Terra Magazine

5 de junho de 2009

Festival Internacional de Teatro de Bonecos comemora 10 anos em BH

Pelo décimo ano consecutivo, a capital mineira recebe o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que começa hoje e vai até o dia 14 de junho, ocupando vários espaços da cidade e mobilizando cerca de 20 mil pessoas.

O Festival já foi incorporado ao calendário oficial de Belo Horizonte, considerada a cidade brasileira que melhor acolhe - e onde é mais desenvolvida - essa arte milenar.

Tradicionalmente, o Festival reúne talentos nacionais e internacionais da manipulação de objetos. Nesta edição, dez representantes da arte (seis nacionais e quatro estrangeiros) foram convidados a participar. O número de atrações é menor do que os anos anteriores. Culpa, mais uma vez, da crise financeira internacional.

- Fomos pegos de surpresa pela crise econômica mundial. O Festival quase não sai, mas não poderíamos deixar de celebrar o nosso décimo aniversário: fizemos na raça. Ficou uma edição um pouco mais enxuta, só que sem abrir mão da qualidade técnica - conta Adriana Focas, uma das organizadoras do evento.

Teatro de sombras está presente com força no Festival

Teatro de sombras está presente com força no Festival

Ainda que as atrações não sejam tantas quanto o público de BH está acostumado e com apenas R$ 215 mil de patrocínio, o Festival oferece uma programação com bela diversidade de técnicas de manipulação, permitindo aos mineiros estar em contato com a vanguarda do teatro de bonecos.

- O teatro de bonecos tem assumido nova personalidade, incorporado outras linguagens, como sombras, projeções e dança. Estamos trazendo, por exemplo, um grupo de vanguarda da Finlândia, que mistura teatro de objetos e circo. Na verdade, “Teatro de Bonecos” é meio redutor. Deveria se chamar “teatro de animação ou de formas animadas”. Afinal, interessa qualquer objeto que você consiga dar uma alma - argumenta Adriana Focas.

As atrações incluem também o teatro de sombras (”Pépé e Estella”, Cia Gioco Vitta - Itália) e interação entre o ator e bonecos em tamanho natural (”Don Juan, O Memoria Amarga de Mí”, Cia Pelmànec - Espanha).

BH é a "capital do teatro de bonecos" no pa�s

Belo Horizonte é a "capital do teatro de bonecos" no país

Já um grupo da Alemanha, a Cia Erfreuliches Theater Erfurt, faz um espetáculo infantil (”Adieu, Benjamin”) que gira em que torno da morte de um menino, tema considerado tabu.

- Aqui eu coloquei uma recomendação para que o espetáculo fosse assistido por pessoas acima de nove anos. Na Alemanha é infantil, mas nunca vi esse tema ser tratado no Brasil - comenta a organizadora do Festival.

Essa mesma companhia faz outra apresentação (”Rainha das cores”), na qual um desenho animado é produzido ao vivo.

Teatro de bonecos não é mais considerado "coisa de criança"

Teatro de bonecos superou o preconceito e não é mais considerado "coisa de criança"

Isso tudo sem contar as montagens nacionais, também com linguagens mescladas, como Companhia PeQuod, no seu “Chegada de Lampião ao Inferno”.

Por conta da redução de custos, nesta edição acontece apenas uma montagem de rua, com entrada franca: “O Romance do Vaqueiro Benedito”, da Cia Mamulengo Presepada, que acaba de retornar de turnê em Portugal. A Presepada é uma das representantes do tradicional mamulengo no evento.

- Sabia que os mamulengos são mais valorizados lá fora do que aqui? São extremamente valorizados na Europa, muito mais do que Brasil, por incrível que pareça. Os poucos mamulengueiros que sobraram aqui não ganham bem, não têm o reconhecimento que merecem - alfineta a organizadora do Festival.

Apesar de ocuparem imaginário popular brasileiro, os mamulengos são mais valorizados fora do pa�sl

Apesar de ocuparem imaginário popular brasileiro, os mamulengos são mais valorizados fora do país

Além dos espetáculos, acontece o evento organiza a exposição Bonecos de Minas, com mais de 40 bonecos de 16 companhias do Estado. São marionetes, fantoches, tringles, títeres de manipulação direta sobre balcão, sombras, bonecos gigantes, mecanismos e estéticas variadas, todos feitos por mãos mineiras. A exposição, cuja entrada também é gratuita, teve início esta manhã e abriu oficialmente o Festival.

Formação

Um dos orgulhos do Festival é participar na formação da cena de teatro de bonecos de Belo Horizonte.

- Tentamos fazer o evento e qualificar o ambiente cultural da cidade. Desde a primeira edição, surgiram várias companhias. Acredito parte do que existe hoje seja um pouco responsabilidade nossa - comenta Adriana Focas.

Festival também investe na formação dos artistas

Festival também investe na formação dos artistas

Para esse público especial, artistas que já trabalham com teatro de bonecos, o evento tem duas atividades específicas de formação. A oficina de mecanismos e articulações, com 20 vagas e ministrada por Paulo Nazareno (Cia Nazareno Bonecos) e a aula-espetáculo sobre a arte do títere na Índia, realizada pela titireteira, professora e pesquisadora Madga Modesto.

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26 de abril de 2009

BH comemora o Dia Nacional do Teatro de Bonecos

Desfile de bonecões e mini-apresentações gratuitas exploram a diversidade de técnicas do gênero.

Quem nunca riu como criança assistindo um grupo de fantoches? Ou se emocionou com os movimentos extraordinariamente humanos de bonecos que pareciam mover-se sozinhos?

Oficialmente comemorado no dia 27 de abril, data de fundação da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos, o Dia Nacional do Teatro de Bonecos será lembrado em Belo Horizonte neste domingo, com espetáculos gratuitos na Praça do Sol (Parque Municipal). A celebração vai das 10 até 13h.

Arte milenar, o teatro de bonecos mostra toda a sua versatilidade no evento, que tem desde marionetes e bonecos de luva a bonecões. Usando um caminhão-palco, os grupos e bonequeiros se revezam apresentando cenas curtas, que duram de 10 a 15 minutos.

Além das apresentações, o evento também conta com um desfile de bonecões, pernas de pau, caixas de teatro - inspiradas nos fotógrafos chamados de lambe-lambe - e mini oficinas.

A capital mineira vem se tornando ao longo dos últimos anos uma potência brasileira dos praticantes dessa arte.

Lar do grupo Giramundo, um dos mais consagrados do país, e de muitos outros grupos e bonequeiros, a cidade e o estado vêm incorporando o teatro de bonecos às suas políticas públicas de cultura e abrindo espaço para esse gênero das artes cênicas.

Cauê Salles, 42, é bonequeiro e membro da Associação de Teatro de Bonecos do Estado Gerais, que organiza o evento de hoje. Ele presenciou esta mudança de ares.

- Teve anos que a gente lamentou muito [o Dia Nacional do Teatro de Bonecos], sem vontade nem de ir para rua comemorar. Antes, a gente não conseguia apresentar espetáculos nos teatros públicos. Agora, disputamos os espaços quase de igual para igual - afirma.

Cauê conta que participou recentemente de projetos em que os bonequeiros circulavam pelas cidades mineiras não apenas apresentando espetáculos, mas fazendo oficinas e ensinando as técnicas e o lado artesanal da arte, que é a produção dos objetos de trabalho.

- Isso garante continuidade. Amplia a platéia desse tipo de teatro e deixa uma semente para o surgimento de futuros artistas - destaca o bonequeiro.

Salles chama atenção para as diversas possibilidades de uso do teatro de bonecos, que vão além das apresentações tradicionais. “Pode ser utilizado em terapias, no processo de alfabetização… o problema é que o mercado fatalmente vê a gente de uma forma muito setorial”, diz.

Outro entrave ao desenvolvimento da arte, na opinião do bonequeiro, é uma equivocada familiaridade que as pessoas têm com o teatro de bonecos. “Falam assim: ‘Ah, já mexi com teatro’, ‘eu sei fazer também’, sem compreender a complexidade da coisa”, argumenta.

Empolgado, o bonequeiro dá uma rápida aula sobre as diferentes técnicas de teatro de bonecos:

- Existem técnicas de bonecos de fios (as marionetes); luva (com dedo ou mão); manipulação direta; vara colada em baixo ou em cima do boneco; boneco habitável; gatilho (feito com mola); bonecos de sombra e boneco com corpo deslocado (mão fantasma). É possível também juntar uma técnica com outra e descobrir outros resultados - explica.

Aproveito a deixa para comentar como ele se sente sabendo que o público que assiste aos espetáculos não percebe toda essa complexidade.

- É bacana quando desperta uma curiosidade para isso, mas o público que vai ver não precisa saber que o bailarino ficou ali horas e horas… o que importa é a perfeição e o encantamento. Quando a gente vê que a coisa é boa, não precisa de legenda.

(fotos: divulgação/Atebemg)

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1 de março de 2009

GO: Fim de semana de música, teatro e circo em Pirenópolis

Desde ontem, as praças do centro histórico de Pirenópolis, uma das cidades mais charmosas de Goiás, recebem música, teatro e circo.

Oito espetáculos culturais desenvolvidos por artistas brasilienses e pirenopolinos circulam na cidade nesses dois dias, em várias apresentações, completando mais de 10 horas de entretenimento gratuito.

Esta é a primeira edição do projeto Circularte - realizado pelo Instituto Zabilin, com apoio do Ministério do Turismo -, cujo objetivo é valorizar o turismo cultural.

Entre as atrações, palhaços acrobatas, miniteatro de bonecos, brincadeiras infantis, cantigas de trabalho dos agricultores, shows, aula-espetáculo sobre a história das violas, teatro de cordel e um auto teatral sobre histórias, mitos, lendas de Pirenópolis.

Ainda dá tempo de ver

Embora boa parte das apresentações tenha ocorrido neste sábado e na manhã de hoje, ainda dá tempo de ver algumas. Às 16h, no Alto do Bonfim (Vila Mutirão), são apresentados os espetáculos “O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” (teatro) e “Tome sua Poltrona” (circo), de Brasília, e o “Teatro de Jovens da Escola da Vila”, de Pirenópolis.

“O Rapaz da Rabeca e a Moça da Camisinha” é um espetáculo de rua cuja temática, o uso dos preservativos, é tratada a partir de um divertido teatro de cordel. Ao final da apresentação, são distribuídas camisinhas para o público.

Já o espetáculo circense “Tome sua Poltrona” mostra dois palhaços acrobatas, que dançam manipulando objetos e fazem números de magia cômica. Dirigido por Denis Camargo, com atuação de Érika Mesquita e Atawallpa Coello, o espetáculo tem na música (clássica, popular e jazz) o elemento chave na evolução das cenas.

Finalmente, o grupo de Teatro de Jovens da Escola da Vila encerra a programação com um auto teatral contando a história de Pirenópolis reinventada pelo grupo a partir dos relatos e memórias do Mestre Griô Bastião de Chica, atualmente com 92 anos de idade.

(foto: Flogão Circo Rebote)

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