Terra Magazine

26 de outubro de 2009

Festival indígena vira atração turística no Acre

Começou no último domingo (25/10) o Festival Yawá, um momento de celebração da cultura indígena, de resgate de brincadeiras tradições do povo Yawanawá.

O Festival é o símbolo da independência e da identidade dos Yawanawá. Vítimas de um “massacre cultural” provocado pela intervenção de peruanos, brasileiros e missionários norte-americanos, especialmente nas décadas de 70 e 80, o povo Yawanawá esqueceu sua língua nativa (lembrada apenas pelos mais velhos) e parou de realizar rituais sagrados, como usar rapé e beber o Uni (ayahuasca).

Toda a Aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena do Rio Gregório, para durante o período da festa, que vai até a próxima sexta-feira (30/10). São suspensas todas as atividades cotidianas e todos dedicam-se apenas à imersão de uma semana nos costumes e brincadeiras da tribo, que poderiam desaparecer junto com os seus últimos anciões.

Hoje, graças a um trabalho de recuperação desses referenciais culturais, o povo Yawanawá voltou a sentir orgulho de sua ancestralidade. Mais que isso: aprendeu estabelecer um diálogo saudável com o mundo do homem branco sem que isso signifique abrir mão de seus valores indígenas.

Além dos rituais espirituais do uso do rapé e do Uni, que acontecem com frequência durante a festividade, centenas de índios celebram a terra e a cultura Yawanawá com cantos, pintura corporal e danças - como a pisada no pé, que gera muitos inícios de namoro - e provas de resistência, vistas como oportunidade para os jovens da aldeia exibirem-se às mulheres.

Vale mencionar a prova da espinha de peixe (foto no topo), realizada por indígenas que estejam com “desejo de vingança”. Em duplas, cada oponente dá duas investidas, à toda força, com talo de bananeira nas costas do outro - podem participar da prova, inclusive, mulheres e crianças.

Ao final, a dupla exibe orgulhosa as marcas das chibatadas e dão as mãos, sinalizando que as pendências entre eles estão resolvidas.

O Festival Yawá é uma síntese das tradições e costumes dos Yawanawá

Para os indígenas, o Festival é também uma oportunidade de agradecer aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e pelos momentos de alegria vividos durante esse período.

Etnoturismo

O Festival Yawá começou a ser realizado em 2002, como parte da reconstrução cultural dos Yawanawá.

Desde o anos passado, porém, a festividade foi aberta a turistas, o que representou uma grande abertura para a tribo e um novo marco de diálogo com a cultura do homem branco.

Essa abertura é, na verdade, um entendimento entre os Yawanawá, empresas privadas e autoridades governamentais. Afinal, como diz o secretário de Turismo do Acre, Cassiano Marques: “Não se pode chegar à aldeia de qualquer jeito. É necessário estabelecer limites de visistantes, retonor financeiro para os índios, regras de visitação”.

Além de assistir às atividades do Festival, os turistas também alimentam-se de pratos tradicionais da cultura Yawa, cujos ingredientes predominantes são carnes de caça e peixes e iguarias à base de batata, milho, banana e mamão.

O Festival acontece na Aldeia Nova Esperança, dentro da Terra Indígena do Rio Gregório, a primeira a ser demarcada no Acre, em 1984, e um dos maiores territórios indígenas em solo acreano. No ano passado, a terra foi revista e ampliada, ocupando um perímetro de 239 quilômetros.

A Aldeia fica entre os municípios de Cruzeiro do Tarauacá. Para se chegar é preciso pegar um voo de Rio Branco até um dos dois municípios e transporte terrestre pela BR 364, até a ponte do Rio Gregório. Na ponte, pequenos barcos fazem o trajeto até a aldeia, que pode durar até 8h por conta das condições de navegabilidade.

Algumas empresas, como a Manain-Amazônia, oferecem pacotes para a festa, já bastante requisitados, especialmente por turistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Também é possível fazer contato direto com administradores do povo Yawanawá, como o filho do cacique, Macilvo Yawanawá, pelo telefone (68) 9206.4261.

(fotos: Sérgio Vale/ Secom/Acre)

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4 de abril de 2009

Internauta vai eleger os “sete pontos mágicos” de Salvador

Até o dia 25 de abril, uma eleição na internet vai consagrar os sete pontos mágicos da capital baiana.

Bastante simples, o processo de votação requer apenas que o internauta acesse o site www.7pontosmagicosdesalvador.com.br, escolha sete dos 14 locais pré-selecionados e informe cidade, estado, nome e endereço de correio eletrônico.

Uma vez feita a escolha, o “eleitor” recebe um email, com um link para a confirmação do voto. Após clicar no link, uma página informa a aceitação do voto.

Em 2007, mais de 100 milhões de internautas - e, em alguns casos, governos - de todo o mundo se mobilizaram para escolher as sete novas maravilhas do mundo, organizada pela Fundação New 7 Wonders.

O Centro Histórico é um dos poss�veis "pontos mágicos" da capital baiana

O Centro Histórico é um dos possíveis "pontos mágicos" da capital baiana

Segundo a Fundação, a criação da nova lista pretende ajudar o mundo a conservar o patrimônio construído pelo homem, já que apenas uma das maravilhas originais - as Pirâmides de Gizé, construídas há cinco mil anos - ainda pode ser vista.

O resultado, divulgado no dia sete de julho daquele ano, incluiu o Cristo Redentor como uma das novas maravilhas mundiais. Atualmente, uma nova votação está em curso: as sete novas maravilhas da natureza.

Claramente inspirada na escolha das sete novas maravilhas, a eleição dos “pontos mágicos de Salvador” (seria a mudança de nome uma forma de evitar disputas judiciais?) peca pela superficialidade das informações e, principalmente, pela falta de foco em relação aos 14 pontos pré-selecionados.

Enquanto alguns deles, como Dique do Tororó, são claramente definidos, outros - a exemplo de Península de Itapagipe; Itaupuã-Abaeté - tentam englobar mais de um local, diluindo sua “força” como “ponto mágico”.

Outro poss�vel "ponto mágico", a Igreja do Bonfim está "escondida" na Pen�nsula de Itapagipe

Outro possível "ponto mágico", a Igreja do Bonfim está "escondida" na Península de Itapagipe

Ainda assim, as autoridades de turismo da Bahia acreditam que os sete pontos mágicos podem ajudar a alavancar o turismo na cidade.

- Além disso - afirma o secretário de turismo Domingos Leonelli - a escolha dos pontos mágicos da cidade obrigará os gestores estaduais e municipais a cuidarem melhor de aspectos como segurança, urbanização, limpeza e despertar a consciência cidadã nos empresários e moradores de Salvador.

A campanha já tem ampla aceitação em todo o trade turístico da cidade. Após escolhidos, os pontos devem, inclusive, virar alvo de ações da Bahiatursa, empresa oficial de turismo do Estado.

Lagoa artificial em pleno centro de Salvador, o Dique do Tororó está na lista

Lagoa artificial em pleno centro de Salvador, o Dique do Tororó está na lista

Segundo a presidente da empresa, Emília Silva, “esta é uma grande ferramenta de promoção e que funcionará como um norte para o turista, que terá sete motivos imperdíveis para visitar Salvador”.

Para garantir um grande número de ‘eleitores’ dos sete pontos mágicos de Salvador, a eleição será divulgada em grandes portais de internet da Bahia e outros estados brasileiros.

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