Terra Magazine

5 de agosto de 2009

Soundsystem celebra Dia da Jamaica em Praça de Belo Horizonte

Se o ministereopublico está levando a cultura dos soundsystems para a periferia de Salvador, o RoodBoss Soundsystem dissemina a cultura musical jamaicana pelas praças de da capital mineira.

O sistema de áudio, instalado eventualmente no espaço público de BH, também se inspira nos antigos sound systems jamaicanos e leva o balanço caribenho em alta potência a uma enorme quantidade e diversidade de pessoas.

No in�cio, apenas uma barraca e os aparelhos de som...

No início, apenas uma barraca e os aparelhos de som...

Enquanto o povo jamaicano celebra a independência de seu país no dia 6 de agosto, o Jamaican Day é comemorado pelo RoodBoss no sábado, dia 8, na Praça da Savassi. Essa é a quarta vez que o RoodBoss Soundsystem chega às praças.

“Trata-se de um evento de rua gratuito onde todos são bem vindos”, diz a equipe do RoodBoss.

... No final, uma multidão dança animada ao som da Jamaica

... No final, uma multidão dança animada ao som da Jamaica

A homenagem tem uma proposta interessante: tentar percorrer as vertentes da música da Jamaica com base na cronologia de seu desenvolvimento.

Dessa forma, vão tocar: Mento/Calypso às 14h, Ska/Jamaican Jazz às 15h, Rocksteady/Early Reggae às 16h, Roots Reggae/Dub às 17h, Dancehall/Ragga às 18h e a partir das 19h uma miscelânea que inclui estilos influentes e influenciados.

Será que, aos poucos, o Brasil também entra na onda dos soundsystems? Estaremos atentos.

(fotos: Roodboss Soundsystem)

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4 de agosto de 2009

BA: Soundsystem mobiliza mutirão de artistas na periferia de Salvador

Junte alguns DJs, MCs e muitas caixas de som. Acrescente uma multidão dançando em volta e você terá um genuíno soundsystem.

Os soundsystems (sistemas de som) são muito populares na Jamaica, uma verdadeira paixão nacional da pátria do reggae. Surgida nos anos 50, a cultura dos soundsystems é
uma das mais sólidas tradições jamaicanas, por onde passa boa parte da cultura popular daquele país.

Se depender do pessoal do ministereopublico - Sistema Perambulante de Som também serão populares em breve na Bahia.

Formado em 2004, o ministereopublico vem, ao longo dos anos, ocupando ruas, praças, bairros e casas noturnas da capital baiana, com o intuito de popularizar e fortalecer a cultura de soundsystem no Estado.

Único soundsystem de Salvador especializado em reggae, dub, ragga, dancehall e jungle, o Ministereopublico também começa a fazer uma pequena revolução nas periferias de Salvador.

A comunidade se mobiliza pela arte no Mutirão Mete Mão

A comunidade se mobiliza pela arte no Mutirão

É o Multirão Mete Mão, evento itinerante que percorre os bairros da periferia soteropolitana, mobilizando artistas locais, grafiteiros, estudantes, músicos, líderes comunitários, professores, e, é claro, os “anfitriões-moradores”.

Realizado em conjunto com o grupo de graffiti 071 Crew, o Multirão Mete Mão é inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas de Recife e do Rio de Janeiro.

O diálogo com o público flui principalmente fez através do graffiti e da ambientação sonora baseada na música jamaicana, cultura que têm forte influência no som produzido na Bahia.

No Mutirão, entretanto, tem de tudo. Malabares, grupos de percussão, b-boys, palhaço, pintura, teatro infantil. O limite do Multirão é a criatividade da comunidade onde estiver ancorado.

O evento, que acaba de ocorrer em comunidade de Nova Brasilia (Estrada Velha do aeroporto), é mensal. O bairro é selecionado de acordo com a carência de oportunidades de lazer e entretenimento. E o que é mais bacana: geralmente é uma solicitação da própria comunidade.

O Blog das Ruas fez uma entrevista com Murilo F, produtor do Ministereopublico, na qual ele conta um pouco da história do Multirão. Veja o que ele tem a dizer:

Quando e como surgiu a ideia de promover multirões para a juventude das periferias? Qual é o objetivo principal da atividade?

MutirãoMeteMão acontece em Salvador no ano 2007, inspirado em movimentos semelhantes que já acontecem nas favelas do Rio de janeiro e Recife. O projeto tem como um dos objetivos centrais a utilização da música e do grafitti para estimular o potencial criativo dos participantes, abrindo um novo canal de comunicação.

A proposta também é promover o intercâmbio entre artistas e comunidades carentes de atividades culturais, dialogando com o público através do graffitti e de um sistema de som nos moldes jamaicanos.

O grafitti está sempre presente no Mutirão

O grafitti está sempre presente no Mutirão

Realizado 14 vezes entre 2007 e 2008 - no Bairro da Paz, Saramandaia, Massaranduba, Itinga, Garcia, Boca do Rio, Federação, Bate Facho, Vasco da Gama, Pituaçu, Castelo Branco e São Lázaro e nas cidades de Feira de Santana e Cachoeira - BA. Nesse ano o Mutirao ja aconteceu em Nova Brasilia e Estrada Velha do Aeroporto.

E por que Mutirão Mete Mão?

Junto a esta belíssima iniciativa da parceria entre ministereopublico, 071Crew e a comunidade agregamos ao projeto uma diversidade de profissionais liberais e não liberais em prol de um objetivo: promover a realização do evento em que todos possam colaborar em algum aspecto interessante a comunidade sem receber dinheiro, por isso ‘mutirão mete mão’.

Existe alguma estrutura ou programação fixa para o desenrolar do evento?

O projeto MutirãoMeteMão, é um evento itinerante mensal que busca percorrer nos bairros e praças de Salvador que necessitem de atividade cultural.

Como vocês decidem quais bairros serão visitados? Existe alguma regularidade para as visitas?

O que leva essa atividade a um determinado bairro é basicamente a carência de lazer e entretenimento e geralmente é uma solicitação da própria comunidade. Não existe um calendário fixo.

E qual é a reação das à chegada de vocês? Há algum tipo de preparação para receber o evento?

Eles já são previamente informados durante a semana que antecede a data de realização do que acontecerá em sua comunidade. Mas o primeiro contato que é o inicio do projeto: chegada ao local, montagem dos equipamentos faz com que surja a curiosidade das pessoas , no segundo contato quando começamos a tocar e o grafitti já está pintado existe o despertar e o terceiro contato a satisfação.

Sempre conversamos com a comunidade junto com os grafiteiros explicando e informando sobre o que realizamos, antes de começarmos a ação.

Como o passar do tempo, o que foi sendo modificado nos mutirões?

Estamos mais organizados, conseguimos alcançar uma maturidade que facilita a desenvoltura e realização do projeto. A quantidade de pessoas que gostariam de trabalhar na realização aumentou. A satisfação das comunidades sempre é positiva.

E, principalmente, que não poderemos parar este projeto tão cedo, pois ainda há muitos bairros a serem visitados e pretendemos disseminar nossa linguagem musical e artística.

"Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada"

Murilo F: "Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada"

Vocês afirmam que a diversidade é uma característica do evento. Ele é aberto a outros gêneros artísticos fora do universo do hip hop e da música eletrônica?

Dentro de suas varias edições nós já tivemos a presença de malabares de luzes e fogo, teatro infantil, oficina de criação de brinquedos infantis, grupo de percussão, grupo de dança, b-boys, workshop sobre técnicas de dj e grafitti, recital de poesias, performance corporal… Tentamos fazer, simplesmente, que esta diversidade esteja organizada.

Nessa linha, como líderes comunitários, estudantes, professores, formadores de opinião contribuem para o mutirão?

Eles entram como facilitadores, despertando o interesse dos moradores trazendo-os mais próximos da atividade, para que participem da ação e não permaneçam apenas como espectadores. Funcionam também como nossos maiores veículos de comunicação, pois, além da internet é no “boca a boca” que conseguimos mobilizar a todos, nada melhor do que realizar um evento com vontade, organizado e divulgá-lo.

Que tipo de impacto vocês acreditam ter nas comunidades?

O projeto visa popularizar a cultura urbana, difundindo a linguagem artística através do trabalho da equipe. Dessa forma, as comunidades passam a ter contato com expressões artísticas e por um reflorescimento intelectual levando os jovens a uma reflexão crítica sobre a sua identidade e riqueza cultural, contribuindo para marcar traços na identidade local, ainda que em menor grau e muito mais no imaginário popular, como expressão de uma cultura.

Quando esse impacto é mais concreto?

O fator que mais nos deixa feliz é que quando acabamos e temos que desmontar o equipamento. Vemos ali o quanto conseguimos trazer de satisfação tanto pra gente como pra comunidade. Nunca foi diferente.

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