Terra Magazine

21 de fevereiro de 2009

BA: 117 blocos de matriz africana desfilam no carnaval

Considerado maior festa popular do mundo, o carnaval de Salvador reserva inúmeras surpresas aos foliões.

Neste universo de atrações que pipocam a todo instante, um dos maiores destaques é o Carnaval Ouro Negro, iniciativa para ampliar a visibilidade dos blocos afro, de índio, samba, percussão e reggae no carnaval da capital baiana.

Em 2009, 117 blocos de matriz africana estão na avenida com o apoio do Programa, recebendo valores que variam de R$ 15 a 100 mil cada. Para garantir o desfile dos blocos nos circuitos da folia, o investimento total da Secretaria de Cultura da Bahia foi de R$ 4,2 milhões.

A participação dos blocos “Ouro Negro” na vida cultural da cidade vai muito além de sua apresentação no carnaval. Além de representarem a resistência de valores culturais afrobaianos, desenvolvem, simultaneamente, um trabalho social e de inovação estética nas comunidades em que atuam. Produzem inovações que vira e mexe contagiam todo o carnaval.

Além disso, uma pesquisa da própria Secretaria de Cultura mostra outro aspecto da importância dos blocos de matriz africana: são responsáveis pela absoluta maioria (79,6%) dos postos de trabalho gerados por todas agremiações.

Não é à toa que um desses blocos, o Ilê Ayiê, fundado em 1974, seja considerado um dos marcos da disseminação de uma estética negra pelo Brasil. Até hoje, o Ilê promove, às vésperas do carnaval, a Noite da Beleza Negra, em que é escolhida a Deusa de Ébano de cada ano.

O Cortejo Afro produz quase tudo na própria comunidade

O Cortejo Afro produz quase tudo na própria comunidade

Assim como o Ilê, quase todos os blocos do Carnaval Ouro Negro representam conquistas para a diversidade cultural da Bahia - ou pelo menos têm belas histórias para contar.

Levando milhares de pessoas às ruas da capital baiana, o Afoxé mais famoso do Brasil, os Filhos de Gandhy, foi fundado antes mesmo de existir o trio elétrico, em 1949, um ano após a morte do líder pacifista que inspirou estivadores a cantarem e dançarem pela paz.

Os Sacerdotes, outro afoxé de Salvador, é dedicado ao candomblé, reunindo no circuito do carnaval mais de 800 sacerdotes de terreiros da cidade.

Mais uma agremiação reverencia outro líder negro: fundado em 1997, o bloco Malcolm X surgiu com o objetivo de denunciar os problemas vividos pela comunidade negra da periferia da cidade.

A referência às lutas sociais também é marca do Malê de Balê, que homenageia a Revolta dos Malês, um levante de negros muçulmanos ocorrido em 1835, em Salvador. O bloco é considerado o maior balé afro do mundo por realizar apresentações com 2 mil dançarinos atuando conjuntamente.

Também dado a superlativos é o bloco Os Negões. Originalmente chamado de Os Negões de 1,80m, foi batizado assim porque todos os seus fundadores possuíam pelo menos essa estatura. Somente em 1995, treze anos após a fundação do bloco, passou a permitir a participação de mulheres e homens mais baixos.

Se Os Negões ganhava na altura, o bloco de samba Alerta Geral foi campeão em velocidade: fundado em 1993, a agremiação foi criada faltando apenas 18 dias do carnaval pelo sambista Nelson Rufino e seu parceiro Guilherme Simões. Na quinta-feira de carnaval, o bloco fazia sua estréia na avenida.

O bloco de samba Alerta Geral foi criado em apenas 18 dias

O bloco de samba Alerta Geral foi criado em apenas 18 dias

Fundado pelos moradores do bairro Beiru, o único bairro de Salvador com o nome de um africano (o nigeriano Preto Beiru), o bloco Mundo Negro foi a estratégia encontrada pela população local para garantir que não mudassem o nome do bairro.

Também em benefício do bairro, o Cortejo Afro faz fantasias para as crianças de Pirajá a partir de sobras de pano na terça de carnaval. Os pequenos, então, saem pelas ruas do bairro, um mini bloco infantil com banda própria.

O mundo infantil também é representado pelo bloco Mamulengo da Bahia, o único bloco do Estado composto apenas de bonecões. São 100 bonecos que desfilam do Campo Grande à Praça da Sé, acompanhados de uma banda de choro. Os bonecões representam personalidades internacionais, como Chaplin, Mandela e Gandhi; e nacionais, como Caetano e Jorge Amado.

O Carnaval Ouro Negro tem muitas outras peculiaridades, antes ofuscadas pelos grandes blocos de trio. A força dessas manifestações é a diversidade do carnaval e o motor de sua renovação. Nada como vê-las a pleno vapor.

(fotos: Agecom [1]/ Robson Mendes/ Agecom [2]; Manu Dias/ Agecom [3])

Blogs que citam este Post

17 de fevereiro de 2009

Rock, samba e música eletrônica nos trios de Salvador

Por Luciano Matos

Histórico. Sim, muita gente pode torcer o nariz, mas o Carnaval 2009 deve entrar pra história no quesito diversidade musical. Não dá para dizer que é de repente, já que há algum tempo a folia momesca vem recebendo novidades.

Evidente também que o Axé-Pagode continuam reinando e isso nem é mal. Ruim era não ter possibilidades.

Se nomes como FatBoy Slim foram destaque em carnavais passados, em 2009, uma grande quantidade de atrações que costumam passar longe dos circuitos do Carnaval vão ganhar às ruas. Tem para todos os gostos.

A banda Retrofoguetes comanda um dos trios

A banda Retrofoguetes comanda um dos trios

E sem querer elogiar, mas fazendo justiça, a Secretaria de Cultura do Estado tem um dedo nisso. Alguns trios independentes ganharam garantia de bons horários e, melhor, de atrações de relevância. Resta garantirem trios elétricos de qualidade. Mas antes que falem algo vamos aos fatos e as atrações que irão desfilar.

Entre os convidados, destaque para o trio Rock Novas Tendências, que levará para a rua o “Retrofolia, O Baile de Carnaval dos Retrofoguetes”.

Significa nada menos que o Retrofoguetes, com seu repertório surf music/rockabilly mesclado com uma seleção especial de Carnaval de marchinhas clássicas, músicas instrumentais e sucessos do Trio Elétrico Armandinho, Dodô e Osmar.

A banda recebe como convidados os cariocas do Autoramas (RJ), a cantora Érika Martins (ex-Penélope), entre outros. Para quem não conhece o Retrofolia, a festa vem sendo sucesso nas prévias carnavalescas e foi destaque no Carnaval do Rio Vermelho do ano passado. 

Lobão é um dos roqueiros convidados neste carnaval

Lobão é um dos roqueiros convidados neste carnaval

Parte do Retrofoguetes também estará em outro trio na Avenida. O guitarrista Morotó Slim, para quem não lembra considerado pelo Troféu Dodô & Osmar como melhor instrumentista do Carnaval 2008, é um dos três músicos, além de Júlio Caldas e Jackson Dantas, no Trio da Guitarra Baiana, um dos selecionados do edital da Secult para trios independentes.

No repertório, o carnaval das antigas, com três guitarristas de geraões mais novas usando a velha guitarrinha baiana pra desfilar clássicos dos anos 60, 70 e 80.

 Mais dois trios instrumentais unem guitarras e percussão. Um traz o americano-baiano Arto Lindsay unindo a percussão do Ilê Ayê com as guitarras de nomes como Pedro Sá e Pedro Baby.

O outro leva ao circuito o percussionista Ramiro Musotto com sua orquestra Afrosudaka, formada por 17 percussionistas, berimbaus, duas guitarras baianas e efeitos eletrônicos, mesclando gêneros tradicionais como o Ijexá, a capoeira, o samba duro, o samba-reagge e o frevo com drum’n'bass, funk e ritmos caribenhos.

Ramiro Musotto recebe como convidados o sumido Nikima e o projeto Baiana System, que tem foco na guitarra baiana com bases eletrônicas.

Nesse clima contemporâneo mais um trio selecionado no edital que promete muito na avenida é o Trio Terreiro Circular. No comando, o baiano-carioca Lucas Santtana, acompanhado do projeto Terreiro Circular e do coletivo Ministereo Público (ritmos jamaicanos como dub, raggamuffin e dancehall), além do trabalho de VJs.

Uma outra edição do Trio Novas Tendências traz a Salvador dois ilustres convidados de fora do estado: o pernambucano Otto e a banda cearense Cidadão Instigado, além do roqueiro baiano Márcio Mello.

A banda cascadura garante o rock baiano nos trios

A banda cascadura garante o rock baiano nos trios

Tem também o Rock´n´Trio Salvador, com as bandas Cascadura e Radiola recebendo como convidados o velho Lobão, a cantora Ivana da banda Demoseille e o Dj Bandido.

Completam o line up de artistas contemporâneos o Trio Bahia Sound System, homenageando os Sound Systems, com o cantor de rap Daganja e os grupos Ministereo Público e O Quadro, de Ilhéus.

As cantoras Manuela Rodrigues, Sandra Simões e Cláudia Cunha levam outro trio para a avenida, o Três na Folia.

Manuela Rodrigues, Sandra Simões e Cláudia Cunha levam o Três na Folia

Manuela Rodrigues, Sandra Simões e Cláudia Cunha levam o Três na Folia

Considerado o carro-chefe da programação, trio homenagem Novos Baianos 40 anos remonta o grupo em sua formação que foi às ruas do Carnaval de 1976, com Paulinho Boca de Cantor, Baby do Brasil e Pepeu Gomes.

Tocando rock, samba, chorinho e frevo, o grupo sairá nos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande).

Tem ainda o Trio do Samba, comandado por Edil Pacheco, Nelson Rufino e Valmir Lima, com o samba mais tradicional e o trio Samba do Recôncavo, com Mariene de Castro, Roberto Mendes e Raimundo Sodré, com a participação de grupos populares de samba-de-roda.

 

Mariene de Castro canta no trio Samba do Recôncavo

Mariene de Castro canta no trio Samba do Recôncavo

O trio No Interior da Folia trará artistas do interior da Bahia misturando pop, black music e ritmos nordestinos da banda Macambira Verniz, com ritmos nordestinos dos Matingueiros e o samba do Recôncavo de Guda Monteiro, Ulisses Castro e Gege Nagô.

Para quem gosta de música eletrônica mais porrada tem uma enxurrada de DJs, como Armin Van Buuren, David Guetta, Carl Cox, Erick Morillo, Gui Boratto, Mario Fischetti, Mary Zander, entre outros.

Mas para quem procura algo mais consistente, bem mais, o Afrika Bambaataa, considerado fundador do Hip Hop e precursor da pick ups, é atração nos dias 22 e 23 (domingo e segunda-feira de Carnaval) num camarote na Barra e na Praça Tereza Batista no Pelourinho.

Luciano Matos é jornalista, DJ e produtor cultural. Escreve o blog El Cabong.

(fotos: Retrofoguetes/ divulgação [1]; Lobão/ divulgação [2]; Ricardo Ferro [3]; Três na Folia/ divulgação [4]; Edgar de Souza [5])

 

Blogs que citam este Post

11 de fevereiro de 2009

Escolas de samba mirins desfilam no Rio

Na sexta-feira de carnaval, o sambódromo do Rio de Janeiro é interditado para os adultos. Das 17h até a meia-noite, cerca de 40 mil crianças e adolescentes fazem um desfile com toda a pompa e circunstância das escolas de gente grande.

Abertas ao público, as arquibancadas do sambódromo lotam para ver os pequenos sambistas.

Dezesseis agremiações carnavalescas mirins passam pela Marquês de Sapucaí, todas compostas por garotos e garotas com idades que variam de cinco a 17 anos.

– Desfilar no Sambódromo é um aprendizado que marca a vida de qualquer um. Essas crianças nunca vão esquecer isso – afirma Edson Marinho, presidente da Associação de Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro (AESM-Rio), que organiza a festa.

No desfiles das escolas de samba mirins, crianças e adolescentes são responsáveis por quase tudo. Até o samba-enredo é composto por eles.

Como nas escolas “grandes”, os sambas são escolhidos em disputas nas quadras das escolas, quando os jovens compositores apresentam seus trabalhos e a comunidade da escola elege o vencedor.

Embora na forma se pareça bastante com os desfiles oficiais, muitas escolas de samba tentam preservar o desfile mirim como um espaço infanto-juvenil.

- Nunca gostei de crianças vestidas de adulto. As fantasias e adereços da nossa escola são de crianças. Precisamos lembrar que aqui as crianças são as protagonistas e o espetáculo também é assistido principalmente por crianças – argumenta Ricardo Dias, presidente da Estrelinha da Mocidade.

Além de realizarem um espetáculo à parte no carnaval carioca, os desfiles mirins são vistos como espaços de formação para os sambistas do futuro e locais de descoberta de talentos.

- Tem toda uma geração de sambistas que passaram pelas escolas de samba mirins. O Zé Paulo, intérprete da Caprichosos de Pilares; o Tinga, intérprete da Vila Isabel; as porta-bandeiras Marcela Alves, da Mocidade, e Lucinha Nobre, da Unidos da Tijuca; o sambista Dudu Nobre. Todos passaram pelas escolas de samba mirins – comenta o presidente da AESM-Rio.

Ricardo Dias, da Estrelinha da Mocidade, vai ainda mais fundo e diz que a realização dos desfiles mirins “é uma forma de preservar a cultura do samba”.

- O desfile do Grupo Especial virou um negócio. No desfile mirim isso ainda não chegou. Essa é uma iniciativa para preservar futuro do samba – afirma.

Há, inclusive, todo um esforço de dar visibilidade aos sambistas e passistas formados nas escolas, logo que é proibida a participação deles após completarem 18 anos.

Para divulgar o trabalho dos garotos, os samba-enredos das escolas mirins são compilados anualmente em CD e vendidos nas quadras das escolas e no site da AESM-Rio.

Por assumirem a responsabilidade de menores, há todo um sistema de regras para garantir a segurança dos participantes, feito em conjunto com o juizado de menores.

Só desfilam crianças entre 5 e 17 anos, matriculadas na rede de ensino, que tenham autorização dos pais e estejam devidamente identificadas. Além disso, é exigida a presença de um adulto para cada grupo de 10 crianças.

Há também toda uma série de normas para o relacionamento das crianças e carros alegóricos e outros elementos do desfile.

A AESM- Rio tem ainda requisitos mínimos para cada escola participar do desfile, como: levar no mínimo mil componentes; ter duas alegorias, 30 baianas, 100 ritmistas, 30 passistas e cumprir quesitos como mestre-sala e porta-bandeira e comissão de frente.

Este ano, o desfile das escolas de samba mirins é transmitido ao vivo pela internet (link no site da AESM-Rio). Para 2010, o plano é mais ousado: o presdidente da Associação de Escolas de Samba Mirins me garantiu que está em negociação a transmissão via TV aberta.

Origem

A primeira escola de samba mirim foi a Império do Futuro, associada ao Império Serrano e fundada em cinco de agosto de 1983. Desfilou pela primeira vez no carnaval do ano seguinte.

Em 1984, surgiu o Império das Princesas Negras, uma escola que não existe mais e deu origem à Infantes do Lins. Naquele ano, as crianças da comunidade Lins de Vasconcelos assumiram completamente a responsabilidade pela escola, produzindo as fantasias, adereços e tudo o mais necessário para o desfile, que aconteceu ainda em dezembro do mesmo ano.

O Império das Princesas Negras inspira, até hoje, o desfile das escolas mirins, permeado pela de protagonismo infanto-juvenil.

A partir de então, surgiram várias escolas, muitas tendo por trás escolas-mães. Mangueira do Amanhã (Mangueira), Filhos da Águia (Portela) e a Herdeiros da Vila (Vila Isabel) são alguns exemplos.

Também surgiram escolas mirins que não possuem escola-mãe, como a Corações Unidos do Ciep e a Mel do Futuro.

Em meados da década de 80 desfilavam na avenida Rio Branco. A partir de 89, passaram para o Sambódromo do Rio e, desde 2000, os defiles ocorrem na sexta-feira de carnaval.

As escolas de samba mirins são consideradas por muitos um trabalho social, porque lá também oferecem uma série de cursos e outros tipos de assistência às crianças e à comunidade.

– O desfile é a coroação do trabalho social que fazemos durante o ano inteiro – afirma Ricardo Dias, da Mocidade.

(Fotos: Arleson Rezende e Diego Mendes)

Blogs que citam este Post

8 de fevereiro de 2009

Salvador escolhe “musa do samba”

Tags:, , , , , - iurirubim às 13:20

O samba da Bahia também tem as suas musas. Prova disso é a 2a edição do Concurso Musa do Samba, que acontece hoje em Salvador, no Clube Fantoches da Euterpe, a partir das 16h (horário local).

- O carnaval tem rainha, princesa e o samba nunca teve uma personalidade que o representasse. Queremos ter uma musa que inspire os sambistas – comenta Wilson Santos, presidente do Clube do Samba, entidade realizadora do concurso.

Trinta e uma concorrentes ao título disputam as três premiações (mil reais para a primeira colocada, e quinhentos para os segundo e terceiro lugares).

A visibilidade obtida através do concurso talvez seja um prêmio ainda maior: segundo a organização do evento, as vencedoras da primeira edição do concurso, realizado no final de 2007, assinaram contratos de propaganda, e viajaram para representar o samba até mesmo fora do país. “Um dos nossos jurados, por exemplo, é empresário de samba na Itália”, revela Santos.

O Samba da Bahia também tem as suas musas

O Samba da Bahia também tem as suas musas

O presidente do Clube do Samba tem preocupação especial com certo preconceito ligado à área. “Ser bailarina de samba também é um trabalho. Temos que desmistificar essa história que toda sambista é prostituta”, afirma.

Na verdade, a seleção das musas já começou antes há algum tempo, através de uma votação no site do Clube do Samba. A votação tem o objetivo de influenciar os jurados. “É como uma torcida organizada; os jurados vão olhar diferente para as que forem melhor votadas”, explica Jaciene Lopes, a coordenadora do concurso.

A coordenadora chama atenção para um dos critérios da escolha das musas: “Tem que ter o samba no pé e na cabeça. Se ela não conhecer o samba ou não souber se expressar, como vai nos representar?”.

Uma das tarefas da nova musa será justamente representar o samba da Bahia em diversos eventos que valorizem o ritmo, como o projeto Samba Todo Dia, que acontece no Terreiro de Jesus (Pelourinho).

- O samba é como uma religião. Em um ano, só não fizemos samba em três dias: no natal, no dia primeiro de janeiro e no Corpus Christi. E, a partir do dia 10 de fevereiro, estamos fazendo também o samba da meia noite: todo dia, um grupo vai tocar de meia-noite às duas da manhã – anuncia Wilson Santos.

Blogs que citam este Post

4 de fevereiro de 2009

Últimos dias para ver de graça as Escolas de Samba do Rio

Atenção, apreciadores do carnaval carioca atingidos pela crise econômica: ainda dá tempo de assistir, totalmente de graça, aos ensaios técnicos das Escolas de Samba.

Para quem não está sabendo ainda, as Escolas do Grupo Especial têm datas marcadas para testar no sambódromo o que já vêm ensaiando em suas quadras o ano inteiro.

E o melhor de tudo: os ensaios são gratuitos. É chegar, sentar e curtir.

Em 2009, as escolas do Grupo de Acesso (Grupo A, tipo uma segunda divisão) passaram a também ter o direito de fazer ensaios técnicos no sambódromo.

Os ensaios técnicos são a única oportunidade de “gente comum” assistir ao vivo a - pelo menos uma parte - de um dos espetáculos mais concorridos do país. Uma oportunidade de diversão para cerca de 40 mil pessoas, quase um clássico do futebol.

Afinal, com exceção das arquibancadas ditas populares, o preço dos ingressos das arquibancadas mais baratas no desfile do Grupo Especial custam R$ 110,00. As mais caras podem chegar até R$ 550,00. Já os camarotes custam entre 17 e 77 mil, de acordo com a localização e a quantidade de lugares.

É também uma oportunidade para estar perto de celebridades só vistas pela TV, como as rainhas de bateria das Escolas de Samba.

Pelo calendário de ensaios que faltam (veja programação abaixo), estrelas como Luiza Brunet (Imperatriz Leopoldinense), Viviane Araújo (Salgueiro), Luma de Oliveira (Portela) e Adriane Galisteu (Porto da Pedra) ainda poderão ser vistas no sambódromo.

Com a proximidade do carnaval, os ensaios vão ficando mais concorridos. Um amigo esteve no da Vila Isabel e só conseguiu lugar no setor 9 (confira o mapa do sambódromo).

Como de praxe, a escola campeã do ano anterior (no caso, a Beija-Flor) faz o último ensaio técnico, em que são testados o som e a luz do sambódromo. Vale a pena conferir.

Programação ensaios técnicos:

Sexta-feira (6/2): 21h - Mocidade
Sábado (7/2): 18h30 - Inocentes de Belford Roxo (grupo A); 20h - Porto da Pedra
Domingo (8/2): 18h30 - União da Ilha (grupo A); 20h - Unidos da Tijuca; 22h - Salgueiro

Sexta-feira (13/2): Pintura do Sambódromo
Sábado (14/2): 21h - Portela; 23h - Imperatriz Leopoldinense
Domingo (15/2): 21h - Beija-flor (Teste de som e luz do Sambódromo)

(foto: Kadu Ferreira/ Photo Rio News)

Blogs que citam este Post

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol