GO: Após 23 dias, Festa do Divino chega ao fim em Pirenópolis
Este domingo, o Imperador vai desfilar sobre as ruas de Pirenópolis, acompanhado de virgens e levando seu cortejo para uma missa solene na igreja matriz da cidade. Após a missa, cantada em latim, será escolhido um novo Imperador, que governará a cidade apenas na próxima Festa do Divino, no ano seguinte.
A Festa do Divino Espírito Santo é a celebração popular mais importante de Pirenópolis. Tanto que está em processo de tombamento e poderá obter status de Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, reconhecido pelo IPHAN. Tradicional, acontece na cidade desde a segunda metade do século XVIII, embora tenha sido documentada pela primeira vez apenas em 1819.
Grande expressão da fé católica, a Festa do Divino tem origem difusa na Europa. Ao atravessar o atlântico, ganhou a participação de índios e negros e também cedeu à mistura, incorporando folguedos profanos e originais de outras datas religiosas, a exemplo do Congo, dos Mascarados, das Cavalhadas e das Pastorinhas.
Em Pirenópolis, a Festa do Divino dura 23 dias. Começou no dia oito de maio, com a saída da Folia do Divino Espírito Santo denominada popularmente “Folia do Padre”, percorrendo a zona rural do município.
No dia 24 de maio, a Folia do Espírito Santo desfila na cidade em busca da casa do Imperador. No mesmo dia, é levantado o mastro, com direito a fogueiras e queima de fogos.
Daí em diante, todos os dias começam com Alvoradas, a Novena do Espírito Santo (então no terceiro dia) continua até o sábado e a semana é ocupada com muitas outras atividades.
Toda essa preparação leva ao domingo, último dia da Festa - pela tradição, o Domingo de Pentecostes (50 dias após a Páscoa).
Figura central da Festa, o Imperador é escolhido por sorteio, no domingo do ano anterior. Qualquer um pode se candidatar para o nobre cargo, sob o qual repousa a responsabilidade de organizar a Festa. “Se rico, promove a festa com suas posses; se pobre a promove com a ajuda do povo”, diz a tradição pirinopolina.
Os habitantes da cidade também podem se oferecer para a posição quantas vezes quiserem. Na relação dos Imperadores da Festa, que em 2009 chega ao número 191, várias pessoas já foram sorteadas por duas ou três vezes.
O Imperador tinha bastante prestígio na época dos primeiros registros oficiais da Festa do Divino, no início do Séc. XIX. Tão grande que, naqueles tempos, possuía inquestionável autoridade, a ponto de libertar da cadeia presos políticos, o que realmente era feito.
Foi justamente um Imperador, o Padre Manuel Amâncio da Luz, quem introduziu as Cavalhadas, simulação da luta entre mouros e cristãos, que começa no Domingo do Divino e dura três dias.
Além disso, o mesmo Pe. Amâncio mandou confeccionar uma coroa de pura prata, a Coroa do Divino, oferecendo-a à Igreja Matriz, e distribuiu à população pãezinhos e alfenins, docinhos feitos de açúcar puro chamados de Verônicas, ato que também foi incorporado à tradição da Festa.
Quem estiver por perto de Pirenópolis e nunca teve a oportunidade de conhecer um Imperador, essa é sua chance. Hoje ou daqui a um ano.
(fotos: Portal de Turismo de Pirenópolis)














