaço do Rock 2009, um festival de música independente que extrapola a ideia de “mostra de bandas” e incentiva tanto a reflexão sobre a arte quanto a interação entre diferentes linguagens. A entrada é gratuita, mediante distribuição de ingressos uma hora antes dos shows.

A Banda Medulla (foto) é uma das mais de 20 atrações do evento, criado em 2007 pelos amigos Antonio Felipe Vieira (Black); Marcelo Faria; Thaís Santos e Yuri Chamusca - salvo engano, todos na casa dos 20 anos. Veja a programação.

Bacana inclusive ouvir dos organizadores que o Festival é, também, uma forma de ocupação dos espaços públicos - no caso, o Espaço Cultural Sylvio Monteiro, na região central de Nova Iguaçu -, raramente destinados à prática do rock.

Três anos depois de sua concepção, o Espaço do Rock mantém-se fiel ao seu objetivo inicial: apresentar bandas novas e dar oportunidade para bandas reconhecidas da Baixada Fluminense tocarem “em casa”.

Embora seja um festival de música, o Espaço do Rock abre espaço também para o grafite; debates sobre rock e sobre a cena independente da Baixada Fluminense; exibição de filmes e apresentações de arte circense. Relaciona-se, ainda, com outros gêneros musicais, ao ceder o palco para o reggae no primeiro dia do Festival.

(Foto: Banda Medulla)

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8 de setembro de 2009

Passeios noturnos a pé desafiam “histeria de violência” no Rio

Um professor e um grupo de alunos do Instituto de Geografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) tomou para si uma tarefa: reconquistar o direito e o prazer de andar a pé pela capital fluminense.

Há oito anos, desenvolvem o projeto Roteiros Geográficos do Rio, no qual promovem caminhadas gratuitas pela cidade, “redescobrindo” seus marcos, sua beleza, suas histórias.

“O Rio foi capital da colônia, do império, da república; tem muitos lugares aqui a serem visitados”, afirma o idealizador e coordenador do projeto, professor João Baptista de Mello.De três anos para cá, também foram criados roteiros noturnos, um passo a mais para enfrentar o que a equipe chama de “sensação de violência”.

- O Rio não é uma cidade mais violenta do que as outras no Brasil. O que existe é uma histeria por causa de uma campanha, que é feita há quase 30 anos, contra a cidade. Começou com a briga de um governador com um canal de televisão e continua até hoje. Queremos apresentar outras faces da cidade para a população - argumenta João Baptista.

Prof. João Baptista de Mello (centro), durante uma das caminhadas

Prof. João Baptista de Mello (centro), durante uma das caminhadas

Para sustentar a sua posição, o professor utiliza o exemplo de uma de suas pesquisadoras, Melissa Anjos, que mora a 30 km do centro da cidade e sempre vai para casa de ônibus, à noite, após a equipe encerrar as atividades.

- Temos esse depoimento pessoal. Ela nunca foi assaltada, nunca aconteceu nada com ela. Também nunca aconteceu nada com os grupos durante os roteiros. Essa cidade não é apenas rica, ela é de paz. O problema não é a violência e, sim, o medo - afirma.

O grupo de pesquisadores já desenvolveu 11 roteiros de passeios a pé pelo Rio de Janeiro - cinco diurnos e seis noturnos -, a maioria no centro da cidade.

A dinâmica das caminhadas é simples e eficiente. Há um ponto de encontro onde é aguardada a chegada de todos os participantes. “São em média 50, 60 pessoas, que é o número ideal para que eu não fique me esgoelado. Mas às vezes aparecem até 120 pessoas”, conta João Baptista.

Uma vez em movimento, o cortejo faz diversas paradas, onde o professor João Baptista faz comentários relacionados à história, estilos arquitetônicos e artísticos, influências religiosas “e até fofocas” daquele lugar.

- Tem gente que nunca entrou numa dessas igrejas e fica deslumbrado. As pessoas se sentem gratificadas porque são detalhes dessa cidade bela, dadivosa, que não observam no dia-a-dia. Até os estrangeiros sabem disso: a Revista Forbes recentemente elegeu o Rio como a cidade mais feliz do mundo, à frente de Sidney e Barcelona. Se ela é feliz assim, vamos desfrutar dessa felicidade, não é mesmo? - provoca o coordenador do projeto.

A cada mês, o grupo de pesquisa elabora a agenda do mês seguinte. Em setembro, uma programação especial voltada aos passeios noturnos.

Todos os seis roteiros serão executados neste mês, a começar por “Caminhando por entre as Luzes no Centro do Rio à Noite” hoje, a partir das 20h, com encontro marcado nos degraus da Casa França-Brasil.

De lá, o grupo passa pelo Centro Cultural do Banco do Brasil, pela Igreja da Candelária, pela Rua do Ouvidor, dentre várias outras. Os caminhantes ainda não têm um site específico, por isso coloquei a programação que me passaram para download.

Alguns roteiros noturnos valorizam a iluminação das edificações da cidade

Alguns roteiros noturnos valorizam a iluminação das edificações da cidade

O professor João Batista destaca um desses roteiros em especial, a visita à Vila Aliança, um bairro popular da zona oeste da cidade.

- É uma das zonas mais pobres do Rio. Um bairro proletário, criado para as pessoas que moravam nas favelas, que tem um outro lado que as pessoas não conhecem. Tem um comércio dinâmico, um vigor, um pulsar extraordinário. E é isso que estamos querendo mostrar - diz.

E você, que tal passear a pé pelo Rio de Janeiro? Quem topar, manda fotos da(s) caminhada(s) aqui para o Blog das Ruas. Queremos saber como foi.

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18 de agosto de 2009

Paraty, onde “nunca se fabricou cachaça”, realiza 27º Festival da Pinga

Conhecida internacionalmente pela produção de pinga de alta qualidade, Paraty promove, entre 20 e 23 deste mês, o 27º Festival da Pinga.

Criado pela Associação Comercial de Paraty, em 1983, o Festival acontece regularmente há 27 anos, sempre no terceiro fim de semana de agosto.

Curiosamente, conta-se na cidade que ninguém lá produz – nem nunca produziu – cachaça. A explicação para este aparente paradoxo é uma diferenciação pouco usual entre cachaça e pinga.

Embora se considere em geral que pinga é o nome vulgar da cachaça, produtores de Paraty batem o pé que existe – e muita – diferença.

Segundo eles, cachaça seria a aguardente destilada a partir da borra ou do melaço, isto é, das sobras da fabricação do açúcar, enquanto pinga seria aquela fabricada a partir da garapa: caldo de cana fermentado e destilado depois da fervura e da evaporação que “pinga” na bica do alambique.

Paraty recebe o 27º Festival da Pinga

Paraty recebe o 27º Festival da Pinga

Realidade ou preciosismo, o fato é que diversos especialistas consideram as pingas de Paraty – algumas já chamadas de “cachaça” – como as melhores do Brasil.

Veja também:
>> Cachaça de Ouro

É provável que a produção de pinga na cidade tenha pelo menos 400 anos de história. Muitos registros – inclusive o do navegador francês Pyrard de Layal, em 1610 – falam da produção, no Brasil, de um “vinho feito com suco de cana” comercializado bem barato e consumido por escravos e nativos da região.

Esse longo histórico de produção da bebida atingiu o auge no final do século XVII, quando havia na cidade mais de 150 engenhos em pleno funcionamento.

Tamanha foi a associação que Paraty passou a ser sinônimo de pinga (e cachaça), como mostra esse trecho de “Policarpo Quaresma”, de Lima Barreto:

“Sentaram-se à mesa. Quaresma agarrou a pequena garrafa de cristal e serviu dois cálices de paraty.”

O sambista Assis Valente, cantado por Carmen Miranda, também fez menção ao saboroso líquido, em 1935:

“Vestiu uma camisa listrada
e saiu por aí.
Em vez de tomar chá com torrada,
ele bebeu parati.”

O Festival da Pinga de Paraty associa a degustação do famoso líquido com atrações gastronômicas, musicais, infantis e folclóricas.

Durantes esses quatro dias, danças folclóricas, apresentações de Jongo e Maracatu dividem as atenções com artistas consagrados, como Almir Sater e Antônio Nóbrega.

Em 2009, a festa tem a participação dos sete alambiques tradicionais da cidade, abertos à visitação pública. As pingas Coqueiro, Corisco, Maré Cheia, Maria Izabel, Paratiana, Murycana e Engenho D’Ouro são fabricadas até hoje de modo artesanal, em dornas de carvalho, com fogo à lenha e alambiques de cobre.

Nesta edição ocorre também o lançamento de um novo rótulo: a Cachaça Mulatinha, lançamento do alambique Paratiana.

Mais do que em qualquer outro, no Festival da Pinga o estômago precisa ser bem tratado. Por isso, o cardápio do evento oferece pratos típicos que podem ser harmonizados com pingas dos produtores locais, como a comida de tropeiro, frutos do mar e o camarão casadinho. É comum os visitantes ganharem como brinde garrafas em miniatura.

Na quinta e na sexta-feira, um desfile temático celebra ao Dia do Caminho do Ouro (21 de agosto). Nas ruas do Centro Histórico de Paraty são encenados os tempos de engenho, escravos e tropeiros, ao som das marchinhas da banda local Santa Cecília. Durante o desfile, melados e pedacinhos de cana de açúcar são distribuídos para os visitantes degustarem.

(fotos: reprodução)

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18 de julho de 2009

Candomblé vira patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, sancionou nesta sexta-feira a lei que declara o candomblé um patrimônio imaterial do Estado. Proposta pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT), a lei foi bastante comemorada por pesquisadores e pelo povo de santo.Segundo o deputado, a lei deve reduzir a violência decorrente da intolerância religiosa, na medida em que, como patrimônio, passam a ser mais divulgados e respeitados.

Em declaração para O Globo, a museóloga e pesquisadora de Cultos Afro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Márcia Netto, afirma:

- Grande notícia! Acho que muda muita coisa para essas religiões que, até há pouco tempo, eram vistas como folclore ou seita. Vai ajudar a diminuir o preconceito, dar credibilidade e ajudar a desmistificar. O preconceito contra o candomblé vem desde a colonização.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa - que recentemente entregou foi às Nações Unidas denunciar a “ditadura religiosa” promovida pelos neopentecostais no Brasil - também comemorou e espera que a aprovação da lei estadual abra as portas para a aprovação de uma lei federal. A comissão fez um encaminhamento do pedido, durante a 2ª Conferência de Igualdade Racial, realizada em junho, em Brasília

Outro projeto com o mesmo teor, desta vez reconhecendo a umbanda como patrimônio imaterial estadual, também já foi aprovado pela Assembléia Estadual e aguarda sanção do governador.

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26 de junho de 2009

RJ: Festival de Inverno de Petrópolis tem “concerto de diplomatas”

Começa hoje o 9º Festival de Inverno de Petrópolis. Quem estiver na cidade mais famosa da Serra dos Órgãos vai poder até o dia 12 de julho, poderá aproveita o clima fazer uma imersão no universo da música erudita, além de curtir apresentações de chorinho, jazz, MPB, músicas francesas, dança, filmes e palestras audiovisuais.

Logo no primeiro dia de Festival, o Museu Imperial acolhe um espetáculo bastante singular: o Concerto dos Diplomatas (dia 27, 17h, Museu Imperial).

É isso aí: o cônsul e o conselheiro cultural de Portugal, respectivamente Antonio Almeida Lima (voz) e Adriano Jordão (piano), junto com o núncio apostólico da Santa Sé, Dom Lorenzo Baldisseri (piano), mostram que a música também pode trabalhar pelo entendimento dos países!

A música erudita é o carro-chefe do Festival de Inverno de Petrópolis

A música erudita é o carro-chefe do Festival de Inverno de Petrópolis

Foco principal do evento, a música erudita responde por oitenta por cento de sua programação com concertos, recitais, apresentações de corais e outras atrações que integram esse universo.

Naturalmente, muitos compositores consagrados são homenageados pelo Festival, com destaque para os 250 anos da morte de Handel; 200 anos da morte de Haydn; e os 200 anos de nascimento de Mendelssohn.

Mozart, Ravel, Brahms, Schubert, Schumann, Tchaikovsky e Rachmaninoff são outros compositores que têm espaço garantido na programação do evento.

Alguns espetáculos acontecem dentro do Palácio de Cristal

O Palácio de Cristal sedia parte da programação

O evento dá destaque especial ao pianista franco-polonês Frédéric Chopin, com um recital de Arthur Moreira Lima, que abre as comemorações do Ano de Chopin.

Entretanto, a nona edição do Festival de Inverno de Petrópolis propõe também uma jornada pelas notas de compositores menos conhecidos que trabalharam para Luís XIV, o Rei Sol.

O concerto “Música para o Rei Sol” (dia 4, 18h) é um dos “Concertos à Luz de Velas”, marca registrada do Festival de Inverno, que tentam, nesta edição, resgatar a influência francesa de séculos passados. Os Concertos à Luz de Velas acontecem às sextas e sábados, no Museu Imperial.

A companhia de dança Georges Momboye é uma das atrações contemporâneas do Festival

A companhia de dança Georges Momboye é uma das atrações contemporâneas do Festival

Parte do Ano da França no Brasil (França.Br), o Festival de Inverno de Petrópolis não apenas promove a música erudita francesa, como também abre espaço à manifestações artísticas mais recentes, desde a eterna Edith Piaf (interpretada por Letícia Carvalho - dia 7, 19h, Hotel Solar do Império) até a companhia de dança Georges Momboye (dia 29, 20h, Theatro Dom Pedro), cujos bailarinos são uma síntese do mundo francófono.

Impossível deixar de mencionar que o Festival de Inverno passeia pelos mais importantes cartões postais da cidade, como a Catedral de São Pedro de Alcântara, o Museu Imperial e o Palácio de Cristal, o presente do Conde D’Eu à sua esposa, Princesa Isabel, e primeira construção pré-fabricada do país.

No Museu Imperial são realizados concertos à luz de velas

No Museu Imperial, concertos à luz de velas relembram influência francesa nos séculos passados

- Petrópolis é uma representante viva da Corte Imperial e por isso tem um charme europeu inigualável e uma opção de locais para as apresentações que por si só se transformam em espetáculo - resume Myrian Dauelsberg, presidente da empresa que organiza o festival.

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16 de junho de 2009

RJ: Feira de São Cristóvão abre temporada de festas juninas

Bastou começar o mês de junho para a Feira de São Cristóvão - “um pedaço do Nordeste no Rio de Janeiro”, como é carinhosamente chamada por alguns - antecipar os festejos de São João.

Desde o dia cinco de junho, a Feira de São Cristóvão respira as tradições da mais nordestina das festas. Durante as quatro sextas-feiras, quatro sábados e quatro domingos deste mês, a Feira faz a maior reunião de bandas, trios e grupos de forró do Rio de Janeiro.

Segundo a organização das festas, o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas (onde funciona a Feira) será, em junho, o espaço fechado que mais toca forró no Brasil.

Além das atrações musicais, a Feira de São Cristóvão também acolhe as brincadeiras juninas do pau-de-sebo, bumba-meu-boi, e quebra pote e as tradicionais disputas de repentistas, que improvisam versos em meio ao público.

Para o São João ficar completo, sessenta quadrilhas se apresentam no espaço, com destaque para a Quadrilha Gonzagão - grupo oficial do espaço - e outras que se sobressaíram em 2008: a Quadrilha Show Buraca Quente, de São João de Meriti e a Quadrilha Cazumbá, do Bairro de Paciência. Do mesmo bairro e com integrantes na 3ª idade, a Quadrilha Calor da Bacurinha também merece atenção especial.

A Feira de São Cristóvão atrai mensalmente 250 mil visitantes e funciona no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, um espaço de 34 mil metros quadrados, com 700 barracas padronizadas, dois palcos para shows e praça de repentistas.

Além da culinária típica e do artesanato das barracas, durante o ano inteiro os visitantes arrastam o pé com trios e bandas de forró, apreciam poetas populares, repentistas e a literatura de cordel.

Desde 1945, a Feira ocupa o Campo de São Cristóvão. Era lá que chegavam os caminhões pau-de-arara, trazendo retirantes de vários estados do Nordeste para trabalhar na construção civil.

Música e comidas típicas animavam o encontro dos recém-chegados com parentes e outros conterrâneos, dando origem à Feira de São Cristóvão. Durante 58 anos, a tradicional Feira permaneceu no Campo de São Cristóvão, debaixo das árvores.

Em 2003, as barracas foram transferidas para dentro do antigo Pavilhão, reformado pela Prefeitura do Rio e transformado no Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas.

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2 de junho de 2009

RJ: Mostra artística exibe “outra face” do Morro do Alemão

Conseguir ser vista com outro foco, além da violência. Essa “mudança de canal” é um desejo quase unânime das comunidades que habitam as favelas brasileiras.

No último sábado, 30 de maio, o Morro do Alemão concretizou esse desejo. A sexta edição do Circulando - Diálogo e Comunicação na Favela reuniu mais de 500 pessoas, entre moradores e visitantes num clima seguro e totalmente descontraído, derrubando o estigma de que nos espaços populares a cultura e o lazer sucumbem à violência.

- Para a mídia, a favela é uma e para mim, que sou moradora, é outra. A gente aprende a se acostumar com a rotina da favela. Nem tudo aqui é ruim como dizem. A convivência com as pessoas, as amizades são completamente diferentes lá de baixo. Aqui a gente dá um grito e aparece alguém para ver o que está acontecendo. Lá embaixo é diferente. A pessoa morre dentro de um apartamento e só vão ver depois que o cheiro começa a incomodar. A favela é esquecida - dá o tom Rogéria Pereira de Souza, 42 anos, moradora do Alemão.

O Circulando começa logo pela manhã (10h) e dura até meia noite. A Avenida Central, principal acesso para o Morro do Alemão, é o palco de uma mostra que inclui música, graffiti, teatro, capoeira, maculelê, audiovisual, fotografia e artes circenses.

O maculelê foi uma das atrações do 6o. Circulando

O maculelê foi uma das atrações do 6o. Circulando

Na parte da manhã, um mutirão de grafiteiros da Oficina de Graffiti da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro começa a transformar os muros das casas da comunidade em grandes telas.

O trabalho de grafitagem é uma atividade já tradicional nas edições passadas do Circulando. “Depois da terceira edição, os moradores já nos procuravam para ceder seus muros e portões para serem grafitados. A comunidade está aderindo e participando cada vez mais”, conta Tiago Tosh, morador do Alemão, aluno da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e um dos produtores do evento.

É com essa perspectiva privilegiada que Tosh resume a essência do projeto: “o Circulando promove a comunicação através de diversas formas. Informa a comunidade, traz coisas para cá”, diz.

O também morador do Alemão, Rubens Quaresma Brum, 52 anos, concorda com Tiago Tosh:

- O circulando é beneficio para a comunidade. O pessoal fica por aqui só com pensamentos negativos aí, quando tem um evento desse tipo, tem que aproveitar. E ajuda as crianças a terem um pouco de lazer. Normalmente alugo minha laje para festas. Mas sempre empresto a laje para que sejam feitas as oficinas de pin hole para as crianças - conta.

Para seu Rubens, “favela é um bairro igual a qualquer um. As pessoas moram na favela por necessidade, se bem que alguns tem condições de morar fora, como é meu caso, mas não saem daqui. Eu me sinto mais seguro e a vontade morando aqui”.

A tranquilidade do evento contrasta com a imagem de violência, sempre presente na grande m�dia

A tranquilidade do evento contrasta com a imagem de violência, sempre presente na grande mídia

Já na parte da tarde, um dos pontos altos do evento, a Orquestra Voadora desce a ladeira da Avenida Central arrastando um aglomerado de moradores e visitantes.

Num bloco improvisado, o público se mistura aos músicos da Orquestra, ao som de canções de Tim Maia a Jimi Hendrix, tocadas por trombones, trompetes, muita percussão e coreografias contagiantes.

Também animam a platéia a banda Diversatividade; o reggae de Pangea e Alforria; o grupo de samba PC do Repique e a rapper Jamille.

Quem não está dançando, fotografa com pin hole, vê fotografias de autores locais, joga capoeira, assiste a vídeos ou a esquetes teatrais.

“O que a gente encontra muito nas comunidades é a invisibilidade dos projetos existentes”, relata a assessora da Secretaria, Ivete Miloski, que subiu a Avenida Central para observar in loco o evento.

No Circulando, todos querem participar do arrastão

No Circulando, todos querem participar do arrastão

O 6° Circulando é organizado pelo Núcleo de Comunicação Crítica do Alemão - um coletivo que cria instrumentos de comunicação para intervir nas comunidades do Complexo do Alemão; com apoio do Observatório de Favelas e do Grupo Sócio-Cultural Raízes em Movimento.

Conta também com o patrocínio da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) e a parceria das instituições Verdejar e Redes.

Aconteceu pela primeira vez em maio de 2007. Desde então, seis eventos se seguiram, sempre em diferentes locais da comunidade, reunindo muita gente, entre crianças, jovens e adultos, para apreciar e fazer arte no Alemão, mostrando que, às vezes, um morro inteiro pode ser invisível.

Colaborou para esta matéria Talitha Ferraz, jornalista formada na PUC-Rio e mestre em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ. Talitha trabalha na Comunicação Institucional do Observatório de Favelas, é carioca e tem 27 anos.

(fotos: Rosilene Miliotti)

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1 de junho de 2009

RJ: Entidades negras protestam contra liminar que impede cotas nas universidades

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Nesta segunda-feira, às 14h, entidades do Movimento Negro carioca promovem um ato público de protesto pela continuidade do sistema de cotas raciais nas universidades estaduais do Rio de Janeiro.

- Hoje são as cotas universitárias. Amanhã a liminar será para suspender o feriado do dia de Zumbi dos Palmares - dizem os organizadores do ato público.

No dia 25 de maio, o Tribunal de Justiça do Rio atendeu a pedido de liminar feito pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), que questiona a constitucionalidade da lei estadual 5.346 (2008), que prevê o sistema de cotas para o ingresso, nas universidades estaduais, de estudantes negros, índios, egressos de escolas públicas e filhos de policiais e bombeiros mortos em serviço.

A manifestação ocorre em frente ao Fórum, na Av. Erasmo Braga, Centro do Rio, e os manifestantes dizem que este é apenas o primeiro ato da resposta ao deputado Bolsonaro.

- O deputado conservador, racista e seus aliados na Justiça, querem violentar um legítimo direito conquistado democraticamente pelos afrodescendentes, que representam 47% do povo do Estado do Rio de Janeiro - declara o convite para o ato público, assinado, entre outras entidades, pelo Memória Lélia Gonzalez e pelo Centro de Pesquisas Criminológicas do Rio de Janeiro - CEPERJ.

A liminar pode complicar o processo seletivo para o ano 2010 na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), cuja primeira fase começa no dia 21 de junho, com cerca de 71 mil candidatos já inscritos.

Governador e ministro contra a liminar

Enquanto o deputado Flávio Bolsonaro alega que “a lei é demagógica, discriminatória, e não atinge seus objetivos”, o governador do Estado, Sérgio Cabral (PMDB), já defendeu publicamente o programa porque “valoriza a escola pública e faz reparação do ponto de vista racial”. Segundo o governador, “o Brasil tem um dever com os negros, de reparação”.

Já o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, que esteve na UERJ na última sexta-feira (29/5), afirma acreditar que o Tribunal de Justiça vai rever a decisão.

De acordo com Santos, o governo federal acompanha o caso com preocupação, na medida em que o pioneirismo da Universidade na adoção da política de cotas já produziu efeitos positivos e não pode ser estancado, pois seria um retrocesso na promoção da igualdade racial.

Segundo o ministro, há uma reação de setores da elite brasileira contra a tendência de se buscar a igualdade, mas o número de universidades que já adotaram políticas de discriminação positiva ─ mais de 50 ─ seria um indício do sucesso da iniciativa.

Em tempo: levantamento feito pelo jornal O Dia, do Rio de Janeiro, revela que o rendimento médio dos cotistas na UERJ é ligeiramente superior aos do não-cotistas.

[Atualização 01.06.2009 às 18h]: As universidades estaduais do Rio já estão liberadas novamente para utilizar o sistema de cotas. Veja nota do Terra.

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8 de maio de 2009

RJ: Rappers contam sua vida pelos olhos das mães

Documentário Mães do Hip Hop tem pré-lançamento no sábado, véspera do Dia das Mães.

Cinco cantores de rap do Morro Agudo, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), tiveram uma ideia diferente: contar as suas vidas pelos depoimentos das mães. Assim nasceu o documentário Mães do Hip Hop.

Através delas, o filme faz uma panorâmica social da juventude na Baixada Fluminense e mostra o papel do hip hop na transformação da vida desses jovens. O pré-lançamento acontece no Espaço Enraizados, às 17h de amanhã, durante um evento em homenagem ao Dia das Mães.

O documentário também tem lançamento previsto em Nancy e Blanc Mesnil (França) e, provavelmente, em Rotterdam (Holanda), nos próximos meses.

Além das mães dos rappers, participam do filme Jana Guinond, atriz; Dedé Barbosa, um morador do bairro desde que nasceu, cujo filho foi vítima da violência; e o sociólogo Luiz Eduardo Soares.

As mães dos MCs Leo da XIII, Átomo, Kall, Lisa e Dudu do Morro Agudo enfrentaram dificuldades financeiras, a quase total ausência de serviços públicos e problemas com a violência, dentro e fora de casa, para criarem os futuros rappers.

Três deles quase não nasceram para contar a história.

Dona Evanil, mãe do MC Átomo, conta que teve seu filho confundido com um mioma (tipo de câncer) quando estava grávida. Mesmo quando foi ter o filho, os médicos reafirmaram que ela tinha um câncer, e não um bebê.

D. Evanil teve gravidez confundida com câncer

D. Evanil teve gravidez confundida com câncer

O marido de Giselda, mãe de Leo da XIII, tinha problemas com bebida. O vício impediu que ele a acompanhasse para o hospital, no momento de dar a luz. Sem acesso a transporte público, ela teve que andar três quilômetros até o hospital. Quando chegou lá, os médicos disseram que não havia leitos e por pouco ela não tem o bebê no corredor.

“A saúde pública aqui é uma parada muito precária”, conta Dudu do Morro Agudo, diretor do filme. Ele mesmo quase não veio ao mundo. Sua mãe, D. Lúcia, chegou a pensar em abortar o filho.

Conseguir nascer seguramente não foi o único obstáculo enfrentado pelos cinco rappers. A ausência das mães, que passavam o dia todo longe, trabalhando pelo sustento da família, também foi muito marcante.

- Aqui no morro, as mães não participam da criação do filho. Elas têm que trabalhar pelo sustento. O filho é criado pela rua. E é normal aqui sair para comprar pão e encontrar gente porta na rua. Enquanto a mãe está trabalhando, a droga circula nas ruas - conta Dudu.

O hip hop foi um caminho alternativo ao ambiente de drogas e violência para Leo da XIII, Átomo, Kall, Lisa e Dudu do Morro Agudo. “O hip hop nos deu a capacidade de escolher”, explica Dudu.

Giselda andou 3km para ter o bebê

Giselda andou 3km para ter o bebê

Mas ainda tinha o preconceito. Era difícil a comunidade aceitar um movimento musical feito por negros.

- Todos os MCs são negros. Tem discriminação racial mesmo aqui. A molecada tem uma auto-estima muito baixa. Tudo que é branco é bom; preto não presta - diz o diretor do documentário.

O preconceito se estendia às mães dos rappers. “Para mim, hip hop era coisa de bandido”, dizia Dona Lúcia. A opinião, entretanto, mudou quando D. Lúcia percebeu que a música promovia não a proximidade, mas o afastamento das drogas e da violência.

- Até hoje, se você perguntar para elas, as mães não sabem dizer o que hip hop. Mas apoiam. Só que elas não apoiam o hip hop pelo macro, pelas causas por que lutamos. Elas apoiam porque pensam: “o hip hop vai salvar o meu filho” - explica Dudu do Morro Agudo.

O apoio das mães aos filhos rappers gerou uma situação curiosa: a presença delas nos shows. “Eu acho super-maneiro, mas tem cara que não gosta porque tem vergonha”, admite Dudu.

Mas embora já aceitem o hip hop e reconheçam valor nele, as mães ainda não o consideram uma boa opção profissional.

- Ela diz que “queria que o filho fosse outra parada”. Minha mãe queria mesmo era que eu fosse da farda. Para elas, ter profissão é carteira assinada. Não enxergam muito futuro no hip hop - afirma.

Assumindo a responsa

Aos 20 anos, Dudu do Morro Agudo passou para o outro lado: foi pai e teve que se virar para cuidar da filha Beatriz, hoje com nove anos.

- Não sofri mais porque tive ajuda da minha mãe e da minha sogra. Mas tive que trabalhar de carteira assinada, num lugar que não me valorizava, para poder dar um futuro maneiro para minha filha.

"Quando dei liberdade, virou pai. É esperto, é malandro? Não é"

D. Lúcia, sobre Dudu ser pai muito jovem: "Quando dei liberdade, virou pai. É esperto, é malandro? Não é"

Rindo, conta como a mãe encarou a situação:

- Minha mãe fala no filme que eu sempre quis liberdade. Todo mundo no bairro tinha liberdade. Eu nunca tive. Daí ela diz: ‘quando dei liberdade, ele virou pai. É esperto, é malandro? Não é’.

Dudu do Morro Agudo me conta também como ele e os outros quatro MCs deixaram de ser filhos e passaram a ter um papel de liderança no morro, fundando o Movimento Enraizados.

- O Enraizados hoje está presente em 17 estados e o nosso site tem 600 mil acessos por mês. Essa galera que não ia nem nascer hoje fala para esse povo todo - brinca.

Os cinco MCs, juntamente com outras pessoas do movimento, trabalham com a juventude da comunidade, tentando mostras oportunidades e novos pontos de vista. Admitem que nem sempre é fácil.

- É uma parada sofrida. Ta todo mundo andando de nike. Aí o cara pensa: “porque eu não vou andar?”. Não dá para a galera ficar nessa de consumismo e ter roupa de marca. Mas não é fácil não - desabafa Dudu.

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