Terra Magazine

25 de novembro de 2009

BA: Dia da Baiana de Acarajé tem missa e samba de roda

Há 19 anos, Salvador celebra a baiana de acarajé no dia 25 de novembro. O Dia da Baiana rende homenagens àquelas que fizeram de seu trabalho diário uma embaixada da cultura baiana.

Ali, sentadas no seu tabuleiro, elas sintetizam a Bahia, em todos os cincos sentidos. Espalhadas por todas as esquinas de Salvador, perfumam a cidade com o aroma do dendê. Inconfundíveis com sua saia larga, suas anáguas, torço, bata, sandálias, adereços e contas dos Orixás, com sua fala mansa e ritmada e o riso solto, oferecem aos clientes as delícias de seu tabuleiro para o encanto do paladar.

As baianas são herdeiras do nobre ofício de preparar o alimento sagrado dos orixás - tarefa antes só permitida às filhas de Iansã ou Xangô, para quem o ato de montar um tabuleiro e ir vender na rua era um desígnio divino.

E assim, sem alarde, passaram a oferecer ao povo o alimento dos deuses.

O antigo akará veio para o Brasil através dos escravos africanos iorubás. Antes comido apenas com pimenta, o bolinho feito com feijão fradinho, cebola, sal e frito no azeite de dendê fervente ganhou no tabuleiro da baiana deliciosos recheios, como salada, vatapá, camarões e caruru. Aprenda a fazer o acarajé.

É sabido que a venda do mais “arretado” dos quitutes serviu, inclusive, para que muitas escravas negras comprassem cartas de alforria.

o Dia da Baiana de Acarajé pode tornar-se uma data nacional

o Dia da Baiana de Acarajé pode tornar-se uma data nacional

Em 2007, a jornalista baiana Agnes Mariano fez uma reportagem exemplar sobre a atividade das baianas de acarajé, no qual dizia:

- Ser baiana é uma escolha difícil. Significa assumir o compromisso de ser incansável e ter coragem o tempo todo, assim como Iansã, a dona dos acarajés. É também tornar-se capaz de dar colorido e perfume às nossas comidas, tornando o nosso cotidiano bem mais saboroso - diz.

O ofício das baianas de acarajé foi reconhecido como patrimônio cultural de Salvador e, desde 2004, como patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

As comemorações do Dia da Baiana começaram na última sexta-feira (Dia da Consciência Negra) e têm seu ponto alto nesta quarta-feira, o Dia da Baiana.

Exemplo perfeito do sincretismo religioso, a data começa a ser celebrada pela manhã, com uma missa em Ação de Graças na Igreja Nossa Senhora do Carmo. Após a missa, um cortejo vai da Igreja até o Memorial das Baianas, na Cruz Caída (Praça da Sé), onde um almoço, apresentações culturais e sorteio de brindes entretêm as guardiões do patrimônio cultural baiano. A programação é encerrada às 20h, com samba de roda de Cachoeira, cidade do recôncavo baiano.

Em breve, o Dia da Baiana deve tornar uma data nacional. Um projeto de lei, de autoria do deputado Mário Negromonte (PP-BA), já aprovado pela Câmara dos Deputados, aguarda apreciação do Senado. Quem sabe, dentro de poucos meses ou anos, todo o Brasil não rende as devidas homenagens a essas belas senhoras?

(fotos: Site Bahia! É Muito Mais [1]; Blog Pelo Pelô [2])

Blogs que citam este Post

17 de novembro de 2009

BA: Artistas ocupam esquinas em Salvador

Na cidade dos sonhos de artistas e amantes da cultura, as avenidas têm, a cada esquina, uma apresentação cultural.

Pelo menos por hoje, podemos dizer que essa cidade é Salvador e a avenida é a Manoel Dias da Silva, no bairro da Pituba.

Esta noite, entre as 19h e as 20h30, dez esquinas da Av. Manoel Dias da Silva, entre as ruas Bahia e Piauí, recebem performances artísticas simultâneas de circo, teatro, hip hop e, principalmente, música.

É a estréia do projeto Hoje é Dia de Esquina! Para humanizar a cidade, que pretende, a cada ano, ocupar o espaço público urbano com atrações culturais.

Mas não pense que a via, uma das mais importantes da cidade, será interditada. A produtora cultural Cássia Cardoso, idealizadora e responsável pelo projeto, procura realizar as apresentações sem mudar - aparentemente - a rotina do local, mantendo o trânsito livre e o funcionamento normal dos estabelecimentos da região.

- A nossa ideia não é sonorizar a Avenida Manoel Dias da Silva. Só a esquina. Não queremos que uma esquina incomode a outra, nem que incomode os vizinhos. Por isso, vamos ter em cada uma delas um som profissional pequeno. E também uma iluminação simples, quase que para marcar o local da atração - explica a produtora.

Os artistas tocam no chão, sem palco ou cordas que os separem do público. “Não é um show de palco. É uma apresentação na rua. Eles vão ter que se reeducar”, ressalta Cássia Cardoso.

Essa proximidade entre artistas e público não é exatamente uma novidade, mas também não é algo usual na cena soteropolitana. “A gente pode não ter esse costume aqui, mas isso já é normal lá no exterior. Todo verão no Central Park (Nova Yorque) é isso que acontece”, conta a produtora.

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas

A banda Retrofoguetes é uma das que "invadem" as esquinas de Salvador

As performances artísticas são as seguintes:

1. Aicha Marques e André Tavares - Teatro
2. Anacê - Música
3. Banda de Rock - Música
4. Barlavento - Música
5. DJ Bandido e Denissena - Hip Hop e Grafite
6. Luizinho Assis - Música
7. Malabares & Cia - Grupo de Circo
8. Retrofoguetes - Música
9. Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta - Música
10. Simone Mota - Música

Recuperação do espaço público

Mais do que apenas uma intervenção cultural, Hoje é Dia de Esquina! é um projeto de recuperação do espaço público a partir da arte. Tem até manifesto, distribuído por pessoas ligadas à produção durante as apresentações.

- Queremos chamar atenção da população para problemas críticos através da arte e da cultura. Com uma utilização melhor espaços públicos a gente vai ser mais feliz - opina Cássia Cardoso.

O texto do manifesto dá destaque a seis pontos que devem ser abordados para, como está escrito no título do projeto, “humanizar a cidade”: transporte público; ocupação privada de praças e calçadões da cidade; ocupação privada das areias das praias; poluição visual; poluição sonora; ocupação do espaço da cidade pelo setor imobiliário.

Segundo os organizadores do projeto, o manifesto não é uma simples demanda por ações dos poderes públicos, mas um pedido de abertura para o diálogo com a sociedade, para a busca conjunta de uma solução para os problema apontados e um melhor aproveitamento do espaço público.

(fotos: Aldren Lincoln [1]; Sora Maia [2])

Blogs que citam este Post

13 de novembro de 2009

BA: Salvador vai ganhar primeiro museu multimídia da música negra

Uma coletiva de imprensa, realizada ontem à tarde, anunciou a criação, em Salvador, do Centro de Música Negra, o primeiro museu multimídia dedicado à música negra em todo o mundo.

O empreendimento é uma parceria entre o grupo de mídia francês Mondomix, Carlinhos Brown e a Secretaria de Cultura da Bahia e deve ser inaugurado daqui a um ano, em dezembro de 2010. O Centro será instalado no Museu du Ritmo, casa de espetáculos de Brown localizada no bairro do Comércio.

O Centro de Música Negra terá salas de exposição permanentes e temporárias, um centro de pesquisa e documentação online, café, restaurante, e espaço para shows, palestras e workshops. O seu projeto cenográfico é assinado pelo arquiteto paulista Pedro Mendes Rocha, também autor do projeto arquitetônico do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Ao apresentar o desenho do novo museu, o arquiteto não se contém e afirma: “Para mim, o nazismo e a escravidão foram os maiores exemplos de loucura coletiva da humanidade”.

Responsável pela concepção e produção do projeto - bem como pela pesquisa do conteúdo artístico, realizada com a colaboração de especialistas internacionais -, a Mondomix projeta um museu sensorial e interativo, repleto de inovações tecnológicas cujo objetivo é fazer o público imergir nas sonoridades com DNA africano.

O conteúdo do novo museu é inesgotável, afinal, não param de surgir, em cada canto do mundo, novos artistas, grupos e ritmos derivados, inspirados, enfim, herdeiros da cultura negra.

Após a entrevista coletiva foi inaugurada uma exposição multimídia temporária, um pequeno aperitivo do que será o Centro de Música Negra, que poderá ser visitado de hoje até 15 de novembro, das 18h às 22h.

“Os tambores nasceram para substituir as armas”

Óculos escuros, uma espécie de turbante estilizado, um colar de contas por cima da roupa. Sentado em meio à mesa como um cacique, Carlinhos Brown faz um discurso emocionado, expressando tanto a dor ainda hoje presente na vida dos negros quanto a esperança de construir um planeta mais pacífico, harmonioso e tolerante.

- Tem sido árduo nos manter não-violentos com leis que não criamos e que não nos protegem com a dignidade que necessitamos. Nós, africanos, temos que vencer essa dor, essa miséria. Não a pobreza, porque a pobreza nós sempre estivemos preparados para enfrentar - diz o cantor.

Embora confiante na construção de um mundo que valorize a diferença, a fala de Brown também revela as cicatrizes ainda vivas de séculos de escravidão.

- Falam muito de Cristo. Eu acredito em Cristo. Mas Cristo veio em muitas formas, em muitos navios negreiros - diz.

"Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

Brown, com a cantora Mounira Mitchala (Chade): "Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens"

O músico defende ser preciso “reeducar o mundo” a partir de práticas e valores das culturas negras e indígenas. “Os tambores nasceram para substituir as armas”, afirma.

- Nós nos perdemos quando esquecemos nossas origens. A África está adormecida em todos aqueles que pensam que não somos todo africanos. Não falo apenas dos negros não - todos viemos da África. A natureza pode ter vários nomes. Um deles é África.

Para Brown, o Centro de Música Negra tem o papel de oportunizar esse retorno às origens, o contato com matrizes culturais renegadas pela cultura ocidental e o intercâmbio entre diferentes culturas.

- Aqui as crianças vão encontrar o que não vêem nas suas escassas horas nas salas de aula. Vamos tirar de cena o tráfico e fazer um tráfego de cultura a partir do Centro de Música Negra. O Centro amarra esse nosso desejo coletivo de unir nossas culturas e nos irmanarmos - advoga.

O momento mais emocionante da entrevista coletiva é a menção que Brown faz a Neguinho do Samba, falecido no dia 31 de outubro: “Queria muito que um dos meus heróis, um dos meus mentores, Neguinho do Samba, estivesse aqui de corpo presente”.

O cantor lembra do trabalho de Neguinho do Samba e diversos outros líderes negros, especialmente aqueles que atuam no centro histórico de Salvador, e faz um chamado:

- Nós vamos levantar o Pelourinho. Vamos rever o Pelourinho como um centro de liberdade do nosso povo.

(fotos: Edgar Souza/ Divulgação)

Blogs que citam este Post

3 de outubro de 2009

BA: Artistas fazem arrastão pela leitura em Salvador

Neste domingo, às 11h, a Praça Almeida Couto, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, recebe o Arrastão Literário, um cortejo de poetas, atores, cordelistas, músicos, escritores e outros artistas ligados ao universo das letras.

À frente do cortejo, o poeta Marcos Peralta revive Castro Alves. No meio, integrantes de bibliotecas comunitárias da capital baiana e professores da Escola Lucinda de Poesia Viva, da poetisa Elisa Lucinda, garantem a animação da comitiva.

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Primeira edição do arrastão Literário, em 2008

Em sua segunda edição, o Arrastão Literário vai mobilizar as cerca de 1500 pessoas que frequentam a Praça todo domingo para a apresentação do grupo de chorinho Canto da Praça, convidando-as “engrossar” o divertido movimento pela leitura.

O trajeto é muito simples: uma volta na Praça, onde também acontece a I Feira de Livros do comitê soteropolitano do Proler, o Programa de Nacional de Incentivo à Leitura. A Feira de Livros acontece das 9h às 17h e reúne várias editoras e livrarias da cidade, que comercializam obras com preço entre R$ 5,00 e R$ 10,00.

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

O poeta Marcos Peralta, "brincando" de Castro Alves

Vale mencionar ainda que em frente à mesma praça, e não por acaso, funciona a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, a primeira biblioteca pública da Bahia a funcionar aos domingos, o que acontece desde cinco de julho deste ano.

Blogs que citam este Post

28 de setembro de 2009

BA: Mãe de Santo até hoje tenta reaver prejuízos de terreiro demolido por prefeitura

Ialorixá busca ressarcimento por danos causados com demolição. Caso completa um ano e sete meses sem mostras de ser resolvido. “Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morreu”, diz a mãe de santo.

Desde a demolição parcial do terreiro de candomblé Oyá Onipó Neto, localizado no bairro do Imbuí (Salvador), em 27 de fevereiro de 2008, a rotina de Roselice Santos do Amor Divino, a Mãe Rosa, passou a incluir audiências e visitas constantes à Prefeitura de Salvador.

Na próxima quarta-feira (30/09), comparece a uma audiência no setor de meio ambiente do Ministério Público. São tantas que a própria mãe de santo tem dificuldades para determinar com clareza os seus objetivos.

- Olhe, meu filho, é tanta audiência que a gente nem sabe mais direito para que é. Acho que é para eu ter uma garantia que não vão tentar demolir o terreiro de novo - conta a ialorixá.

Na lista de audiências, Mãe Rosa também aguarda o julgamento do recurso da ação que move contra Kátia Carmelo, ex-superintendente de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município de Salvador, que ordenou à época a demolição do terreiro.

O judiciário deu ganho de causa a Carmelo em primeira instância. “O Juiz entendeu que ela estava certa”, comenta Mãe Rosa, com algum rancor na voz. Paradoxalmente, ainda no ano passado a ex-superintendente chegou a receber uma honraria da cidade de Salvador, a Comenda Maria Quitéria.

- Eu não desejo que ela vá presa. Quero que ela seja punida, me dando de volta tudo o que ela destruiu - comenta Mãe Rosa sobre a ação contra Kátia Carmelo.

A peregrinação pelas diversas instâncias judiciais não se compara, no entanto, com a dificuldade que a Ialorixá tem para negociar o ressarcimento dos prejuízos causados ao terreiro.

O Blog das Ruas já havia feito uma matéria sobre a situação do terreiro Oyá Onipó Neto em 16 de setembro do ano passado. Na época, a mãe de santo foi diagnosticada de depressão porque a prefeitura tinha apenas reparado as paredes do local, sem recuperar nada do patrimônio destruído, como estátuas e roupas dos orixás e vários outros instrumentos utilizados nos rituais. “Só mexeram na casca”, dizia a Ialorixá.

Desde então, as negociações nada avançaram e a municipalidade não aportou mais nada, apesar dos esforços da mãe de santo.

- De promessa, se vive o santo. O prefeito prometeu: “vou ajeitar”, ele disse. Dali pra cá, vi a cara do prefeito naquele dia [cinco de março de 2008, quando o povo de santo fez uma passeata até a prefeitura]. Depois, não vi mais - fala, indignada.

Mãe Rosa conta que, inclusive, a Secretaria Municipal de Reparação, órgão com o qual negocia a reposição dos bens do terreiro, chegou a perder toda a sua documentação.

- Meus documentos sumiram na Secretaria de Reparação. Deram fim. Mas como tenho tudo no Ministério Público, fui até lá e peguei a lista novamente e levei para o novo secretário.

Apesar de ter conseguido uma audiência com o secretário municipal, não conseguiu convencê-lo a repor o patrimônio destruído.

- Ele disse que tem coisa que não poderia dar. Mas eu respondi: “Essa é a minha cultura. Se destruiu tem que recuperar desse jeito”. Não pedi nada, só o que já tinha aqui - afirma Mãe Rosa.

Do secretário Ailton dos Santos Ferreira, ouviu a promessa de uma audiência em breve com o prefeito João Henrique Carneiro. “Ele disse que entraria em contato comigo e nada. Toda vez que eu ligo, ele [o secretário] nunca está”, reclama.

Sem perspectiva de solução para o terreiro e com a questão encaminhando-se para o segundo aniversário, Mãe Rosa desaba:

- Perdi muitas coisas, perdi filhos de santo, teve até gente que morre. Eu tenho que recomeçar tudo de novo.

Blogs que citam este Post

15 de setembro de 2009

BA: Festival “apresenta” o teatro a centenas de pessoas no subúrbio

“Olha eu vou fazer um chute ‘quase certo’: 80% dessas pessoas estão vindo ao teatro pela primeira vez”. A declaração acima é do ator e produtor Jorge Ravinny, responsável pela coordenação geral do I Festival de Teatro do Subúrbio.

Acontecimento cultural inédito no Subúrbio Ferroviário de Salvador, o Festival de Teatro começou no dia 11 e vai até o próximo domingo (20/9).

Com mais de 750 mil habitantes, o Subúrbio Ferroviário é uma das regiões mais populosas da capital baiana. È também uma das mais pobres e menos assistidas por equipamentos e políticas culturais.

“Esse teatro que estamos usando para o Festival, o Centro Cultural de Plataforma, ficou fechado por 19 anos! Toda uma geração daqui do bairro que hoje tem 19, 20 anos nunca viu teatro”, explica Jorge Ravinny.

O Bando de Teatro Olodum foi um dos grupos convidados para o Festival

O Bando de Teatro Olodum foi um dos grupos convidados para o Festival

Para participar da programação cultural onde ela geralmente ocorre, na zona central da cidade, os habitantes do Subúrbio têm que gastar um dinheiro extra - que muitas vezes não existe - com locomoção. Além disso, têm que enfrentar a violência urbana na volta para casa, o que frequentemente desestimula essa opção de lazer.

Pronto. Está desenhado o quadro que devemos ter em mente ao encarar a declaração do coordenador geral na abertura deste post. Será possível sequer dimensionar o impacto que conhecer uma arte como o teatro pode ter na vida de tantas pessoas?

Casa cheia todos os dias - e gente esperando do lado de fora.

Casa cheia todos os dias - e gente esperando do lado de fora.

Felizmente, o Festival é um sucesso. “Na abertura tivemos gente do lado de fora, ontem tivemos gente do lado de fora, as pessoas querem participar, querem assistir. Basta que as coisas aconteçam”, argumenta Ravinny.

São 10 dias, 12 espetáculos, 12 grupos (quatro convidados e os outros do próprio Subúrbio) e mais 300 artistas envolvidos, além de 40 horas de oficinas artísticas na programação.

O esgotamento das sessões iniciais e o burburinho que o evento está causando já autorizam a organização a confirmar a expectativa de mobilizar quatro mil pessoas para assistir as montagens, espetáculos de rua, palestras e oficinas.

- É o que a gente quer: que o festival seja um marco na história da produção cultural local. Queremos que haja um “antes” e um “depois” do Festival de Teatro do Subúrbio - diz, sem muita modéstia, o coordenador do evento.

Teatro Negro

O I Festival de Teatro do Subúrbio também chama atenção pelo tema escolhido para perpassar todas as suas atividades: o teatro negro.

Menciono, durante a entrevista com Jorge Ravinny, que este poderia ser um tema polêmico. “Não é não. Por quê falar de negro é um tema polêmico?”, questiona o artista.

O tema do primeiro ano do Festival foi "Teatro Negro".

O tema do primeiro ano do Festival foi "Teatro Negro".

Para ele, “teatro negro” é o teatro que tematiza as questões do povo negro e pode, sim, ser feito também por pessoas brancas. “Desde que não fale mal do negro, porque aí vai ser um teatro racista. O negro construiu o Brasil. Trabalhou e trabalha muito por esse país”, afirma.

O Festival de Teatro, portanto, além de apresentar a arte teatral à população suburbana, faz um convite para que ela discuta a sua própria negritude, constantemente negada ou esquecida.

- Quer provocar na uma reação população que muitas vezes não se auto-identifica como negra. O evento quer falar das pessoas que moram no subúrbio e 90% delas são negros. A gente quer falar dessa população, Senão não adianta nada, não tem sentido. Sou negro, tenho mãe negra, pai negro e participo de um grupo de teatro negro. Então considero minha obrigação valorizar a cultura negra e cuidar da minha população - afirma, taxativo, Jorge Ravinny.

(fotos: divulgação [1]; Márcio Lima [2]; Camila Souza [3]; Alberto Lima [4])

Blogs que citam este Post

28 de agosto de 2009

Ao completar 10 anos, Jam Session é fenômeno na Bahia

Quem já foi ao Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, sabe que, além de obras de arte, o local - uma construção do séc. XVII, em plena Baía de Todos os Santos - reserva gratas surpresas aos visitantes. Uma delas são as jam sessions - sessões de improvisação de música instrumental - que acontecem às noites de sábado.

Este final de semana, a JAM no MAM comemora 10 anos de atividade com uma média de público superior a mil pessoas por noite! Nada mal para uma iniciativa de música instrumental na terra da axé-music, onde os músicos de outros gêneros vivem reclamando da falta de espaço ou de público.

Para celebrar os 10 anos, foi elaborada uma programação especial para as noites de quinta, sexta e sábado. Ontem, a banda de música instrumental jazzística Jurassik Quartet e a cantora Elza Soares - que entrou no clima do improviso e decidiu o repertório apenas momentos antes da apresentação - fizeram as honras da casa.

Mais de mil pessoas comparecem a cada sessão da JAm no MAM

Desde 2007, quando a JAM retornou, mais de mil pessoas comparecem a cada sessão

A atração da noite de hoje é uma apresentação especial do antigo Grupo Garagem, a mais importante banda de música instrumental formada na Bahia. Não é à toa que os músicos Ivan Bastos e Ivan Huol, integrantes à época do Garagem, foram os criadores da Jam Session em 1993. Após, o Garagem, o compositor e guitarrista Toninho Horta e a Orquestra Fantasma comandam o show com clássicos da música brasileira.

Para o último dia da celebração, no sábado, está reservada uma jam session especial, com a maioria dos músicos convidados para o projeto. Música baiana, baião, samba, frevo, salsa, blues, swing e, claro, jazz, são alguns dos ritmos esperados para a noite.

Todas as apresentações dividem espaço com a mostra “JAM em imagens”, na qual são exibidos vídeos e fotos produzidas pelo público nos últimos anos do evento. O ingresso custa R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

Ivan Huol, um dos criadores do evento, era integrante do Grupo Garagem

Ivan Huol, um dos criadores do evento, era integrante do Grupo Garagem

Criada com o objetivo de ser um ponto de encontro da música instrumental, a JAM no MAM já levou ao Museu de Arte Moderna artistas de países tão diferentes como Canadá, EUA, Dinamarca, Colômbia, Itália, França, Bélgica, Alemanha, Áustria, Irlanda, Chile, Cuba, Argélia, Japão, Coréia e Espanha.

A história da JAM na área externa do Museu de Arte Moderna da Bahia tem duas fases distintas - daí a diferença entre os 10 anos comemorados agora e os 16, desde que foi criada.

Entre 1993 e 2001, quando era conhecida como JAZZ MAM, a JAM era gratuita e acontecia ta religiosamente todo sábado. Tinha uma média de público de aproximadamente 200 pessoas por sessão.

O público assiste as improvisações num dos cenários mais bonitos da cidade

O público assiste as improvisações num dos cenários mais bonitos da cidade

Convidada novamente para assumir as noites de sábado do Museu de Arte Moderna, em 2007, manteve a mesma assiduidade. Mudou o local das apresentações (agora no estacionamento do Museu, de frente para a Baía de Todos os Santos), e o ingresso, que passou a ser cobrado, a módicos R$ 4,00.

Quem acha que a cobrança afastou o público está redondamente enganado: a JAM passou a receber mais de mil pessoas por noite e tornou-se um fenômeno soteropolitano, provando, mais uma vez, que a Bahia não é terra de um ritmo só.

(fotos: Tiago Vaz)

Blogs que citam este Post

16 de agosto de 2009

BA: Caminhada para orixá das doenças reforça sincretismo em Salvador

Há 11 anos, a Caminhada Azoany reúne o povo de santo no dia da festa católica de São Roque. Todo ano, os adeptos da religião africana percorrem os seis quilômetros que separam o Pelourinho, no centro de Salvador, e a Igreja de São Lázaro, no bairro da Federação.Além do sincretismo com São Roque, Azoany é uma das denominações jeje para o Orixá Obaluaê, divindade do candomblé ligada às doenças e à cura.

- Vestidos de Branco, sejam elas de roupas de baianas, camisas confeccionadas para a Caminhada ou roupas escolhidas a dedo para o evento, com balaios de pipocas na cabeça, ramos e buquês de flores (para colocarem na Igreja), embalados ao som dos atabaques e agogôs (afoxé), percorrem o Pelourinho em direção ao Campo Grande adentrando as ruas que levam ao Bairro da Federação até a Igreja de São Lázaro, onde todos os participantes entendem como comprida naquele ano a sua reverencia as entidades religiosas - conta Albino Apolinário, 45, organizador da caminhada e Ogã de Nanã.

Embora a Caminhada Azoany seja uma atividade específica do povo de santo, todos reconhecem a importância do sincretismo para a atividade. “É um Encontro muito bonito, quando a procissão católica está saindo e o candomblé está chegando. Tudo na mesma igreja (São Lázaro)”, diz Apolinário.

Azoany é o nome jeje para o Orixá Obulaiê, que no sicretismo corresponde a São Roque

Azoany é o nome jeje para o Orixá Obulaiê, que no sicretismo corresponde a São Roque

- O sincretismo nasce quando os escravos eram obrigados a cultuar os santos Igreja Católica. Eles cuidavam do altar do santo e, embaixo, faziam assentamento para Ogum e outros orixás. A Lavagem do Bomfim nasce do pessoal do candomblé que ia para a Igreja fazer oferendas a Oxalá. O sincretismo teve como resultado a tolerância entre as duas religiões - acrescenta o organizador da caminhada.

Este ano, a Caminhada Azoany foi precedida por debates sobre a religiosidade afro-brasileira, realizados nos dias 13 e 14, na Casa do Benin.

No domingo (16), Dia de São Roque, a jornada começa com uma missa em favor da caminhada na Igreja do Carmo (Pelourinho), sede provisória da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Em reforma, a Igreja do Rosário dos Pretos não pode acolher a cerimônia como de costume.

Concentração na Praça do Reggae

Concentração na Praça do Reggae

Em seguida, os integrantes preparam a caminhada com oferendas e uma concentração na Praça do Reggae, também no Pelourinho. Às 13 horas, embalado pelo afoxé Korin Efan, o cortejo sai em direção à Igreja de São Lázaro.

“Participam da caminhada pessoas de todas as idades. Desde o meu filho de três anos até o seu Martins, de 77 anos, que foi o criador da atividae”, diz Apolinário.

Primeiro a fazer o percurso, há 44 anos, seu Martins, morador antigo do pelourinho, pagava uma obrigação religiosa. Desde então, não houve um ano em que deixasse de cumprir o ritual.

Rituais do candomblé acontecem na concentração e ao longo do percurso

Rituais do candomblé acontecem na concentração e ao longo do percurso

O evento mudou de nome quando passou a ser organizada pela Associação Comunitária Alzira do Conforto, em 1998. Ganhou o nome atual por conta de uma conversa entre os organizadores e a Yalorixá Mãe, que apresentou-lhes as diversas denominações para o Orixá das Doenças.

- Este ato passou a ser realizado de maneira contínua e no último ano teve a participação de duas mil pessoas de todas as classes e epidermes - afirma, espirituoso, Albino Apolinário.

(fotos: Associação Comunitária Alzira do Conforto/ Divulgação)

Blogs que citam este Post

4 de agosto de 2009

BA: Soundsystem mobiliza mutirão de artistas na periferia de Salvador

Junte alguns DJs, MCs e muitas caixas de som. Acrescente uma multidão dançando em volta e você terá um genuíno soundsystem.

Os soundsystems (sistemas de som) são muito populares na Jamaica, uma verdadeira paixão nacional da pátria do reggae. Surgida nos anos 50, a cultura dos soundsystems é
uma das mais sólidas tradições jamaicanas, por onde passa boa parte da cultura popular daquele país.

Se depender do pessoal do ministereopublico - Sistema Perambulante de Som também serão populares em breve na Bahia.

Formado em 2004, o ministereopublico vem, ao longo dos anos, ocupando ruas, praças, bairros e casas noturnas da capital baiana, com o intuito de popularizar e fortalecer a cultura de soundsystem no Estado.

Único soundsystem de Salvador especializado em reggae, dub, ragga, dancehall e jungle, o Ministereopublico também começa a fazer uma pequena revolução nas periferias de Salvador.

A comunidade se mobiliza pela arte no Mutirão Mete Mão

A comunidade se mobiliza pela arte no Mutirão

É o Multirão Mete Mão, evento itinerante que percorre os bairros da periferia soteropolitana, mobilizando artistas locais, grafiteiros, estudantes, músicos, líderes comunitários, professores, e, é claro, os “anfitriões-moradores”.

Realizado em conjunto com o grupo de graffiti 071 Crew, o Multirão Mete Mão é inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas de Recife e do Rio de Janeiro.

O diálogo com o público flui principalmente fez através do graffiti e da ambientação sonora baseada na música jamaicana, cultura que têm forte influência no som produzido na Bahia.

No Mutirão, entretanto, tem de tudo. Malabares, grupos de percussão, b-boys, palhaço, pintura, teatro infantil. O limite do Multirão é a criatividade da comunidade onde estiver ancorado.

O evento, que acaba de ocorrer em comunidade de Nova Brasilia (Estrada Velha do aeroporto), é mensal. O bairro é selecionado de acordo com a carência de oportunidades de lazer e entretenimento. E o que é mais bacana: geralmente é uma solicitação da própria comunidade.

O Blog das Ruas fez uma entrevista com Murilo F, produtor do Ministereopublico, na qual ele conta um pouco da história do Multirão. Veja o que ele tem a dizer:

Quando e como surgiu a ideia de promover multirões para a juventude das periferias? Qual é o objetivo principal da atividade?

MutirãoMeteMão acontece em Salvador no ano 2007, inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas do Rio de janeiro e Recife. O projeto tem como um dos objetivos centrais a utilização da música e do grafitti para estimular o potencial criativo dos participantes, abrindo um novo canal de comunicação.

A proposta também é promover o intercâmbio entre artistas e comunidades carentes de atividades culturais, dialogando com o público através do graffitti e de um sistema de som nos moldes jamaicanos.

O grafitti está sempre presente no Mutirão

O grafitti está sempre presente no Mutirão

Realizado 14 vezes entre 2007 e 2008 - no Bairro da Paz, Saramandaia, Massaranduba, Itinga, Garcia, Boca do Rio, Federação, Bate Facho, Vasco da Gama, Pituaçu, Castelo Branco e São Lázaro e nas cidades de Feira de Santana e Cachoeira - BA. Nesse ano o Mutirao ja aconteceu em Nova Brasilia e Estrada Velha do Aeroporto.

E por que Mutirão Mete Mão?

Junto a esta belíssima iniciativa da parceria entre ministereopublico, 071Crew e a comunidade agregamos ao projeto uma diversidade de profissionais liberais e não liberais em prol de um objetivo: promover a realização do evento em que todos possam colaborar em algum aspecto interessante a comunidade sem receber dinheiro, por isso ‘mutirão mete mão’.

Existe alguma estrutura ou programação fixa para o desenrolar do evento?

O projeto MutirãoMeteMão, é um evento itinerante mensal que busca percorrer nos bairros e praças de Salvador que necessitem de atividade cultural.

Como vocês decidem quais bairros serão visitados? Existe alguma regularidade para as visitas?

O que leva essa atividade a um determinado bairro é basicamente a carência de lazer e entretenimento e geralmente é uma solicitação da própria comunidade. Não existe um calendário fixo.

E qual é a reação das à chegada de vocês? Há algum tipo de preparação para receber o evento?

Eles já são previamente informados durante a semana que antecede a data de realização do que acontecerá em sua comunidade. Mas o primeiro contato que é o inicio do projeto: chegada ao local, montagem dos equipamentos faz com que surja a curiosidade das pessoas , no segundo contato quando começamos a tocar e o grafitti já está pintado existe o despertar e o terceiro contato a satisfação.

Sempre conversamos com a comunidade junto com os grafiteiros explicando e informando sobre o que realizamos, antes de começarmos a ação.

Como o passar do tempo, o que foi sendo modificado nos mutirões?

Estamos mais organizados, conseguimos alcançar uma maturidade que facilita a desenvoltura e realização do projeto. A quantidade de pessoas que gostariam de trabalhar na realização aumentou. A satisfação das comunidades sempre é positiva.

E, principalmente, que não poderemos parar este projeto tão cedo, pois ainda há muitos bairros a serem visitados e pretendemos disseminar nossa linguagem musical e artística.

"Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada"

Murilo F: "Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada"

Vocês afirmam que a diversidade é uma característica do evento. Ele é aberto a outros gêneros artísticos fora do universo do hip hop e da música eletrônica?

Dentro de suas varias edições nós já tivemos a presença de malabares de luzes e fogo, teatro infantil, oficina de criação de brinquedos infantis, grupo de percussão, grupo de dança, b-boys, workshop sobre técnicas de dj e grafitti, recital de poesias, performance corporal… Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada.

Nessa linha, como líderes comunitários, estudantes, professores, formadores de opinião contribuem para o mutirão?

Eles entram como facilitadores, despertando o interesse dos moradores trazendo-os mais próximos da atividade, para que participem da ação e não permaneçam apenas como espectadores. Funcionam também como nossos maiores veículos de comunicação, pois, além da internet é no “boca a boca” que conseguimos mobilizar a todos, nada melhor do que realizar um evento com vontade, organizado e divulgá-lo.

Que tipo de impacto vocês acreditam ter nas comunidades?

O projeto visa popularizar a cultura urbana, difundindo a linguagem artística através do trabalho da equipe. Dessa forma, as comunidades passam a ter contato com expressões artísticas e por um reflorescimento intelectual levando os jovens a uma reflexão crítica sobre a sua identidade e riqueza cultural, contribuindo para marcar traços na identidade local, ainda que em menor grau e muito mais no imaginário popular, como expressão de uma cultura.

Quando esse impacto é mais concreto?

O fator que mais nos deixa feliz é que quando acabamos e temos que desmontar o equipamento. Vemos ali o quanto conseguimos trazer de satisfação tanto pra gente como pra comunidade. Nunca foi diferente.

Blogs que citam este Post

24 de julho de 2009

Bahia realiza “seletiva” para a final do Festival do Rap Popular Brasileiro

Acontece nas noites de hoje e amanhã, na Praça Teresa Batista, no Pelourinho (Salvador), a etapa baiana do II Festival do Rap Popular Brasileiro. Reunindo 12 bandas locais de rap, o evento gratuito seleciona - da mesma forma que todos os outros estados brasileiros - representantes para a final nacional do II RPB Festival, no dia 26 de setembro, no Rio de Janeiro.

Organizado pela Central Única de favelas, a CUFA, o RPB Festival procura estimular o mercado musical nacional do rap, valorizando a arte que nasceu nas periferias e apresentando novos grupos e cantores de rap.

“Muita gente começa nesses espaços e desponta com o talento aprisionado, e que muitas vezes não teria outra oportunidade de ser apresentado”, argumenta Gog, o “poeta do Rap”, vencedor do Prêmio Hutúz 2008 na categoria “Melhor Videoclipe”.

Para selecionar o representante do Estado na final, a etapa baiana tem como jurados Letieres Leite (Orquestra Rumpilezz), DJ Bandido, Vivian (coordenadora da Didá), Jô Guimarães (arte-educadora da escola Mãe Hilda e Ilê Ayê) e Mona Brito (representante do ‘Movimento Social’).

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

O grupo Quatro Preto também faz trabalhos sociais em bairros de Salvador

- Pô, mano, diz aí você, se coloque no meu lugar: como seria representar o hip hop do meu Estado no Festival nacional? Não sei nem o que dizer… - comenta Pablo, um dos MCs do Quatro Preto, na estrada desde 2002.

Para a etapa baiana, foram inscritas 30 bandas e pré-selecionadas 12. Única rapper do sexo feminino entre as bandas que se apresentam hoje e amanhã, Mahara não acredita que haja discriminação no meio e prega a união em torno da cultura negra.

- É a mesma coisa, tá todo mundo na rua, tem que saber dividir, ter respeito. Depende da cabeça de cada um e da postura da mulher. Ainda não é a mesma quantidade dos homens, mas já tem muita mulher. Ta todo mundo na mesma vibração que é a da negritude do país. Tem discriminação é contra o nosso ritmo, mas agora que a gente está começando a ter voz, a ter vez - argumenta Mahara.

Mahara vê discriminação contra o rap

Mahara vê discriminação contra o rap no Brasil

Traço comum a Mahara, Quatro Preto e a várias bandas que se apresentam na etapa baiana, a incorporação de outros ritmos ao rap parece uma tendência no Estado. “A gente mistura mesmo: entra samba, jazz, maracatu, instrumentos de corda, percussão, baixo”, conta o MC Pablo.

Entretanto, essa tendência parece mas é mal vista pelos grupos do sul, mais alinhados ao hip hop “tradicional”, que ainda dominam o cenário brasileiro.

A estrutura do RPB Festival, que seleciona representantes de cada estado brasileiro para uma grande final, pode ser então um momento de afirmação política de identidades regionais.

- É a nossa chance de mudar um pouco a cara do rap nacional, sempre concentrado nos grupos do Sul. Eles são os que mais se parecem com os americanos e não entendem quando a gente, da Bahia, do Nordeste, mistura os ritmos, afirma a negritude do nosso jeito - diz Janda Mawusi, produtora do Festival.

Blogs que citam este Post

Posts mais antigos »

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol