Terra Magazine

12 de outubro de 2009

RS: Festival premia melhor história de pescador

Que brasileiro não conhece uma divertida - e absurda - história de pescador? Peixes gigantes, pescaria abençoada, briga com tubarões, sereias… o repertório é interminável num país com tantos rios e tamanho litoral.

Mas agora, ao invés de impressionar a família e os amigos, essas histórias vão valer prêmios. É isso aí: a Casa de Cultura do Litoral Norte do Rio Grande do Sul está com inscrições abertas para o primeiro Festival de Contação de Histórias de Pescador.

- O Festival surgiu da necessidade de afirmar a identidade cultural do povo gaúcho que vive na beira da praia. O típico gaúcho é o homem montado a cavalo com a pampa aberta à sua frente. Esse não é o nosso referencial de gaúcho. Aliás, existem muitos outros tipos de gaúcho. Então nada melhor que contribuir para diversidade cultural do nosso estado e fortalecer a figura do pescador e seu entorno como referenciais culturais do nosso povo - argumenta Ivan Therra, coordenador da Casa de Cultura do Litoral Norte e membro do jornal comunitário O Marisco.

O Festival é aberto ao público e acontece nos dias 30 e 31 de outubro, no Centro Municipal de Cultura de Torres (RS), com o apoio do Sesc-RS.

Durante esse período, vinte histórias pré-selecionadas são contadas à platéia (10 por dia). Um júri analisa a qualidade das histórias e a performance dos concorrentes para escolhes os três vencedores, nas categorias “real/ humorística”; “fantástica/ imaginária” e “ecológico”.

- A gente podia fazer um festival de música, literatura, cinema, mas todos eles seriam restritos aos profissionais daquela área. Já a contação de histórias não. Todo mundo conta histórias, nossa vida é contar histórias. Principalmente as comunidades do litoral, criadas em torno da pesca. Além disso, é uma proposta nova. Eu não tenho notícia de evento similar no Brasil - afirma Therra.

De fato, é um Festival bastante aberto: qualquer brasileiro pode participar. Para isso, basta acessar o site do Festival e enviar uma história de no máximo duas páginas. As inscrições são gratuitas e vão até o dia 17 de outubro.

O festival premia histórias reais, fantásticas e de teor ecológico

O festival premia histórias reais, fantásticas e de teor ecológico

A organização do evento afirma ter recebido, até o último sábado, trinta e oito histórias. “Recebemos inscrições de todo o Estado do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também tivemos contato com o pessoal da Amazônia, mas eles não devem vir por causa da distância”, conta Ivan Therra.

O prêmio em cada uma das três categorias é de mil reais. As histórias premiadas também serão transformadas em curtas-metragens - o orçamento para isso já está garantido.

Além disso, todas as 20 histórias pré-selecionadas para apresentação nos dias 30 e 31 de outubro serão publicadas num livro-coletânea.

E então, você tem uma história de pescador cabulosa para contar? Só não vale falar do Minhocão, um ser misterioso que vive na Lagoa do Armazém, em Tramandaí, que quebra barcos, come galinhas e ovelhas e é responsável pelo sumiço de pescadores. Esse aí ninguém nunca viu, mas todo mundo já conhece…

(fotos: divulgação)

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30 de julho de 2009

RS: Festival de Inverno é cancelado devido à gripe suína

Pela primeira vez em 24 anos, o Festival Internacional de Inverno da Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, deixa de acontecer.

Consolidado como uma tradição do Estado, o Festival era realizado anualmente no Vale Vêneto desde 1986, reunindo professores e alunos de música erudita de várias partes do mundo.

Apenas nesta edição, que ocorreria entre 26 de julho a 2 de agosto, estava prevista a vinda de docentes da Argentina, Estados Unidos, Venezuela, Costa Rica, Itália e Alemanha. Na verdade, alguns chegaram a vir.

- Recebemos notícia somente dia 21. Foi como que a gente tivesse recebido uma bomba na cabeça. Já estava tudo certinho, perfeitamente encaminhado. Tanto que não conseguimos mais desmarcar a vinda de cinco dos professores - explica Antonina Sousa, funcionária do Departamento de Música da Universidade e membro da comissão organizadora do Festival.

Segundo Antonina, a ordem para o cancelamento do Festival veio da reitoria da Universidade, para evitar aglomerações de pessoas e o risco de disseminação do vírus H1N1.

Embora justificada pela forte ocorrência da Gripe A na região, é inegável que a suspensão do Festival foi muito decepcionante. Ainda mais tendo ocorrido a apenas cinco dias da abertura.

Como a realização do evento tem certa complexidade, incluindo convênios internacionais, a mobilização para interromper todos os processos em curso demandou grande esforço. Inclusive a desarticulação da Semana Cultural Italiana, que tradicionalmente ocorre em paralelo ao Festival.

“A gente não pode ir contra a decisão do chefe, né? Além do mais, o nosso reitor é da área de saúde, ele sabe o que está fazendo”, argumenta a funcionária.

Se, por um lado, Antonina Sousa reconhece os motivos da administração da Universidade para cancelar o Festival; por outro, critica a cobertura da gripe suína pelos meios de comunicação:

- Particularmente, acho que houve um alarde muito grande por conta da imprensa. As pessoas com qualquer gripezinha vão para os postos de saúde achando estão com a gripe e acabam se contaminando. Ano passado, morreu muito mais gente de gripe normal que esse e ninguém fala disso. Eu mesma fiquei mal e agora estou aqui. Se fosse neste ano, também iria achar que estou com a gripe suína - diz.

(foto: UFSM)

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20 de abril de 2009

Balé de balões ilumina noite de Torres (RS)

Hoje é o último dia para ver as evoluções dos balões iluminados no Festival Internacional de Balonismo.

Quem der a sorte de estar hoje nas proximidades do município de Torres, no litoral gaúcho, já na divisa com Santa Catarina, poderá assistir a um espetáculo inesquecível.

A partir das 20h, na Arena dos Balões (Parque do Balonismo), acontece o Nightglow uma dança noturna na qual balões são iluminados e apagados em sincronia pelos maçaricos de seus pilotos.

Fixados por cordas para ficarem próximo ao solo e ao público, os balões acesos se assemelham a lâmpadas gigantes e coloridas. Embalado por música clássica, o balé de luzes e cores envolve completamente os espectadores.

Tradição dos eventos de balonismo, o Nightglow faz parte do 21º Festival Internacional de Balonismo de Torres, que vai de 17 a 21 de abril. Conduzida pelos balões de numeração ímpar (os pares se apresentaram no último sábado), esta é a segunda e última oportunidade de curtir o exibição durante o Festival.

A plasticidade do Festival de Balões também pode ser vista à luz do sol. Objetos quase mágicos, habitantes perenes da nossa imaginação, os balões, cada vez que são inflados, promovem um espetáculo à parte.

A depender das condições climáticas, ainda será possível para o público do Festival assistir aos voos mais três vezes: uma hoje à tarde e duas amanhã, quando é encerrado o evento.

Durante o Festival, os pilotos enfrentam uma série de provas em que demonstram sua habilidade, perícia e intimidade com o esporte. As competições são geralmente de precisão, quando um alvo deve ser atingido, seja no chão ou suspenso no alto de um mastro. As provas são: Caça à Raposa, Fly In, Cotovelo, Distância Máxima, Distância Mínima, Até a Linha e Prova da Chave.

Na Caça a Raposa, por exemplo, um balão decola primeiro e os outros balões o seguem, tentando pousar mais próximo para fazer uma boa pontuação.

Já na Prova da Chave um mastro com a chave pendurada na ponta é colocado na área de público do evento. Vence quem agarrar o objeto ou chegar mais próximo disso. A chance de algum dos competidores efetivamente pegar a chave é uma em cem.

Milhares de pessoas vão ao festival que, além das provas, promove o Voo Fiesta, no qual turistas são convidados a voar também. Uma diversão extra são os balões de formatos especiais. Neste ano, são três: um aviãozinho, um palhaço e uma garrafa voadora.

20 anos colorindo os ares de Torres

O Festival Internacional de Balonismo de Torres surgiu quase que por acaso. Em 1989, durante os preparativos da II FEBANANA, festa anteriormente realizada no Município, os organizadores resolveram inovar e trazer alguns balões para a divulgação do evento.

O interesse do público pelos balões foi tanto que, ainda em outubro daquele ano, foi realizada a primeira edição do Festival. A FEBANANA acabou não acontecendo mais, enquanto que o Festival de Balonismo passou a fazer parte do calendário festivo da cidade, tornando-se, mais tarde, o principal e mais tradicional evento de Torres.

Fatos curiosos marcam essa história, como a dupla façanha de apanhar a chave na Prova da Chave (em 1992 e 1998). Na sétima edição do Festival, em 1995, o público assistiu a um casamento dentro de um balão semi-inflado.

À medida que ganhava importância, passou a agregar outros eventos. Hoje, simultaneamente ao Festival acontecem demonstrações de aeromodelismo e paraquedismo; festival de pipas; copa de golfe; canoagem; campeonato de pesca; disputas de motocross e vários shows musicais.

O Blog Balonismo tem cobertura diária da 21ª edição do Festival Internacional de Balonismo de Torres.

(fotos: Harleyson Almeida/Prefeitura de Torres [1] e Lasier França/ Blog Balonismo [restantes])

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1 de abril de 2009

Mentira bem contada vale carro zero no RS

Não há brasileiro que resista contar uma mentirinha no primeiro de abril. Já imaginou fazer isso e ganhar um carro zero?

Não é mentira não: quem contar a melhor lorota no Festival da Mentira de Nova Bréscia (RS), que acontece entre os dias 17 a 19 de abril, vai ter que arrumar espaço na garagem para um automóvel novo em folha, prêmio máximo do evento.

Esta é a décima quinta edição do Festival, que transformou a mentira uma tradição bem-humorada da cidade gaúcha. Tanto que o slogan do evento é: “Vá mentir em Nova Bréscia, pô…”.

Para contar a mentira é preciso uma boa performance!

Para contar a mentira é preciso uma boa performance!

Pelo menos 15 mil pessoas são esperadas para o Festival, que normalmente coincide com o aniversário da cidade, 11 de abril. Neste ano, o evento teve que ser reprogramado para o final de semana seguinte por conta da Semana Santa.

Criado em 1982, a partir de uma conversa de bar entre amigos, o Festival no início era visto com desconfiança pelos habitantes da cidade, que tinham medo de ser ridicularizados. Daí a organização do fesival adotar também o chavão “povo de verdade brinca com a mentira”.

Com o passar dos anos, porém, os habitantes passaram a relaxar e brincar com a história. Durante muito tempo diziam que “os mentirosos vêm de fora”, logo que nenhum morador da cidade havia ganhado o concurso.

Os jurados selecionam dez "mentirosos" para a grande final

Os jurados selecionam dez “mentirosos” para a grande final

A malhação dos “estrangeiros” terminou na última edição do Festival, em 2006, quando um brescience levou o maior prêmio. “Mas essa foi uma mentira convincente demais! Não teve jeito”, afirma Jorge de Maman, o secretário de administração da cidade.

O gestor público explica que não apenas a lorota tem que ser boa, mas o contador precisa ter talento.

- Tem que convencer. Você tem que escutar a mentira e dizer: “tá redondinha, o cara bolou tudo certo!”.

Além do carro zero, para o grande vencedor, o Festival premia as outras quatro melhores colocações. Distribui uma moto (2º lugar) e os valores de dois mil; mil; e quinhentos reais para os 3º, 4º e 5º colocados, respectivamente. Os classificados para a grande final (6º ao 10º lugares) ganham ainda uma ajuda de custo de R$ 200,00.

Até 2006, nenhum brescience havia ganhado o concurso

Até 2006, nenhum brescience havia ganhado o concurso

São abertas apenas 50 vagas de “mentirosos” por Festival. As inscrições para o concurso ainda estão abertas e se encerram no dia 17 de abril, às 17h. Até esta manhã, 27 concorrentes já haviam se inscrito.

- Temos esse limite porque os jurados não teriam capacidade de julgar mais mentiras - explica Célio Conte, organizador do evento.

Durante o Festival, a contação das mentiras ocorre em dois momentos. Na primeira etapa, que acontece no sábado (18), das 8h às 18h, todos os concorrentes testam seu talento diante do público e da banca de jurados, no auditório do centro administrativo da cidade.

A cidade recebe 5 vezes a sua população durante o Festival

A cidade recebe 5 vezes a sua população durante o Festival

São escolhidas as 10 melhores mentiras, que disputam a grande final no domingo, às 16h, numa grande lona onde também ocorrem os shows do Festival.

Eventos paralelos

Muitos outros eventos acontecem paralelamente à maior festa de Nova Bréscia. Antecede a abertura do Festival a reunião de prefeitos da Associação Municipal do Vale Taquari, marcada para o dia 17 de abril.

Também há uma Feira Industrial, Comercial e de Artesanato, Exposição do Setor de Produção Primária, Encontro de Carros Antigos e Festival de Gastronomia do Churrasco. Isso tudo além dos shows, bailes e espetáculos apresentados no palco do Festival.

Segundo o organizador do evento, apenas o festival, sem contar os eventos paralelos, deve movimentar cerca de 700 mil reais no município.

- Se cada um dos 15 mil visitantes gastar trinta reais, são R$ 450 mil. Aí você soma R$ 250 mil, que é mais ou menos quanto fica a produção do festival. E olha que nessa quantia não está a movimentação gerada pelas feiras, que eu não tenho como quantificar - explica Célio Conte.

Tem uma boa mentira para contar? As inscrições ainda estão abertas.
Tem uma boa mentira para contar? As inscrições ainda estão abertas.

Com apenas três mil habitantes, Nova Bréscia possui uma produção anual de 40 milhões de aves (a maior do RS e uma das maiores do Brasil) e também é conhecida por oferecer ao mundo os melhores churrasqueiros do Brasil.

- Entre aí mesmo na Bahia em uma churrascaria e pergunte se não tem ninguém de Nova Bréscia. Tem churrasqueiros daqui em mais de 100 países - conta o organizador do festival.

Na cidade, há até um monumento em homenagem ao churrasqueiro. Nele, existe uma placa, onde se lê: “A ti churrasqueiro que representas tão bem a comunidade bresciense em todos os recantos do país, nosso reconhecimento e gratidão”.

Não é à toa que a mentira com a qual o primeiro brescience ganhou o Festival da Mentira em 2006 é intitulada “Revelação de um Churrasqueiro”.

(fotos: Juremir Versetti)

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21 de março de 2009

RS: Acampamento projeta mobilização do movimento negro

Pelo nono ano seguido, acontece em São Lourenço do Sul, o Acampamento Regional de Cultura Afro. Desde ontem, centenas de pessoas de diversas regiões do Rio Grande do Sul aportam na cidade, que fica a 200 km da capital gaúcha, no estuário da Lagoa dos Patos.

A localização do acampamento é particularmente importante porque a cidade de Rio Grande, bastante próxima de São Lourenço do Sul, era a primeira parada dos primeiros negros a chegarem no Estado.

Tradicional celebração e resistência da cultura afro no sul do Brasil, o acampamento dura três dias (20, 21 e 22 de março) e deve reunir neste ano cerca de mil pessoas, sendo 400 acampados e 600 visitantes.

- Esta é uma região de muitos quilombos e cuja população é repleta de afrodescentes, que comparecem em peso ao acampamento. O que mantém o nosso povo unido, fora a luta contra a discriminação racial, é a nossa cultura - afirma José Antonio da Silva, Secretário Geral da União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) no Rio Grande do Sul.

Música, dança, artes plásticas, artesanato, canto, capoeira e culinária negra são alguns dos atrativos do evento. Há, inclusive, a escolha da musa do acampamento e do mais belo e criativo traje afro.

Em 2009, entretanto, o encontro passa a acolher também articulações para a agenda das lutas negras no Estado. “Estamos ampliando a participação de outros setores no acampamento e abrindo espaços para temas mais políticos”, revela José Antonio da Silva.

Não é por acaso que hoje (21 de março), o Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial, é considerado o principal dia na programação do IX Acampamento Regional de Cultura Afro.

Dentre as atividades destaque para I Seminário Estadual de Articulação da 3ª Marcha Estadual Zumbi dos Palmares. São tratados no seminário os seguintes temas: Saúde Integral e Defesa do SUS; Estatuto da Igualdade Racial; a articulação dos Clubes Negros; o lançamento da Cartilha Contra a Discriminação Racial no Mercado de Trabalho, além de diversos outros encontros do movimento.

Também merecem atenção o Seminário Estadual das Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, que articula fóruns de religiosos de matriz africana de várias regiões do Estado, e o lançamento da Campanha Estadual Contra o Extermínio Programado da Juventude Negra.

- Esta é uma nova fase do acampamento. Se os encontros anteriormente eram puramente culturais, agora também estamos tratando de todas as demandas históricas do movimento negro - afirma Rubinei Silva Machado, do Movimento Clubista Negro Nacional.

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